# Luis Gaj — acervo completo Luis Gaj, Professor aposentado da FEA-USP. Sete livros publicados, cinco sobre planejamento estratégico. Fui um dos fundadores da SMSC — Strategic Management Society Conference — e presidente da SLADE, a Sociedade Latino-Americana de Estratégia. Este blog existe para difundir esses trabalhos e provocar o debate: as contribuições dos leitores são publicadas aqui. Fonte: https://luis-gaj.vercel.app · 39 textos · gerado em 2 de setembro de 2026 Ao final de cada texto, quando houver, vêm as CONTRIBUIÇÕES DE LEITORES: cartas enviadas ao autor e publicadas por ele. São de responsabilidade de quem assina cada uma, e não do autor do blog. --- # MUNDO EM CONFLITOS Ensaios · 16 de agosto de 2026 · https://luis-gaj.vercel.app/mundo-em-conflitos Assistimos perplexos a muitos conflitos, a muita destruição, ao desespero de populações que vivem anos sofrendo bombardeios, perseguições e dificuldades para ter uma vida tranquila e civilizada. Na maioria dos conflitos, transformados em ação agressiva, prevalece a incompetência da política, e da negociação, para dar fim à situação criada. Tal o caso do conflito Rússia contra Ucrânia, que já dura desde 2022. O tema dos conflitos possui vários desdobramentos, e uma complexidade imensa de questões. Possui uma dinâmica natural que permite descrever a sua evolução, e o seu desenvolvimento gradativo, e simplificaremos falando em conflitos latentes e numa escala de vários níveis, conflitos possíveis, inicio de conflito, conflito escalando para um nível superior, conflito agressivo e conflito explosivo, ou guerra. Um exemplo de conflitos latentes, encontra-se o conflito da China com a república divergente de Taiwan, e também o conflito entre a Coreia do Norte, e a Coreia do Sul, que em ambos os casos procura-se uma relativa estabilidade, mas manobras e exercícios militares, demonstram o perigo de transformação em invasões, ou domínio militar. Também temos como conflito latente o conflito entre os Estados Unidos e a China, em questões econômicas, como as relações comerciais, na tecnologia, e na área militar. Também como conflito latente, o conflito entre a Otan e a Rússia. Rússia querendo anexar a Ucrânia, e Otan fornecendo armas para Ucrânia se defender e até atacar a Rússia. Nos casos de conflitos armados, e em estado de quase guerra, além da Rússia, temos o caso dos Estados Unidos contra Iran, com o desdobramento econômico, com a obstrução do estreito de Ormuz, que onera o transporte de produtos, atingindo as economias mundiais. Muitos outros conflitos existem pelo mundo e são menos noticiados, mas não menos importantes, e também afetando profundamente a vida dos habitantes, e mencionando alguns temos: Sudão em guerra civil, que já provocou estima-se 100 mil mortos, o golpe militar de Mianmar em 2021 e o confronto com diversos grupos armados, conflito na República democrática do Congo, com grupos rebeldes, em combates localizados mais no leste, e provocando deslocamentos em grande quantidade. Temos também conflito no Iêmen, sem solução definitiva, e ainda na região do Sahek (Mali, Burkina Faso e Níger) com lutas com grupos jihadistas, e crise humanitária. Também é preciso mencionar o importante conflito entre Israel e os diversos grupos palestinos, na Cisjordânia, e em Gaza, mas também no Líbano, com grupo financiado e armado pelo Iran Como pode ser percebido são muitos os conflitos e a impressão e de que não terão fim, devido a interesses geopolíticos, econômicos, ou de natureza pessoal, onde ambição e desejo são fortes fatores decisórios. Importante destacar outro país em situação de conflitos, mesmo que parciais e localizados. Trata-se da Nigéria, o país mais populoso da África, com 239 milhões de habitantes, e uma das economias mais importantes do continente, especialmente em petróleo e gás natural. Na década de 1960, a Nigéria precisava, depois de ficar independente da colonização britânica, construir o seu futuro, mas rivalidades internas provocaram uma guerra que provocou um milhão de mortos. Possui enormes desafios, na governança, na segurança, e com elevada corrupção. E uma república com um governo central cujo presidente e Bola Tinubu, e 36 províncias, e existem conflitos, entre as províncias e o governo central. Realiza eleições, após o governo militar até 1999. Np Nordeste conflitos com a insurgência de grupo extremista ligado ao Estado Islâmico e no Noroeste e Centro, conflitos com grupos armados com sequestros e ataques às populações, possui milhões de deslocados pelo pais e um dos motivos, é a existência de 250 grupos étnicos, e 500 línguas, praticadas pelo pais, mesmo com o inglês como língua oficial. Apesar das perdas humanas, dos deslocamentos, e da miséria nessa época, o mundo ficou indiferente e pouco foi noticiado sobre a Nigéria. Em 1966 Biafra declarou a sua independência e isto provocou forte reação do governo central, que isolou a região, suspendeu o envio de alimentos e medicamentos e provocou a morte de entre 1 a 3 milhões de habitantes, não tanto pela guerra interna, e principalmente pela fome, pela desnutrição, e pelas doenças provocadas pelo isolamento, até que em 1970 Biafra capitulou. Cabe destacar que o mundo silenciou a este massacre, e somente mais tarde, foram divulgadas algumas notícias sobre os acontecimentos. Vamos nos deter um pouco na análise do conflito no Sudão, pais do nordeste da África, com guerra civil, que já dura mais de três anos, desde abril de 2023 entre as forças armadas do Sudão SAF Lideradas por um general, e um forte grupo paramilitar e seu líder. Ambos os principais personagens estavam unidos em 2019, por ocasião da queda do ditador Oman Al Bashir, mas logo depois se desentenderam pelo poder territorial, e pelo poder nas minas de ouro, e nas riquezas. Existem ainda rivalidades étnicas, em Darfur, e países de fora, que por interesses específicos, apoiam uma ou outa parte, colocando lenha no conflito, de guerra civil, que tem provocado imenso deslocamento de pessoas, fugindo dos ataques e também devido a fragilidade do poder, do estado constituído. Em três anos de guerra, o exército recuperou parte da capital do país Cartum, enquanto o grupo paramilitar, e forte no Oeste e em Darfur. Não existem oportunidades e negociações em andamento para uma solução política e negociada, e a crise humanitária se acentua, especialmente provocando miséria e fome, perseguições, muitos milhares de deslocados, e refugiados e destruição de infraestrutura, como hospitais e escolas. Os Emirados Árabes, Egito, Rússia, e outros países, estão envolvidos nesta guerra civil, com muito pouca informação, apesar da crise humanitária, enquanto na guerra da Ucrânia o pais tem uma forte estrutura, recebe muito apoio de países europeus, e ainda temos a República Democrática do Congo, que vive uma crise que já dura décadas de violência contra civis Mas não somente casos localizados em regiões, entre países, e geopolíticos existem. No mundo micro das famílias, no mundo dos condomínios residenciais, no mundo dos negócios entre empresas e no mundo da política, em todas as esferas, existem conflitos, como vemos também entre órgãos públicos, entre executivo e legislativo, entre justiça e governo, entre jornais e entre comunicadores de toda espécie. Dois casos de conflitos pessoais. Tínhamos a Eva e eu, certa vez, um casal de amigos, judeus alemães, imigrados durante a perseguição da segunda guerra, no regime nazista. Era de origem de uma família que tinha se integrado na comunidade alemã, durante várias gerações, mas que mantinha as tradições judaicas na diáspora, primeiro na Bolívia, que foi o único pais que recebia imigrantes fugitivos da guerra, e depois no Brasil. Tiveram um casal de filhos que foram crescendo, estudando, se profissionalizando, e namorando. Acontece que miscigenados com o povo brasileiro, o filho começou a namorar com uma moça católica, que, no entanto, tentou se converter ao judaísmo. Mesmo nesta circunstância, e sendo o pai muito radical, não aceitou que o filho aprofundasse sua relação om esta moca, e mais tarde se negou a aceitar ela como noiva no casamento por amor, do seu filho. Casamento consumado, tiveram filhos nos anos que se seguiram e as relações com os sogros ficaram tensas. A mãe das crianças e esposa rejeitada pelos sogros, e com um casamento feliz, e uma família constituída, proibiu que seus filhos tivessem contato com esses avôs, e orientou seus filhos a um relacionamento amoroso com seus pais. Os pais do noivo e sogros da noiva, tendo tido netos, sentiram profundamente a limitação criada pela intolerância do pai nos anos do noivado, e tentaram aproximação sem sucesso. este um caso de conflito não resolvido por intolerância. Na fase inicial do conflito, deveria ter havido um respeito aos desejos e escolha do filho, e nunca uma postura agressiva de não aceitação, contra a vontade do filho adulto. Mesmo na situação criada, poderia ser encontrada uma solução, mas teria que haver uma atitude humilde e até de pedido de desculpas, para permitir uma reconciliação da família. Um segundo caso de conflito surgiu num condomínio em Campos do Jordão, onde um dos moradores exigia execução de quatro quadras, duas poli esportivas e duas de tênis, mesmo com poucos moradores no início. O incorporador tinha construído já duas quadras e aguardava a oportunidade de ter mais moradores, o que levaria mais um a dois anos, para construir as outras duas. O argumento do incorporador, era que as quadras teriam no futuro muita manutenção e consequentemente despesas para os moradores e que isto teria por isso, que ser gradativo. O atrito estava instalado e as discussões acaloradas não paravam, e as assembleias, que deveriam se pacíficas, se transformaram em belicosas. Orientado por psicólogo, o incorporador resolveu convidar a beligerante para um café da manhã, que foi realizado numa padaria, em lugar neutro, conveniente para as partes. Neste encontro, que durou duas horas, e tomando um bom café, houve a pergunta inicial de apontar claramente a queixa e apresentar claramente, a defesa das posições. Nesta conversa pessoal e amigável foi percebido que ambos tinham as melhores intenções e se chegou a um acordo, e a partir desse dia o conflito foi superado. Para superar conflitos, numa das fazes iniciais, é preciso a intervenção de uma terceira parte, não identificada com nenhum dos envolvidos, ou uma das partes humildemente, procurar aproximação, o que foi feito com sucesso. Casos como estes, restritos a famílias ou pessoas são relativamente fáceis de resolver, mas nem sempre possíveis, e são muito frequentes, originados por um desentendimento, por uma afirmação duvidosa, ou por uma atitude considerada ofensiva. Observa-se a complexidade, e a amplitude, que tem o tema dos conflitos, e lamentavelmente, estamos vivenciando a intolerância, os personalismos, a decadência da política, das negociações, e da diplomacia na mediação dos conflitos, e na procura por soluções que não afetem a vida de milhões de pessoas neste nosso mundo pequeno e confuso. Como os conflitos não são produto de fatores ambientais e externos, eles dependem do ser humano, e todos podem ser administrados e resolvidos. Isto depende do ser humano e recomendo o livro Sim, E Possível de William Ury, um interventor que age com criatividade na procura de soluções para conflitos internacionais. Luis Gaj Agosto 2026 ## Contribuições de leitores sobre "MUNDO EM CONFLITOS" ### Lejbus Czersnia (leitor) Oi Luiz Magnífico trabalho! Concordo plenamente com tudo! Assim, como você citou a grande possibilidade de harmonia entre diversos povos, lembro da difícil situação que ocorre no Oriente Médio, onde o povo árabe é indocrinado, com uma contínua lavagem cerebral e, desde crianças são ensinadas a odiar e induzidas a matar os judeus. Nas escolas lhes apresentam o mapa da região, onde nem mencionam Israel. Acredito que são necessárias diversas gerações até que a verdade seja restabelecida!! ### Claudette (leitor) Agradeço a sua atenção e desejo-lhe muito sucesso neste novo ensaio bem atual e que busca informar e propor soluções direcionadas para a tão preciosa paz entre os povos da Terra. ### Irene Nanni (leitor) Querido Luiz, mais uma vez você me enviou um texto excelente, que li várias vezes, tal como eu fazia nos meus tempos de escola, quando eu relia para realmente captar as informações! Que bom que você continua sempre por dentro do que acontece nesse nosso mundo atual ! Espero que esteja bem de saúde, sempre enfrentando os desafios da vida ! Bjs e muito obrigada !😍 ### Miriam M Menossi (leitor) Por que brigam tanto?? Atualmente somos mais de 8 bilhões de pessoas no Planeta e não existe ninguém igual a outro. Somos 8 bilhões de seres humanos com impressão digital própria. Consequentemente cada um é único e tem sua maneira de pensar. Sendo civilizados, aprendemos desde pequenos a respeitar a opinião do outro. Conflitos surgem, observemos as crianças, elas brigam de tapas e xingamentos e sem muita demora já estão às boas brincando novamente. As crianças agem com mais inteligência que os adultos que deixam de lado o diálogo e partem para as agressões. Sou portadora de um conflito com uma pessoa da família e chegamos às vias de fato sem resolver o problema que originou a contenda e cortamos relações. Resolvi a questão de outra maneira e estava em paz quando comecei a ter pesadelos horríveis com aquela pessoa e acordava na madrugada banhada de suor como se estivesse brigando. E era um pesadelo recorrente, acontecendo várias noites e de forma tão assustadora que tomei a decisão de procurar a pessoa para conversar. Não foi fácil, mas conseguimos ter uma boa conversa e hoje está tudo bem e sem resquícios daquele desentendimento. Conversando nos entendemos!!! Entre as nações os conflitos ocorrem ora por conquista de território, ora para obter acesso a recursos naturais, ora simplesmente para exercer poder. As disputas comerciais também causam bastante atritos entre os pares. Quando esses conflitos seguem aumentando acontecem as guerras. No momento foi contabilizado 120 guerras no mundo, contando conflitos entre países e facções armadas. Cadê o corpo diplomático desses países que não atuaram para amenizar os ânimos e evitar essas guerras?? Nos tempos áureos da televisão brasileira tinha um programa humorístico com um esquete em que um sábio recebia as pessoas com problemas absurdos para receberem conselhos. O sábio ouvia calmamente, dizia algumas palavras e terminava dizendo: "A humanidade não se comportou" Não se comporta até hoje.. ### ⁠J.F. Saporito (leitor) Caro amigo Luis. Você fez uma regressão tão detalhada sobre os CONFLITOS latentes e reais da atualidade mundial envolvendo os MACROS interesses geopolíticos e econômicos que sobrou muito pouco para acrescentar nessa área. Talvez pudéssemos citar que lá no Canadá e Espanha existe uma questão separatista adormecida que como um vulcão ainda pode entrar em erupção qualquer dia. Assim, apenas como contribuição, vale considerar que do ponto de vista MICRO sociedade estamos vivendo uma época que o que não faltam são os mais diversos motivos para que no dia a dia os CONFLITOS generalizados ocupem espaço importante nas relações das famílias, religiões, politica, no conteúdo das leis, escolas, trânsito, trabalhistas, origem da nacionalidade, imigração, côr da pele, preferência sexual, no que é verdade ou mentira, na publicação de notícias pela imprensa, e na comunicação das participações nas mídias sociais. Enfim, dentro dessa micro sociedade de pessoas comuns, são muitos as narrativas que cada um poderia citar como participantes de CONFLITOS pessoais que lhe afetou direta ou indiretamente de diferentes formas, muitas vezes quebrando elos e amizades antigas. A humanidade chegou a um ponto de stress e individualidade, de que quase tudo é motivo para discordar, não com a apresentação de pontos de vista que ajudem a construir algo bom mas sim pela simples necessidade de ter razão naquilo que ele acredita ser verdade absoluta e que muitas vezes não é. O homem de hoje quer ter razão. De uma forma geral, os conflitos deixam as partes envolvidas completamente surdos e incapazes de ouvir de parte a parte o que o outro lado tem para dizer e que talvez fosse interessante prestar atenção. Forte abraço do Saporito. ### ⁠Elides (leitor) Muito obrigada por me inteirar de tudo o que está acontecendo com as guerras desse nosso mundo pois, não consigo acompanhar de tudo .Muita tristeza é o que sinto. ### ⁠Dov Smaletz (leitor) Sr. Luis, mais uma vez o Sr. nos presenteia com uma reflexão profunda e muito atual. Sua análise mostra que, seja entre nações, seja dentro das famílias, os conflitos tendem a se agravar quando o diálogo é adiado. Com o passar do tempo, as posições se tornam mais rígidas, os sentimentos se acumulam e a reconciliação passa a depender não apenas da negociação, mas também da capacidade de restaurar a confiança. Apesar de todas as dificuldades retratadas em seu texto, continuo acreditando que a mediação, a diplomacia e a boa vontade ainda são instrumentos capazes de transformar realidades. Espero não ser um sonhador solitário, mas alguém que ainda acredita no melhor da natureza humana. Abs ### ⁠Cristopher Derendinguer (leitor) Caro Luiz, Interessante, e triste, a lista dos conflitos na sua postagem anterior. O da Nigéria/Biafra chocou o mundo na época, e motivou a fundação dos Médicos sem Fronteira. Hoje há pouca compaixão pelas vítimas de conflitos na África. Quero aproveitar essa sua página para expressar minha preocupação, quase frustração, com a atual situação de Israel. Depois do ataque do Hamas em 2023 houve uma onda de simpatia mundial por Israel. Entre muitas outras manifestações de apoio, a Torre Eiffel foi iluminada com a Estrela de David! Mas a reação extremamente violenta do governo Netanyahu, bombardeando e arrasando cidades inteiras da Faixa de Gaza, matando milhares de civis inocentes e causando uma crise humanitária de refugiados, fez a opinião pública mundial se virar contra Israel. Ao invés de Estrelas de David passou-se a ver bandeiras da Palestina em manifestações. E a França da Torre Eiffel reconheceu a Palestina em julho 2025. Pior: a simpatia pelas vítimas de Gaza deu ao antissemitismo mundial, sempre latente, um ar de legitimação para criticar abertamente judeus em geral. E pior ainda: os objetivos de toda essa violência militar não foram atingidos: Hamas e Hisbollah não foram destruídos, e a ameaça nuclear iraniana apenas adiada... A reação de Israel poderia ter sido outra, mais inteligente? Houve dentro de Israel quem discordasse da política de terra arrasada de Netanyahu: por ex. o ministro Gadi Eisenkot, ex “Chief of Staff” do exército, pediu demissão, criticando a tática do governo e alegando falta de estratégia de longo prazo no combate ao Hamas. Mais tarde falarei mais sobre essa pessoa. Em 2015 o então presidente Ruben Reuvlin alertou para o fosso que separa quatro grandes grupos distintos de Israel, cada um com tradições, mentalidades, imprensa, estações de TV e rádio, e sistemas educacionais próprios. Os grupos (que Ruben Reuvlin hoje chama de “tribos”) são: A. Israelenses seculares sionistas B. grupos nacionais religiosos C. grupos ultra religiosos (Haredim), e D. árabes israelenses. Israel é um país complicado: Essas “tribos” são uma mistura dos descendentes dos árabes e judeus presentes na época da fundação de Israel em 1947, dos descendentes dos 800 mil refugiados posteriormente expulsos dos países da África do Norte e do Oriente Médio, dos descendentes de um milhão de judeus russos que imigraram em duas levas nos anos 70 e 90 do século passado, dos judeus de todo mundo que fizeram alyiah (inclusive minha filha Mara), dos descendentes dos judeus etíopes trazidos em três pontes-aéreas (um voo com mais de 1.000 passageiros e dois nascimentos a bordo é o recorde mundial de passageiros transportados num avião), dos Drusos, das minorias cristãs, dos beduínos e dos Bahais. Israel abriga ainda mão de obra estrangeira, 300.000 pessoas, principalmente filipinos e africanos. Ufa! E no total são hoje 10 milhões de habitantes em uma área de metade do estado de Sergipe. Fora quem vive nos territórios ocupados, uns 700.000 israelenses e três milhões de palestinos, mais dois milhões de palestinos em Gaza. Mas Ruben Reuvlin temia que esses grupos, que viviam numa tolerância mutua, sob a proteção do governo diante da ameaça coletiva árabe sempre presente, apresentavam um potencial de conflito. E infelizmente esse conflito está eclodindo agora, principalmente depois do choque do ataque do Hamas em outubro de 2023. De repente, judeus em Israel não se sentem mais seguros “em casa”. Tradicionalmente, Israel foi governada por partidos de centro-esquerda, na maioria do grupo A, que sempre formavam uma tênue maioria entre os + ou – 12 partidos do Knesset (Parlamento). A partir do início do século, com a chegada de Netanyahu, essa tênue maioria passou para os grupos C e D, mais de direita, conservadora. Para se manter no poder, Netanyahu foi fazendo cada vez mais concessões aos extremistas desses partidos. Ministros como Itamar Ben Gvir, Bezalet Smotrich e Israel Katz apoiam abertamente a violência dos colonos da Cisjordânia contra palestinos. Esse governo também impediu até agora o recrutamento dos Haredim, ultra ortodoxos, para o exército, ignorando uma decisão do supremo tribunal de 2024. O noticiário de Israel que não chega ao Brasil mostra a atual divisão e é preocupante. Alguns exemplos: Como Viktor Orban tentou na Hungria, o governo faz tudo para enfraquecer o poder judiciário. No ano passado, milhares de israelenses foram às ruas semanas seguidas para protestar contra a legislação que tirava a independência do judiciário, e o governo teve de recuar. Duas grandes sinagogas Reform de Jerusalém foram invadidas e depredadas por ultra ortodoxos. (A corrente Reform do judaísmo não é reconhecida por eles). Há muitas semanas uma cafeteria de Jerusalém que abre aos sábados é sediada por ultra ortodoxos, que exigem seu fechamento nos shabats. Os mesmos Haredim protestam em massa contra os esforços do exército em recrutar membros de sua comunidade para servir no exército. Agridem fisicamente os PMs que vem prender os que recusam a servir, e também agridem os colegas de religião que aceitam servir para fazer a sua parte na defesa do país. Outro grupo que está cada vez mais violento é o dos colonos nos “Territórios”, como se designa a Cisjordânia ocupada. Agridem os moradores palestinos da vizinhança, depredam suas moradias e destroem suas plantações. Tem fervor religioso para reestabelecer o domínio judeu sobre toda Israel histórica, pouco se importando com o direito à existência dos palestinos que, afinal, também vivem por lá há séculos. Pequenos grupos já tentam estabelecer assentamentos em Gaza e na parte da Síria ocupada, contra o direito internacional, mas com apoio tácito dos ministros Smotrich e Katz. O exército faz “corpo mole” ao manter a ordem, e num incidente recente provocado por colonos houve a morte de um oficial do exército e de um palestino, além de feridos. O próprio exército tem problemas graves. A guerra em três frentes, Gaza, Líbano e Irã, além do controle da Cisjordânia, exige longo tempo de serviço dos reservistas, que faltam no seu trabalho e em suas famílias. Recentemente mais de 100 soldados se amotinaram, jogaram suas armas num monte, e deixaram o quartel. Nos últimos dois anos 100.000 israelenses deixaram o país, desgostosos e inseguros com a situação. Dentre eles muita gente qualificada. O isolamento internacional de Israel continua aumentando. A opinião pública dos Estados Unidos vai se voltando contra Israel. Trump está “perdendo a paciência” com Netanyahu. Nova York elegeu um prefeito muçulmano crítico de Israel, e diversos candidatos ao congresso americano nas próximas eleições defendem o fim do apoio a Israel. A Comissão Europeia acaba de criar sanções contra Israel pelo que ocorre nos territórios ocupados. Recentemente foram justamente os partidos religiosos que tiraram o apoio a Netanyahu, porque ele não estaria defendendo o suficiente a isenção do serviço militar dos ultra-ortodoxos, provocando novas eleições para outubro. E aí vejo uma possível melhora nas políticas interna e externa de Israel. Gadi Eisenkot, que mencionei mais acima, tem uma visão de longo prazo para o país, fala por ex. que não só os ultra ortodoxos devem prestar serviço militar, mas também os árabes devem fazer um serviço, não militar, mas social. É contra a construção de novos loteamentos para israelenses nos territórios. Seu novo partido, Yachad (União) já ultrapassa o Likud de Netanyahu nas pesquisas, e, juntamente com outros partidos de oposição, deve ganhar as eleições. Vamos torcer! https://www.youtube.com/watch?v=Owz0oaw4Vmk --- # Estória 2 Ensaios · 3 de agosto de 2026 · https://luis-gaj.vercel.app/estoria-2 Isto aconteceu faz pouco tempo. Costumamos sair num fim de semana em algum hotel razoavelmente bom, para comemorar aniversários, e esta vez foi na data do dia 30 de maio, cumprindo 95 anos nas costas. A minha querida esposa Eva tinha me deixado fazia exatamente um ano, e nesse período não viajei. Precisamos escolher locar e data, sendo ambas escolhas difíceis. A data correta seria de 29 a 31 de Maio, mas a minha filha Diana Deborah, que e sempre animada, e anima o grupo, sugeriu que devido a um câncer de pele, ela tinha agendado com o médico dermatologista, fazer a cirurgia dia 27, impedindo viajar nessa data, e sugeriu uma semana antes da data correta, ou seja de 22 a 24 de MAIO, o que foi aceito. O segundo problema era escolha do lugar. Entre montanhas e praias, optou-se por Águas de Lindoia, então faltava definir hotel, e optou-se, por não ser tão caro, pelo Hotel Monte Real, desconhecido para nós, que era o único com lugares Fizemos as reservas, pagando os dois dias adiantados. Tínhamos um grupo de 12 pessoas, confirmadas nesta viagem. Chegado o dia, embarcamos na aventura, saindo depois do almoço da sexta feira. Apesar de ser uma sexta feira, a viagem foi tranquila e chegamos no fim da tarde. Muita gente estava também entrando nesse horário no hotel. A primeira impressão foi muito ruim. Procurando um banheiro, nos enviaram para o lado esquerdo que era distante, e muito antigo, e primitivo. Sofia tinha chegado um pouco antes, e já nos tinha alertado: ”muito velho” o hotel. Depois da recepção, fomos direcionados para os quartos, com as malas. Chegando no quarto do segundo andar, e longe do elevador, fiquei muito bravo, ao ver o estado do quarto, e banheiro, e falei vamos embora, não vou ficar nesta espelunca, quarto limpo, mas que fazia 50 anos ninguém tinha mexido nos móveis e camas, tudo deteriorando e nosso grupo foi se juntando no meu quarto, para ouvir que eu queria ir embora. Mesmo já tendo pago, e mesmo sendo quase de noite. Ficamos trocando ideias e consultando o Hotel Oscar inn onde já tínhamos estado e tinham reformado os apartamentos, e tinha lugar para nós… Estava quase decidida a saída, quando meu genro Richard sentou na minha frente e ponderou comigo. Está quase na hora de jantar, vamos passar esta noite aqui, e se não queremos ficar, vamos amanhã embora, depois do café. Aceitei as ponderações e marcamos descer para jantar as 19 hs. Neste intervalo, e depois de reclamar, nos trocaram para o terceiro andar, num apartamento frente ao elevador. O quarto era igualmente muito antigo. No jantar, tivemos a surpresa de um salão enorme, com lustres antigos de luxo, mesas com toalhas limpas, e a comida que cada um tinha que se servir, era muito boa. Jantamos num ambiente mais sossegado, tivemos oportunidade de conversar, de um lado minha neta Tatiana, do outo minha filha Sofia, na frente o Richard e um pouco do lado direito, o Dov, o David, namorado da Tati, o Rafa e a Ariela, e do lado esquerdo o Nilson, a Deborah, o Haroldo e o Jorginho. Terminamos com a sobremesa, e fomos até o salão de jogos, no fim de um salão aconchegante, com sofás, poltronas, mesas e abajures, difícil de descrever, mas enorme, e vestígio de um lugar nobre. No salão de jogos éramos os únicos. e jogamos, até o sono nos indicar, que era hora de descansar. Dormimos bem, tomamos banho, e descemos para o café da manhã. Novamente tínhamos que escolher e nos servir sozinhos, mas tinha de tudo e foi bom. Vimos na noite anterior e agora de manhã, alguns hospedes indo e voltando da piscina. e ficamos curiosos para conhecer. Como tudo estava muito longe, peguei uma cadeira de rodas, e fomos em grupo em busca das piscinas. Nova surpresa: prédios novos em ambiente e piscinas aquecidas, e muito bem instaladas. Mas não eram somente essas duas grandes piscinas, existiam mais piscinas, e era preciso tomar um elevador, seguir um certo caminho e procurar outro elevador e seguir as indicações, já tínhamos andado bastante, e pedi para voltar, novamente dois elevadores e passando um certo lugar, a minha filha Deborah parou numa janela e mencionou, “olhem lá embaixo está o Hotel do Lago”, onde uma vez ficamos toda a família. Parei para ver e tive um estalo de recordação. Se o hotel do lago fica embaixo então estamos no antigo hotel Tamoios, onde ficavam hospedados a tia Ruth e o tio Ernesto. E que tinha sido após a sua fundação na década de 40, o hotel cinco estrelas, mais caro e melhor instalado. Do Hotel do Lago tínhamos vivido uma experiência que ficou marcada para a vida. Estávamos almoçando e de repente as pessoas levantavam da mesa, e se dirigiam às janelas, fomos também, e para nossa surpresa, nossos dois carros como muitos outros carros, que estavam estacionados naquele lado estavam boiando, e batendo alguns com outros. Não tinha chovido em Águas de Lindoia, mas tinha vindo de longe, uma enxurrada de água, do rio que abastece o lago, e inundado a rua. Nossos dois carros ficaram com 15 centímetros de água dentro, o motor inundado e demorou até a água descer, e conseguir empurrar os carros, até um lugar seco e procurar mecânico, e conseguir que os carros funcionassem. Os poucos mecânicos de Lindoia, estavam super ocupados, para tratar dos muitos carros que se encontravam avariados sem funcionar, e mais tarde ficou um cheiro insuportável, e tivemos que trocar de carros, mas os filhos lembram do episódio. A tia Ruth, irmã da Waly, mãe da Eva, e o Ernesto, era mais ou menos no ano 1965 se hospedavam no hotel Tamoios, que era o mais chique e caro de Águas de Lindoia, e era onde nos estávamos hospedados. Eles vinham nos visitar no hotel do Lago, que era mais simples. Rememorando e homenageando, a memória dos tios da Eva, que eram o tio Salo a tia Ruth e a tia Erna, morando todos em São Paulo ou imediações. A tia Ruth era na época governanta na casa da Luba Klabin, que participou de nosso almoço de casamento no clube Suíço, e o tio Ernesto tinha conseguido pela intermediação de parentes da Luba, uma representação de azulejos, que eram fabricados na Avenida Suburbana, no Rio de Janeiro e eram muito disputados, e difíceis de se conseguir. Assim tivemos o prazer de descobrir, que essa viagem nos levou a recordar, que o hotel tinha reminiscências e relações com a história da família. Ruth e Ernesto deram hospedagem para Eva, quando veio da Bolívia, e antes para Enrique, irmão da Eva, até ele ter condições de se instalar por conta própria, na sua casinha, numa vila da rua Melo Alves, que existe até hoje. Era nessa casinha que eu namorava com a Eva, antes de noivar, e nos casar. Enrique tinha uma oficina de reparo para carros hidramáticos, chamada Quatro Azes, uma novidade na época, trabalhava com o socio Emídio, até de noite, e era muito conhecida., na rua Oscar Freire. Mais tarde e junto com Marcelo fundaram o Playcenter, que foi uma iniciativa muito bem aceita, na cidade de São Paulo. Como nos primeiros anos eu não tinha carro, eles nos levaram para a praia grande, onde o tio Salo tinha um pequeno apartamento, ou onde mais tarde o irmão da Eva comprou um minúsculo apartamento na praia José Menino. Como eles foram sempre muito gentis conosco, aproveito para homenagear a memória deles, nesta estória ligada a Águas de Lindoia, e ao Hotel Tamoios, hoje Monte Real. Para o hotel Monte Real voltar a adquirir seu esplendor, seria necessário, investir na remodelação dos apartamentos, num processo mesmo que lento, e gradativo, e cobrando valores diferenciados na área reformada. Esta viagem trouxe à tona lembranças que hoje são estórias de 60 anos atrás, e a oportunidade homenagear parentes queridos. ## Contribuições de leitores sobre "Estória 2" ### Eduardo Wendriner (leitor) Boa tarde tio, como sempre, sua narrativa espetacular , nos faz saber e saborear as memórias da família. O Sr é um exemplo para mim, sua escrita , sua oratória , sempre perfeita, Saudades do Sr tio tão querido, bjo gde ### Celia (leitor) Gostei de ouvir estória. E relembrar que quando menina, meus padrinhos me levavam pra passar as férias no Hotel Tamoios. E o chá, com torradinhas com manteiga feita lá, à noite, antes de subir pra dormir, era a coisa – mais deliciosa do mundo. ### Cristoph Derendinguer (leitor) Bonita lembrança. Tive o privilégio de conhecer todos os membros da família que você mencionou. Se não me engano, Erna, Max e Miriam também moraram naquela vila da Melo Alves. E eu passei minha infância pertinho. Morei na casa que depois de eu sair foi comprada pelo Beit Chabad na rua que hoje tem esse nome. Visitei uma vez antes de construírem a grande sinagoga da Melo Alves, meu quarto virou a biblioteca do Rabino. Anos mais tard fui lá novamente. A casa ainda existia nos fundos da nova sinagoga, onde fui cordialmente recebido pelo então Rabino Alpern ### Edith E Gabriel (leitor) Hola tío! Vivencias actuales con lindos recuerdos. ### Yogele (leitor) Muy linda una historia afectiva con muchos recuerdos de gente querida. Más que contar el viaje es el recuerdo con sus afectos de hace muchos pero muchos años ### Julia (leitor) Adorei a Estória Vovô!! ### J F Saporito (leitor) Bom dia Luis. Obrigado por compartilhar essa "Estória" tão especial, íntima e curiosa da família Gaj. Na verdade, foi divertido sentir a sua inicial frustração com as condições do hotel para depois pouco a pouco perceber que haviam alguns detalhes bons e nem tudo era tão ruim. Como são boas as recordações de certos lugares que nós remetemos junto com a família ao passado feliz. Mesmo atrasado felicito os seus bem vividos 95 anos. Abraço. ### Claudette (leitor) Boa noite Luis Agradeço a Estória número 02. Cheia de lembranças e comemoração do seu aniversário junto com a sua linda família. ### Miriam Menossi (leitor) Tudo é estória!!! Um planejamento estratégico de viagem por mais bem feito que seja, está sujeito que imprevistos aconteçam Um imprevisto, às vezes, é para nos livrar de algo pior, outras vezes para nos aborrecer e outras para nos remeter a um passado glorioso. Foi o caso da estória 2 que envolveu toda família diante daquele momento descrito e que agora fazem parte de sua bagagem existencial. Sou da opinião que nossas estórias de vida devem ser transmitidas aos nossos descendentes. E as viagens de grupos familiares é uma ótima oportunidade para os mais jovens conhecerem as vivências, os perrengues, os bons e os não muito bons momentos, enfim, a vida como ela era sem as conquistas que hoje temos. Querido amigo, que mais situações sejam emergidas e se tornem conhecidas pelos membros mais novos da família. Isso é muito enriquecedor!!! --- # República Islâmica do Iran Ensaios · 3 de agosto de 2026 · https://luis-gaj.vercel.app/republica-islamica-do-iran Um dos países da Ásia Ocidental, e considerado um dos mais importantes do Oriente Médio, tanto econômica, política, social e até geopoliticamente, mesmo considerando que no regime atual a população vive inúmeras restrições. Estamos vivendo um período de rápida descontinuidade. O fechamento do estreito de Ormuz pelo Iran, está provocando o aumento do preço do petróleo, e acirrando a guerra entre estados unidos e Israel, contra o Iran e até afetando a política interna nos EUA. Inspirado no livro o “CORACAO DO MUNDO” de Peter Frankopan, professor de história em Oxford, England. decidi partir do momento atual e descrever esse povo pouco conhecido no mundo ocidental, onde tudo gira em torno dos Estados Unidos e Europa. Esse novo, antigo mundo, tem hostilizado a vida em Israel, e o Iran tem se utilizado de vários sistemas auxiliares de caráter terrorista, como o Hezbollah, o Hamas, e os Houthis. Estes grupos, tem se mantido em atividade como estratégia, em constantes agressões, financiadas e teleguiadas pelo Iran, com tentativas declaradas de luta com finalidade de expulsar os judeus de israel. E não é possível esquecer o desejo do Iran de possuir acesso à energia nuclear, e à bomba atômica. Atualmente somente quatro países tem oficialmente acesso a armas nucleares, e eles são Estados Unidos, Rússia, China e França. Mais quatro países dão a entender possuir também acesso e eles são: Índia, Paquistão, Correia do Norte e Israel, mas a respeito existe incógnita sobre a veracidade. Em outras declarações nove países são reconhecidos como possuidores de armas nucleares e eles sãos: Estados Unidos, Rússia, China, França, Reino Unido, Índia, Paquistão, Coreia do Norte e Israel. Estes países possuem armas nucleares ou são vistos como possuidores. Iran é, no conjunto da nações, o único pais declarando abertamente que deseja possuir acesso a armas nucleares, e se tratando de regime dos Aiatolás xiitas, implantado no pais desde 1979 pela Revolução Islâmica, trata se de intenção perigosa, se acessando, colocando em risco a propagação de ações, ou até de guerra nuclear. O Iran mostrou que não é a Venezuela, e apesar dos combates e da guerra, parece convicto da intenção de se tornar uma potência nuclear, e tem adotado uma atitude arrogante, frente aos Estados Unidos, e a estratégia de fechar o estreito de Ormuz e provocar aumento do preço do petróleo, parece ter sido eficaz e surpreendido o ocidente. A religião mulçumana xiita, quando no extremismo dos aiatolás, considera que todos não mulçumanos seriam infiéis, ou seja negam todas as outras religiões e que nelas exista as verdades, considerando que o islamismo seria a religião superior, a segunda verdade apregoada dos aiatolás, e culpar o ocidente pela exploração e domínio das regras no mundo. Também Hitler pregava duas verdades semelhantes A primeira e que a a Alemanha possuía a raça ariana, que seria a raça superior, e sendo assim para purificar esta raça, era preciso eliminar os judeus, os ciganos e os deficientes. A segunda era que os judeus eram os culpados de todas as dificuldades da grande crise mundial de 1929. Na época do nazismo, de 1933 ao ano 1945, a gente se perguntava: onde estão os homens ilustres na cultura e na ciência, como Beethoven, Bach ou Gohete, Herman Hesse, Tomas Mann, Ou Wagner. O povo alemão tinha sido até a data de cultura, de música erudita, atividades culturais e eu criança e meus familiares, não conseguimos entender as notícias que chegavam da Europa transmitindo notícias sobre perseguições, campos de concentração, e mais tarde assassinato em massa de judeus, ciganos e deficientes. Atribuo a duas mentiras repetidas muitas vezes, e que se tornaram verdades para eles: uma foi fazer acreditar que a raça alemã é uma raça ariana superior, e a outra, na época da crise de 1929 culpar os judeus por todas as mazelas que estavam vivendo. Com relação a raça superior e para aperfeiçoar era eliminados os deficientes, considerados um peso e desnecessários. Com relação aos ciganos mesmo motivos e com relação aos judeus, todas as histórias rebuscadas de domínio do mundo, de poderio e de ameaça, mesmo sendo população identificada com a cidadania e tendo tradição de gerações no país. Cidadãos comuns, por não concordar com o regime, ou por ser judeu, cigano ou social democrata, eram retirados de circulação e enviados a campos de concentração, onde eram tratados como seres inferiores. Destacamos neste artigo que a palavra Iran e o povo iraniano descende dos persas. O Iran passou a ter esta denominação em 1935, e antes era conhecido no ocidente como Pérsia, que na sua época foi um país de enormes conquistas e realizações. O império Persa surgiu há milhares de anos no planalto da Ásia abrangendo da Mesopotâmia ao Egito, e parte da Grécia. Era um império gigantesco, e ficou pouco conhecido no Ocidente, eclipsado pelo desenvolvimento da Europa, e dos Estados Unidos e voltou a ficar conhecido atualmente por sua postura agressiva com relação ao ocidente e pela ambição do regime atual. Os persas respeitavam e aceitavam, em seu domínio, outras religiões e outros costumes, e absorviam culturas que considerassem mais adequadas, e desta forma conquistaram outras regiões e absorveram outros povos se tornando um império Persa. Se destacaram na medicina, na astronomia, e nas ciências e também nas artes e na arquitetura. História Existem diversas formas de se fazer história, uma seria colocar Jerusalém no centro e início , outra seria colocar o Mar Cáspio no centro, mas na antiguidade a Ásia era o centro do mundo, e o destaque da Pérsia na Mesopotâmia com seu esplendor e as grandes cidades da época Bagdá, Constantinopla, Jerusalém, e foi a partir da Ásia que surgiram e colapsaram grandes impérios e a partir daí surgiram rotas de comércio, entre locais distantes pelo mundo. Estas rotas no século XIX passaram a se denominar Rotas da Seda, e na época transmitiram progresso, mas também conflitos e guerras. Também nesta região surgiram as grandes religiões como cristianismo, judaísmo, budismo e islamismo. Apesar da importância desta região, foi sendo esquecida pelo ocidente e considerada menos importante, e ficaram conhecidas como regiões dominadas pelo fundamentalismo. Na época, os persas eram destacados pelo seu bom gosto em tudo. Esta parte teve como objetivo, chamar atenção ao fato dos americanos terem achado que iriam resolver questões com o Iran com um guerra de uma semana, sem considerar a capacidade e as estratégias que os inimigos tinham desenvolvido, e ficaram atrapalhados com a política interna, pressionando para uma solução para as próximas eleições, a queda de popularidade do presidente e as mudanças na percepção da população, de que a guerra não era o prometido, e esperado. Acredito que foi desconhecendo a história e a capacidade do Iran, de não se abalar com as ameaças, e de continuar as escondidas os seus planos. Dentre os mais famosos monumentos do mundo e localizado em Agre, na Índia, O Taj Mahal foi símbolo do amor, encomendado pelo imperador Magol Sahah Jahan para homenagear sua esposa favorita Mumtaz Mahal que morreu em 1631 durante o parto A obra durou 21 anos e envolveu 20.000 trabalhadores e tornou Agra cidade turística com milhares apreciando esta obra magnífica que utilizou materiais nobres como mármore branco e pedras preciosas, vindas de várias regiões da terra. Arquitetura mongol e decoração com pedras semipreciosas com cúpula central monumental. Sobre este templo maravilhoso quem quiser pesquisar, existe muita informação no chatGPT Com materiais nobres como mármore branco e pedras preciosas vindas de várias regiões da Ásia. arquitetura mongol com influências arquitetônicas persas (iranianas) islâmicos e indianos, jardins no estilo persa, ricos detalhes em pedras semipreciosas incrustadas no mármore e o símbolo do uso do branco significa pureza e eternidade. Uma das novas sete maravilhas do mundo e símbolo da Índia uma das obras mais admiradas da história. É um mausoléu, não um templo religioso. A civilização persa teve um papel fundamental na arquitetura da época e o império persa abrangeu grande parte da Ásia. Os persas foram expandindo territórios pela guerra e construindo um grande império, no entanto tolerando que cada povo praticasse o seu religioso. Simbolismo espiritual filosófica, representando o paraíso islâmico. No alcorão, livro sagrado, são descritos 4 rios e a simetria da obra representa a harmonia do universo símbolos escritos nas paredes sobre o alcorão e flores no mármore, que não murcham são a vida eterna muda de cor: Rosado cedo, branco no meio dia e dourado a noite. Na década de 1.490, primeiro Cristóvão Colombo cruzou o Atlântico, abrindo caminho para duas enormes massas de terra até então desconhecidas pelos europeus, ligando-as á Europa e a outros lugares além. Anos mais tarde, Vasco da Gama conseguiu contornar a ponta sul da África, continuando dali até a Índia e abrindo novas rotas marítimas. Essa descoberta alteram os padrões de interação e comércio, bem como o centro de gravidade política do mundo, transformando a Europa de forma radical. A partir destas descobertas e colonizações a Europa e es Américas ganharam grande desenvolvimento e a Ásia passou a ser menos estudada e reconhecida. Assim, acredito que por ignorância, os Estados Unidos e Israel, entraram nesta guerra desprevenidos e despreparados para as consequências, e estão saindo dela, como perdedores e desprestigiados. Características da época do auge da civilização e do império persa Os nômades eram caçadores, e também guerreiros, para sobreviver e para não guerrear contra os persas, recebiam em troca alimentos e seda, os desertos e a dificuldade no transporte, comerciar em regiões inóspitas, e estabelecer rotas viáveis para transportar mercadorias, e o importante papel dos camelos, para lidar com a natureza. O primeiro e talvez mais importante Império Persa ocorreu entre 550 a C até 330 a C e se estendia desde o Egito até parte da Índia, e era um dos maiores da antiguidade. Foi conquistado por Alexandre o Grande em 330 AC e mais tarde surgiram outros grandes impérios persas. LUIS GAJ Junho 2026 ## Contribuições de leitores sobre "República Islâmica do Iran" ### J.F.Saporito (leitor) Bom dia Luis. Muito bom o percurso histórico do seu artigo sobre o Iran e o império Persa. Vários comentários do texto são significativos como relacionar a semelhança entre o conceito iraniano de que todos os não muçulmanos são infiéis, negando todas as outras religiões, e culpar o ocidente pela exploração e domínio do mundo, versus as duas linhas de pensamento de Hitler sobre a raça ariana superior e que os judeus eram os culpados da crise econômica de 1929. São momentos diferentes, mas acabam se relacionando na essência para justificar ações que diminuem o valor do ser humano. O outro ponto de destaque que acabou surpreendendo o mundo em geral é quando você escreveu " o Iran mostrou que não é a Venezuela, colocando os Estados Unidos e Israel em situação de perdedores. Realmente, os americanos esperavam um passeio pela diferença de poderio militar, mas tiveram que reavaliar posições estratégicas. No geral uma visão histórica interessante sobre o império Persa que lá atrás construiu raízes fortes e duradouras que continuam sustentando para o bem ou para o mal, as estruturas de pensamento de hoje do Iran, independente de que não concordemos com muitas coisas praticadas por eles ao redor do mundo ### Miriam Menossi (leitor) Luís, tentei novamente dar minha contribuição sobre o Ensaio República Islâmica do Irã, mas não rolou…. talvez porque, tendo feito colegial técnico, nunca tive aula sobre história geral, o que é uma lacuna no meu curriculum. Sendo assim desconheço o passado da região do oriente médio e de tantas outras deste vasto mundo. "Conhecer o passado par entender o presente" Estou conhecendo um pouco sobre o Irã pelos excelentes filmes que eles estão produzindo. Espero que outros colegas do grupo façam seus comentários para eu aprender um pouco mais desse país que, com essa estúpida guerra, está mostrando a sua cara com coragem e confiança. Guerras, conflitos, melhor não tê-los. --- # IMORTALIDADES Ensaios · 19 de janeiro de 2026 · https://luis-gaj.vercel.app/imortalidades ENSAIO NUMERO 26 (Resenha de livro de Eduardo Giannetti) Trata-se de tema fascinante com múltiplas abordagens e que o autor trata com propriedade. Algumas abordagens possíveis seguem e são: Abordagem biológica, abordagem espiritual, filosófica, tecnológica e simbólica compreendendo aspectos da ciência, da filosofia, da religião, ou ainda de certo legado ou herança. A vontade de não perecer, de ter continuidade tendo consciência da finitude, e comum aos seres humanos, com consciência da vida limitada, e de que o nascimento e a morte são as verdades absolutas, se bem que administráveis no tempo finito. 1 Impedir o envelhecimento e a morte exige cuidados com a saúde, boa alimentação, prática de exercícios físicos, e manter uma vida social, e de amigos. 2 Transferir uma pessoa para um ambiente tecnológico ou digital 3 Espiritual ou religioso e filosófico. Acreditar na alma imortal, no céu, no inferno e no purgatório, filosófica, platônica, alma imortal e corpo atemporal. 4 Pelas ações, filias, filhos e familiares, como lembrança e influência, como exemplo, Sócrates, Beethovem, Mandela, todos continuam moldando o mundo. A busca da imortalidade revela o medo da finitude, tanto como o anseio por significado, vivendo não para sempre, mas de modo que valha a pena Quando um amigo de Einstein morreu, ele escreveu para a esposa: “Ele partiu deste estranho mundo pouco antes de mim. Isso não quer dizer nada. Para nós, que acreditamos na física, a distinção entre passado, presente e futuro é apenas uma teimosa ilusão.” Existem quatro formas de se perenizar: 1 Pela ciência, tentar viver mais anos utilizando a medicina, a vida saudável, os exercícios físicos e os relacionamentos saudáveis. Isto tudo prolonga e melhora a qualidade da vida. 2 Pela crença, acreditando na reencarnação, trata do sentido religioso ou filosófico, e onde a inexistência de provas não é prova de inexistência 3 Deixar legado para o futuro, que pode ser tanto uma obra, exemplos de vida, mensagens que permanecem vivas na memória de descendentes e amigos. Quando visitamos amigos em Curitiba a minha esposa Eva teria comentado “na minha casa não permito que a comida seja desperdiçada”, e esta mensagem ficou gravada na memória de nossos amigos, anos depois e mesmo depois de minha esposa nos deixar. 4 O presente absoluto, que pode ser tanto místico como artístico e representar momento importante e digno de ser vivido. O morto-vivo de Goya e um caso interessante. O famoso pintor espanhol oitocentista Francisco de Goya talhou uma gravura na qual um homem morto, um cadáver em estado avançado de decomposição, se curva ligeiramente da posição horizontal e escreve “nada”, como mensagem aos viventes. A mensagem do cadáver de Goya pretende ser de um artista vivo que transmite por intermédio de um morto, a descrença do artista com relação ao que existe depois da morte, Nada. O artista faz o cadáver se erguer do mundo dos mortos para transmitir aos vivos a sua mensagem. Por outro lado, o não ser, é inconcebível enquanto se é. Cada pessoa pode ser o centro do universo para si mesma, e para a humanidade, ele não passa de uma parte insignificante dele. Uma outra história bonita e o cadáver adiado de Titonos, filho do Rei de Troia. A mitologia grega conta a saga de Titonos, jovem de grande beleza que desperta o amor de Eos, a deusa da aurora. Apaixonados, eles se mudam para a Etiópia, onde tem dois filhos. Preocupada com a condição de mortal de Titonos, e com a perspectiva de sobreviver a ele na eternidade, Eos intercede junto a Zeus para que conceda a seu amado a prerrogativa da eternidade. Zeus atende ao pedido, mas como Eos esquece de solicitar seja inclusa a cláusula de o manter jovem, para sempre, Titonos começa a envelhecer, e vai se tornando cada vez mais tíbio, enrugado e esquecido com o passar dos anos. No início Eos cuida dele, fornece alimentação de ambrosia, e fornece belas roupas. Mas quando Titonos não consegue mais mover-se reduzido a uma carcaça inane e corpo esvaziado de vida, ela por fim decide tranca-lo num quarto vazio e escuro, abandonando o esposo a um balbuciante murmúrio, ao eterno silêncio, e o ancião fica condenado a nunca morrer. Para Titonos, conclui o Hino Homérico a Afrodite, Zeus decretou um mal imorredouro, a velhice, que é pior ainda, que uma horrível morte. O meu cunhado Henrique para rejuvenescer fazia tratamento numa clínica suíça onde recebia injeções supostamente de células jovens de determinados animais num processo prolongado, de difícil comprovação, mas no qual acreditava. Na religião existe o estranho consolo da certeza de que não há certeza. E a limitação da ignorância humana. O sonho de viver para sempre, na memória e no coração dos viventes, que na realidade pode ser conseguido normalmente em até duas gerações, após este período e com raras exceções a memória e o legado dos que se foram, fica se apagando lentamente até nada ficar da lembrança. Mesmo assim, enquanto viventes desejamos construir algum tipo de legado, material ou simbólico, para além de sua finitude biológica. Renegada qualquer esperança supra terrena, onde encontrar alento. Viver não é necessário, o que é preciso e construir sentido A vida é uma dádiva neste ou no outro mundo, e a alma que olha para dentro, vê o envelhecimento, o decapitar dos órgãos, a alma de dentro para fora, se sente jovem, e detentora de se ver ativa. Outra estória bonita relatada no livro. A Escolha de Ulisses. A Odisseia de Homero narra as peripécias de Ulisses, um dos heróis gregos. Na sua viagem de volta a ìtaca, sua terra natal. Tendo sofrido um naufrágio depois de muitas aventuras, Ulisses passa cerca de sete anos, de um total de nove da jornada de retorno, numa ilha isolada, do extremo ocidente mediterrâneo, onde o sol se põe. A única habitante da ilha era a deusa Calipso, aquela que se oculta e oculta aos demais, uma ninfa de grande beleza que o resgata, acolhe-o e logo se apaixona por ele. Movida pelo desejo de conquistar o amor de Ulisses e desposá-lo, a deusa se desdobra em cuidados, mimos e carinhos na tentativa de retê-lo na ilha, mas de fazer que ele no final esqueça de Ítaca e da amada esposa, Penelope, que havia deixado à sua espera antes de partir para a guerra. Nos primeiros tempos de vida em comum Calipso e Ulisses, mantêm uma relação erótica, porém assimétrica e embora façam as refeições juntos, ela come néctar e ambrosia, como os deuses, ao passo que ele, pão e vinho, como os mortais. Mas quando Calipso percebe que Ulisses sente-se cada vez mais nostálgico e solitário na ilha, sem propriamente vivo, nem morto, oculto no silêncio e na escuridão como dirá Telémaco, seu filho, ela resolve oferecer lhe uma proposta irrecusável, afim de que se case com ela e abandone o desejo de regressar. Se decidir ficar, ela promete que Ulisses terá garantida a imortalidade dos deuses olímpicos: viver para sempre no brilho da juventude, sem amargar o decrépito da velhice. O herói, contudo, recusa a oferta. Ficar na ilha ao lado de Calipso significaria não só abandonar Penélope e todos aqueles que lhe eram caros, mas aceitar uma espécie de morte esculpida e vida, que o condena ao eclipse na memória das gerações futuras, destituído da gloria de herói guerreiro, mergulhado na escuridão de um covarde e anônimo esquecimento, ainda gozando do privilégio da vida eterna e seria caso único na literatura a recusa da imortalidade. Mortal imortal, ou imortal condenado ao absoluto oblívio. Se Ulisses tivesse ficado na ilha, em vez de escolher sua condição mortal, é difícil imaginar que Homero houvesse criado a sua grandiosa epopeia, imortalizando-o. E, se assim fosse, quem hoje saberia quem foi o herói da Odisseia, ou que ele um dia existiu? Na forma de uma conclusão, os últimos parágrafos do livro. Olhos nos olhos da imensidão­­­. Sou uma pessoa irrisória de uma espécie bizarra, num país absurdo, de um continente acanhado num planeta tacanho, (ora gelado, ora prestes a ferver) banhado por um sol medíocre, dentro de uma galáxia minúscula, num universo macabro, entre infinitos mundos possíveis, todos igualmente gratuitos e condenados ao eterno retorno. E, no entanto, existo. E resisto. E da trama que de conta de meu papel— e de todos— no drama cósmico, não desisto. Lenta virgula rastejante, trago em mim, todo o assombro do mundo. Impossível resumir toda a magnitude do livro em poucas páginas, por isso recomendo a leitura. Luis Gaj Fevereiro de 2026 ***– Mirian Menossi:*** Tema realmente fascinante por ser de interesse geral, afinal estamos todos no mesmo barco. Das muitas abordagens do autor e sendo adepta da Doutrina Espírita, vou ficar na abordagem espiritual/filosófica. A doutrina espírita, um ramo do cristianismo, foi codificada pelo pedagogo francês Allan Kardec e teve como base a filosofia de Sócrates e Platão, que foram os precursores da ideia cristã. Nenhuma das 5 grandes religiões (cristianismo, islamismo, hinduísmo, budismo e judaísmo) fala em morte e sim em vida eterna. Somos seres espirituais passando por uma experiência humana. O que gera sofrimento na humanidade é o apego que temos a esta vida como se ela fosse a única. Apegamos aos nossos entes queridos, aos nossos bens materiais, apegamos a tudo. No Budismo, uma filosofia oriental, o desapego é um dos princípios básicos da doutrina. Para a doutrina espírita a morte é uma passagem, um portal por onde saímos desta vida e retornamos ao mundo espiritual, nossa verdadeira vida. Todo conhecimento que adquirimos nesta breve vida no Planeta Terra, carregamos conosco e passam a fazer parte da bagagem que permanece sempre conosco. A Terra é considerada na espiritualidade como um planeta de expiações e provas e estamos aqui para nos lapidar e retornar ao mundo espiritual melhor do que quando chegamos. Como se o Planeta fosse uma grande escola!! "Somos todos visitantes, deste tempo e deste lugar. Somos passageiros destinados a observar, aprender, crescer e amar, e para casa voltar" Como na conclusão da resenha, sim somos seres irrisórios, um grão de areia na imensidão do Universo, num mundo cujos desafios são maiores que o nosso bem estar e alegria e, no entanto, existo e resisto. --- # PANORAMA VISTO DA PONTE Ensaios · 19 de janeiro de 2026 · https://luis-gaj.vercel.app/panorama-visto-da-ponte --- Ensaio Número 25 Estamos entrando no ano de 2026 com esperanças renovadas, e achei que seria oportuno tentar enxergar a situação do momento, e as perspectivas que se apresentam. O título do ensaio poderia ter sido Visão Helicóptero, seguindo orientação de meu antigo professor de estratégia, IGOR ANSOFF. O foco estará no Brasil de hoje, e nas suas tendências, observando os sinais fracos atuais. Em março de 2025 escrevi o ensaio número 9 sobre Desigualdades Sociais, e nada melhorou desde então, e me pergunto porque, identificado com o cidadão comum, e observando friamente, porque não conseguimos sair do atoleiro das desigualdades. Andando por São Paulo, vemos trânsitos intensos, na capital e também no interior, e podemos ter uma imagem de prosperidade, quando esta não é a verdade. A realidade é outra, ainda com crianças desnutridas, ainda com pobres e até miséria na periferia, ainda com favelas se multiplicando, ainda com crianças que não tem o que comer, famílias desestruturadas, com muitos filhos, vivendo do bolsa família, pais bandidos, presos ou viciados, e dependentes. Brasil de hoje, e nos vários governos que se sucederam nos últimos 50 anos, não melhorou, metade de sua população vive da bolsa família, ou da aposentadoria, e na informalidade ou no ócio. Como explicar que outros países tiveram grande progresso, e o Brasil não conseguiu sair do lugar? Uma das grandes causas, que seguramente impacta o pior resultado, é a corrupção que corre solta, e sem combate, em todos os níveis, federal, estadual e municipal, e contamina a sociedade civil, que para se sustentar, se adapta às exigências, e se torna cúmplice. Mas se bem a corrupção pode ser um dos grandes problemas, não é o único. A estrutura do estado brasileiro, com as inúmeras mordomias, os penduricalhos, os maiores salários e benefícios em Brasília, a inexistência de verdadeiros partidos, defensores de interesses ideológicos, buscando beneficiar a sociedade, e que hoje fazem política, buscando vantagens pessoais, em lugar de serem identificados com o bem comum, e ainda a falta de investimentos em estrutura, fazem deste um pais não totalmente civilizado. Podemos acrescentar ainda a existência de empresas estatais mal geridas e deficitárias. Como exemplo do tema da falta de estrutura, moramos na nossa casa durante 52 anos, a inda não temos esgoto e tão somente fossa, que contamina o lençol freático. Nossas ruas, dentro e fora do condomínio, não possuem calçadas, e onde as pessoas que caminham, são obrigadas a andar no leito dos veículos, correndo perigo. Isto são sinais de falta de civilidade, e de incompetência dos dirigentes, que nem percebem mais estas necessidades básicas da população. Os problemas não são poucos, e a educação na escola pública e gratuita de má qualidade, é também sinal de incompetência, e direciona os avantajados para escolas particulares, e os pobres para as públicas, com diferenças na formação das crianças. Na esfera política, esmagada a oposição e o executivo controlando a justiça e limitando o poder legislativo, caminhamos na direção do absolutismo e presidencialismo, concentrando poder decisório, limitando a imprensa, e escolhendo fieis seguidores para cargos que exigem os melhores em especialização e competência. Assistindo o documentário “como se tornar um tirano” fica claro que, além de acreditar piamente que ele (o futuro tirano) é o único capaz de dirigir o país, ele precisa de um grupo, não muito grande, de fiéis seguidores e apoiadores, que também acreditem que ele (o futuro tirano) é a pessoa certa, e que o obedeçam prontamente em tudo que ele tomar iniciativa. Este grupo pequeno seria colocado nos cargos principais sendo a maior característica a obediência, e seriam regiamente recompensados pela fidelidade. E com este grupo piloto, deverá construir o apoio das massas, usando todos os recursos disponíveis, e especialmente as redes sociais, a imprensa, e a propaganda, e até a demagogia, para obter o apoio necessário com promessas que unifiquem a sua sustentação. Em artigo de Vilma Gryzsinski, na revista Veja de 21/11 para caracterizar se um pais é atrasado ou adiantado, é suficiente alguns sintomas como por exemplo conseguir atravessar a rua sem preocupação com sinal verde, sem temer que um veículo desrespeite o sinal, ou observar que os ciclistas respeitam os que sinalizam paradas, nos dias em que o caminho dos ciclistas é monitorado, e sinalizado, como sinal de respeito e obediência. A própria falta de calçadas seria um sintoma de atraso, assim como os moradores de rua, e o número de favelados todos muitos sintomas caracterizam um país fracassado, quando a sua população não tem melhora no seu nível de vida. Outro sintoma do fracasso é a falta de rede de esgoto em grande parte do território nacional, ou falta de infraestrutura. O Brasil cresceu irrisoriamente, comparado a outros países como Singapura, Coréia do Sul e a própria China nos últimos 50 anos e com o argumento de combater a pobreza, criou um sistema assistencialista, e deixou de investir nas pessoas, e na infraestrutura, e no progresso. Metade da população vive dependendo de auxilio e trabalhadores ficam na informalidade, para não pagar aposentadoria, porque atingindo 65 anos receberão mesmo sem ter contribuído, um salário mínimo de aposentado De todos os males do subdesenvolvimento, o mais grave, é a pobreza extrema e a dependência de auxilio que provoca acomodação, ausência da força possível de trabalho produtivo, e pessoas ociosas, e não produtivas representam um custo elevado, e deixam de produzir riqueza para distribuir. Menos produtividade, menos gente trabalhando, mais assistencialismo, mais acomodação, formam um círculo vicioso, e o país deixa de investir no que mais precisa, que é investir no futuro, numa educação aprimorada, e se prezar por formar os mais competentes formandos, educados para a vida. E se for gratuita, de qualidade superior às das escolas particulares e pagas. E preparando para o mundo e seus desafios. Junto com a pobreza, o flagelo da desnutrição infantil, sendo cientificamente provado que crianças mal alimentadas nos primeiros anos de idade, serão crianças com dificuldade em absorver conhecimentos escolares, e também dificuldade no esporte em especial no futebol. Estamos no ano de 2026, possuímos uma imagem centrada nos extratos da população, e constatamos que as desigualdades sociais permanecem. e até pioram, em todos os últimos governos que se sucederam. Nossos líderes tem uma excelente capacidade de se articular, e navegar em águas turbulentas, mas uma incapacidade lamentável, em possuir imagem de um futuro desejável, que somente será atingido com uma visão de médio e longo prazo. Nossos líderes se concentram em ganhar eleições, e pautam negativamente em visualizar, sonhar e desejar um mundo melhor para todo o país. Assistimos a um sistema judicial deturpado e politizado, e uma falta crônica de verdadeiros partidos políticos, e um número elevadíssimo de partidos que possuem em comum, a defesa de seus próprios interesses, assistimos também a uma politica externa identificada com ditaduras, como a Venezuela, Cuba, Iran, China e Rússia e ainda assistimos ao poder executivo preocupado e atuando, para se perenizar no poder, sem pensar como estadistas. e preocupados com o imediatismo. E alocados nas próximas eleições. Na economia, assistimos à falta de planejamento fiscal cuidadoso, e ao desmando na gastança do dinheiro público, quando o correto seria enxugar a máquina burocrática e corporativa, instalada em Brasília, a ilha da fantasia. Com todo este cenário e com os Sinais Fracos, hoje não tão fracos, e se consolidando com um governo que premia fidelidade, e não preza pela qualidade, onde os Correio são um caso de empresa estatal altamente deficitária e falida, que há muito deveria ter sido privatizada, onde um banco Master aparece apoiado por governo estatal subsidiando e emprestando, para operações de altíssimo risco, e onde políticos apoiaram um modelo de gestão irresponsável, e um escândalo de desvios bilionários. Com este panorama visto da ponte, quando assistimos ao livro do brilhante escritor argentino Jorge Luis Borges que escreveu um livro O tamanho de minha esperança, podemos imitá-lo dizendo O tamanho de minha desesperança (comentado e citado por Bolívar Lamounier) Com foco na estratégia, e com os cenários que se apresentam, que expectativas podem ser vislumbradas, num ano que será muito importante para o futuro. Então quais seriam os caminhos para reduzir as desigualdades vergonhosas de um pais privilegiado pela natureza, que possui recursos hídricos, minerais e uma região amazônica única no mundo e mesmo assim, não consegue reduzir as desigualdades, eliminar a pobreza extrema, reduzir a nível aceitável a insegurança, crescente em todo o território e a bandidagem, e melhorar o nível de vida da população. Somente consigo perceber um motivo e um direcionamento. O motivo é a péssima gestão dos recursos, a existência de uma ilha da fantasia onde os donos do país distribuem benesses para seus seguidores e apoiadores. A péssima gestão se reflete na pobreza, na péssima escola pública, na marginalidade e no narcotráfico. Direcionar para mudança exige metanoia, ou mudança de mentalidade, abertura para perceber os verdadeiros problemas, e enfrentá-los. Esta mudança de mentalidade, e de cultura, não é fácil de se realizar, mas é possível, sim. e se inicia com a insatisfação, e revolta por ver como se gasta mal, como existe corrupção em todos os níveis, e como se tolera e se acomoda, sem reagir aqueles que só pensam no seu dia a dia, e mesmo assistindo pensam “e eu com isso”. É preciso que a mobilização da sociedade, com pessoas competentes e honestas, que sonhem com uma realidade diferente, esta nova realidade será atingível. Com todo o cenário atual quais seriam as perspectivas para este ano de 2026? O Brasil é um transatlântico difícil de conduzir para uma rota diferenciada da atual, onde forças poderosas agem contra as mudanças necessárias, e onde a sociedade permanece passiva. Cenário 1- Eleição com Lula na vantagem contra um oponente fraco Cenário 2- Surgimento de uma figura carismática e competente com uma postura nova, não extrema, mudar os destinos do país. Cenário 3. Mais 4 anos de estagnação e até radicalismo maior conduzindo a uma ditadura. Pensando em possibilidades, a eleição novamente de Lula moderado teria uns 30 per cento de chance, a opção 2 com surgimento de uma figura importante e que ganhe a eleição, hoje difícil vislumbrar teria 10 per cento de acontecer e a terceira opção de uma maior radicalização teria, em função das tendências, maior chance de ocorrer, o que tornaria o pais de emigrantes, fuga de capitais e de pessoas insatisfeitas e preocupadas. Temos sim esperança, e somente construiremos um país diferente, e desenvolvido, se sonhamos com ele, e transformamos o sonho em realidade, pensar a médio prazo, e mobilizar os justos, e honestos para esta cruzada. Mas como ninguém é capaz de prever o futuro com segurança, o mais correto é dizer que a única certeza, é que o futuro imaginado não irá acontecer, e que os cenários imprevisíveis, são mais importantes que os imaginados Falando sobre estatísticas, elas aceitam todos os números e as imagens desejadas. Como vimos no caso do pleno emprego no país, ele inclui os subempregados como trabalhando, mesmo fazendo bico e na informalidade, e deixa de considerar aos milhões que não trabalham e estão desempregados, e recebem a bolsa família. A seguir alguns dados para se pensar: 2024 tinha 23 por cento da população ou 49 milhões de brasileiros abaixo da linha da pobreza, vivendo com 23 Reais por dia, e o número de miseráveis vivendo com 7,27 por dia era de 3,5 per cento da população ou 7,4 milhões de brasileiros. 50 milhões ou um quarto da população na vulnerabilidade. Funcionários com carteira assinada eram em outubro de menos de 50 milhões num contingente de 103 milhões e grande parte deles vivia de bicos na informalidade. Outros números para se pensar 21% ou 48 milhões empresários, empreendedores e funcionários 6% ou12 milhões de funcionários públicos. 19% ou 39 milhões de pensionistas, aposentados e assistidos 26% ou 53 milhões de crianças e adolescentes 28% 56 milhões no programa bolsa família Resumindo 27% trabalham e o restante ou são menores, ou aposentados ou recebendo bolsa família Sem produzir riqueza e sem educação de qualidade, infelizmente as desigualdades se encontram em estado crônico, sem perspectiva. Luis Gaj Janeiro 2026 ## Contribuições de leitores sobre "PANORAMA VISTO DA PONTE" ### Cristina Valavicius (leitor) Querido sr. Luis, já estava sentindo falta de suas publicações. E essa, é mesmo de chorar. Quanto mais acompanho notícias, redes sociais, mais me convenço que nosso país está perdido, sem perspectivas próximas de se recuperar. São tantas fakenews fazendo lavagem cerebral dessa população que acredita em toda mentira que ouve,…. que é uma ilusão acreditar que esse país voltará a crescer e se desenvolver. Mesmo assim, e apesar de tudo, desejo ao sr. Família um excelente ano. Que seja repleto de saúde, fortalecido com laços de amor e amizade junto a aqueles que amamos. ### Marcelo Gutglas (leitor) Bela análise Luís. Triste realidade. Tem que de alguma forma mudar. nas eleições. Trágico se Lula ganhar. Abraço ### Lebjus Ceszrnia (leitor) Oi Luiz Parabéns pelo magnífico estudo!! Claro, conciso e objetivo!! Não há mais nada a acrescentar! Você apresentou muito bem a situação atual em que estamos submetidos a um governo corrupto, desonesto e demagogo. ### Irene Nani (leitor) ******Pois é Luiz, o cenário é desanimador! Nós somos uma gota d’água num oceano imenso!!! ### Miriam Menossi (leitor) "Quando o velho mundo já morreu e o novo ainda luta para nascer, surgem os monstros" Gramsci (filósofo italiano) Sim, a desigualdade brasileira continua, até aumentou, e não houve políticas públicas que indicasse um início de melhora. Sim, os maus políticos que elegemos em nenhum momento pensam no país e sim em si próprios. E porque elegemos pessoas que não tem capacidade de enxergar um país mais próspero, nas culto, mais igual?? Encaramos eleição de uma forma errada, na base do compadrio e aí está o resultado. É fato que a estrutura do estado brasileiro está desorganizada de tal modo que a maior fatia do orçamento fica dividida entre eles na forma de emendas, não sobrando o suficiente para os Ministérios principais para a população que são a Saúde, a Educação e a Segurança que constam como prioritários na Constituição. Curioso notar que os políticos atuais são de uma geração que não tiveram Educação Moral e Cívica no currículo escolar e, talvez, nem saibam o que significa ser cidadão, cuja missão é servir à Pátria, inclusive ,fazendo juramento diante a bandeira do Brasil. Luis colocou 3 cenários para as eleições deste ano. Vamos ficar todos juntos com o 2° cenário e pensar positivo e coletivamente que surgirá a pessoal ideal para comandar este enorme transatlântico que se chama Brasil. Boa sorte para todos nós!!! ### J.F..Saporito (leitor) A sociedade brasileira está adaptada a tudo de ruim que integra o dia a dia das pessoas em geral. Nada mais nos incomoda, por pior que seja. Estamos aceitando tudo, passivamente. O crime hediondo de hoje com certeza vai ser menos cruel do que o que vai ser praticado amanhã. As denúncias de hoje de corrupção no meio político e privado irão ocupar os espaços da CNN e Globo durante um certo tempo, provocar acaloradas discussões com os que pensam a esquerda e a direita, mas rapidamente vão ser substituídas por novas denúncias ainda piores do que as anteriores. Nas redes sociais, milhares de pessoas de forma confortável em suas casas ou em rodas de amigos colocam comentários que não mudaram uma vírgula dos acontecimentos. No YouTube muitos jornalistas, políticos e blogueiros colocam vídeos apelativos com verdades, meias verdades e mentiras, cujo objetivo é atrair atenção, se tornarem conhecidos e ganhar likes, seguidores e votos. Como parte da comédia, o legislativo tenta colecionar assinaturas que sejam suficientes para aprovar uma nova CPMI cuja finalidade é apenas criar um palco para discursos inflamados, apenas visando demonstrar protagonismo e angariar votos para as próximas eleições. As antigas e poderosas associações como Fiesp, OAB e Febraban entre outras, e até mesmo o clero através da CNBB em um país dito católico, estão silenciosos no ostracismo como se nada do que está acontecendo lhes incomoda. O STF considerado a última esperança racional para colocar um mínimo de ordem jurídica na bagunça constituída, perdeu credibilidade e em várias situações é considerado como potencial agente de malfeitos. Olhando o panorama de cima da ponte vemos um enorme rio transbordando água por todos os lados e as pessoas deste país se afogando lentamente. As autoridades constituídas por si só, não vão salvar aqueles que estão dentro do rio se afogando. As explicações que o professor Luis Gaj questiona em seu ensaio Panorama Visto da Ponte estão ligadas diretamente ao sentido da palavra ENIGMA. Sim, essa é a palavra perfeita para tentar definir o povo brasileiro e porque as coisas estão como estão. Quando é impossível compreender alguma coisa, estamos diante de um Enigma. O povo brasileiro é sim um Enigma pois nunca age de forma coesa, disciplinada e foco na defesa de seus interesses, fazendo valer os seus direitos para tentar influenciar e modificar determinadas situações que estão ocorrendo em prejuízo da maioria. Porque somos inertes, porque somos covardes, porque nunca nos movemos coletivamente contra as arbitrariedades, é para mim um Enigma. Quem sabe um dia qualquer surja mais um desses assuntos insuportáveis que costumam incomodar a todos e as pessoas resolvam transformá-lo em o dia D. Sou cético, mas às vezes milagres acontecem. Estamos iniciando um ano difícil quer seja por eleições com potencial de gerar conflitos, quer seja por políticas públicas mal direcionadas com o único objetivo de ganhar eleição às custas dos menos favorecidos ao manter e ampliar programas sociais insolúveis, quer seja pela escalada da violência, insegurança e forte envolvimento das facções criminosas em atividades públicas e privadas. --- # PORQUE AS DITADURAS SURGEM.? Ensaios · 19 de novembro de 2025 · https://luis-gaj.vercel.app/porque-as-ditaduras-surgem ENSAIO NÚMERO 24 Acabamos de assistir à condenação dos que ameaçaram o regime democrático, podemos concordar que ela fora provocada pela intenção de golpe perpetuada por um grupo, mas por outro lado consideramos tratar-se de eliminar uma oposição ao governo de plantão. Como o termo democracia se tornou de uso generalizado, até pelas mais ferrenhas ditaduras, vamos caracterizar o que significa realmente regime democrático. Transparência, prestação de contas, respeito à oposição, governar para o futuro melhor, e não para o Imediatismo, ponderação nos gastos com o dinheiro público, máquina estatal prestando bons serviços, empresas estatais (se existem) poucas e eficientes, e dirigidas por especialistas reconhecidos, e não por apadrinhados, escolha para os cargos no governo dos mais competentes para cada função, justiça independente, jornalismo desimpedido e apresentando verdades, tanto na política interna transparente, quanto na política internacional, e vigilante do bem comum dos direitos dos cidadãos, livre exercício dos direitos civis e políticos dos cidadãos, combate à eventual corrupção, e sistemas como narcotráfico, desapego ao poder, e visão de dedicação ao bem comum, como primeira prioridade Agora passaremos a focar nas ditaduras e como funcionam. No mundo atual, as ditaduras, não tem semelhança com os regimes que tinham sido implantados na Alemanha desde 1933 até 1945, por Hitler, no nazismo, ou da Itália de Mussolini no fascismo de 1922 até 1943, que desprezavam os regimes democráticos por considera-los corruptos, e implantaram regimes de força com base no poder, e na consideração de raça superior, não são semelhantes ao regime bolchevique, implantado por Stalin na União Soviética de 1924 até 1953, não foram provocadas por golpes militares, ou comunistas no modelo de Lenin, pela ditadura do proletariado. Também não seguiram os modelos das ditaduras do Brasil de 1964 até 1985, e pouco antes também na Argentina de1975 até 1983, ou no Chile com Pinochet de 1973 até 1990. Os regimes ditatoriais modernos de hoje, são promovidos por meio de redes complicadas de interesses, escoradas por finanças, segurança, militares, policiais, propaganda, desinformação, e permitindo esta colaboração dos uns aos outros. As ditaduras, possuem conceitos e princípios políticos muito diferentes entre elas, por exemplo o nacionalismo na Rússia e o comunismo na China divergem um do outro e também divergem do socialismo da Venezuela, e do radicalismo xiita do Islamismo, da república do Irã, e também são diferentes das monarquias árabes. O que une as ditaduras não é a sua ideologia, mas o desejo de preservar as fortunas, e o poder. Em lugar de terem as mesmas ideologias, são obstinados a oprimir oposições, e evitar vozes contrarias, e se caracterizam por não ter transparência, ou prestação de contas. Os acordos entre elas permitem amenizar sanções. Na Venezuela, os Estados Unidos e outros países da Europa, infringiram sanções em resposta ao regime que fraudou as eleições, e pelo narcotráfico, e apesar disso, o presidente Maduro é apoiado pela Rússia, e pelo Irã, e também pelo regime e por empresas bielorrussas, e a Turquia facilita o comércio ilegal de ouro. Cuba também se identifica e apoia Venezuela na repressão da oposição. Apesar do descontentamento interno, conta com o apoio do regime militar para se manter no poder e o Itamaraty é omisso na perseguição às oposições na Venezuela. As ditaduras são indiferentes à oposição dos cidadãos, e aos protestos, e de nada afetam a decisão da justiça, quando esta e manobrada ou politizada, e subserviente. Situações semelhantes em diversos países, onde a população lota as ruas das cidades, pedindo o fim de guerra, ou solicitando melhorias que não são atendidas. Mesmo quando não são atendidas as reinvindicações, e dependendo do tamanho das manifestações, o não ouvido, pelo governo, significa situação preocupante. Nas ditaduras atuais, algumas se autodenominam comunistas, outras patriotas ou nacionalistas, e ainda as que se denominam socialistas, mas todas tem em comum serem contra os Estados Unidos, contra Europa e o mundo ocidental, e em lugar de apresentarem ideias, as tiranias que dominam Rússia, China, Irã, Correa do Norte, Venezuela, Nicarágua, Angola, Mianmar, Cuba, Síria, Bielorrússia, Sudão e muitas outras ditaduras, ou inclinadas a serem ditaduras, atuam contradizendo os princípios da democracia, e compartilham a ideia de que os cidadãos não tem qualquer influência, ou voz pública, e se houvesse eleições livres e não fraudulentas, muitos regimes ditatoriais deixariam de existir. Para combater os regimes ditatoriais, o ocidente tem utilizado sanções como taxas de impostos, limitações aos dirigentes, restrições ao comércio, taxas de importação, mas no mundo atual, e polarizado, isto deixa espaço para regimes ditatoriais exerçam a sua influência, e compensem as limitações impostas. As características dos regimes citados, passam primeiramente pelo combate ferrenho aos que se atrevem a discordar e criticar os regimes. Neles não é preciso ter transparência, porque a imprensa perde a liberdade e a capacidade de criticar, e em lugar de colocar pessoas competentes nos cargos públicos e nas empresas do estado, colocam os fiéis seguidores e apoiadores, os beneficiando e os enriquecendo. Nestas ditaduras, em que se prendem e eliminam os que se opõem, o povo e o progresso são relegados, e a pobreza, o analfabetismo e a desnutrição, não encontram melhorias. As relações entre ditaduras, servem para se apoiarem mutuamente no ambiente internacional, mesmo que se denominem de esquerda ou de direita, por que o que prevalece, é a vontade de se perpetuar no poder, usando de recursos como falsear resultados de eleições (quando houver) em benefício próprio. Os líderes das ditaduras possuem residências opulentas, e conseguem apoio e sustentação, permitindo iniciativas lucrativas. Tal o caso do modelo Chinês, que tem um regime comunista central, mas que adota princípios de livre comércio, no estilo capitalista, e ocidental, e esta estratégia tem criado muitos empreendedores enriquecidos, cujos filhos estudam nas melhores universidades do mundo, e tem promovido a riqueza do pais usando a livre iniciativa. Ainda ditaduras no sentido amplo, tanto dos extremos de esquerda ou direita a regimes de fanatismo religiosos, atuam por desconsiderar opiniões populares. Em todos os casos, os líderes dos países sob regimes ditatoriais, não se incomodam em ser criticados ou por quem os criticam. Neles não se importam com nada além do enriquecimento pessoal, e dos apoiadores, e o desejo de ficar no poder. Os líderes do Irã ignoram os descontentamentos populares e ignoram as opiniões dos ocidentais infiéis, e a Rússia, condenada pela invasão da Ucrânia, não dá importância à crítica de inúmeros países. Os líderes do Hamas, por sua vez vivem confortavelmente em Doha, no Catar, e enriquecem utilizando as subvenções que países ocidentais fornecem para combater a fome e a guerra em Gaza, e aniquilam opositores os fuzilando na frente do povo, para intimidar e amedrontar, os que querem se livrar de sua tirania. O regime Iraniano ainda promove repressão às mulheres. Nos países ditatoriais, a pobreza não preocupa e usa-se de recursos demagógicos e proselitistas, enganando as populações e agradando com migalhas, e distribuindo riqueza aos apoiadores, não objetivando criar prosperidade, ou melhorar a vida dos cidadãos. Os interesses econômicos imediatistas, e as negociações oficiai e também não oficiais, prevalecem na busca de bens ou riquezas. E o caso do Uruguai, pode ser utilizado como modelo a seguir, onde apesar de existirem partidos de esquerda e de direita, existe o respeito mútuo, e quando preferido pelos eleitores ocorre alternância entre eles. Os extremismos são deixados de lado, e o respeito mútuo e a transparência prevalecem. Até não muito tempo atrás, o mundo ocidental era referência de exemplo de democracias, especialmente nos Estados Unidos e na Europa, mas este cenário tem gradativamente mudado, com a ascensão da China se tornando potência mundial, e concorrendo com os Estados Unidos, como pais mais poderoso incluso militarmente, o Iran com sua ambição de aumentar sua presença entre os árabes islamitas. Nestas circunstâncias, e com a Rússia ameaçando a Europa, os países democráticos devem fazer prevalecer, e reforçar, entre eles as alianças unidas, a defensa da democracia, contra o avanço dos regimes ditatórias e autocráticos. Entre países também prevalece o ditado de “Dime con quien andas, y te dire quien eres’, e longe de ser simpatizante de Lula ou Bolsonaro, que se apresentam com extremismos, e como regimes com tendências ditatoriais, que se identificam com a Rússia, Venezuela, Iran e outras ditaduras, não merecem o nosso voto. Enquanto o regime chinês, instala inúmeras câmeras para monitorar e oprimir eventuais defensas da democracia, ou questionamentos ao governo, o governo brasileiro combate a única oposição que poderia competir nas eleições de 2026, e desde a instalação do governo, sem trégua, nos últimos três anos. Políticos “realistas”, que se orientam por interesse econômico ou geopolíticos, são muito fortes, mas os atos de bravura ou covardia, podem também ter importante papel e decidir ações como a guerra na Ucrânia, e muito provavelmente outro governante russo poderia ter acabado com ela rapidamente. O mundo carece hoje de uma ordem política predominante e única, e no seu lugar, as tensões mundiais representam desafios novos, e nem sempre de fácil solução. Mas os governos dos países democráticos oferecem melhores condições de vida, do que as ditaduras fechadas. Democracias podem ser salvas, e ditaduras podem ser derrubadas, desde que seus habitantes estejam dispostos a se empenhar nesta tarefa, nada fácil. Um enfoque adicional ao tema das ditaduras, e mencionar o Poder, que pode ser o fator motivador mais importante. O Poder pode ser um fim em sí mesmo, que provoca a sensação de trunfo, ou sucesso, que é uma característica humana. Ele pode provocar em consequência a ditadura, a tirania e a subjugação do ambiente. Poder transformado a serviço de que? Poder para permitir servir, ou para subjugar e se aproveitar. LUIS GAJ NOVEMBRO 2025 Leitura recomendada: Autocracia S.A, de Anne Applebaum Referência: meu BLOG luisgaj.com.br onde se encontram todos os ensaios e contribuições recebidas. Sendo que este Ensaio será o último do ano, aproveito para desejar Felizes Festas, com brindes pelos resultados atingidos em 2025 e com novos planos, e projetos para o novo ano de 2026, recebido com novas esperanças e desejos de realizações, com saúde, animação e alegrias. ## Contribuições de leitores sobre "PORQUE AS DITADURAS SURGEM.?" ### Irene Nani (leitor) Olá Luiz, li o seu ensaio e como sempre concordo com o que você escreveu. É incrível como é difícil conseguir esse tal de regime democrático! Sempre surgem aqueles que em nome da democracia tentam de alguma maneira enganar o povo e agir nos bastidores para atingir seus fins não tão honestos! É preciso, realmente, ficar de olhos abertos e de plantão para impedi-los de atingir seus objetivos! E como fazer isso? Só há uma maneira democrática: através do voto! Aí depende muito de como o povo entende a situação: há aqueles que acreditam piamente em seus ídolos, e é aí que mora o perigo! Temos a sorte de viver no Brasil que ainda é a meu ver, um paraíso! Porém, não podemos baixar a guarda e precisamos, através do voto, prosseguir com a nossa democracia, não permitindo nada que nos pareça ser fora da lei.! Desejo também a todos um próximo ano com saúde e prosperidade e que continuemos a nos encontrar nesses momentos de lazer e amizade!!! ### Cristina Valavicius (leitor) Bom dia sr. Luis, muito obrigada por mais esta preciosa reflexão. Bjos e Abraços ao sr.e toda família. ### Leibus Cezersnia (leitor) Excelente ensaio: claro,direto e completo, não sendo necessária nenhuma observação adicional! Parabéns! ### Eliana Sader (leitor) Olá Luís. Muito grata pela matéria. Valorizo muito dados históricos porque sinto carência desses conhecimentos. Você discorre muito bem sobre as características da ditadura x democracia. No mais só resta reforçar a complexidade do momento geopolítico que estamos vivendo. Se é que alguma vez foi menos complexo. Abraço e até sexta-feira ### Teresa Vianna (leitor) Obrigada Luís, belíssimo artigo. Acredito que conversaremos antes, mas também desejo felizes festas para você, abraços da Téia. ### Tatiana (leitor) Luis, agora consegui ler com bastante atenção! Belo artigo, quanta lucidez e boa profundidade. Super clareza! Gostei muito! Qual o nome do seu blog? ### Elides Loebmann (leitor) Caro Luis,Muito obrigada por enviar suas publicações e de seus amigos com relatos de experiê cias de vida.Me sinto privilegiada de em muitos momentos estar presente na sua família e como você sinto saudades dos papos que tinha com a Eva ao telefone. Um grande abraço. Elides ### Rafael Smaletz (leitor) Olá vovô, obrigado pelo texto e pela excelente explicação sobre ditaduras e democracias. Agregando ao debate, gostaria de trazer alguns outros pontos que permitiram com que movimentos antidemocráticos surgissem e perpetuassem no passado recente. CONTEXTO HISTÓRICO: Muitos dos governos ditatoriais que surgiram nas últimas décadas são resultado direto da disputa entre Estados Unidos e União Soviética pela hegemonia global. Ambas potências mundiais influenciaram ideologicamente e financiaram grupos paramilitares em países de sua zona de influência por meio das proxy wars (guerras patrocinadas), a fim de defenderem seus respectivos interesses políticos em todo o planeta. Nos casos da Coreia do Norte, Vietnã, Angola e Moçambique, grupos apoiados financeira, técnica e militarmente pela China e Rússia, conquistaram o poder por meio da luta armada, instituindo governos de orientação socialista ou comunista. QUEDA DA POPULARIDADE AMERICANA: Nos últimos anos, os Estados Unidos têm enfrentado sérias dificuldades em se manter como principal líder hegemônico do sistema global. Antes visto como principal propagador das democracias ao redor do mundo, os EUA sofreu grandes retaliações politicas devido a alguns fatores: intervenções militares controversas no Afeganistão e Iraque, abandono de acordos multilaterais (Acordo de Paris, acordo nuclear com o Irã, etc.), violação de direitos humanos na prisão da Baía de Guantánamo, resposta questionável à COVID-19, crises internas de racismo, violência armada e instabilidade política, e finalmente, ascensão da China e Rússia como principais potências mundiais opositoras à democracia. Estes acontecimentos não apenas diminuíram a esfera de influência norte-americana, mas também colocaram o conceito de democracia como unanimidade em questionamento e abriram espaço para lideranças que questionavam o status quo. DEMOCRACIAS NÃO FIZERAM O DEVER DE CASA: Assim como vimos em diversos casos ao longo da história, governos ditatoriais são capazes de irem muito além para se manterem no poder. A máquina pública é administrada para garantir a manutenção do regime político, e evitar que movimentos políticos contrários ascendam da sociedade civil e o derrubem. Em contrapartida, tivemos alguns exemplos democracias em que o autoritarismo se desenvolveu na sociedade graças a um dos grandes pilares do regime democrático: a liberdade de expressão. Na Alemanha nazista, o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, que deu origem ao Partido Nazista, era um partido político legalizado dentro da democracia alemã e foi eleito democraticamente. O mesmo ocorreu com o Fidesz de Orban na Hungria, Lukashenko em Belarus e o Partido Socialista Unido de Hugo Chavez na Venezuela. Nestes casos, o governo falhou em não terem identificado a retórica antidemocrática dos partidos antes das eleições, e não punirem os perpetradores sob o princípio de ameaça antidemocrática iminente. Talvez não o tenham feito porque nas democracias, a ideia de liberdade de expressão ainda seja um dilema, onde o direito de liberdade política permite com que ideias antidemocráticas sejam amplamente divulgadas. Criticar o governo deve ser permitido, porém os pilares que sustentam a democracia, não. INFLUÊNCIAS RELIGIOSAS: Usar a religião como forma de legitimação também pode ser uma ferramenta para assegurar a popularidade do líder. Ao se sustentarem por meio da teocracia, os ditadores se aproveitam do discurso religioso para conquistarem o culto à personalidade. Este conceito, somado à manipulação das massas, legitima os governantes, independentemente do grau de democracia. Desta forma, o apoio de líderes religiosos não apenas garante a emancipação, mas também o poder hereditário baseado na ideia de que o líder e sua linhagem foram escolhidos por uma entidade divina para governarem. Ou seja, todas as leis e costumes impostos, por mais impopulares e contraditórios que sejam, possuem “respaldo” divino. E qualquer contestação à religião família é considerado um crime contra o Estado. Os regimes teocráticos e autocráticos da Coréia do Norte (Juche e Songun), Arábia Saudita (Wahhabismo) e República Islâmica do Irã (Islamismo xiita), são os exemplos mais marcantes. Recomendações de documentários (disponíveis na Netflix, data de referência: 15/11/2025): Como Se Tornar um Tirano (2021) e Apocalipse nos Trópicos (2025). Livro: Como as Democracias Morrem (Steven Levitsky e Daniel Ziblatt, 2018). ### Miriam Menossi (leitor) Em primeiro lugar um elogio ao Luis pela excelente definição de Democracia. Existe algum lugar onde seja assim? Aqui na América do Sul talvez o Uruguai chegue perto. Mas porque surgem ditaduras? Nada é estático, tudo está em constante movimento e como o ser humano é um eterno descontente, pode surgir um probleminha que elevamos para um problemão e com o advento das redes sociais em poucas horas pode acontecer levante e terminar numa mudança de direção de um país. Existe vários fatores para o desgaste de um Governo desde crise econômicas, ameaças externas, instabilidade política, etc Aconteceu aqui no Brasil em 1964. Fomos dormir numa democracia e acordamos numa ditadura que permaneceu por 20 longos anos. Num primeiro momento senti um alívio, o Brasil parecia um barco sem rumo, o povo sentia essa instabilidade e os generais prometeram colocar o país em ordem e devolver aos civis. Sim, foi devolvido depois de uma grande mobilização popular que incluía todas classes sociais e até religiosos. O movimento "Diretas Já" foi vitorioso e iniciamos um novo período democrático. Os anos de ditadura foram difíceis, a censura calou a mídia falada e escrita, perseguiam artistas e políticos considerados comunistas e tudo que chegava ao nosso conhecimento era passado pela censura. E os jovens que se revoltavam eram presos e torturados. Muitos foram exilados e outros desaparecidos até hoje. Recentemente visitei novamente o Museu da Resistência e desta vez fiquei emocionada ao ver as fotos de tantos jovens que lutaram pelo país e agora são apenas um rosto na parede. Quanto capital humano de qualidade o país perdeu. Minha geração foi de jovens cultos e engajados, que sonhavam com um Brasil grande e poderoso. Para tanto, estudavam, trabalhavam e leitura era predominante. Nos encontros a primeira pergunta era: Que livro você está lendo? Bem, voltando ao momento presente, vamos fazer o possível e o impossível para preservar e fortalecer nossa Democracia. Ditadura nunca mais!!! Miriam – novembro/2025 --- #  AS FASES DA VIDA Ensaios · 23 de setembro de 2025 · https://luis-gaj.vercel.app/as-fases-da-vida ENSAIO NUMERO 23 Inspirado no trabalho da Antroposofia e aplicado nos cursos biográficos que eram ministrados pela Dra. Gudrun Burkard na Artemísia, e curioso para rever as minhas anotações, dedico este artigo à memória de nossa médica, que durante muitos anos foi orientadora nos assuntos da saúde, mas especialmente, transmissora de profundo conhecimentos, entre eles o curso biográfico e de desintoxicação que formou inúmeros discípulos e alunos. Refiro-me na primeira parte ao livro Tomar a Vida nas Próprias mãos, que recomendo, mas hoje com 94 anos espero poder acrescentar algum capítulo, contando como foram os últimos anos, que considero de gratuidade pela longevidade. Interessante que logo no começo, e com o avanço da ciência e da tecnologia, com o distanciamento entre as pessoas, o homem se sente incompreendido e solitário. A vida é dividida em septênios, períodos de sete anos, cada um com características próprias do desenvolvimento da pessoa, suas sensações e vivências. Primeiro septênio dos 0 aos 7 anos. Impressões externas no fundo até nosso organismo como instrumento físico e corpóreo do indivíduo. A individualidade chega ao corpo. Processa-se a troca das células do corpo. Novo corpo, diferente do corpo herdado. Dentes próprios surgem no fim. Andar, falar e pensar Este período de sete anos vai até a maturidade escolar. E um processo onde a criança é totalmente receptiva a absorve os aprendizados que advêm da família, com os exemplos, e do professor, já na escola. Segundo septênio dos 7 aos 14 anos Interiorização maior. Desenvolvimento dos órgãos internos, coração e pulmão. Amadurece o novo sentir. Dinâmica de fora para dentro e de dentro para fora. Vida escolar e interação social. Equilíbrio inspirar e expirar. Dificuldade comunicar seria estar sufocados e limitação no mundo lá fora. Equilíbrio em momentos de cada um, traz harmonia interna. Andar, falar e pensar Objetivar nossa biografia. Expectativa de nós mesmos, a partir dos 3 a 4 anos, os primeiros anos de nossa vida. Como foi, observação do lar e do ambiente da casa. E as pessoas que frequentam. Cores, cheiros, os fatos do primeiro septênio e a primeira lembrança do segundo septênio, e a vida mais de dentro com acontecimentos externos que causaram emoções fortes em nós. Falar de nós mesmos, não do irmão ou dos pais. Nossa biografia, elementos positivos e negativos que ocorreram. Criar condições só favoráveis para a criança, pode isola-la. Equilíbrio entre agradável e desagradável. Estabelecer limites: não faça isso, não faça aquilo. Linha de pensamento em que tudo é herdado no ser humano. Behaviorismo e a pedagogia. Psicologia moderna, parte espiritualista, parte que é herdada, parte condicionada, parte é pessoal. Antroposofia encaixa neste tipo de visão. Pensar com a cabeça, sentir com o coração e pulmão e agir com o sistema locomotor das pernas e braços. Na abordagem dos primeiros septênios constatamos que as transformações na ocorrem em décadas, mas em septênios, são as crises, passagem onda vive turbilhão. Nas fases da vida o processo do crescimento se dá até os 21 anos. E neste no quarto septénio é importante experimentar e aprender, para se definir sobre como continuar. Dos 28 aos trinta e cinco anos e uma fase de crescimento profissional e amadurecimento, o que continuará nos dois septénios seguintes, dos35 ao 42 e dos 42 aos 49. Nestas fases a vitalidade, o equilíbrio e a consciência predominam. E novos desenvolvimentos são atingidos dos 49 aos 56 e dos 56 aos 63 anos. enquanto nos 4 septénios a vitalidade é grande e a consciência é pequena, mais tarde aproximadamente com 35 se estabelece o equilíbrio entre vitalidade e consciência e a partir dos próximos septênios, a vitalidade vai se reduzindo e consciência é *gr**a**nde*. N minha interpretação, e a partir dos 56 anos, temos ainda, nas novas condições de vida, um prolongamento produtivo e de grande atividade dos 56 ao 63, dos 63 aos 70 e dos setenta aos 77 anos de idade. Terceiro septênio dos 14 aos 21 anjos. A passagem do segundo para o terceiro milênio é uma alteração maior, com crescimento dos seios e quadris, alteração da voz dos rapazes. Os membros ficam alongados e nesta fase atividade esportiva é muito eficaz. Nesta fase a sexualidade amadurece e também os membros ficam mais fortes preparando para agir no mundo, tanto no homem como na mulher surge a procura da complementaridade do um com o outro. O homem toma a vida nas suas próprias mãos e se torna responsável. Muito especialmente é a idade em que se realizam as vivências do trabalho, e onde é importante vivenciar situações diferenciadas para permitir escolher o caminho profissional a seguir. E normal acontecer dos jovens ficar revoltados com os pais, desejando seguir o seu próprio caminho, e não adianta tentar faze-lo mudar de opinião. Ele será responsável das decisões que tomar. Os contatos com os ambientes de trabalho que irá frequentar serão novas e ricas experiências profissões nesta fase, pode ser muito importante para poder escolher corretamente aquilo que deseja ser o objetivo. O sentimento do jovem, e se sentir poderoso, e querer mudar o mundo e seu futuro. Mudar de várias profissões pode ser enriquecedor para escolher corretamente o que deseja, e não se arrepender futuramente. A fase dos 21 aos 42 anos. Sendo que aos 21 anos se atinge a maioridade e muitos jovens nessa idade partem com uma mochila nas costas, na busca de conhecer o mundo. A período é como uma pedra bruta que precisa ser lapidada, e isto é conseguido no relacionamento com outras pessoas. Dos 21 aos 28 anos estamos cheios de ideias e precisamos converte-las em realidade acreditamos tudo ser possível. E a época de se tornar pai ou mãe, portanto de realização familiar, de se tornar bom marido, esposa, pai ou mãe, e também de ser um bom profissional. Para posicionar-se precisa de bons relacionamentos, especialmente no trabalho. Várias experiências de trabalho são muito importantes. As habilidades técnicas são aperfeiçoadas nesta idade. E ao faze-las bem se procurarmos habilidades. Dos 28 aos 35 ## Contribuições de leitores sobre " AS FASES DA VIDA" ### Gerardo Sochachevsky (leitor) ** Gostei do que escreveu com sua experiência de vida. Com amor para família e dedicação aos netos, parabéns para você gosto de ler suas experiências neste exato momento li tudo para o Gerardo como você sabe ele ficou deficiente dos olhos eu cuido leio para ele. Dia 15 de setembro fez aniversário 88 anos a saúde está boa dentro de sua idade faz exercícios físicos todos os dias com fisioterapia. ### Cristina Valavicius (leitor) ** Tive a feliz oportunidade, há alguns anos atrás, de fazer o curso de antroposofia com foco nos septénios sob a coordenação da dra. Gudrun, uma oportunidade valiosa de reflexão e autoconhecimento. Grata por compartilhar. Bjos e abraços a todos. ### Christoph Derendinguer (leitor) Caro Luiz, Achei muito interessante a divisão da vida em segmentos de sete anos, que você parece ter observado na sua própria vida. Mas quando tentei dividir minha vida em segmentos de sete anos, não funcionou. Apenas um evento, a mudança para a Suíça em 1991 com toda a família, chega perto de um múltiplo de sete. Você menciona que esses ciclos são um elemento importante na antroposofia de Rudolf Steiner. Tentei descobrir no Google quando Rudolf Steiner disse isso, mas não consegui. Resolvi então, pela primeira vez, recorrer à inteligência artificial, e veja só, descobri que ele falou "de sete a oito anos". (citação no final). Portanto ele não via um ritmo rígido. Concordo plenamente com a divisão da vida em ciclos, inclusive com as características que você menciona para cada um. Mas "7 anos" é uma camisa de força. Até poque, aos 7 anos, eles representam 100% da vida, e aos 70 anos apenas 10%. Arrisco a opinião de que os ciclos aumentam de duração com a idade. O número 7 sempre fascinou a humanidade, aí sim foi interessante surfar no Google! É um número místico baseado nos 7 astros que se movimentam no firmamento, visíveis na antiguidade: o sol, a lua, Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno. Mas não existe na natureza nenhum ciclo de exatamente 7 dias. Resultado de pesquisa na AI de DuckDuckGo: "Rudolf Steiner äußerte die Aussage "Der Mensch stößt im Laufe von sieben bis acht Jahren seine sämtliche physische Materie ab und erneuert sie" in einem seiner Vorträge über die anthroposophische Sicht auf den Menschen und die Entwicklung. Diese Idee bezieht sich auf den Prozess der Zellregeneration und die Vorstellung, dass der menschliche Körper sich in einem ständigen Wandel befindet." Grande abraço Christoph Caro Luiz, eis a tradução da citação de Rudolf Steiner: "Rudolf Steiner proferiu a afirmação "No decorrer de sete a oito anos, o homem se desfaz de toda a sua matéria física e a renova" em uma de suas palestras sobre a visão antroposófica do homem e do desenvolvimento. Essa ideia se refere ao processo de regeneração celular e à ideia de que o corpo humano está em constante estado de mudança" Abraço ### Irene Nani (leitor) – Muito interessante e bem escrito o “praticamente relatório de uma vida”! Não sabemos até quando viveremos, mas uma coisa para mim é super importante: saber respeitar o outro! Enxergá-lo como como um ser que pensa diferente, mas que tem todo direito de assim ser! Sentir alegria nas mínimas coisas, buscar novas atividades ou diferentes livros para ler, assistir concertos ou shows e trocar ideias com amigos, almoçar fora e sempre se interessar por novidades! Eu, aos 82 me sinto muito bem! (sem contar com as duas últimas semanas que passei por uma virose que me deixou prostrada)! Mas o importante é sempre ver o lado positivo de tudo e continuar a viver de bem com a vida, até quando Deus assim o determinar! Simples assim!!! A vida é bela, é só saber enxergar isso. ### Claudette Yedid Baroukh (leitor) Bem interessante este artigo baseado na Antroposofia e na sua vivência muito sabia e bem sucedida. ### Miriam Menossi (leitor) ** A vida é bela e cada fase da vida tem o seu encanto. Para tanto é preciso olhar sempre para o lado melhor de cada situação. Duas pessoas faziam a caminhada matinal e se deparam com uma praça forrada de florzinhas amarelas que caíram das árvores. A primeira olhou horrorizada e disse: "Como está suja está praça" e a segunda disse: "Esta praça está linda coberta de flores". Modo de enxergar o mundo!!! A dualidade faz parte do nosso existir, todo sentimento tem o seu contrário. Nossos sentimentos básicos são: Positivos: Negativos: Amor Ódio Alegria Tristeza Medo Coragem Procurar manter sempre os sentimentos positivos. Na infância a criança é feliz sob o amparo dos pais ou tutores. Já na adolescência fica rebelde, pois é um período de difícil transformação e o adolescente está em busca de uma identidade própria. Chega à vida adulta com uma boa base de conhecimento e se firma na profissão escolhida. Na vida adulta também faz a escolha da companheira/companheiro e formam uma família que se torna o seu porto seguro, mas também com seus desafios que só um equilíbrio emocional bem elaborado pode vencer sem entrar em contendas domésticas. E aí começa o declínio em direção à finitude. Tudo tem o seu tempo determinado: – tempo de plantar e tempo de colher – tempo de chorar e tempo de rir – tempo de guerras e tempo de paz A aceitação da finitude serve como reflexão sobre a necessidade de aceitar os ciclos da vida. Nascimento e morte fazem parte do mesmo processo. O foco no presente incentiva a reflexão sobre o modo como vivemos, os relacionamentos que construímos e o legado que deixamos para as próximas gerações. A vida é bela, muito bela!! Miriam – outubro/2025 ### Francisco Saporito (leitor) **** Caro amigo Luís Minha esposa foi uma frequentadora assídua de diferentes cursos oferecidos pela Artemísia e como você mesmo disse, voltava de lá como discípula e sempre muito entusiasmada com os ensinamentos e orientações que recebia da dra. Gudrun Burkard e equipe. Em especial, fazia comentários sobre os benefícios das reflexões, ao trabalhar com os participantes nos grupos dos septênios. Nunca estive na Artemísia, mas acabei aprendendo com ela como era a dinâmica do trabalho, obrigando cada participante voltar no tempo mentalmente e por escrito em cada um dos períodos de sete anos, anotando fatos e passagens marcantes na história de vida do participante. Dizia ela que funcionava como um túnel do tempo. Dispensável escrever sobre as características de cada período de 7 anos pois você já fez isso com sabedoria e perfeição. Sem dúvida, o livro Tomar a Vida em suas Próprias Mãos é uma bussola que pode ser enriquecida por todos aqueles que se depuserem a refletir sobre os septénios. De qualquer modo é preciso registrar que os septénios são uma trajetória de vida que se desenvolve de forma individual em cada ser humano e não como se fosse uma regra geral renovada a cada 7anos.. Os acontecimentos e transformações acontecem de forma individual em cada ser, estando diretamente dependentes da posição social, da cultura, da família, das oportunidades aproveitadas ou não, da qualidade da saúde individual e de vários outros fatores. Apenas como curiosidade deixo anotado que o livro Quem mexeu no meu queijo do escritor Spencer Johnson relata as mudanças que as pessoas enfrentam na vida. É uma parábola com quatro personagens (dois ratos e dois duendes) que presos em um ambiente de labirinto precisam conviver com as mudanças repentinas em sua fonte de alimento, que no caso é o queijo. Abraço do Saporito --- # DILEMAS DA VIDA – CONTINUAR OU MUDAR Ensaios · 13 de agosto de 2025 · https://luis-gaj.vercel.app/dilemas-da-vida-continuar-ou-mudar ENSAIO NUMERO 22 Quando Kurt, meu socio de muitos anos e eu trabalhamos com grupos de executivos, era praticada a dinâmica grupal, que tinha por finalidade aumentar a confiança e a colaboração entre departamentos, e funcionários, mas especialmente aumentar a percepção das realidades que nos cercam, para estimular postura crítica e de mudanças necessárias. Um dos exercícios ficou muito gravado na memória, e consistia em colocar o grupo, normalmente de em torno de 16 a 20 participantes, em um círculo. Isto feito, escolhia=se uma dupla, de preferência um homem e uma mulher. O exercício consistia em colocar os dois de costas, e o homem após segurar pelos braços e pelas costas, levantar a parceira, e permanecer com ela suspensa. O exercício podia demorar somente alguns breves minutos, ou se estender mais tempo. Durante o mesmo, era perguntado ao homem como estava, e a resposta sempre era tudo bem, sem problema, pouco depois se repetia a pergunta, e a resposta continuava tudo bem. Após perceber o cansaço do exercício era terminado, e o grupo passava a avaliar como tinha sido, do ponto de vista dos observadores, e a resposta era: você estava tudo torto, e tendo bastante dificuldade, mas dizia que estava tudo bem. O seu cansaço era patente e claro. A questão que era provada no exercício, era que para não ceder, o homem não percebia o estado em que estava. A questão consistia na falta de perceber. Nos dilemas da vida vivemos tendo desafios: desde os mais simples até os mais difíceis de resolver. Por exemplo um desafio para os obesos, está em conseguir reduzir o peso, mas para isso, tem que sentir que está obeso, e se incomodar com isso. Duas alternativas: sou obeso, mas sou feliz, ou emagreci e agora me sinto melhor. Qual das alternativas escolher? A minha querida esposa Eva, sempre se cuidava para não engordar, e se necessário, fazia regime alimentar. Era preocupada, e atenta na questão de manter a linha. Estou passando por um momento difícil. Com a ausência da Eva, a casa que já era grande, depois dos filhos se casarem, agora ficou enorme e vazia e tenho um grande dilema: fico na casa que tem espaço para andar e passear, dentro de um condomínio muito especial, ou vou para uma casinha pequeninha, ou para um apartamento, o que significa grande mudança de vida. O novo local poderia ser perto do clube. A casa, tenho condição de sustentar, sem problema, o apartamento, ou casa pequena, em todos os casos estarei sozinho, com meus pensamentos, e com meus ensaios. Difícil será decidir o que fazer, e tenho sido aconselhado a não decidir precipitadamente, para não me arrepender mais tarde. E bastante comum se encontrar empresas endividadas, com pouca ou nenhuma geração de recursos, e onde seus principais gestores estão cegos para os problemas e habituados a este estado, e sem perceber uma solução. Desta forma, e com falta de energia para proceder de forma pro ativa, e mudar, seja alterando portfolio de produtos, mudando a politica de marketing, ou alterando processos de produção, impedem o progresso e até a continuidade. Numa grande empresa de produtos plásticos, o fator determinante era a tecnologia ultrapassada, que estava sendo usada, e a empresa, que gerava muito desperdício, terminou sendo vendida, e mais tarde terminou sendo fechada. Como consultor, especialista em empresas, a minha solução seria simples, alterar a equipe colocando pessoas competentes, e relacionadas ao resultado, e injetar recursos para alavancar o fator tecnológico, e o negócio e promover mudanças em produtos, e no marketing. O problema e que para os gestores não tinham a necessária percepção do problema, e consideram que estavam fazendo um ótimo trabalho. Para complicar existiam divergências entre sócios, o que dificultava uma solução. Acostumado a fazer exercícios e caminhar em casa, vejo meus filhos e alguns netos, frequentando academia. Constato que no clube tem 4 mil pessoas fazendo exercícios, muitos da terceira e quarta idade, como eu. Resolvi iniciar exercícios na academia do clube, com assistência de pessoa especializada, e fiquei satisfeito com a decisão. Podia ter desistido logo, mas já fazem vários meses, e pretendo continuar. Dilema ficar com os exercícios em casa, ou frequentar o clube? A escolha foi feita. Durante os anos da década de 1930, Europa vivia convulsionada com litígios políticos entre partidos de esquerda, e o surgimento de movimentos de extrema direita, especialmente na Itália e Alemanha, mas também em Portugal e Espanha. Ancestrais de nossa família, que moravam nestes países estavam sentindo os desafios dos novos slogans antissemitas, e do crescimento das ideias fascistas e nazistas. Mussolini e Hitler cresciam em popularidade, e ciaram grupos violentos de adeptos. Neste ambiente, no ano de 1934 um parente que se destacava por ser químico, e sentir as discriminações, resolveu emigrar da Alemanha nazista e veio se instalar no Brasil, trazendo junto com ele a esposa, a mãe e uma irmã. Foi percebendo com clareza, que tomou a decisão, enquanto outros judeus alemães, continuaram morando no país, acreditando que, como bons cidadãos, nada tinham a temer. A família Wendriner, ficou mais cinco anos, tolerando as perseguições crescentes, e acreditando que a situação mudaria, e somente quando o chefe da família foi preso, e conduzido a um campo de concentração, decidiram procurar sair do país. Foi a esposa que providenciou os documentos de chamada para o único país, que na época recebia imigrantes, na Bolívia, e no último navio a deixar Alemanha antes do início da guerra de 1939, se refugiaram fugindo às presas. A falta de percepção do Pai George, e a sensibilidade do tio Salo, permitiram, num caso tardiamente, salvar a família do holocausto, que se instalou na Europa, coordenado pela Alemanha. Existem dilemas que podem custar vidas. Um dilema existencial é mergulhar no passado, ficar nas lembranças e no muito que vivemos, ou pensar no futuro, e moldar a vida para o que é possível de fazer acontecer. Não é fácil lidar com os dilemas da vida, especialmente neste momento da vida, com idade avançada. Um amigo que morava durante 26 anos na cidade de Curitiba, resolveu mudar para perto de seu filho, e outros parentes, já com a idade demandando maior contato com a família, e está feliz com a decisão, tendo escolhido moradia em condomínio residencial. Um parente de nacionalidade suíça, resolveu morar na Bahia, perto da praia e andar de bicicleta de manhã, para fazer exercício, em lugar de residir no país do qual possuía nacionalidade. Sempre temos que escolher entre alternativas, e o importante e que a escolha tenha sido prazerosa, e satisfatória, sem arrependimentos. Nas diversas fases da vida estamos com dilema de buscar, e conquistar amigos, ou nos isolar em nossa atividade, e na medida em que a idade avança e os amigos de sempre nos deixam, já maiores, fica difícil fazer novas amizades. Pode ser que uma solução seja lidar com profissionais para nos ajudar. Lembro que José Mindlin tinha uma pessoa que vinha na casa para ler para ele, já com dificuldade para fazer isso sozinho. Outro dilema de empresas, é ficar pendente de empréstimos bancários, ou se livrar gradativamente da dívida. Existe um habito, que é quase um vício, e consiste em aceitar oferta do banco, e assumir empréstimo. Receber o empréstimo produz uma sensação de poder, e confiança. Mais tarde e na hora de devolver o dinheiro, e que aparecem os problemas. Outro dilema que se me tinha apresentado, era escolher entre deixar meu pai morando em Buenos Aires com meu irmão, que passava dificuldades, ou colocar ele já com idade avançada, numa casa de repouso, ou ainda acolher ele, para morar nos últimos anos de sua vida conosco. Escolhi esta última solução, e fiquei feliz de ter podido oferecer conforto, e de ter ele na nossa vida. Deixou ótimas lembranças de sua sabedoria intuitiva, sobre a vida, e de como não ir ao médico, e se tratar sozinho. Importante dilema, com a idade, é viver no passado ou pensar, planejar e atuar no futuro. No livro de William Ury SIM, E POSSÌVEL, ele menciona que quando um conflito está sendo conduzido nos porquês, e no passado, dificilmente haverá solução. Se ele for focado no que é possível se fazer para o entendimento, e ouvir as partes, ele terá probabilidade de sucesso. Assim também na vida, precisamos manter objetivos, e buscar o sentido, porque tudo que já fizemos tem pouco valor, o que importa é o que ainda queremos, e estamos fazendo ainda, sobre os dilemas da vida, e muito agradável submergir no passado olhando fotos ou rememorando histórias vividas. Isto pode absorver, e ficarmos na contemplação do já realizado, das muitas atuações em empresas, nos trinta e cinco anos de consultoria, nas inúmeras viagens que fizemos, na vivencia de 25 anos como professor da USP, dos amigos que visitamos nas viagens, nos inúmeros congressos, primeiro da SMSC, e depois da SLADE. Mas raciocinando friamente tudo que fizemos foram vivencias ricas, e aproveitamos a vida, mas no tempo que nos resta é preciso pensar no futuro, no que ainda gostaríamos realizar, de novas viagens a serem ainda feitas, nas novas amizades a serem buscadas, nos ensaios ainda por escrever, sobre os mais variados temas e nas inquietações que nos motivam para continuar, com sentido da vida. O futuro nos espera e não devemos desperdiça-lo ficando contemplando o passado. Claro é que momentos de meditação voltados ao passado, e com os familiares e amigos, não deve ser desprezado, e haverá oportunidades para as lembranças, sem perder o foco na missão e no objetivo. Para os jovens um dilema bastante comum se relaciona com a atividade que se dedica, e para isso é fundamental manter ágil e perspicaz, a percepção de não estar fazendo algo que no fundo desagrada, ou ainda se está com ambição de buscar realizações, empreendendo. Como é percebido facilmente, não é possível aconselhar alguém a tomar decisões, cada pessoa tem o seu livre arbítrio, e a condição de decidir que caminho trilhar. Em todos os casos temos prós e contras, vantagens e desvantagens, e a decisão a tomar não é tarefa fácil. Neste momento da vida em que perdi a minha companheira de muitos anos, tomar decisões não é fácil, e fui aconselhado a consultar uma psicóloga que me foi indicada, estou fazendo isso, procurando auxilio para buscar superação do momento, e encontrar o caminho do futuro, mesmo sabendo que com 94 anos de idade, não deverá ser muito longo. Estou fazendo ginastica na academia do clube, e estou gostando, estou consultado psicóloga, estou mantendo a vontade de transmitir ideias e temas que me preocupam ,estou mantendo alimentação saudável e faço caminhadas diárias, não muito longas, mas mantendo esta atividade também leio livros que me são indicados, e que são do meu interesse, e estou iniciando a leitura do livro: Como as Democracias Morrem de Steven Levitsky & Daniel Ziblatt Relacionamentos familiares são muito importantes durante a vida toda, mas especialmente depois de ter perdido muitos amigos e ascendentes, ficam os filhos e netos, sabendo que nosso papel não é de interferir ou demandar atenção, mas de esperar e acolher, ouvir e compreender, e somente aconselhar quando solicitado. Desta forma mantendo os relacionamentos, coisa que fizemos na vida toda, com respeito mutuo e compartilhando temas que interessam a todos. Por ultimo e atualmente surgem novos desafios, como está sendo administrar a mudança provocada pelo falecimento da esposa, processos burocráticos envolvidos, e dilemas sobre o inventário a serem resolvidos oportunamente, mesmo que sejam estressantes. Resumindo, grande importância a perceber, lidar com leveza frente aos dilemas, tomar o tempo que for necessário para decidir, e evitar tomar decisões das quais possa vir a se arrepender. Luis Gaj julho/agosto de 2025 “ESCREVER PARA VIVER, VIVER PARA ESCREVER” Si no puedes volar, corre, si no puedes correr, anda, si no puedes andar gatea, pero sea lo que hagas, nunca dejes de avanzar. Martin Luther King Jr. --- ## Contribuições de leitores sobre "DILEMAS DA VIDA – CONTINUAR OU MUDAR" ### J F Saporito (leitor) *Tomar decisões é algo que nos acompanha desde os primeiros anos de vida. O bebê quando nasce já toma a sua primeira decisão ao definir sua preferência pelo leite materno, de vaca ou um daqueles especiais recomendado pelo pediatra e produzido pela Nestlé.* *As tomadas de decisões desafiadoras que fazemos em diferentes momentos do ciclo de nossas vidas acabam por determinar consequências que tanto podem ser boas e satisfatórias em relação ao que esperávamos como podem ser negativas e frustrantes.* *Nos primeiros anos de escola o jovem precisa decidir se informa aos pais que tirou uma nota baixa em uma matéria importante ou se omite a informação que pode acabar em reprovação no final do ano. Essa tomada de decisão simples tanto pode ajudá-lo a superar um problema escolar, como influenciar o futuro pessoal e profissional desse jovem por má qualidade na formação acadêmica.* *A decisão sobre que carreira profissional seguir é um dilema que atinge a maioria dos estudantes em fase de iniciarem um curso universitário. O interesse pessoal por determinada área, o diálogo aberto com a família e algumas vezes a influência do meio ajudam na tomada de decisão certa. Não é incomum um jovem ainda imaturo e sem estrutura de aconselhamento familiar, iniciar um curso superior e no meio do caminho perceber que não é o que ele queria, gerando mudança de rumos após um período de insegurança pessoal. Às vezes funciona, mas muitas vezes não.* *Imaginem uma pessoa participante de uma família que abraça determinada religião ver-se atraído por uma outra religião. Que decisão tomar?* *Ao entrar no mercado de trabalho, a necessidade de tomada de decisões entre o imediatismo de buscar um salário melhor versus uma planejada progressão de carreira em empresas sólidas e progressistas que oferecem oportunidades de médio prazo, assombram a maioria dos recém formados e até mesmo algumas pessoas com determinado conhecimento técnico.* *A decisão de casamento com a pessoa com quem se pretende conviver pelo resto da vida é um desafio. Pode dar certo ou não, hoje em dia aparenta que dá mais errado do que certo.* *As decisões de cada pessoa em particular são diárias, são de pequeno e médio porte, e algumas muito importantes. Ao longo da vida todos humanos tomam decisões boas e más. Ninguém acerta sempre,* *Decidir é o risco imposto pela própria vida. São tantos exemplos que acabamos por não perceber que vivemos decidindo. Que banco escolher para as operações financeiras; nas viagens de turismo ou de negócios; em que hotel ficar; morar em uma casa ou apartamento; cidade grande ou pequena; viver no país de origem ou imigrar para um outro país; no casamento quantos filhos o casal pretende ter; em que momento da vida decidir pela aposentadoria; compro uma geladeira nova a vista ou pago em x prestações sem juros; contrato um plano de saúde da seguradora A ou B; Enfim, decidir faz parte do nosso dia a dia e frequentemente nos coloca em cheque e dúvida sobre qual a melhor solução.* *Depois de uma longa experiência de vida em tomar decisões, atingimos um ponto de maturidade aos 60,70, 80+ anos. Esse é o momento mais difícil das decisões porque nos leva a questionamentos sobre como queremos viver o futuro. Os filhos já têm vida própria, os netos que são a alegria de todos avós nos levam a reconsiderar conceitos de outras épocas e nos ensinam sobre assuntos que às vezes não compreendemos. Essas relações devem ser colocadas como muito importantes na saúde e no rejuvenescimento dos idosos.* *Quando estamos acompanhados no dia a dia com quem dividimos a nossa história de vida, as decisões ficam mais simples porque tudo o que foi construído ao longo dos anos está sob controle, consenso e harmonia. Cumplicidade é a palavra perfeita para definir um casal feliz e sólido que decide juntos. Entretanto, quando acontece a ausência de um dos parceiros são muitas as dúvidas do outro sobre qual é o próximo passo. Trata-se de um período de adaptação e transição. Ser acolhido pelos membros da família nesse momento, evita o isolamento..* *É nesse período depois dos 60 que começamos a questionar mentalmente se precisamos de todos os bens que acumulamos até aquele momento; se vamos deixar estabelecido entre os filhos e netos, orientações de sucessão sobre o destino do patrimônio que eventualmente construímos; começamos a refletir sobre que opções estão disponíveis para ocupar o tempo disponível, quer seja com atividades ainda profissional quer seja com hobbies;* *Ao longo dos meus 80 anos tive algumas oportunidades de ter que decidir sobre questões relevantes. Aprendi que não existe tomada de decisão 100% infalível porque os fatores emocionais, as raízes, as lembranças do passado, a família e a sociedade em geral sempre estarão participando dos acontecimentos que irão influenciar na decisão tomada. Aprendi que o importante é estudar as opções, ouvir e levar em consideração as ponderações de pessoas próximas, refletir sobre os prós e contras de cada uma situações possíveis, definir com clareza "o que eu quero" e usando o bom senso e experiência de uma vida toda, decidir por aquela opção que mesmo não sendo perfeita e a que reúne as melhores condições de satisfazer as minhas necessidades. Uma vez decidido, valorizar os pontos positivos da posição tomada, trabalhando para sentir-se feliz.* *Caro amigo Luís. Receba um forte abraço do seu aluno e amigo Saporito* ### Antonio Vac (leitor) *O Wulliam Ury precisava dar algumas aulas para o Trump para ele aprender o que é negociar e intermediar conflitos*! *Miriam Menossi* *Bom dia Luis!!* *Segue minha reflexão sobre o tema do mês* *DILEMAS DA VIDA – Continuar ou Mudar* *Dilemas, ah os dilemas!* *Na condição de seres humanos, não conseguimos nos livrar deles desde criança: "não sei se estudo ou vou brincar" – "não sei se compro um doce ou guardo o dinheiro". São frases do livro infantil "Ou isto ou aquilo" de Cecília Meirelles. O livro indica para as crianças que sempre vamos nos deparar com situações pedindo uma decisão.* *E não é nada fácil decidir.* *Para as pessoas que acreditam numa divindade superior, as situações tornam-se mais suaves.* *Tenho uma amiga católica fervorosa que, por incrível que pareça, resolve e melhora sua vida de uma maneira invejável e tudo dá certo.* *As pessoas que optaram pela autoajuda também.* *A literatura de autoajuda que teve início no século XlX se consolidou nos anos 60/70 com forte influência da Psicologia, abordando temas como autoconhecimento e desenvolvimento pessoal. E continua forte nestes tempos sombrios. As pessoas que utilizam a autoajuda também resolvem de maneira satisfatória seus dilemas. O interessante é que a Psicologia, num primeiro momento rejeitou a autoajuda e hoje são grandes aliadas.* *Concluindo com base em fatos reais, o melhor que podemos fazer diante do dilema Continuar ou Mudar, é ter um plano de ação, em seguida se tranquilizar fazendo passeios junto à Natureza, tendo momentos agradáveis com a família, os amigos e até com pessoas desconhecidas e, à moda dos esotéricos, acreditar com convicção* *"Que aconteça o melhor"* Miriam – agosto/2025 --- # RESENHA DE LIVRO SIM, É POSSIVEL de William Ury Ensaios · 29 de julho de 2025 · https://luis-gaj.vercel.app/resenha-de-livro-sim-e-possivel-de-william-ury Ensaio no 21 WILLIAM URY é um conhecido especialista em negociações e intermediações de conflitos de suma importância para o mundo. No seu livro, e como resultado de sua vasta experiência, ele elabora todo um roteiro, que ocupa boa parte do livro, intermediado do relato de suas experiências. Por se tratar de um esquema técnico, e somente interessar a quem for se especializar, deixo de lado essa parte, e vou somente relatar alguns dos seus casos e conceitos. Uma importante observação sobre o título aparentemente otimista, ele se manifesta dizendo: não sou otimista, nem pessimista, sou possibilista. Sim, é possível se refere a ter sucesso na intermediação de conflitos, onde as partes consideravam impossível o entendimento. Para iniciar o relato dos casos onde teve intervenção, nos referimos ao conflito entre as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) com o governo Colombiano, onde o então presidente Juan Manoel Santos, ganhou em consequência o Prêmio Nobel da Paz, pelo acordo com a FARC, celebrado em 2016, e após a existência das guerrilhas durante seis décadas, e ter custado mais de 450 mil mortos. Em 12 de Março de 2025, artigo no jornal O Estado de São Paulo, dedica página inteira a um novo elemento que provavelmente irá demandar nova intervenção na Colômbia. O governo dos Estados Unidos decidiu unilateralmente cancelar as atividades da USAID Agência para o Desenvolvimento Internacional, que teve papel importante na realocação de agricultores que tinham sido desalojados pelos conflitos, assim como na substituição de plantações de coca, por outros produtos. A suspensão da ajuda americana, pode colocar em risco a frágil paz na Colômbia. Atualmente o presidente da Colômbia, desde 2022 é Gustavo Petro, que tinha sido membro do extinto grupo guerrilheiro M 19. Quando imaginamos uma negociação, se ela estaria sendo mal conduzida, ela estaria focada no que aconteceu no passado, e nas explicações do porque o entendimento seria impossível, no entanto, se a negociação estivesse indo bem, ela estaria focada no presente e no futuro, e no que seria possível fazer na busca do entendimento. Como antropólogo e negociador, o autor esteve desde muito jovem envolvido em casos de conflitos, de suma importância, como era o do Oriente Médio, e o risco de uma guerra nuclear entre os Estados Unidos e a Rússia. Em outro caso em que participou Kim Jun-un de 33 anos, da Coreia do Norte, e o primeiro governo de Donald Trump, e o caso dos mísseis balísticos da Correia do Norte, com capacidade de transportar ogivas nucleares, e o propósito do presidente americano de impedir. Uma estratégia ardilosa permitiu descobrir que o jovem ditador coreano gostava do futebol americano e era admirador de um jogador em particular. Ury contatou este jogador, e ficou conhecendo características particulares que lhe permitiram intervir, e colaborar na solução do conflito. Muito pitoresco o caso de um conflito em família por causa de uma herança no antigo Oriente Médio. Ao morrer, uma pessoa deixa para seus filhos uma herança para dividir: a metade para o mais velho, um terço para o filho do meio e um nono pra o filho menor. O problema é que a herança era de 17 camelos, número que não é divisível dessa forma. Os três irmãos achavam que tinham direito a parte melhor, e isto provocou um acalorado conflito, envolvendo a família. Sem conseguir chegar a um entendimento, resolvem consultar uma sábia anciã, para a qual solicitam a sua intervenção. Ela solicita um dia para pensar no problema, e no dia seguinte vem ao encontro com mais um camelo que ela elogia, por seu passado, e oferece como presente. Os 3 filhos ficam surpresos e agradecem a gentileza da sábia anciã. Agora com mais este camelo são 18 e assim e possível dividir 9 para o mais velho, 6 para o do meio e 2 para o mais jovem, somando 17 e sobrando um camelo que devolvem para a anciã. Todos saem satisfeitos e inclusive a anciã. O autor aprofunda este caso, para explicar as atitudes preparatórias da anciã, se afastando para raciocinar, ouvindo atentamente, e propondo uma solução possível. Podemos acrescentar em toda intervenção, a terceira parte destinada ajudar na solução de conflitos latentes, precisa não estar comprometida, ou ser favorável a uma das partes, para ter sucesso. Existe semelhança entre conflitos entre nações ou dentro de uma família, e nos negócios, e o importante e termos uma atitude de audácia humilde para lidar com eles. O livro relata muitos casos de sucesso nas negociações, e um se refere ao risco que havia de uma guerra nuclear entre Estados Unidos e Rússia, quando os russos, silenciosamente estavam instalando misseis com ogivas nucleares direcionados aos Estados Unidos na ilha de Cuba. Os americanos estavam dispostos a invadir Cuba para desmontar as instalações, quando após enorme tensão, foi conseguido acordo dos russos retirarem os mísseis, e os americanos por sua vez, desmontassem as instalações de mísseis na Turquia. Outro caso foi o do apartheid na África do Sul, onde as previsões eram de massacre e até guerra civil, quando foi conseguido entendimento entre a comunidade branca e Nelson Mandela, que após todos seus anos prisioneiro, se tornou presidente, e a paz foi alcançada Fica impossível resumir as inúmeras citações, e a riqueza dos relatos do autor em poucas páginas, e pôr isso desejo recomendar a sua leitura, e absorver a profundidade das intervenções que se fizeram necessárias, para evitar os inúmeros conflitos do século. Acredito que nunca deixaremos de viver com conflitos, mas podemos evitar que eles se transformem em guerras, numa época em que isso pode significar a destruição do planeta. A ideia de fazer a sinopse, era uma introdução para permitir extrapolar o princípio possibilista, que eu tinha denominado sempre como realista, para falar da necessidade de uma atitude realista em todas as circunstâncias possíveis. Isso pode ser aplicado aos negócios, à vida em família, ao caminho para realizações, e assim agir dentro do que é possível, mas transformando o que parecia impossível em possível, desde que tomadas atitudes positivas no interim. Também gostaria estender o conceito possibilista, para a superação de situações difíceis, que normalmente todos os seres humanos enfrentam nas suas vidas, e destacar a forma de fazer acontecer o que é permitido, e possível de realizar. Mas como adendo a estes conceitos e para ser possível fazer acontecer, superar e realizar, e muito importante investir em si mesmo, considerando que o tempo a nosso dispor, pode ser utilizado para crescer, ou simplesmente para vivenciar passivamente. Existe uma expressão do povo Kasai da Malásia que diz> Tempestades, tufões, terremotos e tsunamis são forças da natureza que estão fora de nosso controle, mas a guerra é feita por nós, portanto pode ser impedida por nós. Uma das atitudes mais importantes no trato de situações difíceis, é a de permitir que as partes que se sentem injustiçadas, tenham a oportunidade de expor as causas de seus sofrimentos, e sentimentos, e de que sejam ouvidas atentamente. Esta forma de proceder, permite entender, e se identificar, e analisar com criatividade, e encontrar formas de solucionar, permitindo que ambas as partes se sintam compreendidas, reconhecidos seus problemas, e encontradas soluções que as atendam. Em muitos casos. será necessário que ambas as partes cedam parte de suas exigências, para encontrar formas de entendimento. Assim Ucranianos e Russos deveriam poder cada um, em vários níveis da população expor as suas situações, e partir para soluções ganha-ganha. Da mesma forma, palestinos e israelenses deviam poder abrir amplo diálogo, expondo as reinvindicações de ambas as partes, e partir pacientemente na busca de soluções que atendam, e que promovam a paz duradoura, sem extremismos. Testemunhar a dor do outro, com empatia e compaixão, será capaz de abrir as portas para negociações positivas. Acolher, é o primeiro passo que cada um de nós pode dar. É prestar atenção as partes e a situação, alargando o circulo de preocupações. Isso significa deixar de lado: isso não é de minha conta, para uma atitude de participação e envolvimento, como comunidade da qual todos pertencem. O mundo precisa de possibilistas, para lidar com os inúmeros conflitos da atualidade, pessoais, profissionais ou políticos. A engenharia genética e a inteligência artificial, estão provocando transformações profundas em nossas vidas, e naturalmente mais mudança significa mais conflitos. A polarização política vem aumentando em todo o mundo, e aqui também é preciso da atitude possibilista para buscar soluções menos radicais. Enquanto reduzir tudo a dois extremos é nos colocar numa camisa de força, e preciso buscar alternativas, e a alternativa está entre queimar ou construir pontes, para melhorar o nosso mundo. Vivemos num nível de desigualdades, pobreza, e guerras que é inaceitável, mas de outra lado, as possibilidades que as novas tecnologias oferecem são imensas, e podemos eliminar a fome, reduzir a pobreza e até acabar com as guerras. Não existe nenhum problema que não possamos resolver, desde que adotemos uma atitude possibilista ou realista. Felizmente o que é criado por nós, pode ser mudado por nós. A escolha é nossa. O caminho para o possível parece simples, mas está longe de ser fácil, ele consiste numa mentalidade, uma forma de viver em nosso tempo. Luis Gaj Junho de 2025 *– Rafael Smaletz.* Oi Vovô, Acabei de ler o livro “Sim, é possível” de William Ury, e foi uma excelente leitura, obrigado por ter me recomendado e emprestado. Sem dúvidas, as experiências do autor e relevância internacional mostram que suas ideias foram úteis e ajudaram a evitar grandes conflitos mundiais e a estabelecer a paz em um ambiente improvável. Seguem algumas das minhas considerações: 1. Sua abordagem possibilista abre portas para os cenários mais difíceis, e o anseio por grandes desafios é inspirador. Tenho a sensação que quanto maior a dificuldade de resolver os problemas, mais recompensador ela é. Por mais que tenham circunstâncias onde erraremos, sua jornada mostra que quanto mais jovens e mais analisamos nossos erros, mais aprendemos sobre o mundo e sobre nós mesmos, como indivíduos, cidadãos e profissionais. 2. ⁠O conceito de livre arbítrio é muito bem explorado: um possibilista consegue enxergar muito além dos pontos materiais e precisamos sempre estar abertos a sairmos da caixinha para entender o que realmente importa. Por mais que seja temporariamente satisfatório tocar na ferida do inimigo em uma discussão, as vezes pensar por 5 segundos e voltar com uma resposta que direciona para uma solução pode ter um impacto maior no longo prazo. O livre arbítrio serve para mostrar que existem muitas alternativas, basta nós analisarmos, e se necessário, tirar um tempo a mais para “entrar no camarote”. 3. ⁠Ury ressalta em diversas vezes o poder de estar perto da natureza para refletir sobre os problemas cotidianos e acharmos um outro ponto de vista, e acho esse conceito incrível. Nao apenas para isso, mas também ressaltando a necessidade de estar conectado ao meio ambiente e à nossa essência. Lembro-me muito das colinas de Campos do Jordão para relembrar do que realmente importa: tempo de qualidade com aqueles que eu amo. E no dia a dia, as colinas da Avenida Paulista me fazem esquecer do que realmente importa. Por isso, o equilíbrio é fundamental e o contato com natureza nos coloca sob perspectiva. Após a leitura, ja marquei uma viagem para a praia para refletir sobre meu momento de vida e o futuro, certamente irá ajudar. 4. ⁠As motivações movem montanhas e pessoas. Ainda fico refletindo sobre os diversos casos quando o autor ressalta o lado humano, e como isso fez a diferença. Entender o próximo (como quando o autor cita as negociações entre curdos e turcos, colombianos ou tailandeses) pode tirar barreiras do caminho e mostrar o horizonte para as partes, e o caminho para uma solução pacifica de win-win. Por mais que os meios podem divergir, os ideais aproximam pessoas na esperança de uma melhoria de vida. 5. ⁠A escuta ativa se mostra ser um recurso essencial para todas as partes do conflito, a todo momento. 6. ⁠Fico imaginando em quais dimensões a mediação e busca pelo “sim” podem ser aplicadas, e dificilmente acho algum conflito em que não se encaixa. Desde disputas familiares até política global, temos muito a aprender. 7. ⁠Rapidamente sobre política, no contexto do governo brasileiro, o papel do “terceiro” me faz refletir sobre como as mudanças podem ser feitas na forma “bottom-up”, ou seja, como a sociedade civil pode ajudar na manutenção das instituições e cumprimento da lei. Infelizmente a sociedade brasileira ainda possui a mentalidade de curto prazo e pouco senso de comunidade, onde ser o “esperto” é mais valorizado do que ser o inteligente. Por isso, não possuímos força suficiente como sociedade para fiscalizar e atrair os políticos em direção à soluções. Se cada um de nós propuséssemos a corrigir nossos conflitos e sermos exemplos para as futuras gerações, mais possibilistas seremos. Como Ury relata em seu livro “Precisa-se uma aldeia inteira para educar uma criança” e “quando as teias de aranha se unem, podem deter até um leão’ --- # APOCALIPSE Ensaios · 25 de junho de 2025 · https://luis-gaj.vercel.app/apocalipse ENSAIO NÚMERO 20 **“Aprés moi, le diluve”** Empresário de um dos maiores grupos do país Este empresário, que construiu um enorme patrimônio industrial, comentou em certa oportunidade, que depois dele, podia vir o diluvio. Ele faleceu mais tarde, e o dilúvio não aconteceu, e como diz famoso tango “tus ojos se cerraram y el mundo sigue andando”. Muitas previsões sobre o fim do mundo, são tema de igrejas, e remetem à necessidade de fé, para superar o que vem pela frente. Vamos respeitar a fé das várias religiões, com vinda de Jesus para salvar os remanescentes, ou do messias, para ressuscitar os mortos, e salvar o povo. Entre outras profecias, culturas e mitologias. Para os católicos, apocalipse é o último livro do Novo Testamento, que revela a relação de Deus sobre o fim dos tempos, e a volta de Jesus. E basicamente o livro da esperança cristã, ou da confiança inabalável. Assim os católicos acreditam que Jesus irá voltar. Para os judeus não consta o apocalipse, porque se acredita que Deus castigou o mundo com o dilúvio universal, e que não haveria outro castigo semelhante, e que nunca destruiria novamente. O fim dos tempos, faz referência a era messiânica, e chegada do Messias, que virá para ressuscitar os justos e unirá o povo na terra santa. No entanto, existe no Talmud uma frase que diz: “Seis milênios o mundo existirá, e em um milênio será destruído” No sétimo milénio Deus se revelará, e habitara no mundo por ele criado. Para os evangélicos, muito sabiamente, acreditam que existem sinais fortes, de que o início do apocalipse está sendo processado, através das catástrofes ambientais, da destruição da natureza, das inundações, do crescimento das guerras, e dos inúmeros conflitos, dos moradores de rua, da insegurança das populações, grande desigualdade social, e assim por diante. Também acreditam que Cristo voltará carregado numa nuvem. Assim, as várias religiões, em relação ao apocalipse, ou ao fim dos tempos, consiste na esperança fundamentada na fé. Como judeu secular, avalio que o apocalipse não representa a destruição e sim a salvação. Mediante o receio da possibilidade negativa, pela observação dos fatos, e pela dramatização das tendências para o futuro. Demanda ação concreta para mudar as tendências, enquanto os adeptos de direita e de esquerda, são negacionistas, e focam em números, acreditando que com as tarifas voltaram a tornar os Estados Unidos forte, especialmente na indústria. América em primeiro lugar, e o dilúvio para o resto do mundo, desde que América adote essa visão negacionista, sem olhar para os sinais evidentes de riscos, com visão míope dos fatos. A esquerda, por sua vez também negacionista, protela medidas para preservar a natureza, e permite a destruição, enganando com benesses que aparentam o bem estar, e a não necessidade de trabalhar. No entanto vamos comentar o que estamos vivendo no mundo, alertados pela guerra econômica, das taxas aumentadas para proteger os mercados, e os sintomas que estamos vivendo no mundo atual. “Aprés moi, le diluve”, e sem dúvida uma colocação egoísta, sem se importar com o resto, depois da morte. Assim também os míopes, não percebem que os efeitos de suas ações podem ser nefastos, incluso para eles mesmos. Os sintomas da decadência do mundo atual, foram comentados em ensaios anteriores, como foi no caso dos moradores de rua. Minha neta, morando no Canadá, pais de primeiro mundo, relata que também lá, ultimamente tem crescido o número de moradores de rua, desempregados, e pedintes pelas ruas. Sim, muitos sintomas da decadência, do descuido do homem para com a proteção da terra, entre eles, as catástrofes ambientais, as inundações, as pragas tipo pandemia, que assolaram o mundo todo, e até mudaram costumes, e formas de trabalhar, as inundações, a miséria, em contraste com a opulência, a perversão provocada por industrias, objetivando lucro acima de tudo, a cobiça dos eleitos, que só pensam nas eleições e em se reeleger, catástrofes como a da recente Myanmar ou Birmânia, com tremores de alta intensidade, a fome persistente em bolsões de extrema pobreza, a proliferação das drogas no mundo. O mundo das drogas e do crime organizado tem se fortalecido e crescido. e os recursos para combater, têm se tornado escassos, em relação ao poder concentrado nos contraventores, a ganancia do ser humano por trás dos infratores. A indústria farmacêutica, nem sempre cuidando da saúde, mas sempre objetivando resultados financeiros, a indústria de alimentos, nem sempre oferecendo produtos nutritivos, mas muitas vezes promovendo imagens enganosas sobre os produtos industrializados, são também sintomas da decadência da civilização. Ainda a indústria armamentista, desenvolvendo produtos cada vez mais mortíferos, e se consolidando pela procura por poder, dos que acreditam que somente pela força, irão dissuadir eventuais inimigos. Assim a natureza, da sinais do que para muitos seria estarmos no início do apocalipse, e que o único caminho que nos resta e o da fé, ou complementarmente, em outras palavras, transformadoras na Metanoia, ou mudança de mentalidade, necessária para reverter as tendências, para evitar o desastre. Negacionistas de toda espécie, entre eles também os dirigentes, cancelam pequenos esforços internacionais para mudar, retirando apoio, e saindo de fórum mundial. Se a fé e um consolo para muitos, e pode levar à imobilidade, a mobilização de forças, para se opor às tendências que contaminam, que poluem, que desmatam, que envenenam o ambiente, que provocam guerras, cada vez mais sangrentas, e sem perspectivas, sendo que a indústria armamentista é outro perigoso flagelo em direção ao apocalipse. Bravejar contra as tendências, não resolvera os problemas do mundo atual. O que realmente importa, são as atitudes, e as ações que conseguirmos mobilizar na sociedade, para alterar o rumo das tendências. Sim é possível, é um livro que irei comentar num próximo ensaio, mas aqui a mensagem de que sim, e possível reverter as tendências apocalípticas, e evitar o fim dos tempos. Outros muitos sintomas da decadência, estão presentes na vida diária, um deles, o aumento da violência, da morte inútil, da insegurança nas ruas, da enganação, das tentativas de ludibriar, e roubar através das redes sociais, e dos meios de comunicação com as Fake News. Para complementar, o poder e a força positiva das igrejas, cientistas do mundo, contando com metade dos prémios Nobel e um total de 1700 assinaturas, já no ano de 1992 lançaram um alerta resumido na frase” A HUMANIDADE E O MUNDO NATURAL SE ENCONTRAM EM CURSO DE COLISÃO” e apelando para medidas urgentes, por causa das atividades humanas estarem provocando destruição irreversível de nossos recursos críticos. Sendo que as práticas atuais, colocam em risco o futuro que queremos para a sociedade, e para o reino animal e vegetal. E pode alterar a vida na terra, da forma que a conhecemos. Depois de 25 anos foi constatado que quase nada foi mudado, e que a civilização continua na rota de colisão, já apontada. Em 2017 outro grupo de cientistas, envolvendo 15.000 assinaturas apresenta um forte novo alerta, com biociência, reforçando os apelos de 1992, como último aviso, “pois não teremos outra chance para alertar a humanidade”. Como observamos no ensaio número 19, estamos vivendo numa era de descontinuidade, especialmente com perda dos valores democráticos, e da liberdade, e surgimento e proliferação de regimes autocráticos. Estes regimes, são cegos para compreender e se posicionar, como estadistas, para procurar um mundo melhor. Ansiedade de poder acima de tudo, não permite enxergar, que estamos vivendo uma época pré apocalíptica, e que é preciso uma mudança de rumo, se quisermos evitar a destruição do mundo, anunciada pelas várias religiões, e pelos cientistas, nas suas diversas formas. O recurso que temos para evitar a catástrofe, é a dramatização apocalíptica, promovendo movimentos, que gradativamente transformem a visão de mundo, e obriguem a enxergar os perigos, e a necessidade de mudar. Sim, o apocalipse da sinais, que precisam ser percebidos para tomar consciência, e agir de maneira diferente, as religiões podem ajudar nesta tarefa, e são muitos importantes, mas não é suficiente, se os dirigentes se mantiverem cegos, e indiferentes, negativando tudo que acontece, e usando de demagogia e proselitismo par se perpetuar. O Papa Francisco deixou um legado para o clima e para a Amazônia. Nos seus 12 anos na chefia da Igreja Católica, levantou insistentemente o problema do aquecimento global causado pelo homem, na queima de combustíveis fósseis, e encorajou aas pessoas e líderes mundiais, a combater as mudanças climáticas. Associava a proteção do meio ambiente, com a proteção aos mais vulneráveis, a respeitar cada uma das criaturas de Deus, e respeitar o meio ambiente em que vivemos. Luis Gaj – maio 2025 Este ensaio contou com a colaboração de Marilene Maria Lemos, de Saad Romano e de Miriam Menossi Finalizo pedindo desculpas pela abordagem simples, e incompleta dos pensamentos religiosos. --- # DESCONTINUIDADE Ensaios · 11 de abril de 2025 · https://luis-gaj.vercel.app/descontinuidade ENSAIO NÚMERO 19 Se esta palavra sempre foi útil para descrever mudanças inimagináveis, e portanto descontínuas, o que estamos vivendo na atualidade merece o destaque, e para afirmar esta realidade atual escolhi destacar os acontecimentos que impactam no mundo,através da escolha ou, nomeação, ou imposição de nomes de presidentes, ou primeiros ministros atualmente em exercício pelo mundo. Cabe mencionar numa primeira relação as grandes potências mundiais Estados Unidos, China, Alemanha, Japão, Reino Unido,França, Itália e Canadá. Sem dúvida, hoje as atenções estão voltadas para o novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, figura controversa e central, e suas manifestações, ameaças e medidas concretas, que está tomando, entre elas uma primeira medida, foi a expulsão de milhares de imigrantes ilegais, que viviam nos Estados Unidos. Outra medida de impacto foi a taxação dos produtos importados, em particular os produtos chineses, mas também dos vizinhos México e Canadá. Declaração chocante foi a ideia de tornar o Canadá mais um estado americano, e também o desejo de comprar ou anexar, a Groenlândia pertencendo à Dinamarca. Ainda uma manifestação que chocou foi a ideia de retirar os palestinos de Gaza, tornando o território uma região de domínio americano, ou mais recentemente de transformar a região numa área de turismo de luxo. A sua proposta era que os países árabes limítrofes como Egito e Jordânia, recebessem estes palestinos de Gaza. Ideia que foi imediatamente rejeitada pelos países limítrofes. Por todos estes movimentos unilaterais, tem surpreendido o mundo, e chamado atenção incluso, a recente mudança de atitude com respeito ás relações com a Rússia, se distanciando da Europa e da OTAN, e mudando a posição americana com relação a Ucrânia e alterando o jogo geopolítico, que era sempre de considerar a Rússia como uma Ameaça ao ocidente. Desta forma Trump declara que Europa deve defender sozinha as suas fronteiras, provocando uma corrida armamentistas dos países da região, esquecendo os horrores provocados pela recente segunda guerra mundial, e onde se acreditava, que nunca mais haveria nova conflagração. Alegria para a indústria armamentista, e perspectivas nefastas para o futuro da região. Enquanto Donald Trump surpreende e confunde, deixando o interrogante, se são atitudes desequilibradas, ou se se trata de uma estratégia para obter resultados muito bem pensados. A China, sob a liderança absoluta de Xi Jinping, como presidente, como Secretário Geral do partido comunista da China, como Presidente do Comité Militar Central, cargos que exerce já por mais de 12 anos, configurando um regime ditatorial, com disciplina do Partido, e unidade interna. Ele combateu a corrupção, o que provocou a demissão de altos membros do governo e passou a realizar uma política externa assertiva, com expansão da influência através da “NOVA ROTA DA SEDA”. O desejo de voltar a incorporar a ilha de Taiwan ao território e domínio chinês, tem provocado tensões com os Estados Unidos e ameaças em caso de uso da força. Devido à concentração de poder e considerado um líder autoritário ou ditador. No entanto a China tem adotado um sistema misturado com economia de mercado, permitindo e apoiando, o florescimento de negócios e estimulando a ida de jovens para estudar no exterior, e depois trazer sus conhecimentos para serem úteis na própria China. O domínio do partido comunista, que é o único partido existente, existe desde 1949. Antigamente o mandato do presidente do partido era de cinco nos com renovação de mais dois anos, mas isso foi abolido desde 2018 dando poderes para Xi Jinping ficar no poder indefinidamente. A aproximação dos Estados Unidos com a Rússia, pode ser entendida como forma de reduzir a influência da China na Rússia. Sobre a Rússia que é um regime presidencialista, mas na prática é um regime autoritário centralizado sob o comando de Vladimir Putin. Ele tem amplo poder sobre o governo, a economia, a mídia e as forças armadas. Existem eleições, mas são manipuladas pelo governo, e eventuais oposições são perseguidas. A mídia é controlada, e os dissidentes são perseguidos. E pela alteração feita na constituição ele pode permanecer até 2038. O regime autoritário existe com Putin desde o ano 2000 e o partido oficial e Rússia Unida. No país a economia é mista, com empresas estatais e empresas privadas, sendo que o governo controla todos os setores estratégicos. Após anexação da Crimeia em 2014 e a invasão da Ucrânia em 2022 sofre de sanções ocidentais. Mantêm parceria com a China, e com mercados emergentes, e a nova política dos Estados Unidos foi uma virada de conceitos, passando a buscar aproximação entre os dos países. As reservas de petróleo e gás, favorecem a balança de pagamentos, mas apesar dessa riqueza, existe concentração numa elite ligada ao governo. A censura e o controle da mídia também caracterizam o atual sistema, que era contestado pela Europa, pelos Estados Unidos e pelo Canadá até a gestão de Joe Biden.Desta forma o governo exerce grande controle sobre a vida pública. No momento é preciso também focar na Alemanha, onde o partido no poder SPD Social Democrático, obteve somente 16,4% na recente votação, o CDU partido conservador obteve 28,5% e o partido considerado muito semelhante ao nazismo AfD Alternativa para Alemanha, teve grande crescimento obtendo20,8% dos votos, e desta forma, haverá necessidade de agrupação de partidos para conseguir legislar. Para os temores do crescimento do partido extremista, provavelmente precisara Friedrich Merz do CDU, e provável primeiro ministro, se aliar com o partido verde, que tem uma votação em torno de 10% e provavelmente também com o SPD. A principal representante do AfD e uma mulher chamada Alice Wilder, morando na Suíça com a sua companheira. Vimos aspectos da gestão de Donald Trump, de Xi Jinping, de Vladimir Putin, e da nova Alemanha, esta última mais à direita. Em recente artigo de Bolívar Lamounier, de cujas publicações sou seguidor, destaca também dois países sul americanos como vivendo regimes perigosos, e eles são Daniel Ortega na Nicarágua, Nicolas Maduro na Venezuela, e gostaria acrescentar na lista dos perigosos, o regime dos Aiatolás no Irã, com a figura central de Ali Khamenei. A revolução islâmica data de1979 e se transformou numa teocracia, com grande influência do clero xiita. Existe um presidente eleito, mas as suas decisões precisam estar alinhadas com o líder supremo, que lidera as forças armadas, e chefe do estado, na justiça e na mídia. Existe uma força revolucionária que protege o regime e tem influência econômica. Os direitos das mulheres são limitados, e devem seguir estritamente as vestimentas ditadas pelo regime. Qualquer oposição e duramente reprimida. Ainda se destaca que o Irã apoia financeiramente e com armamentos, grupos considerados terroristas pelo ocidente, como o Hezbollah no Líbano, que é um grupo xiita que atua como aliado do Irã, contra Israel, outro grupo apoiado e o Hamas em Gaza, e o Irã o apoia com financiamento e com tecnologia militar, ainda apoia o grupo Houthi no Iêmen, que é um grupo rebelde xiita em luta contra o governo do Iêmen, e o Irã fornece mísseis e drones usados contra a Arábia Saudita e o Emirados Árabes Unidos. Apoia também grupos xiitas no Iraque e até fornece apoio indireto ao Talibã no Afeganistão. A ação do Irã objetiva combater o que considera seus inimigos, com a intenção de obter mais influência na região, neste caso contra Israel, contra a Arábia Saudita, e contra os Estados Unidos. Com relação a Nicarágua, A região vive sob um regime autoritário desde 2007, sendo presidente Daniel Ortega e sua esposa como vice-presidente. Eliminaram a oposição, e tem regime ditatorial, com controle do estado, e prisão ou exílio de opositores. As repressões em 2018 resultaram em milhares de mortos. Mantêm alianças com Rússia, China e Venezuela, e recebe em troca, auxilio econômico e político destes países. O povo sofre a desigualdade, com privilégios aos amigos, que são os únicos privilegiados. Milhares de nicaraguenses tem fugido para Costa Rica, e para os Estados Unidos. Em alguns aspectos semelhante a Lula, mantêm apoio de setores populares, distribuindo benesses. Sobre a Venezuela, não é preciso detalhar aquilo que é sabidamente conhecido, e que é além de regime ditatorial, fraudador das eleições, para Nicolas Maduro se mantêm no poder. Por todos estes casos mencionados, com regimes que se mantêm por longos períodos no poder, uns com descontinuidade acentuada, outros com regime ditatoriais, o presente apresenta inúmeros perigos. Uma das características da atualidade e também o baixo nível da política atual, onde cada lado ofende e demoniza o outro. Somente existem duas posições, sem dar lugar a uma terceira parte, e tudo se tornando antagônico, sem nenhum terreno comum. Reduzir tudo a dois lados, é como uma camisa de força, e ficamos sem espaço para escolher. Por tudo acima sentimos que estamos passando por uma época de transição da humanidade. No entanto é preciso mencionar que no Uruguai, um país de pequena população, o entendimento entre os dois partidos principais, tem sido pontuado por respeito e compreensão, e nestes dias assistimos a pose de um partido de esquerda, na figura de Yamandú Orsi, herdeiro político de Pepe Mujica. Uruguai é talvez o país de menor corrupção do continente, e onde a população tem um poder aquisitivo equilibrado, com baixo nívelde pobreza, e onde o respeito entre os partidos e de bom nível, servindo como exemplo para outros países. Se em 2016 a dupla Lula/Bolsonaro estiver novamente na disputa entre extremos, mais uma vez estaremos sem opções para escolher, e teremos novamente, um período sem avanço na sociedade. De nossa parte, a nomeação de Gleise Hoffmann para fazer a intermediação do executivo com o Legislativo, que representa a linha mais à esquerda do PT, é um sinal de endurecimento da posição do governo, que continua privilegiando os fiéis camaradas, em detrimento dos competentes, e que se alinha com a parte mais radical do partido dos Trabalhadores. Também aqui a descontinuidade está presente nas medidas que surpreendem os próprios políticos, e o mercado, que não deixa de reagir, elevando a cotação do dólar, o que por sua vez, terá como consequência maior inflação, e maior empobrecimento, não somente na alimentação, mas também na eletricidade, gasolina, nos serviços e na economia em geral, sem se tomar nenhuma providencia para mitigar esse estado, usando bom senso, e cuidando das finanças e do arcabouço fiscal. LUIS GAJ – abril 20 --- – Lejbus Czersnia. Oi Luís, Magnífico estudo! Claro, conciso e elucidativo! Parabéns! --- – Euclides Valente Soares. Um bom apanhado geral que mostra bem a perda do bom senso e da responsabilidade para com a massa populacional de nosso planeta, independentemente onde você viva. O mundo escolheu um caminho perigoso para seguir. Só não sei se é para dar um passo afrente ou dois para trás. Vejo com pessimismo o futuro, não só pela ganância de poder dos "donos do mundo", mas também, e muito por consequência disso, da destruição que estão provocando no meio ambiente, vital para nossa sobrevivência. A própria natureza dá claros sinais de reação, com crescimento assustador dos eventos naturais. --- – Cristina Valvicius. Obrigada sr. Luis, aprecio muito estas reflexões que trazem um olhar realístico sobre o momento em que estamos SOBREvivendo. Abs e bjos a todos --- – Miriam Menossi Bom dia Luis!! Excelente aula de Política Internacional Obrigado Professor 🙏🏼 O mundo está conturbado e isso nos surpreendeu porque esperávamos um terceiro milênio que fosse de paz, a Era de Aquario. A solidariedade durante a Pandemia, a aproximação entre ricos e pobres sugeria que o mundo caminhava para ser melhor, todos estávamos no mesmo barco. Mas aconteceu o contrário, afastado o perigo, veio o ódio de todos contra todos. O diálogo sumiu para dar lugar a desavenças, intrigas, muita mentira, brigas. Estava aberto o caminho para as guerras que aí estão. Os países tentam sobreviver em meio ao caos e "para não dizer que não falei de flores", temos o Uruguai, como o Luis mencionou, dando um exemplo de país organizado e civilizado. Não à toa o Uruguai é visto pelos europeus como a Suíça da América do Sul. A extrema direita se fantasiou de evangélicos iludindo os incautos com promessas inatingíveis e ganhando terreno no mundo todo. É preocupante! E onde se encontram os verdadeiros políticos? Onde estão aquelas cabeças pensantes que governavam de fato e nem se falava em emendas? Os de agora só legislam em causa própria. É uma vergonha!!! Tive um professor de Economia que dizia: nada é estático, tudo muda para o seu contrário. Aguardemos!! Já os apocalípticos como Ailton Krenak dizem que é o fim da nossa civilização. Os Vikings que foram uma civilização modelo findou. Os Celtas, Incas e Maias também. Os impérios Romano, Otomano e outros, idem. Então ficamos com 2 alternativas: Ou a humanidade se regenera e os países voltem a ter uma relativa convivência em harmonia e paz Ou, segundo o Apocalipse Bíblico, ouviremos o soar das trombetas anunciando o fim e vamos, os que sobrarem, todos juntos para um mundo melhor. Assim espero!!! --- --- # FOME E POBREZA Ensaios · 11 de abril de 2025 · https://luis-gaj.vercel.app/fome-e-pobreza No encontro de 2024 do G20 no Rio de Janeiro houve um milagroso consenso sobre a necessidade se combater a Fome e Pobreza no mundo ALELÚIA!!!. No ensaio número 15 abordamos os conflitos que existem no mundo, e uma das causas está na pobreza e na miséria em que muitos são sometidos, colocando populações inteiras em estado de vulnerabilidade aos flagelos, e impedem a melhora das condições de vida. No Brasil, uma das medidas preconizadas pelo governo consiste na taxação das grandes fortunas, fato que já é notório nos países que possuem economias saudáveis e prósperas. Muito triste assistir ao estado em que governos anteriores deixaram a população na Argentina, onde mais da metade se encontra no estado de pobreza extrema e até passando fome. Isto se deve ao elevado nível de corrupção que existia, e aosgastos excessivos, e riquezas que estavam distribuídas aos “amigos do rei” Infelizmente estamos por aqui imitando as medidas que deram errado no país vizinho, acreditando que funcionariam. Programas como o Bolsa Família, vem mitigar o problema do desemprego e da fome, e por isso devem ser elogiados, mas importante seria estimular a saída do programa, e o envolvimento em trabalhos remunerados, e o programa ser avaliado por quantos deixam de se beneficiar dele. Este programa causa dependência e acomodação, e não promovem a vontade de uma vida digna trabalhando. Infelizmente o Brasil é um dos países com maior desigualdade social do mundo, e segundo pesquisa 33 milhões de brasileiros estavam em situação de fome em 2022. Se estima que metade da população se encontra em estado de pobreza, sendo destes 9 milhões em extrema pobreza. A Maior incidência esta nos estados do Nordeste. O maior problema do sistema paternalista consiste na baixa escolaridade dos assistidos, e isto por sua vez, dificulta integração no mercado de trabalho. O número de assistidos, atualmente de 20 milhões com uma remuneração média de 681 Reais, é sem dúvida insuficiente para melhorar o padrão de vida, e tão somente atende as mínimas necessidades. Podem eliminar a fome, mas promovem continuidade da pobreza. Destaca-se a irregularidade de pessoas empregadas recebendo bolsa família, e sendo assistidas, quando a assistência deveria ser destinada a quem estiver sem recursos. Com a inflação em elevação, como vêm acontecendo, os mais necessitados serão os primeiros a sentir a perda do seu poder de compra, e quando empregados, sentirão a corrosão dos seus salários. Somente com educação de qualidade, assim como erradicação do analfabetismo, será possível preparar os mais pobres para melhorar as suas vidas. E isto é possível sim, desde que se priorizem objetivos diversos aos que tem sido na atual gestão. A pergunta que fazemos e quem se beneficia da pobreza e da ignorância?? Se a vontade dos governantes, que se diz de esquerda, é ajudar aos mais necessitados, porque vivemos num dos países de maior desigualdade social do mundo, com os maiores salários em Brasília, e sem perspectiva de melhoria. Outra pergunta então e o que deve ser feito, para diminuir esta desigualdade vergonhosa no País?? No ano de 2024 tivemos um aumento do PIB de 3,5% o que significa sucesso, e também uma redução do desemprego chegando ao nível de 6% da população ativa (segundo dados do IBGE, hoje comandado por homem de confiança do presidente,mas simultaneamente os gastos do governo e incluso do congresso, pela busca de votos numa próxima eleição, geram desperdício que todos são obrigados a suportar, isto sem falar na corrupção que é um dos maiores males que atinge América Latina, com breves exceções, e onde Brasil não é uma exceção. O excesso de gastança, e a corrupção, como ocorreu no nosso vizinho, promovem maior nível de pobreza e fome. As perspectivas para o ano de 2025 são bastante negativas Não acredito que intencionalmente este processo de gastança e corrupção está implantado. Acredito que nossos dirigentes estão mal assessorados, por incompetentes, donos da verdade e que acreditam que: manter populações ignorantes e desinformadas, atender a partidos políticos sem princípios éticos, e manter uma máquina gigantesca, e na realidade desnecessária, comparativa com muitos outros países, podem terminar angariando votos. As pessoas estão hoje melhor informadas e isto graças as modernas e bem difundidas tecnologias, e assim serão mais críticas, e perceberão que a gastança, a corrupção, e a inflação, sóservem para enriquecer os mais ricos, sempre alinhados com o poder, e só servem para prejudicar os mais pobres. Magistrados, políticos e funcionários em cargos elevados enriquecem a custa da população mais pobre, e mantem a enorme desigualdade entre o ganho de um operário e de um funcionário brasiliense. Haverá mudanças, e essa forma de pensar, agir e gerir o país, sem limites, tem seus dias contados, e isto se revelará nas próximas eleições. E quanto maior o desatino na gestão, maior será a resposta da população, e se queremos evitar novos extremos, terá que haver metanoia, ou mudança de mentalidade, para conseguir enfrentar os novos desafios. As mudanças que estão acontecendo no mundo são de tal forma significativas, que aqueles países que pretenderem usar velhos critérios, como o toma cá, da lá, estão superados, e novos princípios de justiça social irão prevalecer. Se o governo tem poder sobre o sistema judiciário, como se provou que têm, deveria usar para a reforma política, com a redução do número de partidos políticos de 29 para dois fortes e mais três menores e para em seguida, reduzir o número de ministérios de 39 para 10 no máximo, seguindo modelo dos países avançados. Esta será uma demonstração honesta, de desejo de reduzir as desigualdades, e a reduzir a gigantesca corporativista máquina instalada no governo. A desconfiança nas instituições e na política econômica, no judiciário e no congresso fisiologista e no executivo, provoca redução dos investimentos, afugenta os capitais e provoca pobreza e fuga de dólares, como está acontecendo. A presença do Ministro da Economia, sem poder decisivo e um governo indiferente à gastança e à inflação provocam aumento das moedas estrangeiras e desvalorização do Real. Concluímos afirmando que esta gestão carece de verdadeira liderança, cuja principal mensagem seria de promover o bem estara médio e longo prazo, e esquecer os objetivos mesquinhos de pensar em votos, e nas eleições para pensar nos verdadeiros interesses da população, que residem em melhoria de vida, com educação, com produção, que gera riqueza, e com motivação para a construção de um futuro melhor. Para isso é preciso ter visão de futuro e mudar o marasmo dos últimos 20 anos, em que as desigualdades, a pobreza e a fome, ainda persistem porque as medidas que estão sendo tomadas, estão sendo orientadas por incompetentes ou mal intencionados, que defendem em primeiro lugar, seus interesses pessoais. Acha visto o escândalo das emendas parlamentares e do orçamento secreto. Acredito que os dirigentes estão imbuídos de boas intenções, masvivem uma realidade ultrapassada em que acreditam, talvez pela idade, pela dificuldade de enxergar um mundo diferente, ou pela incompetência dos assessores. O Brasil possui elementos que já provaram a sua competência, e que foram escanteados, e substituídos pelos amigos, camaradas, nem sempre os melhores para os cargos que lhes foram assignados. E triste assistir a esta falta de expectativa de melhora, do nível de vida dos mais necessitados, e de prognosticar, mais situação de fome e de pobreza, num país beneficiado pela natureza, e que têm um povo maravilhoso que merece situação melhor com vida digna, educação de qualidade, e bem estar, para eles e para os jovens que estarão, como já estão, procurando melhores oportunidades em países como Canadá, Portugal, entre outros, e deixando o Brasil carente de seus talentos. Fica a ressalva que esta situação não foi provocada neste governo. As desigualdades sociais gritantes, a fome, a desnutrição e a pobreza, são flagelos que tem persistido durante muito tempo nas várias gestões que se sucederam no Brasil. Não é a intenção de acusar ninguém em particular, mas questionar a falta de visão com que são geridos os governos, sem planos de médio prazo, e muito focados em votações, em eleições, e em permanecer no poder. Acreditamos em dias melhores Luis Gaj, fevereiro 2025 *PS A seguir alguns dados numéricos interessantes para avaliar a questão do que hoje está sendo considerado como desemprego. Para ser desempregado, precisa estar procurando emprego e segundo o Presidente do IBGE Marcio Pochmann, estaria em 6,5% da população ativa, ou 7 milhões de desempregados.* 52 milhões de pessoas estariam empregadas, ou seja, com carteira assinada. Destaca-se que 40 milhões estriam na informalidade com atividades sem vínculo, empregados que trabalham dois dias semanais para evitarem elevados encargos, e ainda 20 milhões recebem bolsa família. Isto totaliza 119 milhões de uma população de 216 milhões. Os 20 milhões que recebem bolsa família não são desempregados e quantos desistiram de procurar emprego e estão na informalidade ou criaram atividade independente.??? --- ## Contribuições de leitores sobre "FOME E POBREZA" ### Miriam Menossi (leitor) Bom dia Luis!! Belíssima explanação!! Parabéns!! Sobre a pergunta chave: quem se beneficia da pobreza e da ignorância? Infelizmente a esquerda brasileira está parada no tempo, naquele tempo em que o assistencialismo mitigava a fome dos necessitados e tudo ficava bem. Era uma espécie de compra de votos. Chegava a próxima eleição e todos se reelegiam. Porém, os tempos mudaram, o mundo ficou mais sofisticado com o avanço da tecnologia e os nossos pobres, sem terem uma Educação de qualidade que os preparassem para uma vida profissional, ficaram mais pobres ainda. Está mais do que comprovado que o assistencialismo não resolve o problema. A Educação de Base + a formação de profissionais competentes ajudaria o Brasil a sair dessa enrascada que é a enorme desigualdade social. E a pergunta seguinte: o que deve ser feito para diminuir esta desigualdade vergonhosa no País? 1) Investir pesado na Educação. 2) Que os nossos parlamentares tenham a sensibilidade de um olhar benevolente aos mais necessitados e abdiquem de parte dos seus altíssimos salários e mordomias em favor de políticas públicas contra a desigualdade. É um compromisso ético. O artigo 5° da Constituição diz que somos todos iguais perante a Justiça e esta é uma Justiça Social. Que haja uma solidariedade coletiva!!! P.S. Isso requer uma boa dose de Humanismo 😉 Miriam – março de 2025 --- # COMPORTAMENTOS Ensaios · 27 de janeiro de 2025 · https://luis-gaj.vercel.app/comportamentos ## Ensaio de Nº17 Caros amigos, vou começar relatando e expondo comportamentos que se tornaram realidade em toda América Latina e no nosso meio. Um dos comportamentos que tem sido aceito nos últimos tempos é a existência de um orçamento secreto administrado pelo governo, sem transparência e sem explicação. sobre o seu conteúdo. Aliado a este comportamento tem sido aceito também como normal, a vergonha das emendas parlamentares sem questionamento, no momento contidas pelo ministro Flávio Dino, pedindo esclarecimentos. Na realidade estas emendas são parte do poder de barganha do congresso, para aprovar medidas encaminhadas pelo executivo. Atitudes que fazem sintonia com um sistema de governo que utiliza cargos em empresas estatais, em ministérios, e em cargos importantes do governo, como forma de comprar apoio e conseguir continuar a gestão. Trata-se da famosa fórmula “toma cá, da lá”, uma versão mais delicada de muitas versões diferentes como “fica a seu critério”, forma de solicitar contribuição ou ”molhada minha mão resolvemos a questão”, ou ainda “me ajude a te ajudar” Comportamentos nos altos escalões que, quando ocupando cargos importantes, são presentados em relações internacionais, acreditam que esses presentes e até joias, são de sua propriedade particular, em lugar de reconhecer que foram outorgados pelo cargo ocupado, e que pertencem à nação. Comportamentos “inocentes” consistem em nomear parentes para cargos públicos, sendo aceito na justiça, mesmo que sem competência para isto, e colocar número de 13 assessores a disposição da esposa do presidente, mesmo sem que ocupe nenhum cargo, sem questionamento, como normal. Uma frequente pergunta que fazemos observando o comportamento do judiciário e do congresso é para que finalidade se empenharam para ocupar tão elevadas posições. Entendemos que são posições onde, pelo voto popular, foram escolhidos para defender e proteger seus eleitores, e não para se beneficiar, e trabalhar para defender interesses pessoais. Politico é para servir, ou para ser servido? Mas os comportamentos questionáveis, não se limitam à esfera federal, e hoje assistimos à deterioração de princípios quando em um bazar beneficente, diretora da instituição é a primeira a escolher os bens que foram doados, em beneficio da instituição, defendendo interesse pessoal. Comportamentos questionáveis ocorrem nas escolas em que a educação é para inglês ver, justificando a bolsa família, sem assiduidade de alunos e professores, e onde ninguém repete de ano, justificando que foram educados, quando na realidade formam semianalfabetos. O bolsa família, deveria ser destinado a pessoas necessitadas, como recurso para mitigar fome e necessidades básicas, mas quando é usado mesmo em casos de funcionários públicos que recebem salários, o que está acontecendo é uma compra de votos numa população que não estaria precisando. Prefeitos e governadores populistas não se preocupam com esta situação, porque garantem votos futuros, na realidade, na compra de votos, mediante pagamento de dinheiro público, sem constrangimento. Se todos fazem, é a justificativa para aceitar, e se enquadrar em atitudes duvidosas, sem princípios éticos ou morais, porque se trata de comportamentos generalizados, que atingem todos os níveis, todas as autarquias, todas as prefeituras e governos, com poucas exceções. A mentalidade Gerson, de sempre querer tirar vantagens, em troca de vantagens, como a designação de pessoas para ocupar cargos importantes, desde que comprometidas com quem o nomeou, fidelidade esta que nada tem a ver com desempenho criterioso, da função à qual foi assignado. Estes comportamentos estão tão enraizados, que são realizados abertamente, na troca de ministros para melhorar apoio, ou concedendo vantagens abertamente em troca de outras vantagens. Aconteceu comigo numa consultoria em empresa estatal, receber o conselho de “não balance o barco” para continuar o seu trabalho, significando que desde apoiar o que está sendo feito, tudo bem, e se questionar, não irá durar. Até agora, todas a atitudes e comportamentos mencionados são formas de corrupção enraizadas, incluso na empresa privada, se meu concorrente polui, eu também posso poluir, porque deixar de poluir significa instalar equipamentos que oneram, e reduzem o lucro. Na questão da sonegação, também generalizada, se todos sonegam, eu também vou sonegar, e temos como justificativa que o dinheiro pago por impostos, vai para benefício de intenções escuras, e não em beneficio de todos, especialmente quando a máquina burocrática, ultrapassa os limites do aceitável. Fiscal nomeado para fazer fiscalização em empresas, relata que foi obrigado a entrar no esquema de extorquir proprietários, para ser aceito, e caso contrário, seria enviado para atuar longe dos centros importantes, precisando mudar com a família, uma forma de pressão para o enquadramento no esquema. Quando se apregoam princípios como: protetor dos pobres, e ideias sociais, e se vive no maior luxo, para si e para seus companheiros, rodeado de um séquito que os pobres são que terminam custeando esta conduta é também de corrupção, usando dinheiro público para criar um grupo de apoiadores. Isso o que Maduro fez, para conseguir 30 % de votos comprando amigos e militares, com cargos, e usando recursos gerados pela exploração de petróleo. As vezes podemos dizer que são lobos vestidos de cordeiros, até que a fantasia cai. Em lugar de buscarem a redução de uma máquina vergonhosa de 29 partidos, e de 39 ministérios, se cogita taxar quem possui animal de estimação, e daqui a pouco vamos ter que pagar pelo número de janelas e portas nas casas. Em nenhum momento estou me referindo ao Brasil, este ambiente é comum na maioria dos países da América Latina, talvez de forma menos descarada, também em outros países e situações. Por esse motivo acredito que a sociedade está passando por período de decadência, onde prevalece sem solução a cracolândia, onde o tráfico de drogas milionário ganha espaço, onde o PCC e o MST atuam sem solução, onde os moradores de rua só aumentam, onde muitos jovens ficam nos cruzamentos lavando vidros, onde existem latrocínios, assaltos e roubos, onde a corrupção é aceita, onde os políticos defendem seus interesses e onde empresas públicas são utilizadas como cabides de emprego, mesmo que deficitárias onde os cidadãos vivem em condomínios protegidos dos bandidos que andam soltos, e onde correm risco, quando se atrevem a sair de suas casas. Nesta sociedade doente, não reconhecida como tal, deixo a solução para as novas gerações, que deverão perceber ou se rebelar, atuando para transformar o mundo, e a sociedade atual, corrompida, por novos valores. Recomendo o filme “Uma mulher contra Hitler” , onde uma jovem de 21 anos e seu irmão cursando o terceiro ano de medicina e integrando um grupo denominado Rosa Branca, percebendo que Alemanha está sendo guiada para uma rota desastrosa, se rebelam, arriscando as próprias vidas contra um regime também doente, como era o nazismo, e prevendo o seu fim, e pra tanto atuam divulgando e esclarecendo. Era no ano de 1943 e o “invencível” exército alemão, estava sitiando São Petersburgo, no início de um inverno que seria rigoroso e com tropas exaustas e com dificuldades de suprimentos. No julgamento os jovens questionavam se Hitler conseguiria vencer a Rússia e os Estados Unidos, e acabaram condenados como traidores, a morte. Baseado numa história real, relata algo pouco conhecido, que era de jovens alemães se revoltando contra um regime, duramente implantado do nazismo. Considero o filme um incentivo para mudar a sociedade doente, e para criar um ambiente sério e protegido para todos os cidadãos. Os comportamentos humanos tem também produzido alterações climáticas, com o desgelo lento das calotas polares, com chuvas muito superiores ao esperado, e inundações, com catástrofes como o furacão que assolou recentemente o norte do Moçambique destruindo casas simples, e deixando 30 mil pessoas ao relento. Comportamentos poluidores, contaminadores, prejudiciais à saúde, e que afetam seguramente em primeiro lugar, os mais pobres. Por isso, considero muito oportuno a mensagem do Papa Francisco que estou anexando e solicitando para divulgar. Como sempre, fico no aguardo das valiosas contribuições **Luis Gaj – janeiro de 2025** Depois de concluir… Saudade da época em que um número bem menor de ministérios tinha seus ocupantes, escolhidos pela sua capacidade, em que as empresas estatais deficitárias eram privatizadas, e onde o emprego era valorizado, e as pessoas queriam trabalhar, em lugar de receber sem fazer nada. Saudade da época em que a Justiça era exercida profissionalmente, recebendo salários justos, e longe da política e dos holofotes… enfim. Segue abaixo a mensagem do Papa Francisco. /midia/video-comportamentos.mp4 --- # HISTÓRIAS RECENTES E VIVENCIAS Ensaios · 17 de dezembro de 2024 · https://luis-gaj.vercel.app/historias-recentes-e-vivencias ## Ensaio de Nº16 O “Leitmotiv” para a produção deste artigo foi ter recebido o livro que conta a vida de Elides Ribeiro Loebmann, que tinha sido casada com Martim Loebmann e que possui uma família de engenheiros da Poli O sogro dela foi Salo Loebmann. E também como continuidade e complemento à contribuição de Miriam Menossi no ensaio número 15. Início com a história do meu pai, de jovem, na Rússia, hoje Ucrânia, onde nasceu em 1899, e morava pero da Capital, Kiev, num povoado chamado Proskurov, numa época de revoluções, guerras internas e externas. Cossacos armados e montados a cavalo, invadiam as aldeias pequenas e perseguiam e maltratavam judeus como forma de diversão. E meu pai criança e adolescente, assistiu a estes fatos, e à presença marcante de um líder chamado Petlura, que comandava as incursões. A primeira Guerra Mundial também chamada de “Grande Guerra” teve início em 2014 e durou até 2017. Meu pai tinha 15 anos quando a guerra iniciou e 18 quando terminou. Tenho até hoje a foto dele em uniforme de soldado. Foi uma guerra entre uma aliança do Reino Unido, França e Rússia, e outra aliança entre o império Austro-Húngaro, Alemanha e Itália. Teve como motivos a independência de povos dominados, disputa entre as potências europeias por colônias e recursos. O assassinato do arquiduque Ferdinando do império Austro-Húngaro foi o estopim que deu início à guerra. Em 1917 a Rússia saiu da guerra, devido à revolução interna e os Estados Unidos entraram, depois que submarino alemão torpedeou navios americanos. Em 1918 a ofensiva da Alemanha fracassa, e a aliança de Reino Unido, França e Estados Unidos derrota os inimigos, e em novembro, Alemanha assina o armistício, assumindo responsabilidade pela guerra, e foi obrigada a pesadas reparações. O império Austro-Húngaro é desmantelado e surge a Polónia, a Tchecoslováquia e a Jugoslávia. A minha mãe nasceu no império e teve a nacionalidade Austríaca. A revolução interna na Rússia entre russos brancos e vermelhos, teve o predomínio dos bolcheviques, ou russos vermelhos. Com a revolução de outubro de f917 a Rússia começou a implantar um regime socialista, com abolição da propriedade privada, e dos meios de produção, e com economia centralizada, e com profunda reforma no campo. Tentava ser uma forma de governo participativa, e com poder aos trabalhadores e aos camponeses. Houve grande esforço para educação, como forma de se criar uma sociedade igualitária. Após isso, uma junção de países, com Reino Unido, França, Japão, Estados Unidos, e Canadá interveio na Rússia apoiando aos russos brancos, contra os bolcheviques do exército vermelho, para evitar que o comunismo se espalha-se e para defender interesses econômicos. Não conseguindo reverter o avanço dos bolcheviques, acabaram se retirando, mas a guerra continuou entre Polónia e Rússia de 1919 até 1921, por disputa de territórios. Meu pai tinha 19 anos e meu avó farmacêutico insistiu para que ele emigrasse, fugindo da guerra para a Argentina. Meu avo tinha viajado para Buenos Aires e considerava o país do futuro. kaka Após ter passado pelas agressões dos cossacos russos, pela guerra, pela revolução socialista e pelas guerras internas e externas, meu pai passou pela Áustria, e dali, já com a esposa, fugiram juntos para Buenos Aires. Seguiram anos de relativa paz principalmente entre o comunismo e o capitalismo. Na Argentina surgiram movimentos populistas, e o peronismo, inicialmente numa ditadura e depois pelo voto popular. Mais tarde após a Segunda Guerra Mundial, veio surgir a chamada guerra fria, entre países capitalistas e países dominados pelo comunismo. A partir dos anos 1930 na Alemanha despontou o nacional socialismo até que em 1933 foi eleito Hitler para dirigir o país. A Eva nasceu em 1932 neste país que aos poucos foi tomando medidas contra as minorias e inimigos, judeus, ciganos e antigos socialistas. Gradativamente as medidas foram se intensificando com a criação de campos de concentração ou reclusão, onde os detidos eram maltratados e obrigados a trabalhos escravos. Foram também incorporadas as ideias racistas, com a crença da raça ariana como a raça pura e superior, e com o lema de “Alemanha acima de tudo”. hoje Trump utiliza esse mesmo lema para os Estados Unidos. Durante os anos de 33 até 40 investiu-se pesadamente na indústria de guerra, deu-se trabalho para os desempregados, como policiais do sistema como agentes da ordem, e formou-se poderoso exército que passou a ser considerado invencível. No início crianças judias foram proibidas de frequentar as escolas, junto com as crianças alemãs, mais tarde judeus foram proibidos de frequentar restaurantes e lojas somente para alemães, depois foi limitado o seu tempo na rua, obrigados a usar o nome JUDE numa faixa no braço como identificação discriminatória, e a partir daí, o pai da Eva , denunciado como judeu, sem outro motivo, foi capturado e enviado ao campo de concentração de Buchenwald onde ficou durante seis semanas. Em 1938 as sinagogas foram incendiadas e as lojas de judeus saqueadas na chamada “noite dos cristais”. O Enrique, irmão da Eva, assistiu a estes eventos e voltou correndo para casa, muito assustado, e relatou os acontecimentos, ele tinha 8 anos. Em 1939, já tinham criado vários campos de concentração para os inimigos do regime, esquerdistas, judeus, ciganos e de sexo duvidoso, desejando purificar o país, e destacar a raça ariana, como raça superior Durante o período em que o pai da Eva esteve detido, a mãe realizou enorme esforço para libertá-lo e somente conseguiu mediante uma chamada para trabalhar na Bolívia. Quando foi libertado e chegando na casa, não foi reconhecido pela Eva, maltrapido, envelhecido, sujo e maltratado pelos soldados do campo. Libertado com a condição de se desfazer de tudo, e sair do país em curto espaço de tempo. Venderam a propriedade e seus pertences em péssimas condições para fugir. Na Alemanha nazista, as perseguições não cessaram durante a guerra e nas conquistas obtidas pela invasão de vários países, era exportado também o extermínio dos chamados inimigos. Mesmo mais tarde, já em 1943 e 1944, foi implantada a chamada “solução final”, com a criação de campos de concentração com câmaras de gás, onde os judeus e outros perseguidos, eram informados que iriam tomar banho, e na verdade eram mortos nessas câmaras, com objetivo de acelerar o processo de extermínio. Voltando ao ano de 1935, um tio de Eva, Salo Loebmann, percebendo as perseguições e prevendo dias piores, saiu da Alemanha e veio para o Brasil, ele era formado em Química e logo conseguiu trabalho na Companhia Nitroquímica, do grupo Votorantim. Pelo livro da Elides descobrimos, já depois de sua morte, que ele tinha sido convertido ao catolicismo, tinha casado com uma moça alemã, e migrado, e constituído família em São Miguel Paulista. Assim que possível conseguiu trazer a sua mãe e irmã Ruth para Brasil, e vieram morar em São Paulo. Mais tarde a Ruth foi governanta da casa de Luba Klabin, na avenida Europa, onde hoje se encontra o MIS Muitos outros amigos nossos, como Stefan Blass, também tinham se afastado do judaísmo, depois de terem sido prisioneiros na Alemanha, no regime nazista. Enrique, irmão da Eva, que tinha assistido à noite de cristais e queima das sinagogas, nunca namorou uma moça judia, casou-se com descendente de japoneses, e teve quatro filhos criados como católicos. Muitos anos depois e separado da mulher, teve outros relacionamentos, e até com uma moça alemã, nunca com moças judias. Quando faleceu, poucos anos atrás, foi enterrado num cemitério não judeu, quebrando a tradição de seus pais e familiares. Enquanto vivo, nunca comentava sobre a guerra, e as perseguições. Era um trabalhador muito esforçado, teve uma oficina de automóveis especializada em carros hidramáticos, nos anos em que este tipo de veículo era uma novidade, e mais tarde, criou junto com o sócio Marcelo Gutglas, uma unidade pequena com aparelhos, para diversão das crianças, que mais tarde se transformou no Playcenter. Entendo que este afastamento se justifica pelo medo ou por receio, e que o legitimo desejo dele era mudar, se assimilando como não judeu. Eu tive oportunidade ainda como jovem e adolescente de acompanhar as notícias sobre as perseguições e sobre a guerra de 1939 a 1945, na minha infância em Buenos Aires. Também passei por hostilidades na escola primaria, e no ensino médio, mas isso reforçou a minha identificação como judeu. Considerando todas as perseguições sofridas pelo antissemitismo, nas suas variadas formas, a criação do Estado de Israel, preconizado por Teodoro Herzel com o sionismo, se apresentava como única e definitiva solução para a existência do povo judeu, mediante o retorno a terra dos ancestrais. Em 1948, com 17 anos, passei a noite distribuindo um jornalzinho festejando a criação do Estado Judaico. Eram meus anos desejando me juntar a esse movimento, numa entidade de esquerda. E até com vontade de ir para Israel. Mesmo apoiando sem restrições o Estado de Israel, não concordo com um governo de extrema direita, com predomínio de grupos ortodoxos que estão mudando a composição da sociedade, promovendo famílias com muitos filhos, e com o tempo alterando a população, para o predomínio deste setor religioso, em detrimento das ideias democráticas e sociais que deram inicio ao estado de Israel. Com a criação do estado, logo surgira uma invasão de vários países árabes, que foi vencida pela resistência da população composta por imigrantes e por jovens entusiasmados com seu novo país. Assim que os invasores foram repelidos e vencidos, populações judias nos países árabes passaram a ser vistas com desconfiança, hostilizadas e enfrentando restrições, violência, e discriminação, e foram obrigadas a deixar os países, onde tinham criado raízes durante várias gerações incluindo Egito, Iraque, Síria, Líbano, Marrocos, Iêmen, entre outros. Em número de 850.000 eles foram expulsos dos países, seus bens confiscados, perderam a cidadania e obrigados a deixar seus países em breve tempo, levando o mínimo para sobrevivência. Nesses países não houve campos de concentração ou mortes, diferentemente que na Europa. Israel absorveu boa parte dos refugiados, mas também houve migração para outros países, inclusive para o Brasil e para os Estados Unidos, onde também se integraram Por sua parte, a saída dos árabes de Israel, ocorreu entre 1947 e 1948 durante a guerra da independência de Israel, que começou após a partilha da ONU e declaração da independência, quando cerca de 700.000 árabes palestinos deixaram as suas casas, em territórios que se tornaram o Estado de Israel, devido a combates, expulsões e em alguns casos por temores devido ao avanço das tropas israelenses. O termo “Nakba” (catástrofe) é usado pelos palestinos para descrever esse êxodo. Enquanto a expulsão dos países árabes ocorreu no período de 1940 até 1970 e os que foram expulsos foram gradativamente integrados, tanto em Israel, como nos outros países para onde emigraram, os árabes que saíram de Israel, se tornaram refugiados, na Cisjordânia, Gaza, Líbano, Síria e Jordânia. Eles não receberam cidadania nos países vizinhos e criaram campos de refugiados com assistência da ONU, e em condições muito precárias. No fórum internacional, a questão dos refugiados palestinos, tem tido repercussão na ONU, que reconhece o direito de retorno, ou compensação com indenização, enquanto que a saída dos países árabes tem sido pouco mencionada ou ignorada. Os dois processos significaram deslocamentos em massa, e sofrimento relacionado a conflitos na região, mais ocorreram por circunstâncias diferentes. Este ensaio vem complementar o número 15 Em Busca da Paz, detalhando história vivida com fatos importantes relacionados ao Meio Oriente Pensando em contribuições, convido os leitores, a contar as suas histórias de imigração, ou descendência para serem inclusas no nosso Blog. Tenho certeza de que quase todos devem ter uma história recente interessante para contar, relacionada a suas famílias. Grande abraço, com desejo de FELIZES FESTAS e 2025 com menos guerras, já que sem guerras e ou conflitos, é impossível imaginar. Luis Gaj dezembro 2024 www.luisgaj.com.br ## Contribuições de leitores sobre "HISTÓRIAS RECENTES E VIVENCIAS" ### Lejbus Czersnia (leitor) Oi Luiz Parabéns pelo magnífico estudo!! Claro, preciso e esclarecedor!! Um dos trechos, me remete ao momento da Cristal Nacht, que é a ocasião em que a Ruth, minha esposa, conseguiu fugir, juntamente com a mãe dela, apenas alguns dias depois, foram um dos últimos que conseguiram escapar. ### Miriam Menossi (leitor) Estou enviando minha história, tenho descendência italiana, mas meu pai nunca quis contar os detalhes da imigração. Meus avós vieram para a lavoura e é tudo que sei. Um grande abraço para Eva e você. Minha História Justificando os talk show Jô Soares dizia que nada é mais interessante do que a história de vida de cada ser humano. Minha história começa na ensolarada cidade de Araraquara-SP onde nasci em 1943. Meu pai era ferroviário da Companhia Paulista, hoje FEPASA e minha mãe dona de casa. Sendo agrimensor meu pai prestou concurso público e ingressou na Prefeitura Municipal de São Paulo. Com 2 anos de idade mudamos para São Paulo e nos instalamos no bairro da Lapa, zona oeste da Capital. Minha primeira infância foi livre, brincadeiras na rua de terra que virava barro quando chovia e sem movimento, pois ninguém possuía automóvel. No bairro tinha uma das fábricas das Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo e, de vez em quando, o Conde Francisco Matarazzo aportava no bairro em um daqueles automóveis antigos e todos corriam para a rua gritando: o Conde está chegando! Era uma festa! Nessa época contrai difteria e como doença contagiosa fui internada no Hospital Emílio Ribas. Sem meus pais por perto me senti abandonada e essa situação repercutiu na minha saúde mental que, mais tarde, tratei com terapia. Aos 4 anos ganhei uma irmãzinha e fiquei muito feliz com a Marisa. Quando eu tinha 7 anos e em nova casa no mesmo bairro fui para a escola primária, iniciando minha jornada estudantil. No ano seguinte nascia minha segunda irmã, a Márcia, grande parceira de vida. Após o grupo escolar (hoje fundamental I) fui para o ginásio (hoje Fundamental II). A época do Ginásio foi muito boa, a classe era mista e começaram as primeiras paqueras. Muito tímida, eu fugia dos homens e não queria casar, muito menos ter filhos. Terminado o ginásio e sentido a dificuldade do meu pai em manter a casa e com minha irmã iniciando o ginásio particular, resolvi que iria trabalhar. Meu pai queria que eu continuasse os estudos, mas diante da minha insistência, acabou aprovando e ele mesmo me colocou no Banco Itaú, que era pequeno, com apenas 7 agências na Capital. Foi uma das melhores escolhas da minha vida, eu com apenas 16 anos e meus colegas de trabalho já na Faculdade. Eles foram meus grandes instrutores, me orientando leitura, o porte de um livro era obrigatório! Eu queria ler Sartres como eles, mas diziam que eu ainda não estava na idade da razão…. Até comportamentos me corrigiam. Uma vez por mês, logo após o pagamento, íamos a um barzinho do Centro e aí era uma festa!! Sou muito grata por esses amigos que fizeram parte da minha formação intelectual. Por insistência deles voltei estudar e no ensino médio conheci o Hermes que de grande amigo passou a ser namorado. Com 23 anos me despedi do Banco Itaú para casar com o Hermes. Não tinha intenção nenhuma de ser mãe, então prestei concurso na Prefeitura de São Paulo e ingressei como Assistente Administrativa, mas após 4 anos de casada nasceu meu filho Alexandre e passados mais 4 anos nascia minha filha Luciana. Hoje agradeço imensamente por essas criaturas maravilhosas que alegram a minha existência. Trabalhando na Sub Prefeitura da Lapa eu observava as melhores carreiras para galgar postos mais elevados. Fiquei na dúvida sobre Finanças, onde eu exercia minhas funções e Biblioteconomia. A Biblioteca Municipal da Lapa ficava no andar térreo e eu a frequentava desde a adolescência. Sempre gostei do ambiente silencioso de uma Biblioteca. Voltei aos bancos escolares, desta vez na Faculdade de Sociologia e Política de SP que abriga o curso de Biblioteconomia (hoje Ciência da Informação) Acumulando as funções de esposa, mãe, profissional e estudante ganhei uma estafa e fui obrigada a optar por trabalhar ou estudar. Foi uma decisão difícil, mas optei por me licenciar do trabalho por um ano, sem salário e terminar a Faculdade com muita ajuda da família pela qual sou imensamente grata. Valeu, pois com diploma em mãos cheguei ao nível universitário na carreira da PMSP. Após anos bem felizes e calmos, meu marido começou a apresentar sinais da doença que o levou deste mundo aos 56 anos e fiquei viúva com 52 anos. Meus filhos casaram e eu fiquei só. No início tudo bem, viajava bastante sozinha ou com amigas, ia ao cinema, teatro, exposições sem problema, gostava da minha companhia! Mas cansei e fui em busca de um companheiro. Foi quando tive o privilégio de conhecer o Kurt, um homem inteligente, culto, cavalheiro e amoroso. Se aqueles colegas do Banco Itaú foram meus instrutores na juventude, a companhia do Kurt foi essencial nesta fase da 3a idade. Foram 10 anos de extrema felicidade e agradeço a ele a grande herança que me deixou: seus amigos que continuam sendo meus amigos. E cheguei na idade em que o mais importante é ter vida social, aprender algo novo, cuidar da saúde, ter paz de espírito e colher os frutos que plantamos nesta longa estrada da vida. Gratidão! Gratidão! Gratidão! --- # EM BUSCA DA PAZ Ensaios · 25 de novembro de 2024 · https://luis-gaj.vercel.app/em-busca-da-paz ## Ensaio de Nº15 **“NÃO IMPORTA O QUE FEZ ATÉ AGORA, IMPORTA O QUE TEM PARA FAZER AINDA” – PABLO PICASSO** A Psicologia explica o comportamento dos seres humanos. A psicologia Social ainda justifica que é próprio da natureza humana a maldade, o ódio, e as ações belicosas que se espalham em nosso planeta. Assim como explica os procedimentos qualificados como maldades, também destaca o oposto da natureza humana, que é a bondade e o amor ao próximo. Como pensar em paz no mundo se a natureza humana, segundo a psicologia justifica o contrário da paz, como natural do ser humano? E preciso muita fé, e uma dose grande de vontade de negociar, para imaginar que a paz é possível de ser atingida. Assistimos as eleições na Venezuela e ao espetáculo montado pela ditadura, para fantasiar de democracia um regime totalitário que apesar de todas as inibições, montadas para limitar o acesso as urnas, e para coibir candidatos da oposição, deixou realizar eleições, impediu acesso à contagem dos votos, e declarou a vitória do ditador. Dizer que a Venezuela é um País esquerdista, é no mínimo sem lógica e sem sentido. Maduro, com os recursos do petróleo tem poder, consegue apoio dos militares, e mantem o povo submisso; pelo medo. Isto é ditadura, não do proletariado, e sim dos gorilas que usurpam e roubam as riquezas, geradas pelas reservas de petróleo do país. Benesses populistas são distribuídos aos apoiadores, para criar imagem de apoio popular. A omissão do Brasil em se manifestar claramente contra essa ditadura é uma vergonha para a imagem como país democrático, e defensor dos direitos humanos. Não existe paz na Venezuela pois não existe paz onde impera a força bruta e a opressão. O mundo assiste passivamente, porque cada região, cada país, cada crença, tem seus próprios problemas para administrar e infelizmente os lugares no mundo onde não existe paz, são muitos, para não dizer inúmeros. Destaca-se o conflito no Oriente Médio, com uma realidade vulcânica envolvendo Gaza, Líbano e Israel, mas também o Iran, provocando sacrifícios as populações civis. Está claro que esta atual guerra, conta do apoio dos EUA a Israel e do Iran aos grupos que financia e envia armas. Um desdobramento importante após a morte de importantes dirigentes do Hamas e do Hezbollah por parte de Israel, foi o ataque de Iran diretamente a Israel, e as retaliações de Israel, com perigo para uma escalada maior na guerra. Destaca-se também a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, devido a questões geopolíticas e a pretensão da Ucrânia de entrar na OTAN que é visto como ameaça pela Rússia. Esta deliberadamente invadiu a Ucrânia, pensando provavelmente numa ação de curta duração, e se defrontou com o apoio de alguns países ocidentais à Ucrânia Destaca-se que na antiga URSS a Ucrânia era uma província da Rússia, que hoje é um país dominado por Putin, antigo dirigente da KGB, polícia secreta, e com intenções de anexar antigos territórios a seu domínio. Isto se iniciou com a anexação da Crimeia. O envolvimento da OTAM e os Estados Unidos, alerta para uma guerra de maiores dimensões, especialmente com a aprovação de envio de misseis americanos de longo alcance para a Ucrânia utilizar contra a Rússia, e com a reiterada ameaça da Rússia de uso da bomba atômica. Conflitos estão surgindo mais sutilmente na islamização da Inglaterra, da França e da Alemanha. Nestes casos a reação está vindo pela população ao votar regimes de extrema direita contra os imigrantes. Talvez esta reação está chegando tarde demais. Na recente eleição do republicano Donald Trump esta será a linha a ser adotada por seu governo, como preconizado na campanha, e com o lema América em primeiro lugar. A China expande sua atuação comercial e sua influência, incluso na América Latina, e Iran confronta com a religião e fomenta a radicalização islâmica, e o domínio do mundo. Para conseguir seus objetivos investe no desenvolvimento de projeto, para construir bomba atômica. E o Brasil investe na modernização de suas forças armadas. A tendência para a paz é cada vez menor e o sofrimento dos pobres, sem perspectiva de melhora, neste mundo geopolítico, econômico e social conturbado. Os muçulmanos sunitas são 85% da população muçulmana. Países sunitas são Arábia Saudita, Egito, Líbia, Tunísia, Marrocos, Argélia, Turquia, Paquistão e Afeganistão Os Xiitas são 16% do islamismo, com Iran, Iraque, Bahrain, Azerbaijão, Iêmen. Existem comunidades xiitas na Líbia, Líbano, Paquistão, Catar, Síria, Turquia, Arábia Saudita, e Emirados Árabes Unidos e existe uma luta feroz pelo predomínio regional. Os sunitas são o povo da tradição, Shafqat-Ali Khan ou partido de Ali que era genro do profeta Maomé, e os xiitas reivindicam o direito de liderar os muçulmanos, e o Hezbollah e grupo xiita. A seguir destacamos alguns dos conflitos que impedem a existência de paz Guerra Civil na Síria, entre governo e rebeldes do ISIS Estado Islâmico - Conflito no Iémen desde 2014 guerra civil entre rebeldes Houthis apoiados pelo Iran, e o governo iemenita, apoiado por uma coalisão liderada pela Arábia Saudita, com grave crise humanitária Conflito em Myanmar (Birmânia) após golpe militar em 2021 escalada de violência entre o exército e várias facções de oposição com minorias étnicas, e movimento pró democracia. - Conflito em Tigray, no norte de Etiópia, entre forças do governo e forças da frente de Libertação Popular do Tigré, com crise humanitária. - Conflitos na região de Sahyel na África com vários países, Burkima Faso e Niger, enfrentam conflitos com grupos jihadistas e insurgências locais com crises econômicas e políticas. Conflito em Nagorno Karabakh, região disputada entre Armênia e Azerbaijão com confrontos armados. Tensões no mar do sul da China com disputa territorial entre China, Vietnã e Filipinas sobre controle das ilhas. - Conflito entre gangues no Haiti. Grave crise de segurança com aumento do poder das gangues com violações, sequestros e desestabilização política. - Conflitos no Afeganistão, após tomada do poder pelo Talibã em 2021 - Conflito em Moçambique com insurgências em Cabo Delgado dos Jihadistas desde 2017. - Conflito em Camarões, com crise anglofônica entre regiões de língua inglesa, e o governo de origem Frances e a busca de independência das de origem inglesa. - Conflito na república centro africana desde 2013 entre o governo e grupos rebeldes. - Conflito em Darfur Sudão entre milícias e forças do governo - Conflito entre Armênia e Azerbaijão. - Conflito na Líbia, com guerra civil e potências estrangeiras. - Conflito na Colômbia, com grupos pelo controle do país com dissidentes e narcotráfico. - Conflito na Cachemira com disputa entre Índia e Paquistão - Conflito no Sudão do Sul com guerra civil desde 2013. Na procura da paz, partimos tentando apresentar como se encontra o mundo de hoje, com inúmeros conflitos de interesse religioso, político, por território, étnicos ou por divergências. Desta forma o mundo se apresenta caótico, e sem perspectiva de paz. No momento, os dois casos que provavelmente sejam os mais graves, são o conflito provocado pela invasão da Rússia na Ucrânia e o Conflito entre árabes e Israel, com frentes no Líbano, em Gaza, no Iêmen, na Síria e no próprio Iran. Gostaríamos assistir a um mundo sem conflitos, sem beligerância e com negociações entre as partes, e sem mortes e sem sofrimento das populações civis. Infelizmente são os governos de plantão, muitas das vezes dominado por pequeno grupo de atores, que toma as decisões de guerra ou paz, e que provocam os conflitos e guerras mencionados. Neste panorama, a ação da ONU é praticamente nula, desde a sua criação, e muitas vezes nefasta, quando toma partido, em lugar de ser mediadora e conciliadora. Haja vista o Conselho de Direitos Humanos da ONU ser composto, na sua maioria, por países que não respeitam os mesmos direitos humanos, entre eles Cuba, Rússia e Sudão, e que são os primeiros a desejar fazer parte deste conselho. Amos Gital cita a correspondência entre Albert Einstein e Sigmund Freud de 1932, sobre Porque a Guerra, e que deu lugar a um filme com esse nome. Eles debatiam como conflitos armados podem ser evitados, e como é possível encontrar soluções para reconciliar posições distantes. Boa parte das causas se encontra na figura de dirigentes confiantes de que podem ganhar guerras. O livro Konfliktmanagement de Fredrich Glasl, que trata do diagnóstico e tratamento dos conflitos, pode ser uma referência importante, sobre a forma de abordar conflitos em potencial, ou existentes, e evitar as guerras. Através dele, pode-se transmitir à ONU a necessidade de sempre se manter independente e nunca tomar partido por uma das partes em conflito, se quiser poder contribuir para a paz. Resta a nós, simples mortais, assistir e lamentar a situação em que o mundo se encontra, devido muito especialmente à intolerância, ao ódio, e a querer impor ao semelhante uma certa forma de ser ou de pensar e agir. Não é possível nos dar ao luxo de ser pessimistas, e dizer que não existem soluções possíveis, e sempre é preciso seguir procurando o entendimento. Brindemos por um mundo de paz, e pelo término dos conflitos que produzem perdas e sofrimento. Aguardamos as valiosas contribuições dos queridos leitores. **Luis Gaj** ## Contribuições de leitores sobre "EM BUSCA DA PAZ" ### Mauricio Odery (leitor) Que a paz no mundo possa um dia ser alcançada 🙏🏼 um ótimo fim de semana Luis grande abraço. ### Elides Ribeiro Loebmann (leitor) Obrigada Luis por essa lição de história. PAZ é o que mais almejamos, principalmente para nossos filhos poderem ter uma vida tranquila e uma perspectiva melhor para o futuro. ### Guilherme Gaj (leitor) Dina Rubina, escritora ruso/israelí, ha sido invitada por la casa Pouchkine, en colaboración con la Universidad de Londres, a participar en un debate literario en dicha institución. Pero para acudir. le han pedido que aclarase su posición sobre Israel. Esta ha sido la demoledora respuesta de Rubina: "Querida Natalia, Usted ha escrito de forma magnífica sobre mis novelas y estoy realmente triste por el tiempo que usted perdió ya que, aparentemente debemos anular nuestro encuentro. Las universidades de Varsovia y de Torun acaban de cancelar las conferencias del maravilloso escritor ruso Yakov Schecter sobre la vida de los judíos en Galiztia en los siglos XVII y XIX, para «evitar agravar la situación». Yo sospechaba que esto me atañería igualmente puesto que el medio universitario es, hoy por hoy, el principal vivero del antisemitismo más repugnante, más virulento, disfrazado de » crítica a Israel. Yo esperaba algo de esta índole y tenía decidido escribirle un correo sobre este tema…pero lo dejé a un lado. Ya es hora de publicarlo. Aquí está lo que quiero decir a todos los que esperan de mí un informe rápido y obsequios sobre mi posición con respecto a mi bien amado país, que vive actualmente, (y desde siempre) acosado por feroces enemigos que buscan destruirlo. Mi país que hoy lucha una guerra justa contra un enemigo ensañado, inmisericorde, traicionero y dispuesto a todo. La última vez que pedí disculpas fue en la escuela primaria, en la rectoría. Tenía 9 años. Desde entonces hago lo que creo justo, escuchando solo a mi conciencia y trasmitiendo exclusivamente mi entendimiento del orden mundial y de las leyes humanas de la justicia. Natalia, gracias por sus esfuerzos y personalmente le pido que envíe mi respuesta a todos los que se cuestionan. El 7 de Octubre, sábado, día de la fiesta judía de Simjat Torah, el régimen terrorista de Hamas, inclemente, bien entrenado, bien preparado y bien equipado por Hamas que reina en el enclave de Gaza, (de donde Israel se retiro hace unos veinte años), atacó decenas de Kibutzim pacíficos, bombardeo a mi país con millares de misiles. Hamas cometió atrocidades que ni la misma Biblia puede describir, atrocidades que no tienen nada que envidiar a los crímenes de Sodoma y Gomorra. Atrocidades filmadas » de paso» por cámaras Go Pro, por los asesinos habiendo llegado hasta el horror de enviar las imágenes a los familiares en redes sociales, en tiempo real. Durante horas, miles de bestias felices y ebrias de sangre, violaron mujeres, niños y hombres, disparando en la entrepierna y la cabeza de sus víctimas, mutilando los senos de las mujeres y jugando fútbol con ellos, acuchillado y sacando los bebés de los vientres maternos de las mujeres encinta para inmediatamente decapitarlos, amarrando juntos niños pequeños para quemarlos vivos. Había tantos cadáveres carbonizados que durante muchas semanas los médicos forenses no podían encarar la enorme carga que representaba identificar a las personas. Entre los militantes de Hamas, civiles palestinos se «colaron» y participaron en pogromos de una amplitud inusitada, saqueando, asesinando, arrasando con todo lo que caía en sus manos. Entre esos «civiles palestinos» se encontraban 450 miembros de esta organización tan cotizada, la UNRWA (oficina de auxilios de las Naciones Unidas para los refugiados palestinos en el Cercano Oriente). A juzgar por la felicidad total de la población (igualmente filmada por miles de cámaras móviles), Hamas es apoyado por la casi totalidad de la población de Gaza. Pero lo esencial está aquí para nosotros: más de 200 israelíes, mujeres, niños, ancianos y trabajadores extranjeros fueron arrastrados al antro de la bestia. Una centena de entre ellos se están descomponiendo y aun muriendo en los túneles de Hamas. Va sin decir, que esas víctimas, de las cuales aún son burlados, no preocupan para nada a la » comunidad universitaria» Pero no hablo de esto en este momento. No escribo esto para que alguien simpatice con la tragedia de mi pueblo. Durante todos estos años, mientras la comunidad internacional vertió cientos de millones de dólares sobre este pedazo de tierra (la Franja de Gaza), y que el presupuesto anual de UNRWA equivale, solo para ellos, a mil millones de dólares, durante todos éstos años, Hamas utilizó este dinero para construir un imperio con un sistema de túneles subterráneos para almacenar armas, enseñar a los estudiantes desde la primaria a desmontar y ensamblar un fusil de asalto kalachnikov, imprimir manuales escolares en los cuales los problemas de matemáticas asimilan a: » hay 10 judíos, el shahid mató a 4, cuantos quedan?» Apelando así al asesinato de judíos con cada palabra. Y ahora, cuando finalmente conmocionados por el crimen monstruoso de esos bastardos, Israel lleva una guerra de aniquilamiento contra los terroristas de Hamás, que tan cuidadosamente prepararon esta guerra, que colocaron a miles de armas en todos los hospitales, las escuelas, los jardines infantiles…es ahí donde el medio universitario del mundo entero está a la defensiva, preocupado por el «genocidio del pueblo palestino»…sobre los datos provenientes ¿de quién? La comunidad universitaria, que no se preocupó de las masacres en Siria, ni por por la masacre de Somalia, ni de los maltratos infringido a los Uigures, ni por los millones de kurdos perseguidos por el régimen turco desde hace décadas, esta comunidad tan inquieta, que usa en el cuello las «arafatkas», la marca de fábrica de los asesinos, y se unen en el slogan de «desde el río hasta el mar” que significa la destrucción total de Israel, ( y de los israelíes); esos mismos «universitarios», como demuestran las encuestas, no tienen ni idea de donde queda el río, de como se llama, de donde están las fronteras. ¿Y es ese mismo público quien me pide «expresar una posición clara sobre ese asunto?» ¿ESTA USTED HABLANDO EN SERIO? Como usted bien lo sabe, soy escritora de profesión desde hace más de 50 años. Mis novelas han sido traducidas a 40 idiomas entre ellos el albanés, el turco, el chino, el esperanto y muchos más aún. Ahora, con gran placer, sin escoger mucho mis expresiones, les envío sinceramente y con toda la fuerza de mi alma, a todos los «intelectuales sin cerebro” que se interesan en mi posición, que se vayan al carajo. Y de hecho, allá irá también usted, sin mi. DINA RUBINA" ### Lejbus Czersnia (leitor) Belo trabalho!! Chama a atenção sobre a situação mundial, quando é difícil ser otimista!! Infelizmente, os dirigentes eleitos, primam em mentir e se auto vangloriar!! ### Christoph Derendinguer (leitor) Bom dia Luiz, seu artigo descreve muito bem a situação do mundo hoje, e (infelizmente) as remotas chances de paz. Na sua lista de países muçulmanos falta Indonésia. Salvo engano tem a maior população muçulmana do mundo. Mudando de assunto: Lamento não ter participado da visita que Elides organizou. Ela me convidou, mas eu já tinha outro compromisso. Lembranças a Eva e um cordial abraço Christoph ### Miriam Menossi (leitor) Certa vez li que a vibração do Planeta Terra é a somatória da vibração de cada um de nós. Vibração para os esotéricos, e agora comprovado pela Neurociência, é o poder do pensamento. Politicamente o mundo está conturbado como o Luis bem descreveu: guerra entre países, guerras civis entre facções, brigas por território, desentendimentos por toda parte e nós assistindo estarrecidos perguntando: Porque??? Porque??? Conhecer o passado para entender o presente!! A História nos mostra que os humanos fazem guerra desde sempre. Arqueólogos acharam indícios delas em cidades de 3.000 anos AC, ou seja, há mais de 5.000 anos quando começaram a surgir as grandes civilizações no Egito, na China e na Mesopotâmia a guerra já era constante entre eles. Era um processo de eliminar quem pensa diferente, o pensamento de que eu estou certo e quem está do lado errado não deve sobreviver. E os conflitos continuaram…. No século XV quando a Europa estava em guerra há quase 30 anos e matado 8 milhões de pessoas, começaram a pensar que algo deveria ser feito e investiram no diálogo. oi quando juntos, representantes de cada país elaboraram o Tratado de Vesfália: cada país teria a sua soberania e ninguém poderia invadir outro país. Acabou os conflitos daquela época e marcou o início da diplomacia moderna. Resolveu o problema da paz? NÃO. Vieram muitos outros conflitos, entre eles a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) que matou 40 milhões de pessoas. E 20 anos depois a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) matando 70 milhões de pessoas. Infelizmente as guerras levam milhões de pessoas a fugir de seus países em busca de melhores condições de vida. São os refugiados que sofrem preconceito surgindo mais conflitos. De novo foi pensado em estabelecer diálogo. Quando a guerra terminou surgiu a ONU Organização das Nações Unidas, uma versão mais encorpada que o Tratado de Vesfália. A ONU tem hoje 193 países participantes que envia representantes nas reuniões periódicas. A ONU, tem, também, agências que ajudam as coisas a funcionarem bem no mundo todo. A OMS (Organização Mundial da Saúde), por exemplo, coordenou as ações no combate à Pandemia. A ONU foi criada para ajudar o Planeta a viver em paz. Resolveu o problema? NÃO. As guerras continuaram na Coreia, no Vietnã, nos Balcãs e recentemente na Russia/Ucrânia, Israel com seus vizinhos e outras mais. Para quem acredita na pluralidade das existências, este mundo é de expiações e provas, por isso estamos com essa situação. E estamos presenciando uma transformação para um mundo melhor, que ainda não será um mundo feliz, mas o bem estará acima do mal. É a evolução!! Para viver em paz é preciso ouvir o outro, ceder um pouco de cada lado e o diálogo é sempre a melhor arma. Nós como cidadãos não havemos muito o que fazer além de exercer nosso exemplo de bondade, gentileza, alegria, amor ao próximo e todos os bons sentimentos. E o convite para, como os esotéricos, enviar ao Universo nossa vibração de paz entoando o mantra "Que haja amor, compaixão e paz entre todos os seres do Universo" ### Gisela Solymos (leitor) Querido Prof. Gaj Achei muito interessante que você começou seu ensaio sobre a Paz e a Guerra falando sobre o comportamento dos seres humanos. Concordo que tudo parte daqui, de como, como pessoas, nos posicionamos diante dos desafios que a vida nos traz. E gostaria de sublinhar que, assim como somos capazes de odiar e guerrear, somos também capazes de amar e de fazer o bem. Estas duas forças, ou estas duas possibilidades, habitam dentro de cada um de nós. Assim como há inúmeras guerras acontecendo em todo o mundo, há também incontáveis iniciativas de bem, de pessoas trabalhando para construir um mundo melhor, pautado pelo respeito e pelo amor ao outro. Sou cofundadora de um movimento de inovadores sociais presente em 146 países e que já conta com mais de 5.500 membros e mais de 3.700 organizações que estão trabalhando por isso. Para quem tiver interesse em conhecer mais sobre esta iniciativa, aqui está o site https://catalyst2030.net/. Assim, parece-me que a questão a ser olhada seja: o que favorece que pessoas se dediquem a promover o bem e buscar o diálogo, ou a escolher o conflito como caminho para resolver as questões que as preocupam? Podemos olhar para aqueles que estão promovendo o Bem Comum e aprender com eles, mais ainda, juntarmo-nos a eles, para que esta seja uma voz que cresça, se fortaleça e seja a voz predominante em nosso mundo! Obrigada por compartilhar suas reflexões conosco, convidando-nos a refletir junto com você! Um grande abraço, Gisela --- # DEMOCRACIA Ensaios · 21 de outubro de 2024 · https://luis-gaj.vercel.app/democracia ## Ensaio de Nº 14 Confúcio teria dito: “Se eu fosse o condutor do mundo, a primeira coisa que faria seria fixar o sentido das palavras, porque ação segue a definição”. Perante um ambiente incerto sobre o entendimento do termo DEMOCRACIA, pensei em contribuir com algumas ideias. O termo democracia é usado por inúmeros países, mesmo que sejam regimes autoritários e nem sempre muito democráticos. Etimologicamente significa governo do povo, ou governo da maioria votante. Ele é exercido pelo voto, em eleições livres, e justas, para escolher os governantes. Alguns princípios da democracia são: respeito aos direitos humanos, igualdade perante a lei, liberdade de expressão e liberdade de imprensa, e ainda, direito à participação pública. Tudo no sentido de uma sociedade justa e igualitária. Na democracia existem três poderes: poder executivo, poder legislativo e poder judiciário, sendo importante o equilíbrio entre eles, para se evitar abusos. Os governos democráticos devem ser transparentes e responsáveis, prestando contas aos cidadãos. As decisões devem estar voltadas para atender o bem comum da população, no entanto acontece hoje que o poder judiciário. que sempre foi independente, e se limitou a julgar temas importantes, sem utilizar a monocracía, e ainda sem aparecer, hoje temos um judiciário politizado, que numa figura destacada e investida da Toga, se tornou showman, noticia permanente na mídia, e se julga, junto com sus colegas, defensor da democracia, combatendo “inimigos”, na realidade opositores, sem respeitar a diversidade de opiniões, notória numa verdadeira democracia, e sem respeitar a liberdade de expressão, no melhor estilo de uma ditadura, por cima dos outros poderes, e rivalizando com eles, quando teria muito trabalho combatendo a corrupção, julgando os corruptos, e a malversação de recursos do erário. Nada sobre o combate iniciado na Lava Jato, pelo atual senador Sergio Moro. Mas não vamos continuar falando somente sobre o Brasil, e tomo a liberdade de fazer alguns resumos sintéticos, da obra de Ariel Palácios, no seu livro América Latina. Lado B, com suas considerações bizarras. **Escolhi inicialmente o México** A história do México é ilustrada por governos longínquos. Entre 1933 e 1955 foi presidente Santa Anna, que se fazia chamar de “Alteza Sereníssima” e era egocêntrico. Também era conhecido por se chamar “Protetor da Nação”, e “Instrumento de Deus” Seu Governo foi de corrupção. Por derrotas, acabou perdendo o território de Texas para os Estados Unidos. Depois o México foi governado por Porfirio Dias, de 1876 a 1911. Este deu impulso nos negócios, mas com desvios de recursos públicos, ficou proprietário de grandes empresas, e usava o termo “molhem a minha mão” para solicitar propinas. Como acionista da própria ditadura, favoreceu empresas de mineração estrangeiras, nessa troca de propinas. No ano 1910 anunciou eleições livres, e perdeu para seu opositor Francisco Madero, e isto deu início a movimentos revolucionários, de 1911 a 1920. Vargas Llosa definiu o PRI Partido Revolucionário Institucional de Dias, como ditadura perfeita, pelo longo tempo no poder. Foi sucedido por Madero, e depois por Huerta, que foi seu antigo colaborador, e que o enviou para a cadeia, mas no caminho “tentou fugir” e foi morto. Huerta que estava sempre bêbado, quando derrocado fugiu para os Estados unidos, onde morreu de cirrose. Carranza assumiu a presidência, e em 1920 Obregon derrubou Carranza e o assassinou. O período da revolução foi de lutas internas pelo poder, e as denúncias de fraudes eram constantes. A corrupção esteve sempre presente e o novo lema era “ajude a te ajudar” Em 2018 o PRI não conseguiu deter o avanço de Andrés Manoel Lopez Obrador. Que era do Partido Morena, esquerdista, conservador e antifeminista. E foi comparado ao Presidente Trump, por serem ambos populistas e egocêntricos. Promoveu a militarização do país para melhorar a segurança interna com um plano até 2028. Lopes Obrador prometeu um governo de austeridade e para isso promoveu a venda do avião presidencial, que no fim foi vendido para o Tajiquistão, por 92 milhões de dólares, e que em 2012 tinha custado na gestão anterior, 219 milhões mais 529 milhões na decoração, num total de 748 milhões. Obrador se elegeu com o apoio dos evangélicos e contra a legalização do aborto, e contra o casamento entre pessoas do mesmo gênero e se dizendo esquerdista. **Democracia na Argentina** Ariel Palácios dedica amplo espaço para explicar o histórico deste País. Se caracterizou por corrupção em larga escala, propinas e desvios de dinheiro públicos e o comentário e que só crescia de noite, quando os políticos dormiam, e não conseguiam roubar. O personalismo foi acentuado na figura de Juan Domingo Peron e também em Evita, a sua esposa. Ela teve importante papel, mesmo sem ocupar cargo no governo, mas usava a maquina do estado para sua fundação. O símbolo do peronismo era EL DESCAMISADO e o uso dos nomes de Evita e Peron passou ser usado em inúmeras ocasiões, no culto a personalidade. Outro nome usado para Evita era MÃE DOS POBRES. Em 1955 Peron foi derrubado pelos militares e o corpo de Evita após sua morte, foi enviado para longe para evitar a adoração dos seguidores. O General Peron, que tinha dado vários golpes, com 78 anos e segundo informe médico, teve parada cardíaca, e seu conselheiro médium e astrólogo tentou o ressuscitar sem sucesso. Foi astrólogo dele e se sua segunda esposa Isabelita, e na volta de seu exilio criou uma organização de caráter nazista, chamada TRIPLE A. A viúva de Peron que tinha sido dançarina num cabaré no Panamá, assumiu a Presidência e Lopes Rego que era o mordomo de Peron e astrólogo, foi eminencia parda durante o seu governo. Um golpe militar derrubou Isabelita em 1976 e o mordomo fugiu poco antes. O General Videla conduziu a mais sangrenta ditadura da América do Sul, sequestrando, torturando e assassinando algo em torno de 30 mil pessoas, muitos jovens, todos civis, que eram retirados de suas casas e seus bebes, filhos das desaparecidas roubados. Vários militares lideres participaram da ditadura. Em 1982 movimento contra a ditadura e a invasão das Ilhas Malvinas, achando que a Inglaterra não iria reagir, se enganaram, e a dama de ferro, em poucos dias abortou esse movimento, e mandou os soldados argentino sobreviventes, para casa. Foi o estopim, e o General Bignone conduziu a abertura política e as eleições presidenciais em 1988. Entre 1989 e 1999 Carlos Menem foi presidente. Ele tentou seduzir a Madona sem sucesso em 1996. Era vaidoso e mulherengo, e durante seu governo a pobreza triplicou, Menem e o Casal Kirchner seriam considerados os presidentes mais corruptos. Evasão de dinheiro, crise financeira, alta inflação. Kirchner era um caudilho na Patagônia, e como presidente foi de escândalos de corrupção. A esposa o sucedeu na presidência, tão somente com excepção do período em que a União Cívica Radical foi eleita com Alfonsín com enorme inflação, e que teve que renunciar antes de terminar o mandato. Em 2014 Kirchner foi declarado morto por parada cardíaca. Em 2007 foi eleita Cristina, pessoa vaidosa e autoritária e em 2011 assumiu seu segundo mandato. Era caracterizada por seus longos discursos, e por sempre comparecer atrasada nos seus compromissos internacionais. Em 2015 Mauricio Macri foi eleito presidente, apoiado por coalisão de centro-direita. O pai dele, que era empresário de sucesso considerava o filho péssimo administrador. Nas crises de seu governo, ele viajava para fora do País. Em 2019 Cristina se candidatou como vice-presidente, e apoiou Fernandes para ser o presidente. Fernandes é aquele presidente acusado de maus tratos a sua esposa. Em 2023 festejaram os 20 anos da posse do presidente Nestor Kirchner, e nesse mesmo ano foram feitas eleições parlamentares e para presidente, e saiu vencedor Milei, EL LOCO. Era uma época de altíssima inflação e perda do valor da moeda local, e sua campanha era de mudança e extrema direita. Os argentinos votaram nele, cansados pela incompetência dos inúmeros governos peronistas e chamados de esquerda e sociais, e pelos casos de corrupção, num momento de empobrecimento da população. O novo presidente é amigo de seu cão falecido, e alega dele receber conselhos, se intitula como tendo uma missão de Deus, e mandou clonar quatro cães, que mantem com ele. Na sua campanha atacava a China, como país comunista, e também ao presidente Lula como ladrão. No entanto, logo que foi designado, teve um amistoso contato com Xi Liping, e mandou emissário ao Brasil para convidar Lula para a sua posse. **Democracia na Venezuela.** Perez Gimenes governou de 1952 até 1958 como ditador de direita. Enriqueceu com o desvio de dinheiro público. Torturava opositores. Fugiu do país com a família devido a um golpe militar e foi para a República Dominicana, onde o ditador Trujillo era seu amigo, com o avião carregado de malas com dinheiro e joias, e se exilou depois em Madrid. Na XVII Cúpula Ibero Americana em Santiago do Chile Juan Carlos I, Rei da Espanha e sua famosa expressão dirigida a Hugo Chaves “PORQUE NO TE CALLAS” em 2007 Chaves, fundador do Socialismo do Século XXI e do chavismo foi eleito pela vontade popular em 1994 com longos discursos. Simon Bolívar era o seu herói, e argumentava que a oligarquia havia assassinado a Bolívar. Recorria a médium para aconselha-lo, e em 2011 foi para Cuba para tratar de um abcesso que mais tarde foi reconhecido como câncer. Ele dizia que “o império “estava por trás do câncer que tinha atacado a esquerda sul americana com Fernando Logo do Paraguai, Cristina Kirchner da Argentina e inclusive Luis Inácio da Silva. Outros colegas eram José Mujíca do Uruguai e Evo Morales da Bolívia, Daniel Ortega da Nicarágua e Raul Castro de Cuba. O seu herdeiro político foi Nicolas Maduro. Chaves ficou 14 anos no governo e denunciou 63 tentativas de assassinato. Morreu em 2013. Sobre a gestão “democrática” de Maduro, a imprensa tem amplamente noticiado, e sua repressão aos opositores tem contado com a inercia do resto do mundo, provocando enorme êxodo da população, em busca de refúgio nos países vizinhos. Apesar da posição definida como inconclusa do Brasil, a maioria dos países da América Latina, está condenando o presidente Maduro, por implantar um regime que se autodenomina de esquerda, mas que na realidade é de extrema direita, apoiado por militares, que são os que governam, dando sustentação à ditadura feroz de Maduro. País rico pela presença de reservas importantes de petróleo, Venezuela conserva uma população pobre e sem perspectivas de futuro. Como a situação da Venezuela e super conhecida por todos só resta dizer que de democracia não tem nada, e que usurpou o resultado das eleições. Estes três casos, apresentados de forma pitoresca e até sarcástica, ilustram o que tem se sucedido em toda a América Latina em termos de governos. Infelizmente com exceção do Uruguai e também da Costa Rica, todos os países da América Latina tiveram governos auto denominados de direita ou de esquerda, predominantemente corruptos, e com políticos infradiafragmáticos, e mesquinhos, e acenando para a população com medidas paliativas, mantendo baixo nível de escolaridade, com analfabetismo, e com desnutrição e pobres, mesmo que com natureza prodigiosa e recursos naturais, e sem investimentos em infraestrutura, defasados em 50 anos, Em alguns casos, e especialmente na Argentina, a falta de confiança, a elevada inflação, e o descrédito, tem levado à procura por divisas de moeda forte, e a evasão de dinheiro, na busca de proteção patrimonial, deixando de investir no próprio país. Resta destacar que o Brasil não é o único País a sofrer o problema da corrupção, da insegurança e da presença de uma elite de políticos predominantemente interesseiros, e pouco preocupados com seus eleitores, e com as suas promessas. Os países da região têm se caracterizado por períodos de ditadura e períodos de relativa democracia e estabilidade, mas gestões muitas vezes desastrosas, mantendo populações pobres, e sem perspectivas de futuro. **Considerações finais** Seguem algumas preocupações com relação ao tema da democracia: Destaca-se o fato de os direitos humanos estarem sempre em perigo, da corrupção estar muito presente, sendo um cancro democrático, com políticos com intenções mesquinhas. As redes sociais atuando para fortalecer ou minar a democracia, os protestos virais, e o papel dos influenciadores junto com o papel da imprensa, e a importância da educação para a construção de um processo democrático sólido. Preocupa alternativamente, o elogio a ditaduras, e o apoio a regimes não democráticos, preocupa quanto a percepção da posição futura do Brasil, no contexto, e ao perigo das vontades de se perpetuar no poder. O alinhamento com o Iran, País ditatorial, atualmente dominado pelos Aiatolás e reacionário, apoiado por um Brasil momentaneamente que se considera de esquerda, não tem explicação, a não ser, estar contra o mundo ocidental. A identificação do Brasil com regimes como a China, o Iran, a Rússia e a Venezuela colocam o Itamarati como vassalo da linha dura do PT, e afastado da democracia. Tema relevante e desafiador, democracia e repleta de nuances, paradoxos e esperanças. O fenómeno das plataformas sociais, redes, e as novas tecnologias, constituem novos desafios. A comunicação utilizada pelos influenciadores digitais, e também a forma como promovem pautas políticas e sociais, leva a uma nova face da cidadania, e do papel de cada um, e do coletivo, na defesa de uma sociedade justa, e verdadeiramente democrática. A luta por uma sociedade democrática, começa com cada um de nós, convidando cada um a se engajar na construção de uma sociedade mais justa, diversa, e com menor desigualdade, como agente de mudança no seu grupo de referência. Como dizia José Mindlin “O Brasil não é um país sério, mas funciona” e a pergunta é Até Quando??? Na política externa um fracasso, e na política interna radicalizando para os extremos antidemocráticos, que ninguém deseja. **Luis Gaj** ## Contribuições de leitores sobre "DEMOCRACIA" ### Irene Nani (leitor) Querido Luiz, acabei de ler o texto que você escreveu e com certeza vou ler algumas vezes mais! Há muito para aprender e entender! Muito interessante e lotado de informações que no dia a dia passam desapercebidas! Parabéns, por conseguir colocar todas essas verdades em palavras! Gostaria muito de poder vê-los outra vez aí na Granja, mas confesso que não tenho tido coragem de enfrentar a estrada que hoje em dia me parece extremamente longa! Bjss para vocês e um grande abraço! Diga que sinto saudade da Eva mas não tenho tido coragem de ir até aí! ❤ Contribuição de J.F. Saporito: Acessem o link abaixo para assistirem o vídeo enviado pelo J F Saporito relacionado com o tema: https://youtu.be/Belu4xlt7d8?si=vn82AlNpkv9wBprm ### Lejbus Czersnia (leitor) Oi Luiz: parabéns pelo belo trabalho! Para complementar, eu gostaria de comentar com respeito ao errôneo comportamento do governo brasileiro com relação ao boicote da compra do equipamento bélico de Israel, que venceu legitimamente uma licitação. --- # POLÍTICA Ensaios · 3 de setembro de 2024 · https://luis-gaj.vercel.app/politica ## Ensaio de Nº13 **OS PARTIDOS** Vamos iniciar falando sobre os partidos políticos que existem no Brasil, onde alguns se denominam de esquerda, e outros de direita, e ainda tem os que se consideram mais ou menos centristas. Na realidade não vou entrar no mérito das ideias que cada um defende, porque a inconsistência é gritante. Os de esquerda, apoiam ditaduras e regimes militares de direita e os que se intitulam de direita, se identificam com países cujos regimes são controversos e duvidosos e militarizados. Difícil entender a que veio cada um dos partidos existentes, todos registrados no STE Superior Tribunal Eleitoral. São eles: MDB-PDT-PT-PCDB-PSB-PSDB-AGIR-MOBILIZA-CIDADANIA-PV-AVANTE-PP-PSTU=PCB-PRTB-DC-PCO-PODE-REPUBLICANOS-PSOL-PL-PSD-SOLIDARIEDADE-NOVO-REDE-PMB-UP-UNIÃO-PRD- num total de 29 partidos, a sua maioria fisiologistas, e sem definição clara de posições políticas. Enquanto isso nos Estados Unidos dois partidos principais: Democratas e Republicanos, e 6 partidos menores. Enquanto isso, na Alemanha dois partidos principais CDU e SPD e mais 3 partidos menores, e na nossa vizinha Argentina 6 partidos políticos. Como justificar esta proliferação de partidos, e suas consequências para os governos de plantão conseguir maiorias para aprovar, no congresso, as suas propostas econômicas, políticas e sociais.? Talvez uma explicação esteja no Fundo Partidário, cujo montante para este ano de 4,9 bilhões de Reais, e uma fonte poderosa de atração, e também de existência de desvios pelos menos inescrupulosos. Outra grande atração é o poder de barganha. que exercem em termo de recursos, e do poder que emana ao se tornar um partido político, e possuir representantes no Congresso. **OS MINISTÈRIOS** Brasil possui hoje 39 ministérios, sendo 31 ministérios, 4 secretarias com mesmo nível e 4 órgãos com mesmo nível. Enquanto isso, nos EUA 15 departamentos, e na Alemanha 15 ministérios. Na vizinha Argentina eram 18 ministérios na gestão peronista, e agora isso foi reduzido para 9 ministérios. Também pergunto como justificar o tamanho exagerado destas instituições.? Fácil de entender que tendo tantos partidos políticos para controlar, o executivo precisa oferecer, em troca, cargos públicos de prestigio para os líderes dos partidos, ou para os que eles indicarem. Neste sistema de troca de favores, a população brasileira tem o ônus, de sustentar uma máquina enorme de burocratas que vivem da política. **SALARIOS** Os deputados e senadores possuem um salário fixo de 44 mil Reais mais auxilio moradia, ou uso dos apartamentos funcionais, atendimento médico e odontológico, e cada parlamentar tem direito ao uso do serviço gráfico da câmara, e tem verba de gabinete para contratar funcionários em número de 5 até 25 cada deputado, Isto na câmara que possui 513 deputados. Por sua parte os senadores, em número de 81 membros do senado, podem contratar até 50 funcionários cada senador. Dados ainda antigos mencionam que o número de funcionários públicos seria de 123 mil no Governo Federal, 121 mil na administração pública Federal, e 620 mil trabalhadores com carteira assinada totalizando Brasília com quase um milhão de pessoas sendo paga pelo dinheiro público. No Brasil, também dados defasados, mencionam a existência de 11 milhões de funcionários públicos, número este que não inclui contratados e cargos de confiança esporádicos, e que mudam em cada governo. Fácil perceber o que tenho mencionado reiteradamente. O grande erro do passado, foi a criação da cidade de Brasília, que permitiu a expansão desenfreada do empreguismo público, e da gastança, fomentando o corporativismo das instituições que lá funcionam. **EMPRESAS ESTATAIS** São empresas públicas com 100% do capital do estado ou de economia mista. Das que seguem, algumas dependem do Tesouro Nacional. BNB- Banco do Nordeste do Brasil BNDES- Banco de Desenvolvimento Econômico e Social, BNDSPAR CAIXA- Caixa Econômica Federal CMB Casa da Moeda do Brasil TELEBRAS ELETROBRAS EB Serviços Hospitalares EPE-Empresa Brasileira de Pesquisa Energética ETRENS Empresa de Trens urbanos de Porto Alegre HCPA- Hospital Clinicas Porto Alegre AMAZONIA AZUL- Tecnologia de Defesa S.A; CEITEC- Centro Nacional de Tecnologia Elétrica CBTU- Companhia Brasileira de Trens Urbanos CODEVAL- Companhia Desenvolvimento do Vale São Francisco e do Parnaíba. CPRM- Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais CONAB- Companhia Nacional de Abastecimento EBC- Empresa Brasil de Comunicação EMBRAPA- Empresa Brasileira de Pe4squisas Agropecuárias. GHC- Hospital Nossa Senhora da Conceição IMBEL- Industria de Material Bélico NUCLEP – Nuclebrás equipamentos pesados ITAIPÙ BINACIONAL BANCO DO BRASIL e Subsidiárias FINAME ECT CORREIOS PETROBRAS e subsidiárias Todas as empresas que dependem do governo, ou possuem vinculo de dependência, ou interferência, com nomeação de pessoas do setor político para obter apoio ou para angariar votos, podem ser eficientes, ou também podem gerar prejuízos, o que acontece frequentemente sem que entrem em recuperação judicial, ou sejam fechadas por isso. Ao todo temos 135 empresas Estatais Federais e no Brasil são mais de 400 empresas incluindo as que estão dependendo dos estados. Somente as empresas federais apresentaram em 2023 5,6 bilhões de perdas. Portanto, existe um amplo espaço para modernização, tornar empresas deficitárias competentes, e autossustentadas e também para privatizações. Quantas poderiam ser bem geridas na iniciativa privada? deixando de ser manobra política, para prestar serviços de qualidade e eficiência para a população. E a máquina do estado não termina por aqui, tem muito mais nos governos estaduais, onde também predomina a politica seguindo a referência do governo central, e nas prefeituras, onde a corrupção, e troca de favores, também está presente em inúmeros casos. **ESTADO GRANDE ou ESTADO EFICIENTE** Todos os governos que tem se sucedido, sendo chamados de direita ou de esquerda, tem conseguido muito pouco para melhorar este estado de coisas. Seguramente políticos mais cuidadosos, tem evitado aumentar esta máquina, políticos conservadores, tem tentado reduzir o tamanho do Estado, mas com pouco sucesso, e políticos de esquerda tem conseguido aumentar o tamanho e a ineficiência desta máquina. Como constatamos na vida prática, os melhores elementos das famílias são conservados na iniciativa privada e nos negócios familiares, mais os piores elementos, que não conseguem se adaptar nos negócios, e que são inescrupulosos, são muitas vezes encaminhados para vida política. Quando os políticos tem oportunidade de se manifestar publicamente, temos oportunidade constatar, que muitos possuem baixo nível de formação, e educação precária, para o exercício de suas funções. Esse talvez seja o principal tema que precisa ser desenvolvido, e o tema da EDUCAÇAO para a formação de futuras gerações educadas, esclarecidas, e com valores éticos e morais, para suas vidas, tanto na gestão pública, como nas suas atividades civis. Tanto para uma classe política, quanto para uma população esclarecida, que escolhe cuidadosamente os políticos. Frente a esta questão, do tamanho do estado, que postura adotar? Podemos concordar, que oferecer trabalho no estado, se trata de uma boa ação, reduzindo o desemprego, por outro lado, podemos dizer que a iniciativa privada estaria melhora preparada e estimulada para executar as mesmas tarefas, com custo menor para a sociedade. Acredito que nesta dicotomia, o correto seria dizer nada contra a empresa se estatal, desde que bem administrada, sem interferência política, porque precisam ser tecnicamente eficientes. e prestando bons serviços para a população. O problema nesta afirmação, é que como estamos vendo na Petrobras, e no Banco Central, a interferência não tem preocupação técnica, interfere nas pessoas capacitadas, para executar e orientar para fins populistas e eleitorais, conflitando com eficiência, e bom desempenho. Neste caso, e no momento, seria correto optar por estado mínimo e eficiente. No entanto, se a ideia e boa, a máquina do estado. tem uma inércia própria, e será muito complicado e difícil, fazer uma reforma administrativa para valer, pois como vimos no passado, as tentativas de reduzir, foram sempre mal sucedidas. Resta apontar os desatinos que são cometidos, criticar o tamanho, para evitar novos acréscimos, e questionar os gastos que nos estão levando a uma volta ao sinistro caminho da inflação, e da piora da condição de vida, que termina afetando mais fortemente, os mais pobres LULA 1 e 2 acredito fez uma gestão melhor, hoje temos uma pessoa rancorosa e vingativa, e especialmente mal assessorada. As vezes e preciso trocar de médico quando o atual não está nos atendendo satisfatoriamente, e da mesma forma quando estamos dando ouvidos às pessoas erradas, mesmo que de nossa confiança, precisamos mudar de orientações. Acredito que os conselhos para a política externa, os conselhos para lidar com a economia, e com o mercado, e ainda os conselhos para atuar como estadista, deveriam trocar, os que os assessora, por pessoas mais competentes, e deixar de lado, o populismo desgastado e ineficaz. Combater a autonomia do Banco Central, e criticar o mercado, não são fatores que por si só, contribuem para tumultuar, o principal fator que tumultua o mercado na atualidade, é a falta de confiança na política, na economia, na politica externa, e no equilíbrio fiscal. Todos estes fatores estão levando o país a um crescimento da inflação, por enquanto com certo controle, mas acredito que na substituição do atual presidente do BC a inflação tendera a aumentar, e crescer para dois dígitos com perdas em primeiro lugar para os mais pobres, que sentirão seus proventos serem carcomidos pelo processo inflacionário. A toda esta informação, devemos acrescentar que existem 23 milhões de aposentados e que o rombo da Previdência deve atingir em 2024 2,5% do PIB ou 326 bilhões de Reais. Por tudo o que foi relatado, falar mal do mercado, que é um dos principais contribuintes, para cobrir os gastos do território, e que somado aos impostos que toda a população paga mensalmente, tanto com impostos diretos, como com tudo que consome, não parece uma boa ideia. Nossa humilde proposta é da necessidade de maior controle dos gastos operacionais, e especialmente com o funcionalismo, e suas aposentadorias, para urgentemente criar espaço orçamentário, para maior participação de investimentos em infraestrutura, um dos aspectos em que estamos mais atrasados. Assim deduzo, que é um importante pilar do futuro, a formação dos jovens futuros cidadãos votantes, e simultaneamente aumentar a fatia de recursos para investimentos verdadeiros. Distribuir benefícios nunca será investimento, claro que do ponto de vista de uma política medíocre é investimento para ganhar eleições., mas não investimento no sentido real da palavra, e que deveria ser em infraestrutura, e saneamento básico. Existem hoje no Brasil 20.8 milhões de assistidos pelo bolsa família, contribuindo para redução da pobreza, mas a melhor assistência seria oferecer emprego dignos, e bem remunerados, estimulando a iniciativa para tanto. Por último sugeriria uma reforma política, começando por mudanças no TSE que promoveria a fusão de partidos, até atingir um número normal. Isto permitiria a reforma administrativa, reduzindo o número de ministérios para um número semelhante aos países citados, em torno de 15 ministérios. Importante reconhecer a evolução que o Brasil teve, em vários aspectos. Para começar, hoje existe na população, uma consciência crescente do problema ecológico, e da necessidade combater a devastação Amazônica, e os incêndios no pantanal. Outro aspecto, em que evoluímos é na globalização da informação, e na incorporação de novas, e modernas tecnologias na vida diária. Outro aspecto se refere ao sistema de saúde, e ao aumento da longevidade dos brasileiros. Resumindo, comparando o Brasil com outras nações, temos excesso de partidos, excesso de ministérios, e como consequência, excesso de gastos. As ineficiências do estado nas empresas, é um desperdício de recursos, a educação é fundamental para o futuro, e posso sugerir que os dois grandes problemas do País, são a corrupção e a política. Reduzindo o tamanho operacional do Estado, e investindo em infraestrutura, melhoraremos a qualidade de vida. Reduzindo a corrupção, reduzindo o tamanho do Estado, e transformando a política, e ainda priorizando a educação, estaremos construindo um país muito melhor, com redução das desigualdades sociais, e com visão de futuro, que hoje falta nos dirigentes. Novamente pergunto aos leitores qual a sua opinião? Que caminho trilhar para o Brasil deixar de ser retratado como país de corrupção em todos os níveis, e com uma infraestrutura arcaica defasada de 50 anos. **Luis Gaj** ## Contribuições de leitores sobre "POLÍTICA" ### Cristina Valavicius (leitor) Muito triste, vivemos num país onde a incompetência prospera em direção a um futuro cada vez mais catastrófico. ### Vitor Morgenstein (leitor) Olá Luis! Excelente texto. Parabéns! Ele pode ser compartilhado? Grande abraço, Vitor ### J F Saporito (leitor) As comparações do tamanho desproporcional do Estado Brasileiro com outros países como descritas no texto original do ensaio número 13, são inevitáveis e nos fazem perguntar “porque, com que objetivo, a serviço de quem”. Tudo leva a crer que no cenário da vida nacional existem muitos caciques ávidos de poder que precisam ser distinguidos e acomodados em seus territórios de origem por quem está no comando geral do país, a fim de garantir que certos grupos de privilegiados ligados ao poder no topo da pirâmide não tenham conflitos de interesses com esses caciques regionais. Assim, cada um dos inúmeros líderes/caciques em particular, pode levar o seu pedaço do bolo para casa, distribuindo uma pequena parte aos seus liderados dependentes, garantindo para si no presente e para os descendentes do clã familiar no futuro, a manutenção e controle do território que ele acredita pertencer-lhe. Os exemplos são muitos, mas os casos de famílias tradicionais no Para Maranhão, Alagoas e Amazonas entre outras, em vários estados de norte ao sul, ilustram a situação. São frequentes os casos em que um sobrenome elege um grupo familiar que pode até incluir por várias legislaturas um presidente, senador, deputado, e até mesmo vereador, além de nomear ministros. Simples assim. Sim é uma metáfora, mas na essência é “um moto contínuo” de como as coisas funcionam por aqui. O modelo é tão forte e enraizado que não temos nenhuma perspectiva de mudanças no curto e médio prazo. A expansão do número de partidos políticos reflete a ocupação de espaços que abrigam inúmeros caciques regionais que controlam e lideram determinadas áreas da sociedade brasileira. Na verdade, são eles que controlam os que estão no poder central e não ao contrário. Falando sobre as comparações feitas pelo Luis Gaj sobre a estrutura do nosso sistema partidário com o de outros países, especialmente em relação ao bipartidarismo americano e alemão, coadjuvados por poucos e quase insignificantes pequenos partidos de menor expressão, vale lembrar que bem recentemente convivemos no Brasil com um sistema político bipartidário que mesmo tendo sido criado para disfarçar uma situação real de ditadura, poderia ter sido mais bem aproveitado pelo Legislativo. A utilização do AI-5 para estabelecer o bipartidarismo não era o desejável pela forma autoritária como foi introduzido, mas sem outra opção, os nossos políticos tiveram que conviver, vivenciar e fazer política com apenas dois partidos, no caso, ARENA e PMDB. Sem dúvida, foi uma medida coercitiva imposta pelos militares, mas poderia ter sido uma oportunidade para moldar o futuro da política brasileira, desde que os deputados e senadores tivessem utilizado o modelo imposto em um laboratório de como praticar política em alto nível, sem dividir em pequenos nichos para governar. Revisando o histórico do passado com o presente 1- Em outubro de 1965, o Presidente Castelo Branco através do AI-5 estabeleceu o bipartidarismo, extinguindo os partidos existentes, substituídos por duas únicas formações partidárias, ARENA e MDB; 2- O sistema bipartidário foi estabelecido apenas com o intuito de atender pressões externas da comunidade internacional e para tirar a rotulagem de que estávamos vivendo uma ditadura; 3- Em outubro de 1965 tínhamos 13 partidos políticos e 410 deputados federal, sendo UDN com 95 – PSD com 121 – PTB com 115, totalizavam 332 deputados, que representavam 81% em apenas três partidos; 4- Após o AI-5, a ARENA que apoiava os interesses do governo ficou com 257 deputados e o MDB na oposição com 150 deputados. Essa diferença de 105 deputados a favor da Arena foi obtida pela adesão maciça de 86 dos 95 deputados da UDN. 5- O sistema bipartidário imposto pelo bem ou pelo mal, funcionou durante 20 anos, ou seja, entre 1965 e 1985 mas não deixou contribuições significativas no desenvolvimento de novas lideranças e não fixou de forma clara quais eram as filosofas teóricas do pensamento político-social de cada partido. Deixamos escapar naquela ocasião o momento de aperfeiçoar o sistema bipartidário que foi imposto pelos militares à revelia. Se tivéssemos feito a lição de casa poderíamos ter hoje um sistema político de melhor qualidade, democrático e duradouro. Não soubemos projetar o futuro da estrutura política do Brasil, constituído com dois ou três grandes partidos e outros 2 ou 3 partidos de menor porte funcionando como o fel da balança. Não foi assim e talvez nunca será porque os nossos políticos têm necessidade de praticar a saga do comando e da influência pessoal. Um número significativo das pessoas que pratica política no Brasil não aceita ser parte da engrenagem. Eles querem ser a engrenagem. Hoje temos 29 partidos políticos devidamente registrados com 513 deputados federal e 81 senadores. Com relação ao comparativo com os números de 1964, antes da implantação do bipartidarismo, temos um acrescimento de 13 para 29 partidos, de 410 para 513 deputados federal e de 66 para 81 senadores. Em 1964 tínhamos 22 Estados e hoje temos 27. Absurdo mais real, confirmando a tese de que está em nosso DNA criarmos situações confortáveis mesmo que inexplicáveis, para que os caciques assumam importantes posições representativas. O custo do Estado brasileiro está diretamente relacionado entre outras coisas com o contínuo aumento da estrutura administrativa, sem que haja uma contrapartida de retorno que justifique as decisões. O orçamento está de tal maneira comprometido com as despesas fixas que sobra muito pouco para fazer investimentos nas áreas prioritárias de saúde, educação e segurança pública. A realidade política de hoje no Brasil é “menos discussão de propostas de interesse da população e do país” e “mais uso da mídia digital para ataques pessoal daquele que pensam diferente”. O imbróglio conta com a participação geral e rotineira do executivo, legislativo e judiciário que ao invés de representarem a separação dos poderes de forma independente, estão na prática usando e abusando de intromissão uns nas áreas dos outros, gerando insegurança jurídica e política. São visíveis os sinais de parceria entre o Judiciário e o Executivo quando se trata de determinados assuntos de interesse do governo atual. Nestes casos, o Legislativo reage criando uma constante bola de neve em torno de controvérsias dos mais variados temas de ordem econômica, tributária, social, emendas parlamentares e fundo partidário entre outros. Os ministros do STF atuam e agem como verdadeiros pop stars, ao invés da descrição silenciosa e monocrática que o cargo exige de cada um deles. Enfim, não tenho nenhuma razão ou expectativa para considerar que temos a possibilidade de um futuro melhor quando se trata de analisar os rumos do Brasil no campo da política. J.F.SAPORITO ### Miriam Menossi (leitor) Obrigado Luís por estar aqui com vocês Bjs para a Eva Saudades!! ### Irene Nanni (leitor) Estou enviando outro artigo do meu amigo Júlio Vasques de Piracicaba! Um grande abraço para você e para a Eva! Bjs! DEMOCRACIA REPRESENTATIVA É O QUE NOS SOBROU! COMO DEVERIA SER: Democracia Semidireta ou Participativa é o nome do regime de governo que deveria estar em vigência no Brasil, de acordo nossa Constituição; mas que não está, como provam os dados. Tal regime resulta da fusão da Democracia Direta, originada no século VI a.c. em Atenas, regime no qual quem deve governar é o povo, e a Democracia Representativa, mais vinculada ao conceito de República, criado em Roma na mesma época, em que o povo outorga mandatos por meio de voto a representantes para, segundo o formato proposto pela Constituição de 1988, auxiliá-lo a governar; repetindo: “para auxiliá-lo a governar”. É dessa forma que os mandatários deveriam servir ao povo como seus instrumentos de ação política; como se fossem advogados de seus outorgantes. Os artigos 1º e 14º da nossa Constituição não deixam a menor dúvida de que é assim que deveria ser. POR QUE NÃO É: Como por inépcia o povo brasileiro abdica a prerrogativa constitucional de se autogovernar, o que nos sobrou foi a Democracia Representativa à moda antiga com todos os seus vícios e falta de legitimidade, que fizeram com que fosse sendo substituída pela Democracia Semidireta em vários países, inclusive no nosso; mas só oficialmente, a rigor, ainda não. Ao abrir mão do poder de se autogovernar o povo troca de posição com seus mandatários: perde sua autonomia e deixa de ser político e governante para ser governado por seus representantes, que deixam de ser instrumentos de ação política do povo e passam a ser intitulados governantes (inclusive por eles mesmos) e a ser tratados como “os políticos” (inclusive por eles mesmos). Para aqueles que não entendem o quanto tal comportamento abjeto afeta a dignidade e a autoestima do povo brasileiro, pode ser que tal situação aviltante fique mais clara e impactante quando se diga que é dessa forma que o povo prefere, ao invés de exercer o poder, se comportar como se fosse um bando de cordeiros sendo conduzido por seus pastores, ao mesmo tempo entendendo, paradoxalmente, que está praticando a democracia quando apenas os elege e a seguir no máximo o que faz como ação democrática (?) é deles apenas reclamar. ONSEQUÊNCIAS: Em tal relação invertida de poderes, resultante dessa forma leniente dos brasileiros de lidar com essa questão extremamente relevante, abrem-se as portas da política para a infiltração de cínicos, corruptos, mal-intencionados e de consequências indesejáveis contrárias aos seus próprios interesses. Que tipo de democracia representativa pode existir em um sistema político-partidário (1) Que se destaca pela mixórdia ideológica (se é que existe aí alguma coisa parecida com ideologia) promovida pela fórmula “cancerígena” de proliferação de nossas células partidárias? Dentre os vários enigmas que turvam a democracia representativa brasileira, na qual vagueiam como imitações baratas de partidos a maioria das atuais agremiações partidárias, está o ambíguo conceito de “representatividade” vigente no contexto político do país. Temos atualmente um número exagerado de 27 agremiações partidárias que pouca ou nenhuma diferença entre si apresentam aos olhos do eleitor, e em geral são identificadas pelas figuras de seus “donos” e daqueles membros que gozam de maior evidência. Representadas por siglas de significado dúbio, e pouco conhecidas do grande público, buscam conquistar seus filiados, que em geral são poucos e nem sempre movidos por ideais virtuosos, com a única finalidade de cumprir mera formalidade exigida no processo legal de homologação dos mesmos. Não bastando ser um mal em si, essa orgia político-partidária ainda “presenteia” o eleitorado brasileiro, com surreal “contribuição à democracia”, em que os partidos se apresentam com as mesmas propostas programáticas (mais escolas, mais empregos, etc. etc. etc.), organizados em estranhas coalizões e federações sem, contudo, enunciarem claramente a forma específica escolhida por cada um deles de como pretendem desenvolver tais propostas de acordo com a ideologia (?) sugerida pelas correspondentes siglas. O fato de serem sustentados pela sociedade e a inexistência de critérios regulatórios coerentes para a validação de nossos partidos, provavelmente explique por que essas instituições nem sempre são criadas por razões nobres. Ao declarar ter como objetivo assegurar a autenticidade do Sistema Representativo, sem nem mencionar o Sistema Semidireto, a Lei nº 9.096 (19/09/95), que dispõe sobre os partidos políticos, serve para corroborar a autenticidade das informações acima vistas. Há esperança? A Câmara de Deputados analisa o Projeto de Lei 7585/10, do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), que estabelece regras de fidelidade ao programa de cada partido político. A proposta, que altera a Lei Orgânica dos Partidos Políticos (Lei 9096/95), obriga o partido a colocar em seu programa princípios éticos e de identidade política, objetivos políticos e meios de concretizá-los, além de posições sobre grandes temas em debate. Aguardemos!(?) (2) Que adota esse monstrengo institucional que são as eleições proporcionais, que da forma como vem sendo praticadas podem promover a “governantes” nomes não escolhidos pelo povo? É razoável que se considere que eleições proporcionais não se ajustam ao conceito de sufrágio universal em que o valor do voto é igual para todos, uma vez que aceitar essa fórmula é permitir que um candidato X seja eleito com menos votos do que o candidato Y, como é comum ocorrer em nossas eleições, o que significa atribuir aos votos de seus eleitores maior valor do que os dos eleitores do candidato Y. É dessa forma que apenas 1 em cada 18 deputados federais eleitos em 2022 conseguiu se eleger ou renovar o mandato somente com os próprios votos. De acordo com levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), 28 deputados ultrapassaram o quociente eleitoral, ou seja, não dependeram dos votos totais obtidos por seu partido ou por sua federação. O argumento de que eleições proporcionais oferecem ao eleitor a possibilidade de votar prioritariamente em um partido ou federação pode ser facilmente questionado diante do fato de termos um número absurdamente elevado de partidos pouco alicerçados e diferenciados em termos de ideologia política. Há esperança? Esse é um tema dos mais polêmicos da política brasileira sobre o qual, ao que parece, ainda não se chegou ao consenso, mas existem propostas de reformas em cogitação no Congresso Nacional. 3) que promove o personalismo dos mandatários a ponto de lhes permitir que assim que eleitos ignorem seus vínculos com seus eleitores, juntamente com suas falsas promessas eleitoreiras, e considerem normal o absurdo de não precisarem declarar seus votos ao participarem de decisões parlamentares. Tentar explicar a evidente incompatibilidade entre a democracia representativa e o voto secreto dos mandatários não exigiria o mínimo de retórica e seria subestimar a capacidade da mais obtusa das mentes. Há esperança? A extinção dessa aberração que é o voto secreto já se consolidou em alguns estados e tramita no Congresso Nacional, onde por incrível que pareça ainda restam dúvidas sobre o assunto. É por todas essas razões que a maioria dos políticos e os partidos não são vistos como canais confiáveis de encaminhamento de reivindicações pelo cidadão comum; sentimento esse demonstrado ostensivamente pelos brasileiros ao classificarem tais entidades, nas pesquisas de opinião, como as menos confiáveis das nossas instituições públicas. Em tais circunstâncias ficam seriamente prejudicadas a possibilidade de genuína e substancial adesão do povo às mesmas e, consequentemente, a compreensão da relevância dos partidos na institucionalização definitiva da democracia participativa. A lamentável falta de participação efetiva de nosso povo na política é responsável por todos os males que nos causam nosso falso democratismo representativo, resultando da soma de tais males, dentre tantas outras, a mais perniciosa das consequências: a corrosão dos ideais democráticos a ponto de furtivamente subvertê-los, anulando a própria democracia. Há esperança? A Câmara dos Deputados aprovou em 09/08/2023 o Projeto de Lei 1108/15, que inclui a Educação Política e Direitos da Cidadania no currículo escolar. Aguardemos!(?) Júlio Vasques Filho, Professor-doutor aposentado da ESALQ (USP). ### Elides Ribeiro Loebmann (leitor) Obrigada Luis por essa lição de história. PAZ é o que mais almejamos, principalmente para nossos filhos poderem ter uma vida tranquila e uma perspectiva melhor para o futuro. --- # DIVERSIDADE Ensaios · 30 de julho de 2024 · https://luis-gaj.vercel.app/diversidade ## Ensaio de Nº 12 No livro de Marcelo Gleiser, tivemos oportunidade constatar que o mundo se encontra numa rota de destruição, e que se torna urgente preservar a diversidade da vida no planeta terra. A catástrofe causada pelas chuvas intensas, e pelo transbordamento no estado do Rio Grande do Sul, vieram confirmar a rota de desastre em que o planeta se encontra. Inundações no RS, seca do Sudeste e inundações também no Maranhão, só para mencionar o que acontece no Brasil. O respeito à diversidade é um tema amplo que abrange a diversidade na natureza, nas plantas e animais, e no homem civilizado e pensante, do mundo atual. Compreende o respeito à diversidade, de gênero, de cor, de religião, de raça, de costumes diferenciados, e até de gostos e opiniões políticas distintas. Conviver com a diversidade, e uma tarefa que exige tolerância e respeito, assim como também no casamento, o respeito e a tolerância e fundamental. Recomendo assistir o filme Argentina 1985, que trata de um processo movido contra a cúpula militar, que atuou durante a ditadura naquele país. A atitude dos militares durante a ditadura, foi muito agressiva e atingiu muitos inocentes, taxados de comunistas, e que foram assassinados, sequestrados, e torturados, extraídos indefesos, no calar da noite de suas casas covardemente. O promotor de justiça da época, Júlio Strassera, teve uma atuação brilhante, e conseguiu colocar na prisão os mandantes de tais atrocidades. No final, e após a sentença, foi dito “nunca mais”. Um caso gritante de desrespeito à diversidade está acontecendo no Sudão, onde o povo Masalit está sendo massacrado, e o mundo está assistindo sem fazer nada de concreto. A própria polícia e exercito do Sudão assistem passivamente aos desmandos provocados pelo RSF (Rapid Support Forces) e milícias árabes. Trata se de uma guerra étnico-religiosa contra um povo indefenso, onde as casas são invadidas e pessoas retiradas, assassinadas, torturadas e violentadas sexualmente e fisicamente. Os Masalits e outros grupos étnicos pretos, são perseguidos numa limpeza étnica agressiva e onde a diversidade está sendo violentada e desrespeitada, sem que maiores providencias sejam tomadas pelas Nações Unidas. A administração Biden colocou sanções ao governo por isto estar acontecendo, mas sem conseguir desestimular as atitudes dos perseguidores. Fica então a pergunta: onde estão os direitos humanos e justiça no Sudam e onde está a imprensa que nada menciona sobre o assunto? Outro caso de verdadeiro genocídio ocorreu em Ruanda, onde 800 mil pessoas foram assassinadas, numa disputa étnica entre Hutus e Tutsis. Neste país do centro da África, sem litoral. No conflito da Caxemira trata-se de uma disputa territorial entre a Índia e o Paquistão e entre a Índia e China, localizada no extremo noroeste do subcontinente indiano. Várias guerras foram se sucedendo na região com milhares de mortos, com violação de direitos humanos, violência sexual com as mulheres por parte da índia e ocupação de parte do território pala índia, parte pelo Paquistão e também parte pela China. Enquanto isso existe movimento entre grupos rivais Chechénios e o exército da Rússia se envolveram, resultando em aproximadamente 150 mil mortos. O país é governado desde 2007 por Ramzani Kadyrov, caracterizado por corrupção de alto nível, histórico muito ruim de direitos humanos, torturas e culto de personalidade. Esta região sofre uma série de guerras civis, conflitos separatistas e até conflitos entre nações. As fronteiras são constantemente questionadas, e caracterizada por múltiplos conflitos custando milhares de vidas humanas. Interessante que nestes casos nenhuma notícia é publicada nos jornais e também e por isso nenhuma manifestação estudantil se mobilizou para sustar estes genocídios, e estas guerras. Para entender o que ocorre é muito simples: a imprensa deixou de ser imprensa séria e livre, para fornecer informação tipo fast food, aceitando notícias falsas, porque servem para vender mais e servem para agradar os assistentes se identificando com invasores, estupradores, assassinos e sequestradores. Uma das características fundamentais da imprensa séria, é a verificação da origem e das fontes de informações. Acreditar e publicar notícias originadas de um grupo terrorista, que não é confiável e publicar, como faz a CNN e a Globo, e deturpar a necessária seriedade da imprensa, e tornar as notícias em simples falsas. Me refiro especificamente ao úmero de mortos na faixa de Gaza, assim como a morte de civis, quando é sabido que o terrorismo utiliza civis, crianças e mulheres como escudos humanos, para covardemente se proteger. defendendo a independência dos invasores. Me considero sempre neutro com relação a posições extremas, e para os que votaram em Bolsonaro, ou que desejam um governo militar, e bom o alerta do que aconteceu no País vizinho, e talvez em menor grau também no Brasil de 1964 até 1984. Por outro lado, a chamada esquerda, pretende se identificar com grupos terroristas de direita e religiosos extremistas, sendo difícil entender, este posicionamento, tão somente para ficar contra os Estados Unidos e o Ocidente. Criminosos, assassinos, estupradores e sequestradores, para eles existe uma única solução, fazer justiça e a condenação. Sem dúvida o mesmo se aplica no caso de o governo Lula descambar para uma ditadura tipo Venezuela, onde atos de perseguição aos opositores demonstra intolerância e desrespeito à diversidade, em lugar de buscar a unidade do País e governar para todos. Após um ano e meio de governo, continua a caça às bruxas, e continua se combatendo opositores, numa demonstração de manter a separação dos extremos, distantes e sem busca da união nacional. Além do mais, o combate aos opositores é demonstração de insegurança e também de violação de princípios democráticos. Para citar um outro exemplo, durante os últimos meses da guerra 1939-1945, Berlim foi fortemente bombardeada pelos aliados. Berlin tinha sido o centro da direção do partido nazista, e muitos civis inocentes foram mortos nesta ação, que derrubou casas, prédios e construções de todo tipo. Levou mais de 20 anos para a reconstrução da cidade de Berlin, e muitos inocentes morreram nos bombardeios. A eliminação do nazismo, que tinha feito tanto mal a toda Europa, e especialmente perseguido judeus, ciganos e cidadãos de outros gêneros, numa inequívoca demonstração de intolerância com a diversidade, justificou essas mortes. Os bombardeios com bombas atômicas nas cidades de Nagasaki e Hiroshima se destinavam a dissuadir os japoneses da continuidade da guerra e neste ato terrível milhares de inocentes que viviam netas cidades foram sacrificados. Houve neste caso, manifestações estudantis contra as bombas atômicas de destruição em massa? Não, porque acabar com a guerra era a prioridade. Os japoneses eram aliados da Alemanha e tinham covardemente atacado Pearl Harbour, dando início à ação americana. Em todos estes e muitos outros casos de verdadeiro genocídio, o mundo calou e ficou indiferente. Cada um dos povos teve os governos que merecia, por terem assim escolhido. Na Alemanha foi escolhido Hitler, e muitos cidadãos inocentes foram sacrificados por isso. Em todos os casos, as vítimas sofreram e o mundo silenciou, assim como silenciou quando os nazistas, e não os alemães, mataram em genocídio tantos inocentes e de maneira covarde, utilizando a força militar contra inocentes indefesos. E o mundo silenciou. Somente quando os Estados Unidos, e também a Rússia, sentiram na pele própria a invasão alemã, ou japonesa, é que perceberam a realidade, e se mobilizaram para acabar com o terrorismo nazista. Assim foi feito justiça. trata de uma guerra comum, se trata de fazer justiça contra terroristas que assassinaram, estupraram, torturaram e sequestrara, com uma ideologia que pretende a destruição do Estado de Israel e que pretende desalojar os judeus da terra que ocupam no Oriente Médio. Segundo a história, Moises conduziu durante 40 anos os judeus saindo do Egito da escravidão, para a Terra Santa, Israel. Negar o direito dos judeus de viver na sua terra, significa negar a história, e deturpar os acontecimentos. Também para entender o Hamas, e preciso saber que os números de mortos, são fictícios e que os números verdadeiros nunca serão revelados, porque isto serve como propaganda contra Israel. A própria ONU recentemente divulgou que os números verdadeiros de civis mortos em Gaza e menos que a metade do que o Hamas divulga e que a imprensa publica. Quando esta informação que fica mais perto da realidade acontece, na imprensa não tem sequer a honestidade de reconhecer o erro que cometeu ao divulgar números recebidos de fonte não confiável. O que fica na memória das pessoas foram os números inicialmente divulgados sem o menor cuidado. Durante a guerra, os nazistas tinham montado uma máquina de informações para enganar o próprio povo alemão, e o mundo sobre as suas intenções e ações para repetidamente usadas torna-las realidade. Existem culpados pelas tempestades e pelo alagamento no R.S. Sim, eles não estão sendo nem mencionados pela imprensa, mas são os que destroem a diversidade, derrubando as florestas, provocam incêndios no pantanal, na busca de dinheiro fácil e rápido, sem se importar com as consequências, e os governos que não cuidam disto também são culpados, sim. Não se trata som ente do Brasil, o mundo esqueceu que não é dono absoluto do planeta, e que pode fazer o que quer, desde que de lucro, sem se importar com os efeitos desta atitude. Triste notar o silêncio da imprensa para apontar os verdadeiros culpados, se limitando a considerar tão somente como catástrofes naturais. Existiam culpados pelo genocídio praticado na Argentina contra cidadãos inocentes, assassinando, sequestrando e torturando, sim, e foram julgados e condenados, muitos a prisão perpetua, existiam culpados na Alemanha nazista pelo genocídio contra judeus, ciganos e gênero, sim, e foram culpados e derrotados na grande guerra, custando milhares de vidas, houve culpados em Hiroshima e Nagasaki, sim, o governo japonês que iniciou a guerra atacando covardemente local estratégico dos Estados Unidos. Enquanto em Israel existem manifestações contra o governo, em Gaza não existe, porque se alguém quiser se manifestar contra a situação, será sumariamente eliminado, como em todas as ditaduras. Não é aceito neste caso a diversidade de opiniões. O mesmo ocorre no Irã onde as mulheres são discriminadas e consideradas inferiores num desrespeito a diversidade. Gaza ficou livre da presença de ocupação durante muitos anos, e hoje poderia ser uma região florescente com elevado nível de vida. Os recursos que eram destinados a ajuda humanitária foram canalizados para construir túneis e para aquisição de armas, com ajuda do Irã, interessado em sua presença no Oriente Médio. impede de simpatizar e nos solidarizar. com as populações de ambos os lados do conflito, especialmente com os civis da faixa de GAZA e de ISRAEL, Em todos os casos mencionados se destacam a destruição da natureza e consequente redução da diversidade natural do reino animal e vegetal, pela destruição de florestas e também o desrespeito à diversidade de opiniões, de ideias, das religiões, dos povos, colocando em risco a sobrevivência da espécie humana. Somos pela paz no mundo, pelo combate às ações de genocídio e extermino, pelo respeito à diversidade em suas múltiplas formas, e por uma imprensa que cumpra o seu papel publicando notícias que alertem sobre os verdadeiros problemas que acontecem, nos mais diversos lugares, se preocupando menos com o sucesso, com os anúncios publicados, com as notícias populares, e principalmente que esteja preocupada com a informação verdadeira dos acontecimentos. verificando a veracidade das fontes que utiliza, para realizar um jornalismo justo e comprometido com a verdade. **Luis Gaj** ## Contribuições de leitores sobre "DIVERSIDADE" ### Cristina Valavicius (leitor) Obrigada sr. Luis por compartilhar suas reflexões sobre este mundo tão caótico. Ainda quero crer que há esperança para o ser humano. Será? Beijos e abraços a todos. ### Lejbus Czersnia (leitor) Luis: Excelente trabalho. Infelizmente, a esquerda e a mídia suspeita desvirtuam os fatos. ### Christoph Derendinguer (leitor) Impressionante e triste a relação dos desrespeitos aos direitos humanos e dos genocídios mencionados no Ensaio n°12 de Luis. Quero aqui mencionar mais um que toca diretamente o Brasil: o genocídio praticado pelos colonizadores europeus contra os povos indígenas das Américas. Lembro de estimativas em torno de três a cinco milhões de vítimas só no Brasil (não pesquisei agora, uma delas foi de Darcy Ribeiro). Essas estimativas são palpites educados, pois não havia censos ou qualquer levantamento cobrindo a imensidão do continente. Recentemente deparei com um número bem mais assustador, mais de 50 milhões para todo o continente! E o "approach" dessa pesquisa é tão criativo quanto inusitado. Os autores se baseiam na REDUÇÃO de emissões de CO2 dos séculos 16 e 17 e a atribuem ao reaparecimento de florestas nas áreas antes cultivadas pelos povos indígenas. Eles as teriam abandonado quando gerações desses povos desapareciam, por doenças trazidas pelos brancos, pela violência e perda de habitat. Veja o link: https://www.alainet.org/en/articulo/199623 Christoph 28/07/2024 --- # O FUTURO E A FUTUROLOGIA Ensaios · 11 de junho de 2024 · https://luis-gaj.vercel.app/o-futuro-e-a-futurologia ## ENSAIO Nº 11 O tema do futuro esteve muito presente em minha vida profissional enquanto me especializava em Estratégia, porque as estratégias partem do presente e analisam as oportunidades e ameaças do ambiente para planejar o futuro. Pensar no futuro, e se preocupar com ele, e imaginar o que pode acontecer, mas especialmente determinar um futuro possível de se realizar, e se preparar para construi-lo. No mundo atual, começamos observando o presente, tentamos entender quais são as tendências para pensar no futuro. O mundo atual Nosso mundo, vive momento de turbulência econômica, geopolítica e instabilidade. Os detalhes desta afirmação, estão nos conflitos tanto latentes, como nos conflitos armados, e guerras regionais. Os conflitos latentes se manifestam nos discursos agressivos do Iran contra o Ocidente, na rivalidade da China e sua aliança com Rússia contra os Estados Unidos, na intenção da Venezuela sobre território da Goiana, e em muitos outros casos que apresentam tensões entre países. Temos a guerra em Gaza contra o Hamas, e não contra o povo palestino oprimido numa ditadura, com suas consequências lamentáveis de ambos os lados, a invasão da Ucrânia pela Rússia, e os alinhamentos políticos, em defesa de um ou de outro lado do conflito, e das beligerâncias latentes, se definem as posturas ideológicas dos participantes. Nas tendências atuais, nota-se ainda, o trabalho ser parcialmente realizado desde casa, movimentos migratórios, buscando melhores condições de vida, e buscando lugares que oferecem maior segurança. Verificamos também o aumento da violência, e da criminalidade, cada vez mais organizada, em grupos estruturados e poderosos, usando recurso do tráfico de drogas. Nas camadas pobres observamos o empobrecimento, a desnutrição, e a falta de perspectivas para o futuro, e nos governos observamos a gestão em benefício dos individualistas de plantão, sem planos de futuro para as populações. Numa classe média mais acomodada, notamos dedicação ao esporte, a busca por escolas de bom nível no exterior para os filhos, a criação de cães e gatos como filhos, e até a migração para países como Portugal e Uruguai, que oferecem facilidades, e trabalho melhor remunerado que no Brasil, e mais segurança. Nos bancos, e nas classes mais abastadas, sempre alinhadas com o poder, a situação permanece relativamente tranquila, com ganhos sendo mantidos, e sem ameaças no curto prazo, se bem que a falta de uma direção econômica saudável, gera incertezas e também representa ameaças para o futuro. Ambientes politicamente incertos, são menos atrativos para investimentos. Contudo a maior instabilidade do mundo atual está na política, e no rumo a seguir, com tendência manifesta de agradar regimes totalitários, e ditaduras como a China, a Rússia, a Venezuela e o Iran. Enquanto isso, nos hábitos familiares o tema do gênero passou a ser aceito como é, sem questionamento, o casamento e a constituição de família se tornou menos frequente, e mais tardio, as famílias menos numerosas, e as pessoas passaram a viver mais anos, aumentando o ônus de uma população idosa. no mundo. Somente ideologias extremistas mantem famílias numerosas, e com isso a Europa está cada vez mais sentindo os efeitos da imigração, e dos costumes trazidos pelos imigrantes islâmicos, e também famílias judias ortodoxas, mantem a proibição de evitar filhos, e criam famílias numerosas, que aumentam o poder destas culturas, sobe a sociedade em geral. Como vimos em artigo anterior, vivemos o incremento de moradores de rua, e também assistimos ao grande número de cidadãos, recebendo auxilio para se manter, e deixando de trabalhar prematuramente, porque viver do auxilio e compensador. As desigualdades sociais permanecem e não existe nenhuma perspectiva de mudança. Os governos recorrem a medidas, como isentar de impostos os alimentos da cesta básica, outra forma assistencial e positiva, porém sem perspectiva de planos de maior alcance, e como medidas demagógicas, mostrando preocupação, com os menos favorecidos. Infelizmente também o mundo se recente, de falta de líderes visionários, de estadistas, e que tenham objetivos claros para futuro. Como consequência de todo o momento atual, e da inercia, e do poder da criminalidade, a destruição da natureza, e tratamento dado ao nosso planeta, deixam muito a desejar, e não existem forças suficientes para mudança de rumos, buscando a conservação e o melhoramento do ambiente, do clima, e das tempestades, cada vez maiores, assim como o esquentamento das calotas polares, com suas enormes consequências. Sem dúvida todos os problemas atuais, e o futuro que desejarmos, dependem de se abandonar a indiferença das pessoas, que são a maioria, e que deixam que minorias estruturadas as dominem, e ditem o caminho do futuro. Neste cenário atual, é possível se pensar em um futuro melhor? e possível sequer pensar em futuro? Todos os estudos voltados ao futuro partem do momento atual, e também de uma análise de onde viemos, observando o que têm acontecido nos últimos anos, verificando conquistas e perdas no período, sendo que alguns não conseguem se desligar do hoje. Em um seminário que fiz para um grupo de 35 empresários no Peru, em Lima, tinha surgido a questão de quem será o futuro presidente, e os participantes tinham definido fortemente duas possibilidades. Terminado o debate afirmei que muito possivelmente, não aconteceria nenhuma das duas, porque quando existe muita certeza em determinados cenários, não se consideram as surpresas que podem ocorrer. Algum tempo depois, o antigo presidente deu um golpe com os militares e assumiu o poder, sendo uma alternativa não prevista. Eles acreditaram que eu tinha alguma informação desconhecida, e me convidaram a voltar para o Peru, o que declinei. Igor Ansoff dizia que a única coisa certa, das previsões de futuro, e que não vão acontecer, como pensado, por causa dos imponderáveis. Mas se esta afirmação é verdade, devemos deixar de pensar no futuro? Claro que não, porque precisamos definir o que queremos e lutar por isso, e nos imaginar inseridos nesse futuro desejado. A minha recomendação era sempre se preparar para o pior cenário, porque assim, em todos os cenários estaremos garantidos. Em alguns cenários elaborados por equipe da FEA USP eram sempre apresentadas três opções: uma otimista, uma pessimista, a uma realista, na expectativa de uma delas terminar se efetivando. Este procedimento, se válido, não assume responsabilidade, e coloca todas as opções para o leitor escolha com qual se definir. Em outras ocasiões se projeta o futuro, com percentagens de probabilidade de vir a acontecer, assumindo esta posição. Uma das atividades mais importantes do trabalho com o futuro é analisar cuidadosamente, quais são as tendências que se verificam. Como exemplo no mundo da tecnologia, a tendência é o desenvolvimento da inteligência artificial, e seu impacto na saúde, na educação e na vida das pessoas, obrigando a se manter atualizado. A observação cuidadosa dos sinais fracos, e outra atividade fundamental para não errar, como ocorreu por Israel não perceber o que acontecia em Gaza. Ninguém antecipou que a Rússia atacaria a Ucrânia, apesar das inúmeras ameaças que antecederam a invasão. Análise das tendências, e a percepção dos sinais fracos, são muito importantes nos exercícios de futurologia, porque permitem um posicionamento em tempo. Mas é muito importante a escolha do caminho a seguir, a nível profissional, a nível pessoal, e a ambição humana, que nos move em direção a um futuro desejado, precisa definir as prioridades e o direcionamento que queremos seguir e agir. Recentemente li um livro cujo título é O Animal Social de Elliot Aronson, dedicado à psicologia social. Nele analisa o comportamento humano, e explica o porque existe maldade e bondade, sendo ambas, parte da natureza agressiva ou bondosa, na busca da destruição ou do amor. Assim procuramos entender, mas não justificar, o Hamas e outras atividades terroristas. Se nos detemos para observar as tendências, a rivalidade entre países continua. Se olhamos as desigualdades sociais, muito pouco tem mudado, e as tendências são de continuidade. Se observamos o crescimento da violência urbana, só tem piorado, e não há perspectivas de melhora. Sabemos que pretender predizer o futuro, não é uma tarefa fácil e que pode depender do capricho e das vontades dos poderosos. A nível de governo, criou-se dependência, do assistencialismo e pode indicar a necessidade de uma mudança de atitude, fomentando a criação de postos de trabalho, e investindo na preparação técnica de profissionais que possam assumir as novas funções. **O mundo desejado** Todas as alternativas de futuro, estão disponíveis, dependendo da vontade e capacidade dos dirigentes de construir melhorias. Vamos arriscar e mencionar que futuro, gostaríamos seja criado, para as futuras gerações. No nível macro, e partindo das tendências atuais, ficamos preocupados com o enfraquecimento dos regimes democráticos, e o surgimento de ditaduras, com líderes que pretendem se perpetuar no poder. Contra esta tendência momentânea, desejamos o fortalecimento dos regimes democráticos, que preservam as liberdades. Outra importante preocupação é com as guerras que tem se sucedido no mundo. Mas outros conflitos, não menos importantes tem ocorrido, quase que ininterruptamente, com perda de vidas, e consumo de armas letais, promovendo arsenais, e consumindo recursos, que deveriam ser canalizados para melhorias na educação e saúde. Como exemplo o grupo Hamas canalizou recursos assistenciais, recebidos de muitos países, visando atender a população de Gaza, e usou estes recursos para construir inúmeros túneis, e se fortificar militarmente com a intenção de exterminar Israel. Se os recursos tivessem sido utilizados para construir, para melhorar o sistema viário, ou para eliminar a pobreza, o nível de vida da população de Gaza, teria atingido um padrão muito superior. Esse desgaste contribui para o empobrecimento, com perda de vidas, e motivados por uma ideologia de destruição. Desejamos um mundo sem guerras, e com investimentos na melhoria da vida, do ecossistema e voltando a considerar sacra a vida no planeta, e a respeitar a natureza e a terra. Desejamos o respeito a raridade da vida no universo. E à diversidade. O exemplo de Costa Rica, que não possui exército e investe na conservação da natureza deveria ser seguido por muitos outros países. Fica claro que duas tendências que se verificam, e que já se encontram em andamento são a da indústria poderosa de armamentos, com seu lobby igualmente ativo, junto aos orçamentos militares, e que tem se empenhado em desenvolver novas, e mais sofisticadas armas para utilizar em conflitos de seu interesse. Por outro lado, também fica claro que outra indústria poderosa é a indústria do tráfego de drogas, super organizada, e até militarizada, que fomenta o uso de entorpecentes, entre as diversas camadas das populações, e atua no submundo da marginalidade, e da violência. A nível específico do Brasil, gostaríamos de uma política externa menos voltada ao estímulo a ditaduras, e mais equilibrada, que foi sempre a tradição do Brasil. Com relação ao desenvolvimento de um futuro promissor, e a melhora do nível de vida, primeiro lugar destacamos erradicação do analfabetismo, mediante educação para valer, e não apenas para receber o bolsa família. A segurança das pessoas deve ser preservada, e para isso em primeiro lugar, oferecer trabalho digno, estimular investimentos que geram emprego, investir em pesquisa que auxilia nos melhoramentos tecnológicos, e reduzir o tamanho das estruturas burocráticas, e de empreguismo, por estrutura eficazes, e que realmente contribuem. Menos Brasília, mais Brasil, menos partidos políticos e menos ministérios. Fome zero, e redução da pobreza. Investimentos em infraestrutura, onde o Brasil se encontra distante das potencias econômicas. Melhorar o índice de desenvolvimento. O Brasil é considerado a décima potência econômica, mais se encontra entre os últimos países com maior nível de desigualdade social. Para tudo isto que gostaríamos, é preciso planejar com FOCO, ou seja, determinar quais são as prioridades, e colocar em prática. Mudar mentalidade de governar dando que se recebe, para governar com espirito de estadista, focando em metas alcançáveis, e atingi-las. Por último e não menos importante: CONSERVAR OS ECOSSITEMAS, A NATUREZA E A VIDA EM SEUS MULTIPLOS ASPECTOS. Fica então a pergunta aos leitores: QUE BRASIL GOSTARIA DE TER, E QUE MUNDO ESPERAR??? **Luis Gaj** ### Reflexões sobre a pergunta: "Que Brasil gostaria de ter e que mundo esperar" #### Miriam: Ficaria muito feliz se o país estivesse cumprindo o artigo 6° da Constituição onde assegura que Saúde, Educação e Segurança são deveres do Estado. Teríamos uma educação pública de qualidade e seríamos cidadãos com bom nível cultural, preparados para enfrentar a vida profissional. Consequentemente estaríamos bem empregados e com remuneração digna. Com uma população estudada e formada haveria pouco espaço para delinquentes e não teríamos receio de andar pelas ruas, nem teríamos tanta ansiedade pela falta de segurança, aliviando o sistema de Saúde. Teríamos um SUS bem estruturado com equipe adequada para atendimento de todos. Já ficou provado que os hospitais públicos têm os melhores médicos, pois só ingressam depois de rigorosa seleção. Escrevendo este texto notei como uma questão depende da outra: boa educação gera bons cidadãos, que gera qualidade de vida, que gera melhor saúde física e mental. E a vida seria agradável neste país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, plagiando a música de Gilberto Gil. O Brasil é um país privilegiado pela Natureza! Quanto ao mundo, se não atentarmos para a gravidade da crise climática, no embate com a Natureza nós vamos perder, porque somos parte da Natureza mas não seus donos. As enchentes do Rio Grande do Sul nos mostrou que a Natureza é mais forte que nós. Se nada for feito além dos discursos, nossa civilização está caminhando para o fim. "A Humanidade não se comportou" Agradeço Luis e Eva por estar aqui com vocês. Abraços!! --- # RESENHA DE UM LIVRO Ensaios · 6 de maio de 2024 · https://luis-gaj.vercel.app/resenha-de-um-livro-ensaio-10 ## Ensaio Nº 10 [imagem: A imagem que acompanha este texto ilustra perfeitamente a essência de "O Despertar do Universo Consciente" de Marcelo Gleiser. Ela representa a vastidão do universo e a conexão profunda entre a nossa compreensão do cosmos e a riqueza da nossa experiência humana. O livro aberto no primeiro plano simboliza o conhecimento e a exploração científica, enquanto a paisagem cósmica ao fundo reflete a imensidão e a beleza misteriosa do universo.] **(Ampliando o horizonte)** Caros leitores, seguramente vão estranhar eu sair dos temas normais que tenho abordado, para me dedicar a resenhar um livro, que me impressionou, e com cujo autor me identifico. Pretendo fazer isto, tão somente interpretando e até aceitando o desafio de mobilização que aparece no final do livro com o título de Manifesto. Trata-se do livro “O Despertar do Universo Consciente” de Marcelo Gleiser, Este livro, somente poderia ser escrito por alguém profundo conhecedor de astronomia e de física, pois começa analisando a história do universo, e levantando dados sobre a criação, e nos explicando sobre a imensidade dos sistemas que podem existir, semelhantes ao sistema solar, das galáxias, das estrelas e até pesquisando sobre a possibilidade de vida fora da terra. Ele constata, pelas análises cientificas e explorações já realizada, que no limitado espaço do sistema solar e dos demais planetas que circundam o sol, não tem sido possível detectar existência de vida, fora da terra. Quando se refere ás estrelas, com planetas, menciona bilhões de possibilidades e talvez trilhões de planetas, distantes e inacessíveis pela distância, com os recursos limitados de que o nosso mundo possui, e desta forma, e apesar da enorme possibilidade de vida em outras galáxias, fica hoje impossível comprovar existência, devido às limitações, do que nos é possível saber. Trata da busca do significado, e da existência de vida, em outros planetas na pluralidade dos mundos que podem existir, e nossa inquietação para querer saber, e o que nos torna relevantes. No livro menciona que a vida, e o universo, possuem uma história, porque nós humanos, estamos aqui para contá-la. A origem cósmica teria acontecido 13,8 bilhões de anos atrás, e a vida teria surgido na terra, em torno de 3,5 bilhões de anos atrás, da forma descrita por Darwin na evolução das espécies. O Homo Sapiens teria surgido uns 300 mil anos atrás. O homem primitivo reverenciava a terra e muitos deuses relacionados com a natureza Apesar do autor até sugerir pular na leitura os trechos mais técnicos, li cada detalhe tentando entender, especialmente a mensagem contida em cada parte. Desde a época em que se pensava que a terra era o centro de universo e depois se provou que era tão somente uma pequena partícula na imensidão do universo, e que era ela que girava em torno do sol. A leitura do livro tem o poder de atrair o leitor de forma a não querer parar de ler pela riqueza de detalhes e informação que traz. Uma das abordagens se refere à forma que nós seres humanos temos tratado a nosso planeta brilhante de vida, e por enquanto único com vida comprovada, e achando que somos donos da terra, sem respeitar a diversidade, poluindo e destruindo floretas para aumentar a produção de alimentos, e na busca desenfreada por eficiência e rentabilidade. Tendo quadruplicado o número de habitantes de 2 para 8 bilhões nos últimos 100 anos, e se tratando de recursos abundantes, mas finitos, estaríamos exaurindo os recursos, e nos dirigindo a uma tendência preocupante de destruição. Mas o livro se volta fortemente a observação das estrelas, e dos muitos sistemas planetários que existem no universo, e também a imensidade de possibilidades de existências, provavelmente diversas a nossa, mas enfim com lugares que oferecem condições propicias, para o surgimento de vida, mesmo a distancias inalcançáveis, para nós humanos. Sobre a origem da vida, menciona a evolução desde o surgimento das espécies unicelulares, até os seres primitivos, em espaço de tempo de milhões de anos até o surgir da vida como é hoje. Fala da importância sagrada da vida, mesmo quando hoje vemos movimentos terroristas, para os quais a vida não tem significado, e até prometem uma vida pós morte, em paraísos idealizados. O ataque a um evento na Rússia em que mais de 130 pessoas foram mortas e grande número ferido, atribuído a jihad islâmica e mais um evento que se soma aos muitos atos terroristas praticados pelo mundo. Na procura por vida em outros mundos, se aprofunda nos mistérios da vida, e também no desconhecido do universo, nos mostrando que apesar do muito que se sabe, ainda nossa capacidade para desvendar os secretos do universo se encontra limitada. Cabe mencionar que anos atrás, a então diretora de Harvard Rosabeth Moss Kanter, nos alertava sobre a nossa diminuta presença no mundo, quando comparamos com o tamanho do universo. Voltando ao planeta terra, único com vida por enquanto, e único para contar sobre o universo, porque nos humanos, temos essa capacidade, alerta sobre a forma despreocupada com que nós temos apropriado da terra, e dos seus produtos minerais, de florestas, e dos seres vivos em especial dos animais cujo nome deriva de anima, ou seja, seres animados. A concentração cada vez maior da população da terra nas cidades, e em especial nas megalópoles, como São Paulo, nos afasta da capacidade de conviver com a natureza, e voltar aprender a respeitá-la, como faziam os povos indígenas, para os quais a terra era sagrada. Marcelo têm a esperança, de que os seres humanos podem ser mais do que são, abandonar o individualismo, e crescer como humanidade, na busca de evitar a colisão em que estamos navegando. Deixando o livro de lado, e olhando para o mundo da atualidade com seus conflitos, com as democracias perdendo lugar para regimes mais extremistas, não podemos deixar de ser um pouco céticos. A urgência da mudança provavelmente não será tão somente volitiva, mas premiada pelas catástrofes, pela destruição com consequências como novas doenças e pela percepção da necessidade de mudarmos de forma de pensar, e de encarar a vida no planeta, valorizando a vida, apesar dos extremistas e pregando deixar um mundo se não melhor, pelo menos seguro para as futuras gerações. Mas é como nos dois últimos movimentos da Sinfonia Novo Mundo de Dvojak, que neles surge todo o esplendor da música, e de suas melodias harmoniosas e vibrantes, Marcelo Gleiser, deixa para os últimos capítulos do livro, para nos dizer qual era o seu verdadeiro propósito de nos chamar atenção, para onde estamos indo, se continuarmos agindo como donos absolutos da terra, poluindo rios e atmosfera, promovendo o aquecimento das calotas polares, derrubando florestas para aproveitar espaços para atividades lucrativas, e tendo tudo isto como consequência desastres com tempestades de intensidade nunca vista, surgimento de doenças como , o covid-19, o dengue, e várias formas de influência, reagindo desta forma e de cada vez maior intensidade antes que seja tarde demais para corrigir o rumo das ações do homem, nas entranhas e na superfície da terra, antes que seja tarde. Mas dramatizar sobre o que pode acontecer, no futuro se continuamos achando que somos absolutos donos, e que podemos continuar no caminho atual. fica difícil de ser aceito, e as pessoas se mostram indiferentes porque as mudanças são lentas, e pouco perceptíveis, e porque mudar demanda sacrifícios como deixar de ganhar mais. Não será fácil a mudança de atitude, apesar de sua urgência. A atual mentalidade para o presente, para o lucro rápido, para o prazer imediato e para ter, para ser, precisa ser substituída por uma mentalidade com imperativo moral para a sociedade Inspirado no antigo Manifesto Comunista de 1848, escrito por Marx e Engels, em que eram proclamados os proletariados para se debelar contra a existência de classes sociais, para combater o capitalismo que gera desigualdades, exploração e alienação, chamando a união do proletariado para derrubar o sistema capitalista e implantar uma sociedade sem classes e por fim acabando com a propriedade privada e a socialização dos bens de produção, buscando a distribuição equitativa dos bens. Marcelo não apoia este manifesto, que na prática se mostrou gerando ditaduras sanguinárias como a soviética, mas prega a união em torno da ideia de passarmos a agir com responsabilidade social, respeitando a natureza, evitando poluir, parando de sangrar as florestas derrubando arvores, e passando a ter uma atitude de respeito e até de plantio, de reflorestamento, de conservação. Isto tudo associado à ideia de que o capitalismo desenfreado, e a busca de lucro a todo custo, gera os estragos que devemos evitar. Existe já nos últimos anos um movimento de mobilização de número crescente de empresas, empenhadas na conservação da natureza. Com relação ao lucro, me permito comentar ser necessário, até para poder evitar a poluição, até para melhorar as condições de trabalho, e a melhora dos salários dos trabalhadores. Regimes chamados de esquerda, que combatem o lucro e as iniciativas privadas, terminam gerando fuga de capitais, como tem acontecido no passado na Argentina, com o consequente empobrecimento da população O Manifesto do livro O Despertar do Universo Consciente, é um manifesto que nos conclama a formar uma cadeira de pessoas, mobilizadas na conservação, na preservação e no cuidado com o nosso planeta brilhante, único por enquanto possui vida, e capacidade de escrever a história por nos humanos, estamos aqui e podemos fazê-lo. Marchamos hoje resolutos em direção da autodestruição, seja por interesses políticos ou econômicos. Fizemos um planeta doente e isso não pode sustentar uma vida saudável. Sugere a sacralização da terra e uma nova consciência planetária. A Astronomia nos ajuda a entender que o nosso planeta e sua diversidade biológica, merecem o nosso respeito e admiração, não como donos. Isto exige sermos menos materialistas e nos completar espiritualmente trocando beneficiar o bolso, por agir com o coração Para isso utiliza a palavra biocentrismo, e a revalorização do que possuímos e do que a terra nos proporciona, de forma ampla, mas limitada, e este limite precisa ser respeitado. Nos identificar como membros da biosfera ou pertencer ou “Interser”. Somos parte, e não donos da vida, e a intenção e de inspirar uma nova atitude, evitando o que tem ocorrido de perda da diversidade por invasão nos habitats naturais, destruição de florestas, poluição dos rios e mares e caça predatória. Ele, que tem participado dessas ideias, está fazendo o seu papel de divulgá-las e de promover os seus livros. Na realidade, não estou satisfeito por ter feito esta resenha. Na leitura do livro, nos identificamos com as suas ideias, e com a necessidade do planeta se mobilizar para que a vida na terra seja continuada, e pela responsabilidade que temos de deixar um planeta em condições para as futuras gerações. Não estou satisfeito porque apesar da intenção, não é possível igualar o sequer resumir o que foi escrito. A recomendação é para aqueles que tiverem interesse, ler o livro e apreciar por inteiro. A nossa pequenez percebida, nos obriga a ser humildes, num universo infinito, e a ser responsáveis conosco mesmos, nos respeitando e respeitando o planeta em que habitamos. Prega o despertar espiritual da humanidade e uma orientação para engajamento do corpo e da mente com a terra. Defende a raridade da vida na terra, olhando para o universo. **Luis Gaj** **Temas abordados passiveis de contribuições:**Sobre a vida no universo Ecologia Ecossistema Mentalidade Manifesto ## Contribuições de leitores sobre "RESENHA DE UM LIVRO" ### Miriam Menossi (leitor) Parabéns, Luis pela excelente resenha do livro de Marcelo Gleiser. Nem preciso ler, pois você nos apresentou a essência do livro. É magnífica a ideia do Manifesto proposta no "O Despertar do Universo Consciente". Como você, eu também vejo um movimento se formando, muito lentamente, mas em marcha, como uma pedrinha atirada no rio formando ondas que vão aumentando. Que cada um de nós tenha consciência de colaborar em tudo que for possível para salvar o Planeta da destruição total. Façamos a nossa parte. VIVA O MANIFESTO!!! --- # DESIGUALDADES SOCIAIS Ensaios · 1 de abril de 2024 · https://luis-gaj.vercel.app/ensaio-no-09-desigualdades-sociais ## ENSAIO Nº 09 Estamos vivendo numa época de grandes contrastes, e um dos sintomas e o crescimento mundial dos moradores de rua. O grande número de favelados no Brasil, e também o número de desempregados, são também características que contribuem para os contrastes, e para as desigualdades sociais. Desigualdades sociais se refere ao acesso a recursos, oportunidades, direitos e padrões de vida. Desigualdades ocorrem quando se trata especialmente de renda, moradia, acesso a educação de qualidade e saúde. Levantamos este tema para o debate, por considerar que estamos longe de constituir o ideal, de uma sociedade justa e inclusiva, onde todos tenham acesso a oportunidades e direitos básicos. Depois de ter me identificado, sendo jovem, como esquerdista ou socialista, na época em que ser de direita era pregar ditadura, regime fascista, ou nacional socialista ou nazismo. Hoje, depois de ter visto muito do caudilhismo e dos demagogos de esquerda e direita, posso dizer que nada do muito do que vi, nos muitos governos que se sucederam no mundo, nenhum pode ser chamado de socialista. Foram sim, como na Rússia comunista, ditaduras, e deturpações das verdadeiras ideias de igualdade social. Acredito que hoje, socialismo se provou um ideal utópico para jovens sonhadores, que como eu, acreditaram que seria possível a construção de um mundo completamente diferente, onde o ser humano seria respeitado e protegido, por um sistema de igualdade, com princípios elevados e inexistentes na realidade. O que temos como resultado da experiência de muitos anos, é que a democracia, com todos os seus defeitos, ainda é o melhor sistema para governar e se viver, com liberdades preservadas. No entanto extremistas de direita defendem o capital acima de tudo, como único salvador do progresso, e do desenvolvimento, sem restrições, e sem preocupação com o que tem acontecido, de acumulação em poucos, em detrimento de muitos. Enquanto os esquerdistas também extremistas, acreditam no poder do estado e na fixação de regras intervindo em todos os aspectos da vida. Ambas as correntes, reduzem a verdadeira democracia a um estado que passa a se assemelhar a ditaduras, mais ainda quando se usa do sistema judiciário para as intervenções e ditame de leis. Verificamos hoje, que existem governos que se autodenominam de esquerda, mas que na verdade atingiram o poder para se locupletar, e beneficiar correligionários, passando a ter uma vida de luxo, distante das verdadeiras ideias sociais. Assim os governos que têm se sucedido, estão longe de pensar ou procurar minimizar os problemas decorrentes das desigualdades sociais. Na realidade, e nos vários níveis dos governos, o que se constata é que legislam em benefício que a si mesmo se outorgam, constituindo as maiores remunerações e mordomias do país. O inchaço da máquina pública, que atribuo em parte a mania de grandeza do então presidente Juscelino Kubitschek, na construção de Brasília, que permitiu espaço para esse crescimento da burocracia, e longe da realidade do País, afastado dos verdadeiros problemas. Para exemplificar o que entendo por desigualdade social relato o que vivi nas empresas. Enquanto no Brasil o salário-mínimo era de hum mil Reais, o maior salário do executivo era de 100 mil, cem vezes o menor. Na Alemanha, entre o menor e o maior salário nas empresas é de 4 a 5 vezes o menor. Isto não significa que o maior salário diminuiu, mas sim que o menor salário atingiu um nível elevado, permitindo um padrão de vida confortável. Por isso, podemos dizer que a desigualdade social, se encontra em nível patológico de desigualdade (usando as palavras de Bolivar Lamounier 8/3) Claro que isto é impossível de se eliminar e atingir o nível alemão, na situação atual no mundo em desenvolvimento ou subdesenvolvido. Para se construir uma sociedade igualitária, onde não exista miséria, onde se atinja um padrão elevado, e preciso se planejar a médio e longo prazo. Para se poder distribuir riqueza e preciso construir riqueza. Sem nenhuma dúvida o começo desse planejamento parte de um sistema de educação eficiente. O caminho educacional, parte da formação de professores valorizados, e de escolas que atinjam seu papel educacional. Como expliquei em ensaio anterior, num caso de Alagoas, as mães enviam as crianças para escola para se habilitarem a receber a Bolsa Família, mas as crianças faltam muito, e os professores também, mas ninguém repete de ano, e terminam formando, meio -analfabetos. O problema das desigualdades sociais carrega consigo inúmeros outros problemas. como a marginalidade, a insegurança, criminalidade, e até a revolta. Podemos dizer que é uma injustiça social que limita os recursos, as oportunidades, o atendimento à saúde, emprego, renda, raça, gênero, etnia e habitação. Enquanto falta visão de médio e longo prazo para se desenvolver planos, as desigualdades sociais são substituídas por privilégios, oportunidades, preconceito e exclusão social. A pobreza e falta de recursos do país, e a malversação na alocação de recursos, são disparidades que dificultam a melhoria social e mantem as desigualdades. Além do prejuízo individual que provoca ampla desigualdade social, provoca instabilidade social e política. Sociedades mais igualitárias, tendem a ser mais estáveis, prósperas e democráticas, beneficiando a todos. Mas a realidade relatada por Miguel Reale, em artigo publicado no jornal O Estado de São Paulo de 03 de fevereiro deste ano, é que segundo relatório do Banco Mundial, o ano de 2022 foi de incertezas por causa do Covid, e em 2023 aumentaram as desigualdades. 700 milhões de pessoas sobrevivem com menos de R$ 10,50 por dia, número de pessoas 45% maior do que em 2020. A concentração de renda apresentada durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, indicam que as maiores empresas lucraram 52% mais do que a média dos últimos três anos. Esta realidade também no Brasil, onde quatro bilionários aumentaram a sua riqueza enquanto 129 milhões ficaram mais pobres. Fica então claro que deixar simplesmente a economia e o lucro vigorar, as desigualdades não irão melhorar. Lamentável a falta de lideranças com visão de futuro, que eliminem a corrupção e a malversação de recursos, e que busquem formas de elevar o nível da população, tornando-a ciente e competente, para escolher sabiamente os verdadeiros líderes adequados para nos governar, sem falsos de direita que pregam a ditadura, e sem falsos de esquerda, na realidade incompetentes ou até desinteressados na evolução social e redução das desigualdades. De acordo com o jurista Reale Junior, não se deve deixar o mercado, ávido de lucros, decidir livremente sobre a vida dos cidadãos, e das pequenas empresas. Da mesma forma acrescento que não deve o governo interferir nas iniciativas privadas, quando não tiver competência para isso, tão somente para obter apoio e fidelidade. Alguns princípios fundamentais para redução das desigualdades sociais estão, em primeiro lugar, na erradicação da pobreza, fome zero, desenvolvimento econômico, trabalho decente, eliminação da corrupção e reduzir desigualdades de gênero, e respeito ao meio ambiente. Os planos assistenciais adotados de bolsa família ou de fornecer televisão para os mais pobres, estão longe de tratar do verdadeiro problema e se justificam tão somente como emergenciais, mas não como permanentes, na busca de angariar votos. Falta visão de médio e longo prazo, falta desprendimento dos interesses pessoais e dos correligionários, para se pensar verdadeiramente no País, seguindo o exemplo de pessoas e lideranças como da Angela Merkel, na Alemanha, sem demagogia, e com trabalho sério, na defesa dos interesses da população. Entre as soluções para mitigar o problema das desigualdades sociais, sem dúvida, a mobilização da sociedade é fundamental, constituindo parcerias entre o poder público e a iniciativa privada, e também cada vez mais as empresas se identificando com os problemas sociais e adotando uma atitude responsável socialmente, e com o meio ambiente. Também o setor público contribuiria gastando menos, gastando conscientemente, para que os recursos gerados pelos impostos, sejam destinados para melhorias da população, e não sejam dilapidados com gastos para manutenção da própria máquina e do corporativismo instalado. Na Ásia foi promovida a redução das desigualdades sociais promovendo desenvolvimento, destacando educação como fator chave. Um bilhão de pessoas deixou de fazer parte dos mais vulneráveis e pobres, para migrar de posição, para uma vida mais equilibrada e decente No mundo, iniciando 2024 com elevados riscos, e instabilidades, e perspectivas de grandes mudanças, cabe alertar sobre os extremismos de direita e esquerda, de líderes autocráticos e de regimes que colocam incertezas sobre o rumo das verdadeiras democracias, e sobre os verdadeiros desejos de redução das desigualdades sociais, que seria a forma de tornar o mundo mais seguro, mais equilibrado e mais feliz e com as liberdades preservadas. Se o socialismo pregado por Karl Marx e Engels, se tornou uma utopia, pelas experiências desastrosas que se sucederam, e se o extremismo de direita ou ditadura militar, e outras formas de ditadura se mostraram provocando cerceamento das liberdades, e regimes como o nazismo na Alemanha, qual seria a forma ideal de se criar sociedades justas, livres e verdadeiramente democráticas, que preservem as liberdades e que lutem pelos benefícios da população. Seriam sociedades que não pudessem ser nem de extrema direita, e nem de extrema esquerda, porque as tendências para os extremos são tendências para regimes ditatoriais, mesmo que fantasiados de nomes idealizados e atrativos. Isto pelo menos enquanto não se encontrem formas melhores de gerenciar os povos, e até a comunidade global, o que seguramente um dia surgira, provavelmente por pressões e causas hoje desconhecidas. Uma forma ideal de sociedade num modelo ideal ainda não vislumbrado. Muitos anos serão necessários, mas enquanto isso, falsas democracias como a que segue é importante destacar e comentar. Ninguém de bom senso, pode afirmar que a Venezuela, por estar convocando eleições, está se tornando um País democrático, assim como ninguém pode afirmar que a Rússia de hoje é uma democracia, com um governo que se perpetua no poder. Enquanto nos Estados Unidos hoje o dilema é qual dos dois potenciais candidatos, seria menos ruim para governar o país, percebemos nitidamente que o que falta hoje no mundo, são verdadeiros líderes para substituir a inoperância de donos do poder, que estão colocando em dúvida o futuro de seus povos, e criando dificuldades para reduzir as desigualdades sociais, o que somente será conseguido gerando riqueza, e cuidando da distribuição dos recursos gerados. Lideres com visão de futuro e menos preocupados com sua própria manutenção no poder, e com a proteção de seus correligionários. **Luis Gaj** ## Contribuições de leitores sobre "DESIGUALDADES SOCIAIS" ### Irene Nani (leitor) Na página A2 da Tribuna Piracicabana de domingo (17/3) e segunda feira (18/3) ELEIÇÕES-À-VISTA. Estamos entrando em clima de eleições; tempo de começar a pensar nas mãos de quem vamos entregar a busca de soluções para uma série de questões de âmbito municipal que impactam nossas vidas, umas mais outras menos, severamente. Definido como paradigma, um mandatário perfeito, seja ele prefeito ou vereador, deve preencher os seguintes requisitos em ordem prioritária: 1. Ser muito honesto; 2. Ser muito inteligente; 3. Ter nível de educação escolar muito elevado. O candidato que não preencher apenas o requisito 1 definitivamente não será um bom mandatário, já o que preencha os 3 requisitos poderá ser o ideal, porque se o requisito 3 não faz de uma má pessoa uma pessoa boa, pode fazer de uma pessoa boa e inteligente uma pessoa mais preparada e capaz. Abstrações à parte, o que se pode esperar de um candidato que não preencha nenhum dos três requisitos nem em níveis mais baixos de exigência? Lamentavelmente, os brasileiros já elegeram para a presidência do Brasil, por exemplo, candidatos que apresentavam provas evidentes de que não preenchiam satisfatoriamente os requisitos mínimos exigidos para a ocupação do cargo…às vezes não preenchendo os três simultaneamente… e todos nós sabemos que o preço de tal irresponsabilidade nunca é pequeno. Deve ser da competência dos meios de comunicação de um modo geral, e da Justiça Eleitoral em particular, disponibilizar aos eleitores informações sobre o currículo e a vida pregressa dos candidatos, e isso deveria ser feito de forma mais ostensiva. De qualquer maneira, não deve o eleitor examinar as informações disponíveis com indiferença, embora não seja tarefa fácil, para que o arrependimento não venha em hora tardia. Portanto, se você é uma pessoa inteligente, corra atrás de informações e analise com cuidado todos os candidatos. Contudo, se aprofundarmos um pouco mais a análise dessa questão veremos que, partindo-se do pressuposto de que é impossível que não existam no Brasil muitas pessoas que reúnam todas as qualidades requeridas para serem bons representantes políticos, não há dúvida de que a mais provável explicação para que se possa chegar a uma situação de predominância de candidatos pouco qualificados só poderá estar, inquestionavelmente, na renúncia de nosso povo em defender seus próprios interesses participando e contribuindo diretamente na obra de saneamento da política de nossa pátria; ou dito de forma mais incisiva: na renúncia de nosso povo ao poder de autoridade máxima do país que lhe confere a Constituição; e nisso estaria incluído você…ou não (?) Explicando: digamos que família, trabalho, lazer, e religião são os quatro tópicos onde estão concentradas as preocupações da maioria dos brasileiros. Pois bem, se a experiência já nos provou que não há dúvida de que a política pode impactar direta e seriamente os referidos tópicos, fica evidente que a própria política tem que estar obrigatoriamente incluída entre deles. Ou seja: participar da política passa a ser uma obrigação de todo cidadão responsável. Infelizmente essa é uma recomendação que em geral não é seguida com o devido e merecido rigor, muito também porque isso não é facilitado pela forma como está estruturada a política do país, principalmente no que diz respeito aos partidos. Me permita então dar a você algumas informações que poderão ajudá-lo nesse sentido. Se você anda querendo tomar uma atitude positiva em defesa do seu direito e dever de lutar para termos um estado, um país e uma cidade melhores para se viver você vai ter, forçosamente, que se juntar a outros (afinal, todo o poder emana… do povo, e não de você individualmente). Então saiba que existe no cenário político brasileiro um NOVO PARTIDO que você pode apoiar, votar em seus candidatos e, melhor ainda, se filiar a ele e, que (1) tem por filiados apenas pessoas com ficha limpa que trabalham pela regeneração da política, empenhados em produzir a transformação moral que irá atrair para a administração pública uma maior quantidade de pessoas de bem dispostas a fazer o mesmo que você; (2) submete seus filiados postulantes a ocupação de cargos eletivos a um rigoroso processo seletivo; (3) não tem dono e é administrado por seus filiados e não por seus mandatários; (4) vem se notabilizando publicamente pela defesa da ética, da transparência e do uso honesto e eficiente do dinheiro público; (5) segue uma ideologia política que prega a ampla liberdade do cidadão e em particular a de empreender, e a participação do Estado apenas na administração das questões relativas à segurança, à saúde e à educação; (6) se orienta acima de tudo por ideias, princípios e valores éticos e morais que se coadunem com essa ideologia e que lhe servem de pilares básicos, não aceitando em seu meio supostas personalidades políticas que priorizem seus respectivos projetos individuais de poder. É isso aí; lutar pelo que é melhor para todos só depende de você! Júlio Vasques, professor aposentado da Universidade de Piracicaba! ### Cristina Valavicius (leitor) Perfeito, muito obrigada por compartilhar. Bjos ### Sofia Gaj Smaletz (leitor) Muito bom pai, parabéns e obrigada ### Lejbus Czersnia (leitor) Luis: Parabéns! Trabalho completo e perfeito! ### Saporito Francisco (leitor) Bom dia. Encaminho matéria sobre o Ensaio Número 9. Trata-se de um vídeo sobre o lançamento do PACTO NACIONAL DE COMBATE A DESIGULDADE SOCIAL. Um pouco longo, mas demonstra que existe um movimento em curso. Segue o endereço da URL para você acessar: https://youtu.be/OvUCiDyQUgA ### Laura e Ernesto Altshul (leitor) Luis. Olá! Li seu Ensaio número 9 e concordo com tudo escrito. Sei que é difícil a mudança para uma sociedade nos termos ali descritos já que os governantes e políticos que estão atuando como donos do país não estão nem aí para os interesses do povo e da nação. Abraço ### Miriam Menossi (leitor) Boa noite, Luis Agora que terminei de ler o Ensaio sobre as Desigualdades Sociais. Excelente em todos os sentidos. E de uma clareza ímpar. Parabéns! Vou refletir bastante Boa noite, de repouso, para você e Eva. Saudades! ### Cristoph Derendinguer (leitor) Prezado Luis, não tenho acesso a bons números sobre os problemas sociais do Brasil. Como contribuição para seu excelente debate sobre desigualdades transcrevo abaixo uma mensagem recente de Jorge Lima, secretário de desenvolvimento do Estado de São Paulo, que mostra a dificuldade em combatê-las: Para vocês refletirem: – o que tira meu sono? Estamos trazendo mais de 250 bi de investimentos e as pessoas não querem trabalhar. Lançamos 5 programas ano passado de qualificação divulgado em todas as prefeituras, mídia localizada e rádios locais e não tivemos 20 por cento de adesão. Temos um problema de responsabilidade da sociedade pós pandemia. As pessoas preferem viver de programas sociais. Temos que proteger o miserável sem a menor dúvida, mas temos também que ter o cuidado de definir este público. Tem lugares em SP que somados todos estes programas a pessoa ganha mais de 2 mil reais. Por que ser registrado? Consegui um empresário que investiu 1 bi em um projeto em Ibiúna. Tive que trazer mão de obra Venezuelana de Roraima para ele, pois tentamos de tudo para qualificar e não houve interesse. Quando venho aqui e peço ajuda, é porque estamos precisando. Temos que nos mobilizar como sociedade. Hoje falamos que temos 8,7 por cento de desemprego em SP, não é verdade. Nas 14 das 16 regiões administrativas de SP não temos mão de obra para a construção civil, 9 das 16 não temos pessoas para colheitas, Arujá/Vinhedo/Valinhos não tem empilhadeiristas, não temos motoristas em Americana, a maior parte das indústrias tem dificuldades de contratar e etc. Poderia ficar aqui dando mais 50 exemplos. Fui em 195 cidades até agora e podem acreditar no que estou falando. Assim, vamos precisar de vocês. Temos que criar a demanda por procura e não dos cursos. Hoje nós, Sebrae, Senai, Senac e outros temos excesso de cursos. Faltam interessados.Não é divulgação apenas, pois todos os 5 programas que fizemos em 2023 usamos tudo que era possível. A questão é um trabalho dentro do entorno de cada empresa, comunidade, igrejas e outros. Desculpem a mensagem longa, mas preciso de ajuda. Para não ficar intensivo as trocas de mensagens aqui, quem tiver alguma sugestão, favor me procurar no privado. Aceito qualquer contribuição de vocês. Na verdade, preciso. ### Repito (leitor) temos que proteger o miserável, mas a questão é definir bem este público. Sem polêmicas. Lembrando que aqui só falamos de SP. Juntos podemos fazer mais! Obrigado e mais uma vez, desculpem a mensagem longa. Triste realidade desse tal regime “socialista” No Nordeste a situação é pior. Até aquele pequeno agricultor que contratava dois a três trabalhadores, pagando diária, para preparar o roçado do feijão, da mandioca, do milho, etc, hoje não encontra ninguém para essas tarefas. Estão todos nas sedes dos municípios jogando dominó, tomando cachaça e ganhando do "governo" mais do que na lida, debaixo do sol quente. Ainda temos outro dado alarmante: existem no Nordeste mais pessoas recebendo dinheiro dos programas sociais do que com carteira assinada. Estamos criando uma raça de vagabundos, porque os empregos existem! ### J F Saporito (leitor) **Contribuições recebidas sobre o Ensaio N* 09 – Desigualdade Social. (Continuação).** É assustador o relato do Sr. Cristoph Derendinguer Sobre as preocupações do Sr. Cristoph. Faz mais de 20 anos que vemos na tv, nas rádios e jornais, orientações sobre a importância de não deixar água parada em vasos, em garrafas vazias, nós pneus, caixas d'água e piscina. Apesar disso estamos no momento com 2 milhões de pessoas com Dengue e os prontos socorros lotados. Depois de mais de 20 anos de contínuas orientações, deveria ser fácil cada um saber exatamente o que fazer na sua casa e local de trabalho para evitar o desenvolvimento da larva e doença. Mas isso não acontece, porque ninguém se importa como deveria, obrigando as secretárias de saúde ter que mandar técnicos de casa em casa para detectar focos do mosquito. A desigualdade social não se restringe apenas a uma questão de distribuição de renda. Esses e muitos outros temas de qualidade de vida e comportamento do povo está fortemente ligado as origens e histórico-cultural do povo brasileiro. Não é possível avançar no quesito desigualdade social quando o povo é passivo esperando que o Estado sem cobrar frete, leve o pacote na porta da sua casa. ### Riva Somerfeld (leitor) Luis amigo querido, agradeço muito por você compartilhar comigo os seus ensaios. Peço desculpas por não ter lhe escrito antes. No entanto após ler o ensaio sobre desigualdades, não posso deixar de lhe dar os Parabéns pela análise tão clara e contundente!!! Sinto-me privilegiada por ter você como amigo meu. ### Miriam Menossi (leitor) Desde nossos ancestrais das cavernas até os dias de hoje, nossa evolução como seres humanos vem se processando lentamente e ininterruptamente nesses 6.000 anos conhecidos. Atingiu seu ápice no século 18 com o advento do Iluminismo, gerando mudanças políticas e sociais. Após a Idade Média, considerada a idade das trevas, o século 18 foi o "Século das Luzes". Veio o progresso começando com a Revolução Industrial e chegando ao século 20 com uma sequência de invenções. A partir da energia elétrica criada por Thomas Edson, surgiu o elevador, o rádio, o cinema, a televisão, o computador, a Internet. Foi o século das invenções. Porém, tudo que tinha o propósito de melhorar a qualidade de vida e o conforto de todos não se concretizou. O neoliberalismo colocando a Economia em primeiro lugar com seu princípio de fazer o bolo crescer para reparti-lo, não aconteceu. O bolo cresceu, mas não foi repartido e aqui estamos com essa enorme desigualdade social. Existe, sem fazer muito alarde, jovens herdeiros de grandes fortunas fazendo doação da parte que lhes cabe. São jovens empresários da Faria Lima afirmando que não precisam de tanto para viver e ajudando os mais necessitados. Confio nessa geração nascida nos anos 80/90, considero-os seres do terceiro milênio que não colocam dinheiro em primeiro lugar e pensam no coletivo. Há luz no fim do túnel [imagem: 🙏🏼] ### Rafael Smaletz (leitor) Oi. Vovô, acho muito interessante a sua provocação a respeito da relação entre desigualdade e como cada governo se posiciona para tentar diminuir esse problema que apenas prejudica nossa sociedade, e, consequentemente, a nós mesmos. A desigualdade é uma consequência de negligência social, unido à conformidade dos políticos e falta de eficiência na máquina pública. Atualmente até existem iniciativas do setor privado, porém o objetivo real das empresas não é solucionar este problema, e sim se beneficiar da imagem que as iniciativas passam à sociedade, de forma que elas passam a ser mais atrativas pelo olhar do consumidor. Do lado público, a divergência política impossibilita a elaboração de planos a longo prazo e do jeito que as coisas estão indo, não está funcionando, como você bem mencionou. Minha colaboração é voltada para os ideais políticos, e como as ideologias moldam as iniciativas, o porquê de cada lado defende a bandeira que ergue. Discordo um pouco em relação aos interesses de cada lado. A direita, especialmente no Brasil vem defendendo um discurso muito parecido com os republicanos nos EUA, dos direitos de cada cidadão e o acesso à liberdade. Desde a guerra política entre STF x Elon Musk até a pauta da escola sem partido. Mesmo que às vezes, os políticos divirjam quanto ao direito individual, sendo que por vezes acabam defendendo questões apenas quando convém com seus ideais. Um exemplo clássico disso é a pauta do aborto, que na teoria defenderia a liberdade individual da mulher a fazer o que bem entender com seu corpo, mas na prática, a direita defende o direito do feto a viver – não quero entrar tão a fundo neste assunto para não desvencilhar do foco. No caso da direita, o indivíduo precisa ter a liberdade de escolher como viver, agir e proteger seus direitos. Logo, os programas assistenciais como forma de combate à desigualdade social são vistos como uma forma de desincentivar que a pessoa melhore sua vida por meio do trabalho, considerando que o governo recompensa o cidadão que não se esforça. De acordo com essa linha de pensamento, o governo redistribui o dinheiro do ‘cidadão de bem’ que ganhou dinheiro por mérito para o ‘vagabundo’ – palavra muito utilizada pela direita conservadora. Em contrapartida, a palavra-chave presente no discurso da esquerda é oportunidade. Eles defendem que as desigualdades sociais históricas foram um legado de um sistema capitalista opressor, escravocrata e injusto. Logo, a reparação histórica deve servir de mecanismo para fomentar o acesso dos pobres aos seus direitos e ter as mesmas oportunidades dos ricos. Para mim, a solução não deve se limitar aos extremos, mas uma combinação entre admitir o problema que temos que enfrentar e promover assistência aos que necessitam. As classes E e D precisam do recurso, porém de maneira que possamos recompensar aqueles que se esforçam. Com isso, a junção entre o programa assistencialista e o acesso à educação financeira, aulas de empreendedorismo e acesso à universidade são importantes. O dinheiro em si não soluciona o problema, mas o conhecimento sim. ### Gisela Solymos (leitor) **Contribuição ao tema número 9 de Gisela Solymos profunda conhecedora do assunto:** Querido professor, obrigada por suas reflexões sobre a desigualdade social. A pobreza tem sido o grande tema de minha vida por mais de 30 anos, e acho que resumiria o problema a dois fatores, já citados em seu ensaio: corrupção, especialmente do estado, e falta de educação de qualidade. Corrupção é responsável pelo uso massivo dos recursos públicos para interesses particulares. Isso vai desde o funcionário público que não trabalha a totalidade das gotas pelas quais é pago, ou que, mesmo estando no trabalho, dedica-se a outras atividades; até o político eleito que compõem seu secretariado favorecendo seus apoiadores sem qualquer preocupação técnica ou de entrega, ou a prática da rachadinha ou do uso de recursos públicos para campanhas e assim por diante. Associada a isso – ou talvez até como uma consequência disso, não sei – há uma visão extremamente empobrecida e equivocada, por parte do governo, de que a solução para o problema seja prioritariamente assistencialista, através de programas de transferência de renda e de outros benefícios, minando ainda mais o protagonismo das pessoas e da sociedade. Falta de educação de qualidade destrói a possibilidade de termos mão de obra qualificada e das pessoas poderem se engajar no mercado de trabalho. Mas, além disso, a educação de qualidade contribui para que a pessoa descubra suas potencialidades, seus recursos e desenvolva seu protagonismo , capacitando-a a inovar na busca de trabalho mas também de criar novos trabalhos, identificando e solucionando desafios locais. Com a falta da educação de qualidade temos uma sociedade estagnada, sem visão de futuro e, portanto, sem criativa de e sem iniciativa. Não adianta criarmos cursos técnicos e postos de trabalho se as pessoas não acreditam em si mesmas! Tal visão, poderia ser adquirida no seio da família, mas também esta está em sofrimento profundo, quebrada, adoecida! Sem um governo maduro (e aqui refiro-me a praticamente todos os governos de nosso país, em todos os âmbitos), resta-nos apostar e trabalhar para o fortalecimento da sociedade civil organizada, ou seja, grupos de pessoas que trabalhem ativamente para o bem comum promovendo o protagonismo maduro de todos os envolvidos. Mais à obra??? --- # MORADORES EM SITUAÇÃO DE RUA Ensaios · 11 de março de 2024 · https://luis-gaj.vercel.app/ensaio-no-08-moradores-em-situacao-de-rua ## ENSAIO Nº 08 INTRODUÇÃO Para dar início a este tema, escolhi relatar um pouco sobre o Estado de São Paulo, que é onde falaremos dos moradores de rua. O Estado de São Paulo, é o principal centro eco cultural do Brasil, e o maior exportador. São Paulo é líder mundial na produção de açúcar e energia, também é o maior exportador do setor, com 3% de utilização do território nacional. Até outubro foram exportados, 8,24 bilhões de dólares. Investindo em alta tecnologia, e com responsabilidade com o meio ambiente. Possui uma agricultura diversificada, com produção de café, soja, sucos de laranja, este produto com exportação de 1,74 bilhão de dólares. Produz flores para exportação, e múltiplas fazendas no setor de alimentos, dos quais exporta 2,24 bilhões de dólares. Ainda é importante produtor de fazendas florestais, com produção de celulose e papel, com exportação de outros 2,24 bilhões de dólares. O setor agrícola de São Paulo, está presente em todo lugar. A complexidade dos canais de produção é facilitada por meio de transporte ferroviário e rodoviário, levando os produtos até o maior porto do país, em Santos, estado de S.P. E considerado um dos lugares mais desenvolvidos do planeta, e atingiu isto investindo em ciência e tecnologia, na Universidade de São Paulo, que no setor é considerada uma das cinco mais importantes do mundo. É referência no país, na conservação dos recursos florestais, e responde por 31% do Produto Nacional. Este é um resumo do vídeo que estou anexando e que achei impactante e agradável de saber. Vídeo em anexo. Moradores em situação de rua no Estado de São Paulo. Depois de muito tempo, visitei o centro de São Paulo, e fiquei muito preocupado, vendo grande parte do centro, tomado por tendas de moradores de rua, e não tive coragem de descer do carro, para me dirigir ao centro cultural do Banco do Brasil. Olhando mais atentamente, a outrora Avenida Paulista, se tornou um lugar onde é perigoso caminhar, e até Higienópolis, que era um bairro residencial tranquilo, foi tomado por moradores de rua, que dificultam a vida dos moradores, e onde os preços de imóveis despencaram, frente a esta nova realidade. A minha filha, que morava em Higienópolis resolveu mudar para bairro mais afastado fugindo com as crianças do perigo de pedintes de dinheiro ou de assaltos na porta de casa. Aparece então a grande contradição de São Paulo ser também, apesar do mais desenvolvido, estado com maior número de moradores de rua, segundo pesquisa Ipea em torno de 60 mil, sendo que metade aproximadamente na cidade de São Paulo. O estado mais rico, e com o maior número de moradores de rua, também é muito preocupante, e demanda providências. A primeira reação que vem à mente, é criticar a inoperância das autoridades, para tratar o tema com a seriedade necessária. Recentes tentativas do governador, abordando o assunto dá a impressão de que foram abandonadas as opções que se apresentavam. Então surge o entendimento, que se trata de um problema complexo, porque os moradores de rua, constituem um grupo de diversas origens. Uma boa parte, de quase metade deles, indica que teve problemas familiares, ou com o conjugue, e isso provocou a saída de casa, e outro grupo também significativo, é de pessoas desempregadas, e que não conseguem trabalho. São grande parte de migrantes de outros estados, que vieram na busca de melhores oportunidades, e encontraram dificuldades para se alocar em empregos. Porém, além destes dois grupos, existem os que tem problemas mentais e se recusam a trabalhar, ou a procurar uma vida melhor, e um grupo significativo, afetado pelo consumo de drogas. Sem dúvida o empobrecimento é um dos motivos neste fenômeno em crescimento e segundo estimativa da ONU, existiriam 100 milhões de pessoas no mundo na condição de moradores de rua. Estas cifras estimativas estão mudando constantemente, são difíceis de comprovar, e por isso devem ser consideradas sempre como estimativas aproximadas. No meio destes grupos, que são em grande parte pacíficos, existem os malandros, que aproveitam a confusão, para assaltar e roubar celulares, vivendo desse dinheiro. Interessante notar que parte dos moradores de rua recebem bolsa família, e vivem com esse dinheiro, não tendo gastos de moradia, luz e outros. Pela própria composição desta população, já é possível perceber, que se trata de uma questão multidimensional, e que por isso deve ser tratada pelas autoridades, nas suas múltiplas dimensões. Se pensamos em pobreza, e em exclusão social, este grupo é provavelmente, o mais excluído, e o que demanda maior atenção das autoridades. Para tentar solucionar o problema, pode-se pensar em oferecer moradia para esta população, seja em abrigos, ou em acomodações baratas, e outra solução seria primeiramente tratá-los e tentar resolver os problemas familiares, e o desemprego, minimizando assim o problema. Mas como é um problema multidimensional, entendemos que a situação é complexa, e que soluções simples, não são viáveis de serem aceitas e implantadas. Como é fácil imaginar, depois de termos ido ao centro da cidade, o impacto que está tendo na população que trabalha na região, será de revolta e culpando as autoridades, e a falta de políticas públicas adequadas, mais ainda considerando que São Paulo é o estado mais rico da federação. A curiosidade por saber mais sobre as tendências, me levou a pesquisar o que estava ocorrendo em outros países e comecei a pensar na Argentina, no Uruguai, na Venezuela e Cuba. Na Argentina dados mostram que 43% da população se encontra em estado de pobreza, e não encontrei dados sobre moradores de rua no país. Em Buenos Aires constam 7,2 mil moradores de rua. Em Montevideo 2800 pessoas moram na rua, sendo 55% mais do que poucos anos atrás. Na Venezuela e considerado que 96% da população vive em estado de pobreza, sendo 79% em situação extrema, porém não existem dados sobre moradores de rua. Em Cuba 33 mil pessoas moram em abrigos fornecidos pelo governo e que no total haveria 130 mil pessoas nesta situação. México, Argentina e Colômbia, seriam os que tem bastante moradores de rua, mas bem menos que no Brasil Vamos olhar o que acontece nos países mais ricos do planeta, começando pela Europa e Estados Unidos. Na Europa, as cifras de moradores de rua estão estimadas em um milhão, sendo na Alemanha 447 mil moradores de rua e na Itália 100 mil. O único país onde foi constatado que o problema foi totalmente equacionado foi na Finlândia, sem moradores de rua. Também Reino Unido e Franca tem grande número de moradores de rua. Nos Estados Unidos existem 653 mil moradores de rua, sendo que na cidade de Nova York tem 100 mil. Países onde existem regimes totalitários como China e Rússia, não possuem dados sobre moradores de rua. Mas os países onde existe maior incidência do problema, é nos países em desenvolvimento, capitaneados por Índia, China, Brasil, Estados Unidos Nigéria e Rússia. A causa principal seria as desigualdades sociais, a pobreza, conflitos armados e falta de políticas públicas. No Japão que não aceitava essa realidade, hoje se aceita a existência de moradores de rua, mas em número menor, porque moradia no Japão, é considerada barata. No Canadá tem 200 mil moradores de rua. Na Indonésia existem mais e estão isolados em bairros. Também grande número de moradores de rua, nas Filipinas e na Tailândia. Países como Nigéria, África do Sul e Quênia, Egito, Síria Iraque e Líbano também tem esse problema. No Brasil constam atualmente 280 mil moradores de rua, sendo que em São Paulo seriam 88 mil e na capital 53 mil, contradizendo os números mencionados no início e que eram de 2019. Por isso é preciso olhar para eles, como inseguros e se alterando constantemente. Com 17 milhões de favelados no país, não é de estranhar que o número dos mais excluídos dos excluídos seja tão grande. Após perceber que é um problema global, pela pequena amostra coletada, cheguei a conclusão de que não se trata de um problema localizado no Brasil, e sim de uma tendência mundial altamente preocupante, e em crescente evolução, uma pandemia social, das dimensões do Covid 19, porém não existe uma vacina para sua solução, demandando tratar do problema com a complexidade que merece, em suas múltiplas dimensões. Para tentar concluir este breve ensaio, me permito humildemente fazer a sugestão de dividir o problema em partes. Para começar sugeriria se fazer um censo desta população, mapeando os que tem problemas familiares, e os que não conseguem emprego em primeiro lugar, e concomitantemente todos os outros, que estão nesta situação. A partir deste mapeamento, se poderia auxiliar com gestão de conflitos, com psicólogos e profissionais sociais, e até com visitas domiciliares, para minorar esta população, e com relação a aqueles que não conseguem emprego, formas de auxílio, com agências de colocação para ajudar a se colocarem no mercado. Pode ser que seja ingenuidade, minha pensar que é tão simples assim, mas empreender ação concreta e contínua, seria importante para estancar o crescimento desta população, e talvez até para minorá-lo. O IPEA, que já fez estudos neste sentido deveria ser equipado para poder continuar seu trabalho, e até propor soluções. Infelizmente, e apesar dos avanços tecnológicos, e até na melhora dos índices de desenvolvimento humano, constatar que o problema é mundial e grave, nos países ricos também, é altamente preocupante sobre as tendências de desenvolvimento que nos aguardam. Para terminar, este problema dos moradores de rua, ele e tangencialmente relacionado com um problema maior, e que está também em crescimento, que é a criminalidade, a segurança pública, e a crescente importância que vem tomando o tráfico, as milícias, e os grupos de extermínio, o Brasil se tornando cada vez mais, um país inseguro e perigoso. Amigos canadenses que convidamos para nos visitar, se negaram a vir para o Brasil temerosos dos assaltos, assassinatos, e sequestros, e impressionados com as notícias que circulam no exterior. O ano de 2024, inicia-se com enorme turbulência no mundo, e com perspectiva nada agradável, com guerras sem chance de terminar brevemente, com eleições americanas que podem provocar grandes mudanças, com Venezuela ameaçando vizinhos, e com a OTAN mobilizando forças temendo ser atacada pela Rússia, com o Irã bombardeando separatistas no Paquistão, e o Paquistão prometendo retaliações. Assim, as perspectivas para o ano, são de grande instabilidade, e torcemos para o bom senso dos líderes, que são cada vez mais autocráticos e intransigentes. Sem dúvida, carecemos no mundo atual de lideranças, de estadistas preocupadas com o futuro, com a civilização, e com o entendimento entre todos, neste mundo em que vivemos, que se tornou pequeno e limitado pela tecnologia. Por sua vez, a sábia natureza, está respondendo com inundações, temperaturas superquentes e super frias, o fenômeno El Ninho, reagindo ao desrespeito que nos humanos tivemos com ela. Neste ambiente complexo, o problema dos moradores de rua, apesar de sua importância, passa a ser menos percebido, e menos gerido, e fica o alerta para se manter foco também nele, apesar da distração que provoca o aumento das incertezas. Como os leitores perceberam, tem muito assunto para receber contribuições, e enriquecer os temas hoje abordados. Aguardamos seus comentários. Abraços **Luis Gaj** ## Contribuições de leitores sobre "MORADORES EM SITUAÇÃO DE RUA" ### Miriam Menossi (leitor) É alarmante o número de pessoas sem moradia no mundo inteiro. Fiquei pasma! Acredito que a desigualdade social seja um dos motivos, mas não só. Nascemos para evoluir como seres humanos e para isso necessitamos de apoio familiar sendo, desde cedo, educados para sermos honestos e gentis, que é a base da nossa formação como cidadãos. Em seguida vem a Escola com o aprendizado que precisamos pela vida afora. Sempre considerei que o professor deve ser, também, um educador, corrigindo certas tendências nefastas que algum aluno apresente. Na vida temos muitas oportunidades de promover nosso crescimento, sendo gentil com os vizinhos, ajudando quem precisa, trabalho voluntário. Usando sempre as palavrinhas mágicas: "por favor", "obrigado", "desculpe", "sinto muito". Quem possui uma boa formação familiar é escolar pode até ser pobre, mas é uma pobreza digna, porque a pessoa é digna. Infelizmente os moradores em situação de rua raramente tiveram uma infância e adolescência de qualidade e para sobreviver tomaram esse rumo. O Governo tem a sua parcela de culpa por não ter atuado com o deveria antes do problema chegar nessas proporções. Não vejo um caminho para solução de tão grave situação. Como diria Camões "agora Inês é morta" ### J.F. Saporito (leitor) Os dados estatísticos não são confiáveis e em muitos países sequer estão disponíveis. Apesar disso fica claro em qualquer pesquisa básica sobre o tema, tratar-se de um problema mundial e não apenas de situações localizadas na América do Sul, África ou em regimes em que o sistema político “esconde” a realidade local. A tendência dos estudos em geral é de relacionar o problema dos moradores de rua a questões de ordem familiar, econômica, desemprego, uso de drogas e distúrbios mentais, o que não deixa de ser verdadeiro. Todavia, também é verdadeiro o fato de que parte do problema é motivado pela baixa oferta de moradias que são oferecidas pelas políticas públicas, cujas condições sejam compatíveis com as possibilidades de centenas de milhares de pessoas de baixa renda. Os custos dos aluguéis para não falar de compra de imóveis, são incompatíveis com a renda de muitos que moram na rua e eventualmente conseguem algum tipo de trabalho paralelo que mal dá para sobreviver. Muitos inclusive estão nas ruas porque deixaram de pagar o aluguel ou perderam as casas, a partir do momento em que perderam seus empregos. Eles não estão na rua por decisão própria, mas sim porque foram obrigados. Em geral nesses casos, outras pessoas do núcleo familiar que estejam um pouco mais estabilizadas, não têm condições financeiras de dar apoio suficiente para aquele que entrou em situação de desespero. Outra questão muito relevante é que no Brasil e talvez a nível mundial, os homens representam 80% a 85% dos moradores de rua. Desses, entre 70% e 80% estão na faixa etária de 18 a 50 anos, o que significa que são pessoas potencialmente ativas e disponíveis para o trabalho. Se não trabalham é porque não conseguem colocação compatível com o que sabem fazer ou porque não possuem nenhuma qualificação profissional exigida pelo mercado. Em recente pesquisa publicada em dezembro 2023 pelo IPEA, foi informado que no Brasil temos atualmente, 227,0 mil moradores de rua e que em 2013 tínhamos 21,0 mil. O crescimento é algo assustador. A população publicada pelo IBGE de 2013 era 201,7 milhões enquanto o último censo fala em 203,0 milhões. Em outras palavras, se essas informações estiverem corretas, entre 2013 e 2023 tivemos aumento de 10 vezes o número de moradores de rua e algo em torno de 1% na população. Será que esses números são confiáveis? Se forem, a situação é muito mais do que preocupante pois está havendo um aumento exponencial. Como dito anteriormente, a situação é mundial. Vamos a alguns números disponíveis não com a intenção de comparar, mas para situar a globalização do problema. Buenos Ayres 7,2 mil Montevideo 2,8 mil Cuba 33,0 mil em abrigos públicos e 130,0 estimados Alemanha 447,0 mil Itália 100,0 mil Estados Unidos 653,0 mil New York 100,0 mil California 170,0 mil Los Angeles 75,0 mil Canada 200,0 mil Brasil 280,0 mil contrariando os 227,0 do IPEA São Paulo Estado 88,0 mil São Paulo Capital 53,0 mil Favelados do Brasil 17,0 milhões. Quando pensamos na pujança econômica da cidade e do Estado de São Paulo e infelizmente constatamos a real situação dos moradores de rua ficamos preocupados e com dificuldade de entender o porquê dessa situação. Não serve de consolo nem como justificativa dos fatos, mas vale a pena tomar conhecimento de uma realidade semelhante que existe no mais importante Estado americano do ponto de vista econômico. A California é o Estado mais rico dos Estados Unidos e o quinto maior PIB do mundo. Apesar disso vive uma crise humanitária sem precedentes, especialmente na cidade de Los Angeles. Os dados revelam que metade dos desabrigados americanos vivem na California. Mesmo com a intenção de fazer altos investimentos o Estado não sabe exatamente como tratar e resolver o problema dos moradores de rua. A California gastou US$ 17,5 bilhões tentando combater a falta de moradia nos últimos 4 anos. Quando alguém diz que com esse valor o governo poderia ter pago o aluguel de cada uma dessas pessoas desabrigadas, Jason Elliott consultor do governador sobre a falta de moradia responde que dois terços das pessoas de rua estão apresentando sintomas de saúde mental e que eles não podem simplesmente pagar o aluguel. O governo está tentando comprar motéis e prédios comerciais para transformá-los em moradias permanentes. Até agora conseguiram 13.500 unidades, mas que não são suficientes seguindo Elliott. Por enquanto o objetivo e reverter a curva e evitar o aumento de moradores de rua. Recentemente a Dra. Margot Kushel que foi contratada pelo para descobrir quem é um sem-teto na California publicou um estudo com 3.200 pessoas desabrigadas e desmistificou alguns mitos como: não é verdade que as pessoas de rua não querem uma moradia permanente; muitas pessoas moradoras de rua não são da California. Acredita-se que muitos já eram moradores de rua em outros locais e vêm para a California por causa do clima e das políticas públicas oferecer melhores condições do que outros Estados. O relatório da Dra. Kushel também constatou que 66% dos moradores de rua declararam que sentem sintomas de problemas de saúde mental, depressão e ansiedade. Todavia a Dra. Questiona se eles tinham esses problemas ou adquiriram como consequência de serem moradores de rua. Quando nos deparamos com a situação de São Paulo constatamos que ela é praticamente igual ao problema da California que apesar de terem muitos recursos tanto financeiro como de profissionais especializados, não sabem exatamente como resolver estando no processo de tentativas que amenizem e evitem a evolução do problema. Se eles têm dificuldade em encontrar soluções usando bilhões de dólares, como vamos resolver os nossos problemas sem ter recursos tanto financeiros como estruturais? Enfim, não estamos sós. Também é preciso considerar que a busca de solução para essa realidade social de caráter global, independe de ações individuais de cada cidadão, pois trata-se de algo muito maior ligado a políticas públicas de Estado. É doloroso dizer que o problema não tem solução de curto, médio e até mesmo de longo prazo, mas é uma situação real sem luz no fim do túnel. A única referência que encontrei sobre a não existência de moradores de rua foi em relação a Finlândia, que segundo consta está praticamente zerando o número de moradores de rua. J.F.SAPORITO 12/02/2024 ### Irene Nani (leitor) Querido Luiz, li com muita atenção as contribuições de Saporito e as achei extremamente interessantes, assim como o ensaio n* 08 e o vídeo que você enviou! Um grande abraço e muitos beijos para você e para Eva ! ### Lejbus Czersnia (leitor) Oi Luis Magnífico trabalho! Parabéns! --- # DECADÊNCIA Ensaios · 11 de março de 2024 · https://luis-gaj.vercel.app/ensaio-no-7-decadencia ## ENSAIO Nº 7 Este ensaio parte de uma hipótese: tudo que existe ou que venha a existir, no nosso mundo, e que tenha vida, ou seja criado pelo homem, possui uma tendência a sofrer o processo da decadência. Para provar a hipótese dividimos o meio natural, os objetos que nos rodeiam, o mundo animal e o mundo dos seres humanos com as suas criações. Já o Buck, da Metal Leve, dizia que as árvores crescem para cima, mas não para o céu. Meu pai dizia não tem bem nem mal que dure cem anos, se referindo ao período de 39 a 42, em pleno andamento da guerra e invasões da Alemanha. Previa que em algum momento haveria o fim do nazismo. Podemos dizer hoje o mesmo quando nos referimos ao Irã dos Ayatolás, desde fevereiro de 1979 no poder. e como consequência, dos grupos terroristas Hamas e Hezbollah. Vivemos num mundo caótico, cada vez mais apressado, poluído e confuso, onde o celular não para o dia inteiro, e onde conflitos se sucedem no mundo. A pressa por realizar, por construir, por deixar uma marca no mundo, impulsiona os seres, que também precisam, para atingir um certo equilíbrio, buscar formas de compensação. No meio natural, observamos as plantas e constatamos que decorrido o seu tempo de vida, as árvores, as flores, as plantas, tendem a se transformar para gerar ciclos de desenvolvimento, e nesse processo mudar de cor, caem as folhas, e no fim terminam em decadência, até que deixam de existir, mesmo que tenham vida longa. Os objetos que nos rodeiam, possuem o mesmo ciclo de vida, são criados, e quando prontos, são vistosos e atraentes. Por exemplo um carro novo sai da venda gostoso, sem um barulho, desliza suavemente e nos oferece prazer. Poucos dias de uso e começamos a sentir algum barulho e com o passar do tempo precisamos levá-lo na oficina para lubrificar e para manutenção. Ele também tem vida limitada, a sua decadência está determinada, até que atingindo elevada quilometragem o passamos para frente, porque o custo de manutenção fica elevado. O novo comprador, o aproveita enquanto possível, e chega o dia em que será sucateado. Objetos de toda espécie sofrem a deterioração natural que acontece com o passar do tempo, e mesmo que as casas, que são construídas para durar a vida toda, estão destinadas a ser demolidas ou reformadas amplamente, na geração que a construiu ou nas futuras gerações que as adquirirem ou nas que herdem. Objetos menores, como geladeiras, micro-ondas, e torradores de pão, entre muitos outros, inclusos televisões são destinados a vida curta, seja porque envelheceram, seja porque novas tecnologias, os tornaram obsoletos. Assim acontece com os telefones celulares, onde novas series mais modernas e com maiores recursos obsoletam as séries antigas, e impulsam compradores a adquirir o novo. E num mundo de grandes transformações tecnológicas ocorrendo cada vez mais rapidamente, a necessidade de nos atualizar, nos obriga a buscar o novo e mais atual, dentro de nossos limites de poder de compra. Assim também os carros elétricos, silenciosos, econômicos e não consumidores de petróleo, mudaram a tecnologia e vieram para ficar. Logo virão os sem motoristas e os veículos voadores e os carros atuais ficarão obsoletados. No mundo animal tomamos conhecimento de que o nosso animal de estimação tem vida curta, muitas vezes requer assistência veterinária, e tem seu fim aproximado calculado pela experiência. Animais maiores possuem vida mais longa, e tartarugas vivem mais do que os humanos. Dentro do reino animal, depende de cada espécie, mas todas tem o seu ciclo de nascimento, crescimento, maturidade, declínio e desaparecimento. Seres humanos, quando não eliminados em guerras inúteis por espaços de terra, ou por ódio, vivemos também o nosso ciclo respeitando nossos antecedentes, da história familiar, das doenças herdadas, e da capacidade de adaptação a um mundo poluído, com aquecimento do planeta, pela destruição das florestas, pela poluição dos rios, e pela contaminação do ar. A capacidade de adaptação depende de cada organismo, mas cada vez aparecem novas doenças, que surgem como consequência da transformação do ambiente, também pela ação do homem, transformando os produtos que comemos, para obter maior produtividade e maior lucro. Assim produtos ultra processados, contribuem para encurtar a existência e também para enriquecer dirigentes e acionistas de muitas empresas, que sem medir efeitos, produzem alimentos agradáveis para o paladar, e até que viciam no consumo, mas que, com uma máquina publicitária eficiente, convencem milhões a consumir, sem maior valor nutricional, sem contribuir para a saúde, tornando pessoas obesas ou subnutridas, em lugar de pessoas saudáveis. Naturalmente existem empresas que procuram se adaptar às novas exigências e buscam assistência, para melhorar a qualidade dos produtos. Acionistas e executivos destas empresas são muito eficientes em calcular custos e precificar, tornar embalagens e cores incentivadoras, e produzir lucros, compensados com boas remunerações, e gratificações. E quando as vendas diminuem, ações do marketing e promoções, incentivam aumento de consumo, e melhora no desempenho, no rendimento, e na rentabilidade. As transformações genéticas dos alimentos, nunca puderam ser comprovadas, em termo de seus efeitos para a vida, tão somente serviram para aumentar a produtividade das lavouras e imaginamos que estas e outras transformações, destinadas obter maior produtividade, assim com o uso de pesticidas e fertilizantes, nunca tiveram estudos relativos a como estas modificações estão afetando a vida. A decadência das empresas que não se adaptarem ao mundo novo, será muito provavelmente rápida, e se analisarmos, numa visão de helicóptero, constataremos as profundas transformações, e o grande número de empresas, que deixaram de existir, por inadequada adaptação. A decadência delas foi notória. Muitas também sofreram decadência porque produtos chineses, com custos muito menores, as tornaram incompetentes para sobreviver, seja pelo custo Brasil, ou por outros motivos no mundo econômico. Apesar do processo de decadência acima relatado, o ciclo de vida média das pessoas, tem aumentado gradativamente, e o número de idosos, tem aumentado em relação às outras faixas etárias. Acredito isto seja consequência do avanço da ciência, e da medicina cada vez mais especializada, e à redução dos índices de natalidade, notadamente na Europa. A proposta a seguir é direcionada a análise e sugestões pra mesmo com o declínio e decadência inexorável, que a vida dos seres humanos encerra, seja possível minimizar os efeitos da decadência, e até prolongar a existência, com motivo justificável, ou com sentido renovado. Voltamos assim, ao tema da entropia natural, que se instala em tudo, e das medidas para introduzir entropia negativa. Nos objetos, nas coisas, os cuidados de manutenção são importantes, e recomendáveis, nos espaços de tempo necessários em cada caso. Já na vida dos seres humanos, combater a decadência não significa eliminá-la, ou até postergá-la, mas sim melhorar o estado físico e psicológico. Nas medidas destacam-se uma boa alimentação, o uso do sono reparador, no número de horas adequado para cada organismo, uso de suplementos alimentares, e sem falta, a manutenção da máquina, do corpo, com caminhadas, ginástica, e outras atividades prazerosas. No cuidado com a mente, a leitura, os relacionamentos, a convivência familiar, o lazer e o intercalar ocupar-se, com descansar e, até perceber o entorno, mantêm a mente saudável, e incluso o corpo. No entanto a decadência faz parte da existência e do ciclo biológico, e será percebida e sentida, pelas limitações que impõe na medida que os anos se somam. Acreditamos que tentar provocar artificialmente o prolongamento da vida, seria um processo atentando contra a natureza, e que quando chega nossa hora, que não sabemos quando será, seja processada de forma natural, o e sem artifícios. Mesmo tendo concluído este artigo, e pensando macro, todos os grandes e poderosos impérios da antiguidade tiveram as suas decadências históricas e abordadas nos compêndios da matéria. Mas se pensamos nos dias atuais, podemos perceber as mudanças em andamento, com uma Europa deixando aos poucos de ser europeia, empobrecendo, e caminhando para a islamização, percebemos o declínio que antecede a decadência, dá até então principal potência do mundo, os Estados Unidos e seu dólar perdendo valor, pelo comercio internacional passando a ser na moeda dos interlocutores, e a China, apesar de suas desigualdades, se tornando a maior potência mundial, e sem dúvida, tendo papel importantíssimo, nas decisões sobre o mundo do futuro. Processos de decadência, são acompanhados de processos de surgimento e crescimento, destinados estes também, à decadência futura. **Luis Gaj** *Observação: espero contribuições e até não concordância com o tema escolhido* ## Contribuições de leitores sobre "DECADÊNCIA" ### J F SAPORITO (leitor) O império Mongol entre 1200 e 1370 foi talvez o maior da história em extensão. Sua decadência aconteceu principalmente pela dificuldade de administrar uma vasta extensão de territórios em uma época em que as comunicações dos fatos demoravam meses para chegarem ao conhecimento de quem tinha o controle, criando com isso dificuldades em manter a ordem e o domínio territorial intacto. O império Romano durou cinco séculos e pode ser considerado o maior da civilização da história ocidental. Os conflitos de administração, o mau uso das forças armadas, das riquezas, da soberba, do cristianismo e as invasões bárbaras decretaram a sua decadência e fim por volta de 470 D.C Nos últimos 20/25 anos estamos percebendo uma nítida decadência dos Estados Unidos como lider mundial. Por motivos de ordem economica, política, religiosa, social, imigração, má distribuição de renda nos países não desenvolvidos, participações ativas em guerras desnecessárias, interferências em políticas internas de outros países, não surgimento de novos líderes a altura dos desafios que o mundo exige e falta de empatia de muitas nações, os sinais de decadência americana são fortes e evidentes. Soma-se a isso tudo a própria inercia do povo americano que pouco a pouco transferiu para terceiros muitas atividades decunho produtivo. por julgarem tratar-se de atividades de menor importância que não estavam a altura de serem realizadas por um americano. Com certeza o próximo imperío será a China cujo PIB durante muitos anos esteve na faixa dos 7% a 10% aa e mesmo agora com todos os problemas da economia mundial conseguiu crescer 5% em 2023. Apesar dos fatores econômicos hoje positivos, do alto volume de investimentos que a China faz em países ao redor do mundo, dos significativos avanços dos cientistas chineses e das suas parcerias estratégicas com os não alinhados com os Estados Unidos, um dia no futuro, a China também entrara em decadência. Todas essas grandes nações imperiais do passado e do presente podem ser consideradas MACRO-COSMOS, ditando durante um certo período de tempo, suas regras e políticas a serem seguidas pelas sociedades satélites. Elas nunca serão eternas, mas sim participantes de um ciclo vitorioso com determinado período de vida útil. Essa breve introdução sobre impérios do passado é apenas para afirmar que verdadeiramente, não me preocupa as sucessivas decadências entre os impérios que surgem através dos tempos. Eles se formam, conquistam o espaço durante um certo período e se decompõem por si mesmos. O que me preocupa e me assusta nos dias de hoje são os visíveis sinais de decadência das ações do ser humano. Esse sim é um participante formador do que podemos denominar como MICRO­COSMOS. Cada ser humano é parte integrante dos oito bilhões de seres vivos do planeta. Eles atuam defendendo posições de seus particulares interesses, se multiplicam continuamente fazendo parte de movimentos que hoje influenciam na tomada de decisões das sociedades. Por sua presença atuante e coordenada, acabam por ter êxito nos seus objetivos e consequentemente modificar de maneira direta, indireta, temporariamente, ou de forma definitiva, o sistema como um todo. Em nome do politicamente correto, os não alinhados com as pessoas que que formam os Micro-Cosmos estão a cada dia, concordando mais e mais com mudanças radicais., sem terem paciência e liderança suficiente para questionarem as propostas colocadas em evidência. São esses seres individuais ou corporativos verdadeiros Micro-Cosmos em si mesmos, que nas suas ações individuais ao redor do mundo, muitas delas com características de decadência social, assustam pela velocidade que estão imprimindo nas contestações, na defesa de teses, no uso do Estado em benefício próprio e na prática de atos de corrupção. Colocam um ar de contínua preocupação com o presente e o futuro nas pessoas de perfil mais centradado, tradicional e praticante de costumes conservadores A era digital e a disponibilidade da informação de forma instantânea e universal, faz com que o indivíduo ou grupos de pessoas se conectem e transformem em realidade pelo bem e pelo mal, vários temas até então considerados tabu nas sociedades tradicionais. Os movimentos da neo-sociedade evolui cada vez mais nas redes sociais através de teses e discursos que visam obter alterações de leis e direitos até então inexistentes, algumas vezes chocantes. Estamos passando por uma guinada de 180 graus em relação as tradições e comportamento de um passado recente, quando o ser humano era mais estável e responsável com o “status quo” vigente. A velocidade das mudanças impede a análise e absorção correta das consequências e implicações que teremos em nossas vidas, famílias e nas sociedades do futuro. O espectro que representa os mais variados grupos de pessoas que estão transformando o planeta no que podemos chamar de “época do vale tudo”, é bastante amplo, sendo um fenômeno de caráter mundial. Ninguém está contente com nada. Todo mundo tem uma proposta inovadora. Muita gente contesta, mas dificilmente propõe boas alternativas. As rachaduras no núcleo das famílias colocam pais e filhos em constante conflito. Muitas pessoas estão dispostas a tudo para levar vantagem. O respeito mútuo na sua maneira mais ampla de ser usado está fora de moda. A grande maioria da população mundial quer ter o que não pode ter e para isso está disposta a avançar e descumprir regras gerais da sociedade, muitas vezes despreocupados com as consequências. Sim, não resta nenhuma dúvida de que estamos vivendo um momento de ruptura dos valores que até então direcionavam a forma de ser da sociedade do nosso tempo. De uma forma em geral, estamos produzindo farta decadência em questões de Moral e Civica, Jurídica, Religiosa, Usos e Costumes. Estamos produzindo decadência pela introdução definitiva das drogas não só nas classes A e B como também nas de menor poder econômico, resultando em ruptura de milhares de famílias até em então bem estruturadas. A impunidade em certos países é uma forma de decadência disfarçada de benevolência humana na busca de tentar recuperar o que quase sempre é irrecuperável. A corrupção envolvendo pequenos e grandes valores seja talvez a mais temida das práticas que levam as sociedades a um estado de decadência sem volta. Os políticos de uma forma geral em todo o mundo estão desacreditados. O que dizer de pessoas que diariamente roubam telefones celulares em plena rua? O que dizer de pessoas que durante a noite pintam uma parede com uma cor de tinta que danifica o local? O que dizer do que está acontecendo com as fakes News? A única palavra que identifica esses acontecimentos é a palavra decadência do comportamento social. O contínuo fluxo imigratório de africanos para vários países da Europa e até mesmo em países da América do Sul deixa claro que a decadência, as guerras, as ditaduras e a insensibilidade dos mais ricos está provocando nas pessoas sem privilégios, medo, fome e tentados a desafios de arriscar a própria vida para sobreviver. Os imigrantes não estariam fugindo do seu próprio país se não fossem obrigados a essa decisão extrema. Não resta dúvida que os fluxos migratórios estão relacionados com as ações cada vez mais visíveis de maus governantes. São sim consequência da decadência econômica financeira e da má divisão de riqueza entre as nações. Essa atual fase de decadência da humanidade é muito diferente da decadência das nações que formaram grandes impérios. Estes depois de um determinado período de glória foram, são e serão substituído por um outro emergente sem que a sua época de domínio seja impactante de forma definitiva nos usos e costumes dos eventos futuros A decadência atual provocada pelo conjunto de seres individuais não será modificada por motivo de interferência de líderes religiosos, por políticas deste ou daquele país, e até mesmo por tentativas de mudanças de leis em blocos de países que procuram ter a mesma sinergia e interesses comuns. Não consigo imaginar de que forma em determinado momento crítico do presente e do futuro, o estado de decadência social em curso que está sendo implantado pelos Micro-Cosmos, será paralisado e direcionada para um novo ciclo virtuoso. A despeito dos sinais negativos que marcam a decadência da sociedade em que vivemos, precisamos reconhecer os incontáveis avanços da ciência e tecnologia. Estamos vivendo um boom de descobertas facilitadores da vida do homem, com grandes avanços na medicina, nas pesquisas, na produção agro, na engenharia espacial e muitas outras. Claro que nem tudo está disponível para todos pois a disparidade de renda entre os povos impede uma justa participação dos benefícios aos menos favorecidos. Sem dúvida muitas coisas boas e maravilhosas estão acontecendo. Nos dias de hoje, a evolução em 10 anos é mais rápida e mais importante do que vários séculos de períodos anteriores. A inteligência artificial está em plena fase de introdução tanto nos meios acadêmicos como disponível para as pessoas comuns. De um lado ela pode contribuir para avanços benéficos e importantes para a humanidade, mas por outro lado ela poderá ser um fator determinante de empobrecimento do homem. Fico imaginando de que forma seremos afetados em um futuro breve quando jovens ao redor do mundo usem a IA para fazer seus trabalhos escolares, deixando de estudar, analisar, compreender e tirar suas próprias conclusões sobre determinados temas propostos. A proliferação do uso da IA de forma desordenada será efetivamente um período de grande decadência do homem como um ser vivo pensante. A decadência mundial está batendo na porta, está tocando a campanha, disposta a entrar de qualquer maneira, apesar da celeridade com que as novas pesquisas e descobertas cientificas positivas ao nosso bem-estar surgem a cada dia. Resta saber se será possível conciliar por tempo infinito, a convivência entre duas direções que são tão antagônicas e caminham para rumos opostos. J.F.SAPORITO – 20/01/2024 --- # PRIVATIZAR OU ESTATIZAR Ensaios · 11 de março de 2024 · https://luis-gaj.vercel.app/140 ## ENSAIO Nº 06 Este tema tem sido objeto de todos os governos, especialmente nas campanhas políticas, e também no início de um novo governo Acontece que os governos se sucedem periodicamente, quando não vivemos numa ditadura, e o dilema do que fazer nesse sentido é muito presente. Nas campanhas políticas antes das eleições os argumentos de ambas as posições são fortemente defendidos e terminam sendo características da direita, ou da esquerda. E repetindo inúmeras vezes os argumentos, terminam provocando identificação dos adeptos de cada orientação política. Assim e com muitos argumentos convincentes, partidários de cada legenda, se identificam. Após as eleições, as atitudes de privatizar estatais, ou estatizar empresas privadas, passa a ser parte das atitudes dos governantes de plantão, provocando acalorados debates no congresso Imaginemos um governo assim autoproclamado de direita e quais seriam as suas prioridades nesta questão. Uma das prioridades será privatizar, acreditando na iniciativa privada e no livre comércio. Acreditam que a privatização irá beneficiar a economia, gerará empregos, e promoverá o crescimento dessas empresas, melhorando assim, os serviços oferecidos à população. Outro grande argumento é torná-las competitivas e eficientes, e que a iniciativa privada dará novo impulso nessas empresas, que eram estatais. Como estatais eram consideradas ineficientes e serviam de cabide de emprego para políticos que mesmo sem ser especialistas ou profissionais da atividade, para geri-las na busca de apoio, ou que serviriam para colocar amigos, familiares, e correligionários, que ajudaram nas campanhas da eleição. Nessa transformação, no entanto, se forem de serviços essenciais, e únicas, poderiam gerar dependência, e até onerar os usuários. Sendo estatais, elas poderiam ser subvencionadas e os serviços de custo baixo, servindo nas futuras eleições. Favorecendo e estimulando as iniciativas privadas, pode se atrair investimentos estrangeiros e pode ser visto como positivo pelo mercado, gerando confiabilidade no governo e promovendo investimentos, que gerariam empregos. Tendo sido política preconizada durante a campanha eleitoral, as privatizações seriam realizadas gradativamente, ou de forma acelerada, dependendo do apoio do congresso nas votações. Resta perguntar como estas privatizações seriam realizadas. O Presidente Menem na Argentina promoveu muitas privatizações, que depois se provaram favorecendo relacionamentos de longa data, amigos, de forma a não atingir as melhores condições, sem ser cristalino, e transparente, e assim depende muito de como seria conduzido o processo. Desta forma, não trouxeram benefícios reais para os argentinos. Acreditamos que no novo governo de Javier Milei, se voltará ao mesmo caminho, mas esperamos que seja de forma clara e honesta, pensando sempre, em bem servir aos populares que os elegeram. Acredito que os leitores deste ensaio, já tem definida as suas posições e já tenham escolhido qual das duas e melhor para o país. Se o novo governo se titular como de esquerda, socialista, e tiver contado com apoio de partidos comunistas, o foco será estatizar e desta forma aumentar o poder do Estado e permitindo aumento da influência do governo, nos destinos dessas empresas que tinham sido privatizadas, ou que estavam em vias de serem privatizadas. Os argumentos, a favor da estatização residem em oferecer serviços subsidiados, em permitir aumentar a esfera de influência política, na criação desta forma de apoio para realizar outras medidas que atendam seus eleitores, privilegiando minorias de amigos, relacionamentos e defensores comprovados da nova linha a ser implantada. Outro argumento e, que sendo serviços essenciais, cabe ao governo central decidir sobre eles, em nome de nacionalização, ou patriotismo, evitando que as empresas se tornem, fontes de lucro para a iniciativa privada. No governo de extrema esquerda, o lucro das empresas provoca inveja, e tratado com certa desconfiança e do ponto de vista do mercado e desestimulante, e com preocupação com o futuro, como receio de virar uma Venezuela, promove fuga de capitais. Assim a estatização prioriza a centralização do poder do governo e desconsidera, o potencial de contribuição da iniciativa privada Também se argumenta que cabe ao governo desta forma alavancar o crescimento, investindo em projetos e na atuação das empresas, gerando empregos também na máquina estatal e nas diversas regiões do País. Esta política pode conduzir à ineficiência, e geração de prejuízos, contribuindo para o déficit fiscal, tão preocupante. Quando a estatização é acompanhada de exagero nos gastos públicos, a desconfiança do mercado aumenta e os investimentos ficam paralisados e se concentram nos investimentos promovidos pelo governo. Estatizar pode também conduzir à ineficiência e inchaço das estatais, servindo para acomodar apoiadores Constatamos que ambos os argumentos são válidos Penso que o grande problema não está em privatizar, ou estatizar, e sim de que país estamos falando. Antes porém, precisamos destacar, que como os governos se sucedem de uma para outra linha política, o grande prejuízo para a nação, decorre da suspensão de obras em andamento porque foram promovidas pela gestão anterior, e a descontinuidade nas próprias empresas que mudam de direção e que podem ser dirigidas ou por profissionais, ou por apadrinhados. Se estivermos num país sem corrupção, com políticos sérios e defensores do bem público, acreditamos que a escolha entre privatizar ou estatizar, será menos importante, e até poderá deixar de ser prioridade, porque a gestão das atividades governamentais estará pautada na transparência, no interesse público e no bem servir. Neste casso haveria continuidade das obras sem paralisá-las por interesses políticos. Num País com esta característica, se houver empresas públicas do estado, será porque são essenciais e bem administradas, com profissionais competentes, remunerados de acordo com seu desempenho, e não por fazerem parte de uma gangue de privilegiados. Somente o fato, de se promover o debate, sobre estatizar ou privatizar, já é um mal sinal, do que se avizinha em termos de que pais temos pela frente, e qual será a política a ser seguida. Infelizmente temos constatado que o que um governo faz, o outro desfaz, e isso não somente em termos de políticas públicas, mas de forma abrangente, até com obras que ficam paralisadas porque foram iniciadas em governos dos quais discordamos. Infelizmente também na América Latina, nem com lupa encontraremos governos seriamente empenhados no bem público. Uma vez no poder, o gosto do poder corrompe, e como dizia José Mindlin: O Brasil não é um país sério, mas funciona. A pergunta é: até quando, com privilégios, corporativismos, com nível elevado de dependência do estado, com aposentadorias públicas de valor absurdo. Acredito num país pequeno como o Uruguai, onde prevalece uma certa transparência na gestão pública, e com 3 milhões de habitantes, 1,5 em Montevideo e o resto distribuído no país, seja mais fácil se controlar, com uma população educada e consciente, os destinos das ações que forem empreendidas. Bolivar Lamounier criticou recentemente a falta de uma elite ativa no Brasil, de uma classe média incapaz de defender seus próprios interesses, da baixa escolaridade e apresenta o Brasil com um quadro cruel e se pergunta por quanto tempo isto será suportado pelos brasileiros, especialmente se comparamos com países como a China continental, e a Coreia do Sul, países que tínhamos superado vinte anos atrás e que hoje se destacam na nossa frente em termos de desenvolvimento. Os Chineses são conhecidos, especialmente na Ásia, como muito bons negociadores, e encontraram uma fórmula de gestão onde privatizaram estimulando a penetração nos mercados, e até subsidiando para obter fatias relevantes de participação. Mesmo sendo um país centralizador, ditatorial pelo partido comunista e centrado na figura de seu líder, percebeu a oportunidade de conquistar mercados, utilizando a iniciativa privada e até a subsidiando, desde que contribua para gerar riqueza para o país, mesmo criando uma classe de empresários bem sucedidos que enviam seus filhos às melhores universidades, não se incomodando que filhos dos empresários e filhos dos grandes líderes do governo, fiquem desfilando na cidade universitária da UBC de Vancouver com seus caríssimos carros Lamborghini. Não se incomodam em saber isto e que estudem nas melhores universidades do mundo e os acolhem depois de formados para se constituir em uma elite intelectual. Esta atitude veio contradizer a ditadura do proletariado que vinha sido instalada na URSS e onde os empresários eram enviados para Sibéria e suas empresas eram estatizadas, considerados exploradores da classe proletária. Com esta política aparentemente contraditória constatamos a tendência clara já, de se tornarem a maior economia mundial, exportando industrializados para o mundo todo. Não defendo o modelo Chinês, mas a constatação do sucesso da flexibilidade e abertura na economia para um mundo entre capitalista e comunista, tem dado certo, apesar das grandes contradições ainda existentes no país. Deixo claro desta forma que deixo o tema em aberto para um debate e para ouvir a opinião dos leitores. ## Contribuições de leitores sobre "PRIVATIZAR OU ESTATIZAR" ### J F SAPORITO (leitor) Muito mais do que orientação política da chamada esquerda brasileira, as discussões e ações contrárias as privatizações passam pelo interesse individual e coletivo de pessoas, partidos e associações, chegando muitas vezes ao judiciário, que apoiados por influenciadores com benefícios indiretos do sistema, trabalham com eficiência no sentido de divulgarem a importância do governo manter sob a sua exclusiva responsabilidade o controle rigido nas políticas de serviços chamados essenciais no atendimento da população. Defender as vantagens da estatização é uma retórica de alto custo, pois carrega em si mesma a ineficiência do Estado despreparado em gerir com qualidade, uma diversidade tão ampla de atividades complexas. Por que os funcionários públicos merecem ter estabilidade de emprego se os funcionários do setor privado não têm? Por que ao se aposentarem milhares de funcionários públicos recebem aposentadoria integral e os funcionários da iniciativa privada não? O custo desses benefícios faz com que o orçamento do Estado fique engessado em despesas obrigatórias, restando muito pouco espaço para investir em necessidades essenciais. São essas vantagens do funcionalismo público que faz com que toda e qualquer proposta de privatizar sejam combatidas pelas organizadas forças de resistências a não privatização. Os contrários da privatização são organizados, eficientes e em geral vencem a disputa. Os nossos portos são ineficientes, tem alto custo operacional comparado com outros países, além de criarem barreiras no movimento das exportações por não serem competitivos a nível internacional. Não tem sentido o Estado fazer promessas de campanha em realizar vultosos investimentos na modernização dos portos necessitando para isso colocar recursos de um orçamento escasso em uma atividade de características privada, cujos valores poderiam estar sendo direcionados a atender outros compromissos de campanha cujas atividades podem ser consideradas prioritárias. É verdade que nos aeroportos e estradas federais tivemos um significativo avanço, mas nos portos a máquina pública insiste em manter sob o seu controle. Por que será? O caso da Eletrobras é simbólico porque mesmo depois de privatizado em 2022, os defensores da estatização não se conformam e continuam fazendo tudo para reabrir o assunto e tentar reverter a decisão, mesmo considerando que o governo ainda mantem 42% das ações. Ameaçam ir ao STF para reaver a Eletrobrás. Usar o caso da Enel em São Paulo como argumento de que privatizar serviços essenciais coloca a população desprotegida é oportunismo de plantão, mesmo considerando que a empresa falhou prejudicando milhões de consumidores. Claro que nem toda empresa privada é eficiente e pode oferecer um serviço de qualidade. A privatização da Comgás em São Paulo segue firme e representa um ótimo exemplo para governantes determinados a esvaziar o Estado em gerir temas que não são objetos de programas de governo, podendo com isso destinar recursos para áreas carentes de novos investimentos. Não tem o menor sentido o Estado manter privatizado as cadeias públicas, cemitérios e até mesmo estádios de futebol como era o caso do Pacaembu até pouco tempo atrás. Na verdade, no Brasil de hoje estamos vivendo uma fase em que o governo federal tem o controle muito amplo das decisões que impactam no dia a dia no país. A existência de 38 Ministérios apenas significa que através de uma farta distribuição de cargos a Ministros ligados a partidos políticos, o governo busca controlar todos os fatores de políticas públicas, oferecendo em troca uma suposta participação nas decisões. Fica claro entender que a existência de 38 Ministérios significa que estamos sim estatizados. As indicações dirigidas a novos integrantes do STF fortalecem a ideia de que o Estado procura influenciar e estar presente em todos poderes da nação. Na PGR não foi respeitado a lista tríplice dos indicados de carreira. No Banco Central estão sendo indicados nomes ligados ao atual Ministro da Fazenda, numa clara indicação de que a composição futura dos Diretores poderá estar sob o controle do governo federal. A indicação de nomes nem sempre preparados para assumir cargos importantes na Caixa Econômica, Banco o Brasil, IBGE e até mesmo na Petrobrás entre outras, apenas demonstram que essas empresas além de serem estatais são dirigidas por pessoas com pouca autonomia de decisão, até porque não são profissionais de carreira com conhecimento profundo do negócio. Muito pior é a indicação de nomes despreparados para uma atividade tão essencial como a EDUCAÇÃO. Não é novidade nenhuma que muitas universidades federais e até estaduais em vários estados estão sendo dirigidas com programas pedagógico de cunho político partidário. Assistir os programas de telejornalismo nos dias de hoje é uma tarefa bem difícil pois fica a impressão de que com raras exceções, todos os apresentadores estiveram nos últimos tempos participando de um curso de lavagem cerebral, todos concordando com os argumentos do outro colega, estabelecendo um clima de ante debate que não contribui para o surgimento do contraditório. Como sabemos as emissoras em geral dependem das verbas publicitárias do governo e isso é fator determinante no orçamento das empresas de comunicação e consequentemente nas políticas de manutenção dos profissionais contratados. Trata-se de uma sutil estatização do sistema de comunicação ou mero interesse comercial de quem detém as licenças de rádio e televisão? Enfim, o momento atual do Brasil é de um Estado com forte característica de estatização, cujas consequências são imprevisíveis e provavelmente de maus resultados no curto/médio prazo. Pensar que estatizar e apenas manter uma empresa sob o controle do governo é bastante limitado. Estatizar no sentido mais amplo é exatamente o que estamos assistindo nesse período de governo que vai de 2022 a 2026. É muito melhor uma empresa A com 100 clientes, cada um participando com 1% das compras do que uma B com 5 clientes, cada um participando com 20% das compras. O risco de colapsar da empresa B é muito maior. Da mesma forma é melhor muitos investidores e empresários serem acionistas majoritários de negócios importantes hoje nas mãos do governo, do que um amplo espectro de atividades difusas estarem concentradas em um único poder, sem a participação do setor privado. A máquina pública de um país moderno que queira evoluir ao nível dos melhores exemplos deveria se livrar das atividades que demandam recursos impróprios, investindo de forma acelerada em infraestrutura, educação, saúde e segurança pública. Estatizar NÃO. Privatizar SIM. J.F.Saporito – 15/01/2024 --- # ARTE NA VIDA, NA SAÚDE E NA VELHICE Ensaios · 8 de março de 2024 · https://luis-gaj.vercel.app/ensaio-n-05-arte-na-vida-na-saude-e-na-velhice ## Ensaio Nº 05 O momento atual Vivemos numa época de grandes descontinuidades políticas e econômicas no mundo pós-guerra fria. Artigo recente de Thomas L. Friedman chamou a minha atenção, e foi publicado no “The New York Times” e reproduzido no jornal “O Estado de São Paulo” no dia 5 de outubro, ou seja, dois dias antes do ataque surpresa do Hamas a Israel. Neste artigo menciona quatro líderes, e um mundo virado ao revés. Resumindo, esses quatro líderes são: Putin, que para se manter no poder, mudou de postura e invadiu a Ucrânia, Xi Jimping, que acreditando no enfraquecimento do partido comunista chinês, passou a concentrar maior poder nele mesmo, e a fechar a China, mudando normas, Trump que será muito provavelmente o candidato dos Republicanos na próxima eleição, e com grandes chances de vencer, e que levará também a concentrar esforços internos em detrimento do resto do mundo, e Netanyahu, que acusado de corrupção, mudou leis sobre a justiça, evitando ser julgado, e se aliou a grupos radicais religiosos para se manter no poder, na pretensão messiânica de um pais grande, como menciona Yuval Noah Harari, autor do livro “Sapiens”. A estes podemos acrescentar ainda o fenômeno Milei na Argentina, que é um radical de direita, que pretende grandes mudanças, e que é resultado do fracasso econômico da política da esquerda no país. Friedman, antes do início da invasão do grupo terrorista Hamas a Israel, motivado para impedir o estreitamento das relações entre Israel e Arábia Saudita, entre outros motivos, chamou a atenção sobre o enfraquecimento da defesa de Israel pela divisão interna, e onde ocorriam protestos contra Netanyahu. Neste contexto mundial cabe mencionar a posição dúbia do governo no Brasil com relação a este conflito ao não declarar abertamente o seu repúdio ao grupo terrorista. O grupo Hamas e a sua ação em território de Israel, são similar aos atentados de Pearl Harbor, às torres gêmeas em New York e ao atentado, anos antes, contra o prédio da AMNIA em Buenos Aires, que Cristina Kirchner terminou acobertando e não condenando O radicalismo religioso implantado no Iran, e propagado para grupos como o Hamas, possui uma forte convicção, que é desenvolvida desde terna idade, de ódio aos infiéis, sendo estes, todos os que não acreditam ou não professam a fé deles. Trata-se de extremistas que pregam a barbárie que ameaça a humanidade, e espero que a China assuma um papel moderador, neste conflito de maior potencial. Não existe nenhuma outra religião que mande matar infiéis para atingir o paraíso. Muçulmanos moderados e civis, entendem que para viver neste mundo, é preciso respeitar realmente a todas as crenças. Tentar Impor uma única religião no mundo e o mesmo que destruir a convivência, e promover o fim do mundo, o caos total, e a destruição. Um amigo que esteve no Iran em 1992 relata que o hotel internacional onde se hospedou tinha sido encampado pelo Iran dos Aiatolás, e logo na entrada tinha cartaz que dizia: morte aos judeus e aos americanos, e havia dois capachos para limpar os pés, um com a bandeira americana, e o outro com a bandeira de israel. O ódio tem sido propalado de longa data, e pode ser comparado a supremacia da fé, com a supremacia da raça, que foi implantada a partir de 1933 na Alemanha nazista com Hitler no poder. Quando os americanos jogavam folhetos para que civis saíssem de áreas a serem bombardeadas na França, quase no fim da segunda guerra mundial, os nazis que ocupavam ainda a região, impediam que os civis saíssem e se quisessem sair eram metralhados., da mesma forma que o Hamas fez em Gaza. O grande tema que4 esperamos seja logo resolvido é sobre a liberação dos civis reféns, que foram sequestrados e sem precondições. No entanto Israel teve que ceder e aceitar negociações parciais. Percebemos então que a preparação bélica do Hamas surpreendeu, e foi muito maior do se se podia supor, bem vizinha de Israel e sem as autoridades perceber. Naturalmente a preservação de vidas de ambos os lados deve ser sempre respeitada e desejamos que a paz, seja logo atingida na região. Arte na vida Neste ambiente tenso de guerra contra o Hamas, e não contra o povo palestino, e de continuação da guerra na Ucrânia, tomo a liberdade de escrever sobre um tema também descontinuo, numa espécie de introspecção, meditando sobre o ponto de vista, que tudo que fazemos carrega conteúdo de arte. Começamos então sobre a arte na vida. Escolher o que fazer na vida é uma arte, e no trabalho especialmente conseguir fazer o que gosta e ter prazer com isso, considero também como uma expressão da arte. Evoluindo na vida, tomamos contato com duas artistas famosas que acabaram constituindo amizades. São elas a Fayga Ostrower, falecida anos atrás, e a Ines Benou com quem continuamos ótimo relacionamento. Da Fayga adquirimos muitos quadros que enfeitam e enriquecem nossas paredes, assim como também muitos quadros da Inês, e que são muito apreciados em suas diversas fazes criativas. A Fayga escreveu também um livro muito bom sobre “Criatividade e Processos de Criação” que lemos em várias ocasiões. Temos apreciado também trabalhos de Vasarely, de Volpi, de Rico Blass, e também deles temos quadros espalhados em nossas paredes. Durante a nossa vida tentamos também visitar lugares onde se aprecia a música clássica e assim tivemos oportunidade em várias ocasiões, de assistir a concertos na cidade de Salzburg onde é realizado um famoso festival musical e onde tivemos a chance de apreciar obras de Mozart entre elas “Eine Kline Nacht Music”. Em outra ocasião durante um evento da Strategic Management Conference, estivemos em Berlim, onde nas primeiras filas de grande auditório, assistimos a apresentação da Quinta Sinfonia de Beethoven, numa performa verdadeiramente emocionante. Nos últimos meses contratamos também um jovem pianista que já se apresentou na Sala São Paulo e que toca em ceremônias de casamentos, e até em igrejas, para tocar para nós uma vez por semana, em momentos íntimos muito agradáveis. Consideramos como arte, a escolha das atividades não somente no trabalho nas empresas, mas também ministrando aulas para jovens alunos da USP, que representavam a esperança de um país melhor, e para executivos já formados, e de muito bom nível, em cursos da FIA de pós-graduação. Apreciamos nas viagens visitar museus, e percorrer lugares desconhecidos enriquecendo as experiências e aprendendo, em especial no interior da França e da Alemanha, também no inverno e apreciando a neve. Sobre aprendizagem, estamos sempre dispostos para receber, mesmo que sabemos que com as grandes mudanças tecnológicas acontecendo, acabamos ignorantes em alguns aspectos relacionados ao uso do telefone celular e aos novos aplicativos, e nas comunicações pelas redes sociais. Também sentimos as mudanças entre as novas gerações, tanto no estilo de vida, como nas escolhas de motivações e interesses. Arte na saúde É um tema que associo à imagem do meu pai, que viveu 102 anos em perfeita sintonia com a vida. A minha mãe gostava de consultar médicos, tinha diversos problemas de saúde, e faleceu com 70 anos de idade. Meu pai, por sua vez, não gostava de ir ao médico. e evitou isso durante os últimos cinquenta anos de sua vida. Ele se tratava com remédios caseiros e se cuidava. Se observava e reagia se tratando comendo, ou deixando de comer, escolhendo comer o que gostava e recusando o que não lhe apetecia. Hoje vemos na família pessoas veganas, pessoas parcialmente vegetarianas, pessoas que se alimentam cientificamente, pessoas que não comem com glutem e lactose e nos perguntamos qual será o resultado final de todos os métodos da atualidade. Meu pai comia de tudo, gostava de comer com sal e usava açúcar, também em pedaços quadrados que derretia tomando chá. Nunca mediu a pressão, nem fez exames de sangue, e considero que fez tudo isso com arte. Gostava de comer fígado de galinha, picado com ovo e cebola, e tomava o seu licorzinho. Nunca fez ginástica nem musculação, e quando caia raramente, se tratava friccionando álcool onde tinha dor. Apesar de não fazer ginástica, gostava consertar coisas e tinha habilidade com madeira, e construiu bancos e até uma escada para colocar na piscina. Em nosso terreno têm uma área bem íngreme, onde nunca vou. Ele descia e subia essa área, indo buscar frutas, para fabricar licor que oferecia a visitantes. Acreditamos que não exista uma fórmula mágica para preservar a saúde, e que vários caminhos são possíveis de trilhar, mas o caso do meu pai foi um exemplo de arte na saúde, sem médico, sem remédios, e comendo de tudo que lhe apetecia. Sem dúvida são novos tempos. Os estilos de vida são muito diferentes daquelas a que estávamos acostumados, e aceitamos esta mudança como bem-vinda, e desejamos que contribuam para tornar a vida muito feliz e duradoura Arte na velhice Sobre o tema da arte na velhice, existe bastante para escrever, porque estamos profundamente nessa fase, já de forma avançada. Estávamos no período entre o ano novo e o dia do perdão, que é um período de meditação e reflexão sobre o que fizemos e sobre o que ainda gostaríamos fazer. Já com certa idade, talvez a partir dos 70 anos, ou pode ser também mais tarde, passamos a perceber que estivemos muito atarefados, e sem tempo para nos dedicar ao que teríamos gostado O gosto pela música se iniciou na adolescência, no movimento de escoteiros, e permaneceu durante a vida toda. Não pretendemos ser especialistas ou musicólogos como Kurt Phalem, e muitos outros que estudaram sobre a música, sobre compositores e escreveram sobre o tema da música. Desejamos tão somente apreciar. Durante toda a vida tivemos esse prazer e no dia de nossas bodas de ouro tocamos a música “Gracias a la Vida”, agradecendo pelos muitos anos de grande satisfação, pela linda e harmoniosa família que construímos. Refletimos sobre tudo isso, e também lembramos meu pai que imigrou da Rússia na década de 1920 sob o regime instalado no país da ditadura do proletariado. Nesta faze, depois dos 90, naturalmente tivemos novidades por aqui. São próprias da idade e precisamos conviver com elas, mas que muito tem me preocupado, e até me provocou um período de depressão, pela mudança no nosso convívio diário, e de companheirismo. Foi uma provocação para ter que superar esta fase, e me reposicionar para conseguir estar bem, e continuar tratando nossas vidas, após estas mudanças. Assim voltei a ir para o escritório assim que possível, passei a fazer musculação em complemento a minha ginástica, que pratico três vezes por semana, e estou novamente voltando a escrever, o que me dá satisfação. Acredito ter superado o desânimo provocado pelos problemas que surgiram. Completamos recentemente 68 anos de casados, e estarei enfrentando o tempo que me resta lendo, escrevendo, tentando aprender na leitura do Alcorão, e continuando no próximo ano com as sessões da OSESP na sala São Paulo. Recentemente tivemos o grande prazer de assistir a famosa pianista Eudoxia de Barros, que tem 86 anos, a um concerto brilhante, num ambiente muito especial na montanha, e rodeado de flores. Manterei contato com meu genro Saad, tentando ir um pouco mais na empresa dele e da Elizabeth, para troca de ideias sobre os negócios, também estou investindo em melhorias gradativas na minha casa para combater a entropia natural que se instala, onde estamos morando 50 anos, inspirado por uns novos vizinhos, que de um lado fizeram uma reforma grande e modernizaram, e do outro lado com uma nova vizinha que está fazendo uma casa muito grande, que deve ter uns 1500 metros de área construída, e toda murada. Fazer estas gradativas e contínuas melhorias me diverte e ocupa, na intenção de deixar uma casa melhorada. O próximo melhoramento em andamento, é a instalação de um sistema fotovoltaico de aquecimento com anuência da Enel. Gostaria mencionar um livro que li recentemente de um Frade Beneditino alemão chamado Anselm Grun, e cujo título é “A Sublime Arte de Envelhecer” e tentarei colocar alguns ensinamentos dele. Começo citando Martim Buber, que diz: “Envelhecer é algo magnifico quando não se desaprendeu o que é começar”. Existem na nossa idade três aspectos com os quais devemos lidar na faze da velhice: 1-Reconciliar com o passado, tolerar o sofrimento aprendendo com ele e adotando postura positiva e feliz. Frente ao sofrimento pode surgir o desânimo, que deve ser combativo como forma de aceitação e aprendizagem. 2-Aceitar os próprios limites (a Dra Gudrun já dizia isto) que são característicos da idade avançada. Todo tipo de limite nos é imposto quando atingimos idade avançada, e precisamos aceitar, tentar combater, mas nos adaptar às limitações buscando formas de compensação e 3-Aprender a lidar com a solidão pois ficar só tem a sua vantagem Se tem um aspecto desagradável na velhice, é a perda de amigos, que nos deixaram gradativamente. A perda das amizades, e de um sócio de 35 anos juntos é dolorosa, mas as recordações servem para compensar, e a meditação, e o tempo livre, permite superar momentos de fraqueza. Hermann Hesse dizia que aceitar a solidão é o caminho para a sabedoria. Arthur Schopenhauer esforçar-se por aprender a suportar a solidão é uma fonte de felicidade e de serenidade. Aceitar a existência, precisa ter como fundamento também a existência de um sentido renovado para vida. O pensar o que ainda gostaríamos fazer, no tempo que nos queda, leva a confirmar a ideia de tentar contribuir, principalmente transmitindo, se despojando de tudo que possuímos de conhecimento e experiência. Também recordar o passado, e permanecer aberto para novas aprendizagens. Outra atividade e contemplar o novo mundo e admirar a evolução que teve a China e que acredito terá papel importante no equilíbrio de forças entre extremos no mundo. A minha filha Elizabeth me perguntou: como foi possível a China decolar, com um regime totalitário. A realidade e que a China se abriu para o mundo econômico mantendo uma direção centralizada no partido comunista, mas esse período de abertura está sendo parcialmente reduzido ultimamente. Além de aceitar os limites, e viver bem na solidão, também aproveitar para apreciar a natureza e as transformações que ocorrem. Na velhice somos obrigados a abandonar participação por não poder acompanhar, abandonar os alunos da faculdade, abandonar o trabalho de muitos anos nas empresas, e abandonar os amigos que se foram, e nos deixaram e que nos acompanharam, durante muitos anos. Envelhecer junto a Eva com as novas limitações impostas pelos anos. A seguir menciono algumas virtudes da velhice, desde que cultivadas, segundo Anselm Grun e são elas: Serenidade (tranquilidade), Paciência (suportar) sofrendo por causa de outra pessoa, mas mesmo assim ficar firme ao seu lado e aceitar como é atualmente, Mansidão que deve ser também cultivada, liberdade de usar o tempo como quiser, gratidão pelo que a vida lhe ofereceu e amor ao próximo, respeitando e apoiando sempre que possível. A grande meta do envelhecimento, segundo Ansel Grun, e que nos tornemos sábios e bondosos conosco e com os outros. **Luis Gaj** ## Contribuições de leitores sobre "ARTE NA VIDA, NA SAÚDE E NA VELHICE" ### Irene Nani (leitor) Querido Luis, Quando você fala em arte, me vem à lembrança a vida de Hélio que sempre teve presente o respeito à arte. Ouvia música clássica em todos os momentos possíveis e amava relembrar os momentos com seu tio Brecheret que fez parte muito importante de sua infância! De fato, essa noção dá a importância que isso tem para nós que ainda estamos por aqui! Nos últimos anos de sua vida pintou vários quadros que guardo com muito carinho e que enfeitam nossa casa em Ubatuba! Queridos ex vizinhos, sempre lembro de vocês e fico muito feliz por saber que estão bem! Vamos em frente, sempre com coragem e alegria para o que der e vier! Beijos para você e para Eva, com muito carinho! ### J F SAPORITO (leitor) Falar de arte é algo muito subjetivo, cuja apreciação e aprovação de uma mesma obra, pode variar em 180 graus de pessoa para pessoa, dependendo das suas vivências no meio cultural, sociabilidade, oportunidades educacionais, pais de origem, condição econômica e até mesmo influências absorvidas na própria família principalmente durante a infância e juventude. Aqui no Brasil existe um dito popular que diz que “vinho bom e aquele que eu gosto”. Nesse enunciado não existe nenhuma relação entre o preço e a qualidade do vinho, mas sim se determinada pessoa por algum motivo subliminar aprecia a bebida em discussão. Penso que guardadas as devidas proporções pode-se dizer o mesmo quando se trata de considerar avaliações pessoais sobre determinadas obras de arte. Contatos frequentes com obras de arte produzidos por músicos, pintores, escultores e escritores de excelência, levam o interessado a um estágio de grande satisfação pessoal pela oportunidade daquele momento especial, acabando por constituir-se em uma habitualidade, um hobby, a ser praticado durante toda a vida. Viver em contato com eventos de arte em qualquer uma das suas manifestações, ativa a dopamina dando a sensação de felicidade a todos aqueles que vivenciam essa experiência. A Arte nas suas diferentes formas de manifestação é tão ampla que me atenho a falar apenas de música brasileira e de alguns dos muitos personagens que através da arte na música, trouxeram alegria e entretenimento ao povo nas mais diferentes camadas socioeconômicas. Penso que a música é a mais importante das artes. Trata-se da única linguagem universal, pois todo músico conhece as 7 notas e pode ler uma partitura sem intérprete. Pode compartilhar a execução da obra com o público, executando seu instrumento sozinho ou com outros músicos sem que ninguém dos participantes da apresentação tenha problemas de entender o que foi escrito pelo compositor na partitura da peça. Em nosso país os jesuítas trouxeram o costume das músicas sacras e barroca. A chegada do povo africano influenciou a música popular para os mais diversos ritmos, sobressaindo-se o samba e o choro. Em 1916 foi composto o primeiro samba brasileiro. O autor foi Donga e o nome da música Pelo telefone. A partir desse embrião surgiram importantes compositores de música popular podendo ser citados como exemplo Pixinguinha que estudou música, e Noel Rosa que nunca estudou. Foram geniais nas canções que criarão nas décadas de 30 e 40. Eles ocuparam as mentes e corações de milhares de pessoas ao comporem canções antológicas como Carinhoso, Rosa, Conversa de Botequim e Com que Roupa, entre centenas. Os contemporâneos como, Chico Buarque, Vinicius de Moraes e Tom Jobim produziram peças de grande valor artístico. O que falar de Cartola e Nelson Cavaquinho criadores de melodias e letras que retratam e eternizam com absoluta fidelidade o povo e o cotidiano do brasileiro. Todos eles, verdadeiramente fizeram arte adequada para as necessidades e padrão de cultura do povo da sua época. Na região nordeste faz parte da tradição local, as festas de cultura e arte popular conhecidas como Bumba meu Boi, os Bonecos Gigantes e Festa de São Joao. No Rio de Janeiro e em outras capitais, o carnaval com seus sambas enredos contando nas letras e carros alegóricos as diferentes histórias de personagens e do cotidiano brasileiro. São nessas festas que a música traz leveza e descontração no dia a dia dos menos favorecidos, contribuindo para momentos de maior felicidade. A influência da imigração europeia no Brasil foi também determinante para influenciar o gosto musical da época e o surgimento de compositores como o maestro Francisco Mignone autor de peças magnificas. Também podemos citar o maestro Camargo Guarnieri e a maestrina Chiquinha Gonzaga autora de importantes músicas como Corta Jaca, O Abre Alas, Atraente e Lua Branca, sendo a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil. Sua obra conta com peças para piano e canto. A música popular brasileira é reconhecida aqui e no exterior, como de grande qualidade artística, apresentando diversidade de ritmos e sons tal qual as diversidades que se apresentam nas diferentes regiões do país. No campo da música clássica que atinge um pequeno grupo econômico/social, sempre tivemos músicos com aprovação internacional como os pianistas João Carlos Martins, Nelson Freire, Arthur Moreira Lima e a grande dama do piano Sra. Guiomar Novaes. O maestro Heitor Vila-Lobos é referência mundial como compositor clássico contemporâneo. No final de 2022, o brasileiro Guido Sant’ Anna de apenas 17 anos ganhou em Viena o concurso internacional Fritz Kreisler de melhor violinista do mundo. Impossível não se emocionar ouvindo o violão do gaúcho Yamandu Costa que toca não só músicas populares brasileiras, mas também como solista de importantes orquestras europeias. Falando de ópera, mesmo sem ter uma tradição importante, o maestro Carlos Gomes espelhou-se na influência italiana para produzir magnificas peças com motivos brasileiros como Guarany, Lo Schiavo, Fosca. Não podemos esquecer que Bidu Sayao descoberta pelo maestro Toscanini foi reconhecida como uma soprano notável, cantando nas melhores casas de opera da Europa e Estados Unidos. Esses ilustres brasileiros entre outros, fizeram arte da melhor qualidade em se tratando de música e com certeza participaram da vida de muitas pessoas não só através de presença em concertos ao vivo, como através de gravações em discos disponíveis na época para depois serem reproduzidos nas rádios. O que quero transmitir é que a música como arte integra a vida das pessoas, em todas as fases da vida, independente do estilo e do gosto individual de cada um. Ela costuma nos trazer boas recordações de vivências e momentos importantes das nossas histórias de vida. Ela traz leveza, melhora o humor e contribui para o nosso bem-estar físico e espiritual. Hoje em dia está provado que a música levada aos hospitais como instrumento de saúde serve como terapia de grande valor e resultado para pessoas em estágio de recuperação ou no enfretamento de situações difíceis. Também é bastante difundido como a música clássica faz bem para as crianças recém-nascidas e muitas vezes ainda no útero das mães. Música sempre música, não importa se o interessado está nas mais importantes salas de concertos, se está em um botequim ouvindo uma roda de choro ou se está em casa ouvindo suas músicas preferidas. É incrível como é possível compor centenas de milhares de diferentes estilos de músicas usando apenas o DO RE MI FA SOL LA SI. J.F.SAPORITO --- # SONHO ou PESADELO Ensaios · 8 de março de 2024 · https://luis-gaj.vercel.app/ensaio-n-04-sonho-ou-pesadelo ## ENSAIO Nº 04 Como já mencionei nesta série de ensaios não existe objetivo avaliar ou criticar os governos em exercício. A ideia é partir de uma VISÃO DE HELICÓPTERO e que abranja uma visão mais ampla dos “POR QUE O BRASIL NÃO DECOLA”. No ensaio número 3 abordamos que poderia ser pela herança portuguesa e latina ou na comparação com outros países de crenças mais firmes e planejadas do desenvolvimento. Outro motivo seria instalação de regimes presidencialistas com tendência centralizadora e autoritária. Argumentamos que o caminho seria focar na educação e promover através dela o desenvolvimento. Neste ensaio acrescentamos uma visão atual relacionada a todos os governos que tivemos nos últimos 63 anos, e antes a busca de realização de um sono tornado realidade. Existia uma vez um governo instalado na cidade de Rio de Janeiro e que como Washington e Buenos Aire, tinha espaço limitados e restritos para alocação de funcionários. Houve também um antigo sonho de interiorizar o desenvolvimento do País, que estava concentrado no Leste e crescer para o Oeste, e para isso o sonho era construir uma cidade que alocasse o governo, como forma de se tornar um polo de desenvolvimento. Presidente voluntarioso e acreditando que recursos estariam de alguma forma disponíveis contratou arquitetos famosos para projetar e tornar realidade o sonho. Sendo um sonho megalomaníaco, propositadamente esqueceu-se de pesquisar o que os outros países, mundo afora, tinham feito para interiorizar o desenvolvimento. Eles tinham construído ferrovias, rodovias, escolas e criado incentivos para empresas e cidadãos mediante estrutura adequada, migrassem para essas regiões desenvolvedoras. Assim surgiu o Vale do Silício de alta tecnologia promovendo não somente o adensamento da população, mas especialmente a fonte de riqueza. Polos para a indústria, para agricultura e também de serviços, foram criados com aproveitamento das potencialidades locais, permitindo escoamento de produtos com custo baixo até os lugares de consumo. Mas o sonho de muitos anos se tornou logo realidade e a cidade modelo projetada com arquitetura arrojada surgiu em 21 de abril de 1960 com projeto arquitetônico de Oscar Niemeyer e urbanístico de Lucio Costa, cidade diferente de tudo que existiu até então. A construção desta cidade consumiu recursos existentes e provavelmente incluso não existentes e que poderiam ter sido usados para o verdadeiro desenvolvimento com custo muito menor. Brasília surgiu com toda pompa e lá foram se instalar migrantes de diversas partes do País na busca de melhores condições de vida e novas oportunidades, como se fosse uma corrida ao ouro. Isso foi o começo, mas não demorou muito para surgirem residências para altos funcionários, e os famosos ANEXOS, permitindo maior número de funcionários. A procura por cargos no governo bem remunerados foi crescendo e a instalação da direção do Banco Central e do Banco do Brasil também contribuíram. Aos poucos foi se agigantando a máquina burocrática governamental. Desta forma os recursos gerados pelos impostos recolhidos drenaram para a manutenção da máquina, em detrimento de investimentos em infraestrutura, educação e saúde. Até que um dia o ministro da Casa Civil Rui Costa teve a coragem de batizar como Ilha da Fantasia. Recebeu logo um forte puxão de orelhas e teve que se desculpar e se retratar. Por fim e depois de 63 anos de sua criação, alguém falou verdade. Vou a seguir relatar alguns episódios vivenciados em Brasília, na tentativa de argumentar sobre a verdade dita por Rui Costa desde lá. Algumas vivências foram: a convite de professor da Universidade de Brasília, a palestrar no Planalto sobre Estratégia para 500 funcionários que trabalham no palácio. Também a convite do então Secretário da Receita Federal tive oportunidade de conhecer a instituição desde seu interior e também fiz consultoria no Banco do Brasil, num grupo de cúpula designado para elaborar a estratégia do Banco No Banco também dei aulas sobre o meu programa de Trilogia Estratégica para executivos. Destas vivências a seguir alguns episódios que me marcaram. Quando dava as aulas para o Banco e como o prédio de Treinamento se encontrava em construção, fui conduzido até o centro de treinamento do Banco Central que cedia espaço para essa finalidade. Chegando entramos numa área onde havia famílias numa piscina, crianças brincando e várias opções de diversão. Perguntei de que se tratava e me foi explicado que os funcionários tinham solicitado um clube par as famílias dos funcionários do Banco Central e o pedido tinha sido negado. Mais tarde foi criado o Centro de Treinamento e aos poucos foram conquistadas as obras encontradas, e desta forma o desejo de um clube foi realizado, sem dar essa denominação. Somente quando atingimos a parte mais adiante é que tinha as salas onde ministrei as aulas. Quando o Centro de Treinamento do Banco do Brasil ficou pronto foi lá a continuidade. O prédio recém-construído não possuía garagem e o estacionamento ficava a uma distância normal. Num dia de chuva forte o motorista que me levou invadiu a marquise do prédio para evitar a chuva. Este prédio tinha sido projetado e construído suspenso, e tinha formato estreito e cumprido. Pelo fato de ter sido suspenso imagino que o custo deve ter sido muito mais oneroso do que um prédio normal, mas foi obra dos famosos arquitetos. Destaco que como na administração pública em geral, prevalece o corporativismo em detrimento da prestação de bons serviços e um dos lemas que me foi aconselhado foi “não balance o barco” Durante a permanência no Ministério da Fazenda, onde funcionava o Secretário da Receita Federal era uma época em que estava sendo implantada a “Reforma Administrativa” com objetivo desburocratizar. Ao acessar o prédio observei pessoas esperando para os elevadores. Tinha sido cancelada a função de ascensorista e as portas do elevador fechavam abruptamente, sendo necessário cuidado para não ser esmagado. Chegando ao andar desejado e logo que descemos deparei com uma funcionária numa pequena mesa. Como era uma novidade perguntei qual a função e me foi explicado que as antigas ascensoristas tinham sido deslocadas para recepcionistas de andar para eventualmente esclarece as salas a serem procuradas. Eu tinha lido no jornal que houve constatação pela imprensa que esposas de altos funcionários utilizavam veículos oficiais para fazer suas compras. Pela denúncia e pela reforma administrativa foi feito levantamento do número de veículos oficiais chegando se ao número de 3 mil veículos. Destes, 500 não foram localizados e como medida foram prontamente vendidos 1000 veículos, ficando tão somente 1500 a disposição e proibindo o uso inadequado, para evitar novos escândalos. Adentrando o prédio detectei que na usual saleta de café onde um ou dois servidores trabalhavam, a sala está tão cheia que tinha gente até no corredor. Indagando me foi explicado que os mil motoristas que tinham ficado sem carro para dirigir, tinham sido deslocados para o serviço de café mantendo seus salários de motoristas. Ficou claro que a tal reforma propalada estava sendo um total fracasso e que o esperado resultado desburocratizante não estaria sendo atingido. A venda dos carros foi liquidada a preços convidativos e ocorreu prontamente beneficiando funcionários. Soluções como essas são comuns na cidade de Brasília. Como está sendo cogitada nova Reforma Administrativa nestes dias, espero que o fracasso das anteriores não seja repetido. O contato com a Receita Federal teve um impacto muito positivo no sentido de ter encontrado um organismo muito bem organizado e com equipes altamente competentes. Estava dividida em três áreas: Tributação, Arrecadação e Fiscalização e na época faltava pessoal na Fiscalização. O Secretário da Receita Federal era o único cargo político aceito pelo regulamento da casa, e todos os altos funcionários eram executivos da instituição. O secretário tinha o poder de nomear os dirigentes regionais fazendo substituições que desejar. Isto desde que os designados fossem também membros de carreira da casa. Acontecia nestas designações que muitas vezes subordinados se transformavam em chefes e chefes passavam a ser subordinados, isto sendo aceito como normal dentro da Receita. O modelo tinha a vantagem de não interferência política que pudesse afetar o trabalho técnico, e o desempenho na função, mas tinha a desvantagem de ser predominantemente corporativista, defensor dos interesses internos, que quando não eram atendidos, uma greve promovia rápida solução e o atendimento às reinvindicações. Este cargo de Secretário Geral equivale pela força ao de um ministro que possui poderes limitados e que muda cada vez que muda o governo, enquanto a estrutura permanece intacta. E os internos estão habituados a lidar com Secretários Gerais das mais diversas origens e sem entender a intrincada função que a casa executa. Um fato que vou destacar foi quando o secretario solicitou me uma visita e parecer sobre a ESAF “escola Superior de Administração Fazendária” Chegando ao local, um pouco afastado, logo na entrada uma fonte de água funcionando. No caminho interno, árvores frutais, alguns carregados de frutos. Tendo sido enviado pelo secretário, fui recebido pelo principal gestor da ESAF, com a qual tive um breve diálogo inicial e logo fomos almoçar. Poucas pessoas no refeitório com Instalações muito boas. Como era meu hábito, logo quis visitar todas as dependências e vimos a lavanderia e a capela ecumênica. Indaguei e fui conduzido até as salas de aula. Naquele dia não havia ninguém e me foi explicado que essa semana não havia aula e na semana seguinte haveria uns 40 alunos participando. Perguntei sobre quantos professores e foi explicado que não tinha professores e que as aulas eram dadas pelas pessoas da receita em aulas programadas. Mais tarde fomos visitar o auditório que era instalação para mil pessoas e para realizar eventos. Perguntei quantos funcionários estavam cadastrados na ESAF e fui informado que eram 120. Impressionado com a visita fiz o meu relato para o Secretário. Entidade com árvores frutais para os funcionários, lavanderia e refeitório para eles, capela ecumênica e auditório numa clara demonstração da incompetência da instituição com poucos alunos, sem professores e esse número de funcionários. Outra obra megalomania com o dinheiro público. Tinha sido fundada em 1973 e verifiquei que depois foi extinta m 2019, depois de 46 anos. Boa notícia. No entanto, não soube o que foi feito com as dependências exageradas e com os funcionários. Foi um exemplo gritante de malversação do dinheiro públicos na própria projeção e execução da escola como também na sua gestão. Soube que posteriormente o gestor da escola foi promovido. Utilização dos recursos gerados pelos impostos desta forma, quando vivemos num País com elevado índice de analfabetismo, assistencialismo sem perspectiva, carência de visão de médio e longo prazo e populismo e presidencialismo populista e centralizador. Nenhum dos governos aqui instalados nos últimos 63 anos, teve a iniciativa de promover um verdadeiro desenvolvimento que melhorasse a vida dos brasileiros, apesar de serem governos fortes e fracos ao mesmo tempo, dependentes do lema “toma lá e dá cá” tão conhecido, tudo funcionando na troca de benesses nos principais setores da gestão do País. Assim concluímos que nenhum governo é culpado pela existência da tal Ilha da Fantasia mencionada pelo Ministro da Casa civil. Faltou a todos os governantes entender que o tamanho da máquina governamental constitui um entrave aos investimentos carentes em infraestrutura e nos muitos problemas sociais que enfrentamos. Cabe perguntar se a realização do SONHO de construir Brasília não se tornou o PESADELO que é ter construído junto uma máquina burocrática e corporativista. Os exemplos relatados foram fatos registrados e constituem mais um argumento do “POR QUE O BRASIL NÃO FOI PARA FRENTE”. Eles são apenas a ponta do iceberg. Não analisamos a máfia em que se transformaram alguns partidos políticos, nem os enormes recursos do fundo partidário que são destinados a eles e que em número de 32 partidos apenas para aproveitarem os recursos a eles destinados, consomem recursos que deveriam ser utilizados por exemplo para educação. E fácil criticar, e estamos fazendo isso, mas então como contribuir para que o País decole. Para começar, nos do povo ou da classe média esperamos que os que forem eleitos para governar respeitem seus eleitores e serem parcimoniosos com os gastos com dinheiro público. A ostentação e os gastos exagerados são condenados e a imprensa deveria cumprir seu papel de estar vigilante e não ser conivente por interesse. Exagero nas comitivas de viagens e uso de hotéis exageradamente dispendiosos também são condenáveis. O Brasil deve ser compreendido como um país não rico quando grande parte da população é pobre e até passa fome, desta forma e enquanto isto persiste e a máquina do estado consome os recursos a situação não pode ser aprovada e a população deve pressionar para promover as mudanças para comportamentos responsáveis, incluindo presentes pelo cargo, que devem ser destinados a fundos sociais. Cabe destacar que não somos inocentes para acreditar que a desburocratização e o combate ao corporativismo sejam fáceis de acontecer. As estruturas instaladas são poderosas e se fazer uma reforma administrativa para valer será difícil de se fazer. Uma auto análise crítica dentro do governo e também a pressão de uma população educada e esclarecida serão fundamentais para se construir uma plataforma de mudança sustentável. **O que seria uma proposta desejada de mudança partindo do governo?** - Ser parcimonioso com o dinheiro público. - Evitar tudo que for desnecessário para cumprir as obrigações. - Utilizar a força do primeiro ano de governo para com apoio do STF e da PGR conseguir reduzir o número de partidos de 32 para cinco 5. - Havendo menos partidos a consolidação da base para governar fica muito mais simples e assim pode ser reduzido o número de ministérios de 37 para 10 ou 15. - Priorizar especialmente educação seguindo exemplo de Singapura que era ilha de pescadores e com educação se transformou em potência econômica ou da Correa do Sul que era um País pobre pior que o Brasil e com educação se tornou um país que sim decolou, e superou o Brasil. - Com recursos gerados pela economia e redução de gastos, investir em infraestrutura, carência endêmica. - Estimular importação de máquinas e equipamentos que permitam modernização industrial. - Incentivar o agronegócio que atualmente constitui a principal renda e geração de divisas. - Modernizar a indústria e torná-la competitiva estimular o comércio internacional importando bens que sejam benéficos para melhorar o IDH. - Com todas as medidas mencionadas melhorar a percepção do consenso das nações sobre a imagem do Brasil no mundo. Para terminar gostaria mencionar Viktor Frankl, que num dos seus livros sobre SENTIDO, define ter encontrado sentido na sua vida procurando ensinar outros a encontrar sentido em suas vidas. O SENTIDO que damos à vida acredita que se altera no decorrer dos anos. E nestes últimos tempos em que me dedico a escrever acredito que o meu sentido está sendo o de contribuir para levantar polemica e debate sobre temas que nos afetam e que dizem respeito ao futuro. Agradeço a todos pelas contribuições e espero continuar contando com a participação de todos para plantarmos um futuro melhor para o nosso Brasil. **LUIS GAJ** Professor Doutor FEA USP em Estratégia, aposentado ## Contribuições de leitores sobre "SONHO ou PESADELO" ### Mauricio Odery (leitor) muito bom Luis.. parabéns .. belo texto! ### Lejbus Czersnia (leitor) Luiz: Belo trabalho! Concordo integralmente com suas afirmações!! ### Daniel Gaj (leitor) A ideia do custo Brasília realmente parece que não foi levada em consideração na época de sua construção e os maus hábitos na gestão do Banco do Brasil ficaram muito claros no artigo. As 10 sugestões que vc propõe são muito boas e em algum momento vamos eleger alguém com coragem para cortar gastos e atrair investimentos. E sobre Frankl o Sentido de sua contribuição em minha vida tem sido sempre de me fazer ver novas possibilidades e de ser um grande exemplo a ser seguido. Obrigado por fazer parte da minha vida e por estar sempre presente quando precisei e ainda preciso! Bj Meu caro Luis, "o pensador"! ### Euclides Valente Soares (leitor) Parabéns por este trabalho que você está desenvolvendo, que no seu todo, com todos os temas que vem abordando, podem se transformar num primoroso compêndio que poderia ser seguido por quem tem o poder de influenciar na vida da população, sejam empresários, dirigentes de associações, sejam donos de simples negócios, sejam políticos e, principalmente professores e pais de família. Gostei muito das sugestões do trabalho do Kurt Lenhard, Educação para a Cidadania. Direto e simples! Vi que aproveitou a ideia sobre o novo planejado sistema japonês sobre o wual chegamos a conversar. Mais uma vez parabéns pelo trabalho! Forte abraço! ### Elizabeth Romano (leitor) Adorei o artigo: Brasília, sonho ou pesadelo Sempre é bom refletir, para tentar melhor o nosso país. No livro que estou lendo fala que países que adotaram o comunismo por um período (China e Vietnã), conseguiram crescer muito estes últimos anos. Faz sentido? Gostaria depois de ouvir a sua opinião sobre este assunto. Beijos ### Sofia Smaletz (leitor) Infelizmente ainda no Brasil temos a cultura de alguém sempre querer ganhar em cima do outro…. Mas quem sabe, ainda teremos um presidente que enxergue de outra maneira… importante é sonhar! 😉 bjs ### Rafael Smaletz (leitor) Oi Vovô, Muito importante essa reflexão, é normal criticarmos as medidas de Brasília num ponto de vista puramente político, sem levar em consideração o meio no qual os políticos e tomadores de decisão estão inseridos. Sua reflexão nos faz pensar fora da caixinha, de modo que a crítica ao poder público seja mais contundente e mais precisa. Nosso país precisa, além de críticas, sugestões de melhoria, e, acima de tudo, políticos que ouçam e defendam nossos interesses. Digo isso no meio a uma consequência (talvez considerada, talvez não) de JK: a transferência da capital para Brasília isolou os políticos do povo. Quando a capital ainda era o Rio de Janeiro, havia uma pressão absurda em cima de deputados, senadores e presidente. À porta do Palácio do Catete, havia protestos diários, presença de mídia, policiamento pesado e era possível observar de perto o povo clamando por seus direitos e interesse. Após a mudança para Brasília, tudo mudou. Até mesmo hoje, são pouco frequentes os protestos em Brasília, ou de pouca expressão. Raras são as exceções. Por quê? O quanto isso impacta o processo de tomada de decisão? Atualmente, as pessoas ouvem as notícias em suas casas, vendo Jornal Nacional ou pela internet. Quando há alguma indignação popular, as pessoas se juntam e vão para a Avenida Paulista, a mais de 1000 quilômetros de distância do Congresso e Senado. Tirando as manifestações de 2013-2015 contra a Dilma e o PT, as manifestações de pequeno porte raramente são levadas a sério. Mas o que isso tem a ver com Brasília? Na minha opinião, a sensibilidade política para com a educação, saúde, economia sustentável, corte de gastos e a “accountability” com as contas públicas não estão levadas a sério pela distância entre população e classe política. A distância física entre a classe política e sua população restringe a capacidade do povo de fiscalizar o governo, permitindo que projetos ineficientes e ‘corretivos’ sejam autorizados, como o Sr. mencionou no seu edital. Por exemplo, eu não tinha ideia que a reforma prometida pelo governo mencionada no texto não foi devidamente implementada, resultando em maiores gastos públicos, o que me deixa indignado. Imagina à proporção que isso poderia ter levado à época, caso as pessoas estivessem cientes da incompetência e descaso que as medidas eram executadas! O quanto a política poderia ser diferente se estivéssemos à frente da Praça dos Três poderes todos os dias em grande quantidade clamando por nossos direitos! Claro, não estou afirmando que tudo era perfeito na época do Catete, porém sinto que o dia a dia dos políticos está distante do que o povo quer. Existe uma distopia entre a vida em Brasília e as periferias das grandes cidades. Seria esse o ‘pesadelo’ criado por JK ou uma cidade-sonho para a classe política? ### Miriam Menossi (leitor) Boa tarde, Luis Na minha modesta opinião o Brasil não decola porque os políticos que elegemos não nos representam. Depois de eleitos se tornam corporativistas e se isolam na Ilha da Fantasia esquecendo por completo as promessas feitas ao seu eleitorado e o compromisso para com o pais. Na Grécia antiga a eleição era feita por sorteio entre as pessoas do povo. Não seria melhor? Talvez o acaso conspirasse a nosso favor… Os 10 itens resultantes da compilação dos governos anteriores são excelentes. É isso mesmo que precisamos, por isso estou empolgada com a escola RenovaBr que já formou 2.000 lideranças e para as eleições municipais de 2024 a meta é mais 3.000 novas lideranças. Tenho esperanças na nova geração e acredito que serão políticos íntegros para um Brasil melhor. Como toda mudança é um trabalho de formiguinha…. De alguma forma precisamos disseminar os 10 itens. Vou tentar através do PNBE. Muito bom estar aqui com vocês. Abraços! Miriam ### J.F. Saporito (leitor) Caro amigo Luís O texto do ensaio número quatro desenvolvido por você recentemente, faz uma análise ampla e profunda sobre inúmeros problemas e situações recorrentes que acabam por interferirem de forma constante, na vida das pessoas e no histórico da estrutura política do Brasil. Na verdade, ao falar de Sonho ou Pesadelo você complementa os comentários do trabalho anterior quando abordou o tema Educação. De uma maneira geral concordo com praticamente tudo com o que foi exposto nos dois ensaios, reconhecendo que me senti pouco preparado para acrescentar ideias ou verdades que não tenham sido ditas nos seus dois trabalhos. Para contribuir e não deixar de dar uma opinião pessoal que não é divergente, mas que busca amplificar de forma construtiva tanto na Visão de Helicóptero como na pergunta porque o Brasil não decola, registro minhas considerações a respeito de ambos. 1-No caso da Visão de Helicóptero penso que quando pessoas respeitadas e integras tiram a fotografa área dos fatos ocorridos no país, deve sim servir como instrumento para que a sociedade em geral, avalie e faça críticas aos governantes ocupantes de cargos nos três poderes, sempre que o rumo das decisões não esteja alinhado com as necessidades do povo. Se a avaliação vista do helicóptero for positiva, então que se elogie. 2- Porque o Brasil não decola. Quando independente de quem e que partido político está sentado na cadeira de piloto governante, não haja um plano estratégico de desenvolvimento geral envolvendo ações de curto (5 a 10 anos), médio (10 a 20 anos) e longo prazo (20 a 30 anos), especialmente nas áreas de educação, saúde, segurança e infraestrutura, torna-se impossível decolar. O que nós fazemos por aqui e trocar o motor do avião cada vez que um novo com o desenvolvimento do motor original do avião proposto e aprovado pelas melhores mentes do Brasil, apenas fazendo as correções que se mostrem necessárias no decorrer do tempo. Nesse caso, não importa de quem foi a autoria dos planos. Importa sim, acreditar e perseguir os resultados que o projeto original previa. O personalismo, a vaidade, o estigma do caudilho, impedem que haja sequência na execução dos planos que buscam resolver problemas básicos das carências coletivas. Cada um que está no poder quer colocar a sua marca nos programas e nunca se chega a lugar nenhum. Realmente, nesse modelo de hoje o país não decola. Como o cenário político se tornou atrativo como palco de oportunidades para a inclusão de pessoas da pior espécie na prática de atos não republicanos, temos como consequência o afastamento das melhores mentes com capacidade de contribuir com seriedade nas leis e decisões que melhor impactem o bem-estar das pessoas. Esse é um dos principais motivos por que o país não decola. O sistema presidencialista como o vigente em nosso país, com reeleição possível depois dos primeiros 4 anos está com data de validade vencida a muito tempo. Nem bem começa o primeiro mandato é o presidente já começa fazer acordos e negociações com o congresso afim de garantir um segundo mandato. O balcão de negócios funciona durante todo o tempo como instrumento que garanta a governabilidade do presidente e exposição positiva dos deputados e senadores nas suas bases de origem. Sou partidário de um governo de 5 anos sem reeleição, com a inclusão de um primeiro-ministro eleito de acordo com a formação das forças políticas do congresso. A manutenção do sistema atual não permite que o Brasil decole. Hoje em dia somos reféns das presidências da Câmara e Senado, e dos ministros do STF. Do jeito que está o Brasil não decola, apenas derrapa sem cruzar a linha de chegada. Bem, são apenas ideias de quem pensa e gostaria de um país forte, que resgate o potencial latente nas suas riquezas naturais, que valorize a vontade de um povo trabalhador, que dê oportunidades aos empresários criativos que apesar de tudo ainda conseguem o milagre de produzir sob condições desfavoráveis e finalmente que não antagonize, mas coloque no devido e merecido lugar os que trabalham no agronegócio que surpreende o mundo com a sua capacidade técnica e criativa de produzir alimentos. Com os meus agradecimentos de receber os seus ensaios e poder comentar com algumas sugestões. J.F. SAPORITO --- # EDUCAÇÃO Ensaios · 8 de março de 2024 · https://luis-gaj.vercel.app/ensaio-n-03-educacao ## ENSAIO Nº 03 No ensaio No 2, que trata do tema da justiça, destacamos a importância de se elaborar um manual de ética e moral aplicável especialmente para as pessoas que desejam dedicar a sua vida, a sua profissão, para o serviço público. E especialmente a aqueles que tem potencial para ocupar cargos de liderança no governo. Este manual seria também aplicável a todos os cidadãos. Educação possui um aspecto amplo que abrange a família, a escola, a comunidade. e também as experiencias, e se complementa com aprendizagem. O meu sócio de 35 anos de trabalho juntos era um estudioso autodidata, uma pessoa de valores éticos e morais, foi fundador de um movimento que denominou “Fórum de Educação Infantil”. Era uma pessoa preocupada com as questões sociais, com a pobreza, com a marginalização, e desejou contribuir com ideias, que partindo da educação desde a infância, pudessem a médio e longo prazo mudar a atual situação do País na busca de índices de desenvolvimento humano melhorados. Kurt Lenhard nos deixou faz aproximadamente faz quatro anos, aos 98 anos de idade deixando saudades em quem tivemos o privilégio de com ele conviver. Ele elaborou um trabalho tipo proposta que denominou “Educação para a Cidadania”, desde a primeira infância e abrange tanto a educação na escola como, no âmbito familiar e nas relações com terceiros. Organizou sugestão dos temas que seriam importantes em cada idade, sem colocar na forma de programas de educação, mas que fossem temas a serem incluídos nos programas existentes de português, matemática, geografia e história em vigor. Começando aos quatro anos e estendendo os temas até os 20 anos, se bem que o processo da aprendizagem se estende durante a vida toda, Kurt focou no tópico da cidadania e na formação de pessoas responsáveis nas diversas idades. Estes temas são também dedicados para as famílias na formação de valores éticos e morais nas gerações em crescimento e no futuro do Brasil. A seguir reproduzo as ideias do Kurt: **“A partir do 4 a 6 anos de idade** Enxergar e ouvir o outro. Procurar compreender o próximo. Aceitar a si mesmo. Aceitar o outro. Reconhecer o direito a diferença. Identificar-se com o outro. Ter compaixão com o sofrimento do outro. Amor ao próximo. Expressar solidariedade. Cortesia, decência. Agir com civilidade. Autocontrole, segurar erupções de raiva. Cultura de paz **A partir dos 7 anos de idade** Assumir responsabilidade pelo que fala, escreve e faz. Fazer as coisas com qualidade. Não se deixar atrapalhar pelo “não adianta”. Não se deixar manipular. Colaborar, agir em conjunto com outros, sem abdicar de suas convicções. Complementar, fazer a sua parte. Praticar solidariedade. Cumprir a sua palavra. Reconhecer o mérito dos outros. Integridade. **A partir dos 10 anos de idade.** Olhar crítico. Analisar qual a causa da causa. **A partir dos 13 anos de idade** As ações de hoje criam as condições para o amanhã. Pensar a longo prazo. Visão estratégica. Gostar de si memo. Autoconfiança. Dever perante si mesmo. Manter a saúde do corpo. Manter a mente aberta. Ser criativo. Procurar crescer no conhecimento e na compreensão. Competir dentro da ética. Cumprir o dever perante a família e os amigos. Escolher os amigos com cuidado. Exercer um papel positivo na família, com os amigos e no trabalho. **A partir dos 17 anos de idade** Cumprir o dever perante as comunidades. Assumir responsabilidade de tarefas para a comunidade. Trabalho voluntário. Cumprir o dever perante a nação. Tomar conhecimento da vida pública. Cumprir responsabilidade perante a nação, a comunidade e o planeta. Aprender técnicas de fazer reuniões que levam a conclusões e decisões **A partir dos 19 anos de idade** Procurar companheiros e aliados para suas ações em favor da sociedade. Agir/trabalhar com outros a favor da sociedade. Contribuir para a reciclagem e os cuidados com o lixo ACREDITAMOS NA NOVA GERAÇAO E NO FUTURO DO BRASIL Kurt Lenhard 2016” Educação, no entanto, sofre pela falta do acesso igualitário, formação adequada de professores, falta de recursos e políticas públicas que priorizem o ensino nos diversos níveis. Devemos acrescentar que para uma boa aprendizagem é preciso a criança e o adolescente estar bem alimentado. Destacamos a necessidade de planejar merenda escolar com critério técnico e com participação de pessoas especializadas em alimentação saudável. Novamente as políticas públicas são fundamentais para escolha de uma alimentação adequada. Destacamos a intenção do Kurt de promover o desenvolvimento da pessoa em todos os aspectos, complementando os ensinamentos muitas vezes frios de matérias, sem preocupação com valores éticos e morais. Pensou na criação de uma geração de jovens críticos e capazes de escolher adequadamente seus dirigentes. Quando a educação ocorre na escola ela é formal e cabe ao professor promovê-la com propriedade. Para tanto o professor precisa estar capacitado e estar imbuído de preocupações que excedem o limite das disciplinas que ensina. Também é muito importante, até diria principal, a educação transmitida no ambiente familiar e que está fundamentada no exemplo que os pais e familiares transmitem. Nos primeiros anos de vida e até idade escolar, a educação se processa no lar e torna-se muito importante para o futuro. Foge ao controle familiar e aos ensinamentos nos vários níveis escolares, a aprendizagem adquirida na rua, no convívio com amigos e no trabalho nos diversos relacionamentos. Por isso a importância de escolher cuidadosamente as amizades e também aceitar trabalhos que não entrem em conflito com seus princípios. Ao abordar o tema da Educação entendi que era um problema social mal equacionado e recentemente recebi um levantamento da FIA Business School, sobre os 12 principais problemas sociais do Brasil, que passo a mencionar. Saúde, educação, moradia, desemprego, saneamento básico, desigualdade social, trabalho infantil, fome, desmatamento, desigualdade racial, drogas e violência. Destes itens pretendo escolher os temas a desenvolver nos próximos ensaios. Todos são temas importantes sendo preciso muita vontade e determinação das autoridades para focando e resolvendo um por vez melhorar a vida dos cidadãos do Brasil. Fica aqui a minha homenagem póstuma ao Kurt pelo seu esforço e preocupação com o tema da Educação. Complementando o dito, volto a me referir à escola Renovar que a Miriam menciona em sua contribuição como exemplo a ser seguido. Escola fundada por Eduardo Mofarrej tem como exigência para admissão que os candidatos possuam integridade, espírito público e democrático, Liderança, pensamento crítico e autoconhecimento. Dos 12 itens mencionados pela FIA, eles focam em quatro que são: Saúde, educação. emprego e alimentação. Esperamos que tenham muito sucesso na formação de futuros dirigentes políticos e que o programa seja multiplicado para maior efetividade. A seguir interessante notícia sobre o NOVO SISTEMA EDUCATIVO que será implantado no Japão. O sistema velho era muito bom, mas este novo é revolucionário e forma as crianças como Cidadãos do Mundo, não como japoneses. O sistema piloto em implantação é denominado “Mudança Arrojada” que consiste numa mudança conceitual voltada a entender e aceitar diferentes culturas com horizontes globais, não regionais. O programa é de 12 anos e está baseado em alguns conceitos como: nada de materiais superficiais, nada de tarefas e somente 5 matérias que são: 1 **MATEMATICA DE NEGÓCIOS** com as operações básicas e uso de calculadoras financeiras. 2 **LEITURA** começando lendo uma folha de livro escolhido pelo aluno e terminando lendo um livro por semana. 3 **CIVISMO**, compreendido como respeito total às leis, o valor civil da ética, o respeito às normas de convivência e à tolerância, o altruísmo e o respeito à ecologia e meio ambiente. 4 **COMPUTAÇÃO**com office, internet e negócios online. 5 **IDIOMAS** com 4 a 5 alfabetos, culturas, religiões entre a japonesa, latina, inglesa, alemã, chinesa, árabe, com visitas socializadoras de intercâmbio com famílias de cada país durante o verão. O que se espera deste programa: jovens que com 18 anos falam 4 idiomas, conhecem 5 culturas, 4 alfabetos, são espertos em computação e celulares como ferramentas de trabalho, lerem 52 livros por ano, respeitam a ecologia a convivência e utilizam matemática com extrema habilidade. (coloco a ressalva de que recebi esta informação de parente que mora em Israel, esperando não seja fake News, mas mesmo que seja é muito interessante a ideia) Contra essa geração irão competir os nossos netos ou bisnetos e dá para perceber por este programa, a distância enorme de nossos sistemas educacionais, quanto ainda temos que lutar contra o analfabetismo crônico instalado no País. Fácil é perceber que as sugestões do Kurt e o novo modelo japonês têm muito em comum Educação e fundamental para o desenvolvimento humano e para o progresso social. Comunidades e cidades do nordeste que possuem 85 per cento da população vivendo do bolsa família e satisfeitos em não fazer nada, e deste total, 50 per cento são analfabetos, apresentam um quadro terrível de não desenvolvimento humano, de falta de educação para todos e do atraso das comunidades por políticas públicas que mantêm a existência da população, sem contribuir com atividades produtivas, que estimulam a ociosidade e que mantêm as populações numa letargia sem futuro. Urgente a mudança do conceito de buscar votos dando dinheiro, para um conceito de promover um futuro desenvolvimentista por intermédio de usar a educação como forma de progresso social e pessoal e para formar cidadãos conscientes. As políticas públicas devem garantir educação para todos e de qualidade, valorizando o papel do professor e deve ser inclusiva e criar mecanismos de estímulo para que as populações analfabetas adiram aos programas a serem oferecidos. A educação também sofre os efeitos das mudanças tecnológicas e da introdução de meios sofisticados para serem colocados ao alcance dos em processo de aprendizagem. Por isso também os métodos e programas devem ser constantemente atualizados. Sendo as novas tecnologias muito importantes, também é preciso cautela na utilização do ChatGPT por alunos de escolas de melhor nível, que o utilizam para apresentar trabalhos solicitados, sendo necessário verificar se a aprendizagem não está sendo prejudicada pela utilização destas ferramentas. Por fim, e mesmo que o desafio no Brasil para melhorar o IDH (índice de desenvolvimento humano) seja complexo e demandante, cabe às autoridades, às famílias e aos cidadãos se sentirem críticos e insatisfeitos, para exigir planos de erradicação do analfabetismo mediante programas de qualidade na educação. Com este parágrafo tinha acabado de escrever sobre Educação, quando dois artigos chamaram a minha atenção. Um de Bolívar Lamounier, que muitos anos atrás e quando ele não era tão conhecido fizemos um seminário para nossos clientes com a sua participação e agora escreve periodicamente no jornal Estado de São Paulo Recentemente escreveu sob o título “Onde Começa o Começo”, e outro artigo do diplomata Roberto Azevêdo sobre A Corrida Ambientalista e a Visão Reducionista, lembrando que o tema Sustentabilidade foi abordado no Working Paper número 7 de 2022. No artigo de Bolívar Lamounier e tentando resumir começa relatando experiência realizada por professor da Universidade de Boston que dá aos alunos a tarefa de definir porquê da deflagração da Primeira Guerra Mundial, e estes deviam responder com um parágrafo somente. Lido a seguir o resultado foi que é muito difícil definir o porquê de um fato tão importante. Os alunos tinham respondido com múltiplas causas. Aplicado a nosso momento no Brasil atual, e numa roda da CNN tinha surgido a questão “porque o Brasil não sai do lugar” e porque nosso sistema político está a décadas afundado nesta situação, incapaz de aprimorar a sua estrutura institucional e ainda menos capaz de levar a cabo os desejos de crescimento econômico e bem-estar social. Uma das causas seria a fixação na ideia de governo forte, ou personalista e autoritário. Outro motivo seria a contra reforma, ou combate ao protestantismo deflagrado na Espanha por Ignacio de Loyola que dominou na Europa Mediterrânea, de países de origem latino, e que foi a herança que recebemos. A idolatria por governos fortes prevalece até hoje e também a contra reforma levando a obsessão populista. Lamounier menciona que sistema de governo presidencialista só funciona nos EUA. E que em toda América Latina degenerou para presidencialismo, ou numa forma de ditadura. Enquanto isso os países que adotaram o protestantismo tiveram progressos significativos na evolução cientifica e tecnológica, que o presidencialismo paralisou. A nossa herança da colonização portuguesa estivera baseada em três fatores: latifúndio, escravidão e monocultura. Estes três fatores ligados à contra reforma nos legaram um zero à esquerda em termos de tecnologia e ciência, segundo o artigo. Também o atraso se deve a que como regimes presidencialistas colocam em cargos muito bem remunerados amigos, parentes e simpatizantes, assim como favorecem políticos que fornecem sustentação para aprovação de medidas. A burocracia instalada, especialmente após a construção de Brasília e o excessivo tamanho da máquina pública, vieram em detrimento de investimentos necessários em infraestrutura, educação e saúde. Inglaterra e os Estados Unidos lideraram o desenvolvimento investindo em ciência e tecnologia, o que foi fundamental para o progresso industrial, enquanto no Brasil ciência e tecnologia são temas relegados a segundo plano Devemos concordar plenamente com esta visão, mas nesse Onde Começa o Começo e o “Porque o Brasil não sai do lugar”, acrescentamos a visão de que olhando para o futuro e se não podemos prescindir do presidencialismo, pelo menos podemos acreditar que a forma de desenvolver o País parte da Educação em todos os níveis e na erradicação do analfabetismo, sendo preciso escolher e priorizar por onde começar a sair da letargia da colonização. Existem mentes brilhantes como Lamounier e como Roberto Azevedo e a potencialidade para o Brasil decolar é imensa. Falta vontade e firmeza na decisão de investir prioritariamente na educação como forma capacitar a população para um futuro melhor e para o progresso social e melhora do nível de vida. Com relação ao artigo publicado no Valor Econômico e que a Miriam Menossi gentilmente me encaminhou, estou enviando assim como recebi como complemento interessante sobre o tema da sustentabilidade abordado em 2922 visando acrescentar mais uma visão atualizada sobre o tema. **Luis Gaj** ### Contribuições recebidas sobre o Ensaio Nº03. Educação --- # JUSTIÇA Ensaios · 8 de março de 2024 · https://luis-gaj.vercel.app/ensaio-n-02-justica ## ENSAIO Nº 02 Justiça é um conceito fundamental em todas as sociedades, que se refere a um conjunto de valores, princípios e instituições que buscam garantir a igualdade, a equidade e a imparcialidade nas relações entre os indivíduos e o Estado. O termo Justiça pode ser interpretado de diversas formas, quando nos referimos ao sistema jurídico implantado para cumprir as leis, ou também interpretando o sentido do que pode ser considerado justo ou não na sociedade, e neste caso inserido na cultura e na ética que prevalecem. Justiça do ponto de vista jurídico e um tema sujeito a comentários os mais diversos, mas um advogado conceituado me comentou que no país não existe justiça, estaria prevalecendo um modelo de troca de interesses e de busca de vantagens entre os envolvidos. No entanto preciso acreditar que existe honradez e que seja possível que em determinados níveis seja praticado ou ao menos intentado fazer justiça. Vemos diariamente que alguns são punidos, ladrões são presos, transgressores são condenados, e isso significa que sim, a justiça existe, mas como diz Karmal tudo mundo sabe que muita coisa escapa à balança da lei. Um aspecto relevante no sistema judiciário e a sua autonomia de outros poderes. Assim a sua identificação com uma linha política, ou tomar partido de um certo governo indica perda de isenção e significa parcialidade e injustiça no cumprimento de seus deveres. Passando ao outro aspecto na busca do que é certo ou errado achei muito interessante o livro JUSTICA de MICHAEL J. SANDEL publicado em 2009 e que aborda diversos aspectos político sociais abrangendo temas como ética e moral. Num dos primeiros casos que relata aborda um evento climático na Florida, onde um ciclone provoca destruição, mortes e desabrigados. Nessa ocasião de pleno verão e calor sufocante, o preço do gelo dispara por falta de energia, assim como o aluguel de espaços para morar como pousadas e hotéis, mesmo se tratando de pessoas que sofreram perdas com o ciclone. De um lado se argumenta que seria injusto aproveitar a ocasião e aumentar os preços mais do outro lado economistas que defendem o livre comercio e partindo da lei da oferta e da demanda, nada como deixar liberdade para os preços serem praticados de acordo com o entendimento entre as partes. No caso do nosso País, e na recente catástrofe provocada por fortes chuvas no litoral norte, não foi necessário aumentar os preços porque a solidariedade atendeu a necessidade de alimentos e roupas para os desabrigados e a ação do governo foi imediata dando apoio as pessoas que passaram a sofrer. Esta atuação talvez não aconteça na florida porque já existem precedentes de situações semelhantes quase todos os anos e o restante da população termina não se sensibilizando e mobilizando para ajudar. No entanto o gesto dos brasileiros merece ser seguido como exemplo. Em outros casos mencionados no livro são colocados exemplos de situações extremas em que é muito difícil definir quem está certo ou errado, que atitude seria a atitude certa a ser adotada se houvesse ocasião de se repetir. Um título garrafal no jornal menciona que empresas com causas de 158 bilhões patrocinam eventos para magistrados. Receber este apoio de empresas que estão envolvidas em importantes causas na justiça seria considerado adequado eticamente? Um questionamento que deixo para o leitor julgar. Os magistrados se defendem argumentando que estariam participando de eventos científicos e de interesse para a população, e do outro lado se argumenta porque aceitar dessas empresas que se encontram em pendencias judiciais e não buscar patrocínio de empresas saudáveis. Os eventos patrocinados não são simples congressos para trocas de experiencias e enriquecimento dos participantes, mas incluem hotéis de luxo, shows com artistas famosos, jantar em cassino, baladas, coquetel com tudo pago, e até aluguel de lanchas e direito a espumante de brinde. Acontece que participam destes eventos os magistrados que deverão julgar as entidades endividadas e devedoras da justiça. Conrado Hubner professor de Direito da USP comenta que as condutas podem ser enquadradas na categoria geral de quebra de imparcialidade, de manutenção da devida distância das partes, de respeito e suspeição. O mesmo acontece quando entidade filantrópica que trata de alimentação saudável para crianças desnutridas se encontra frente a uma solicitação de apoio por parte de empresa de bebidas e ou alimentos processados que além de não alimentar são prejudiciais para uma boa alimentação. Aceitar dinheiro destas empresas pode ser defendido porque será usado em benefício de crianças desnutridas, mas do outro lada aceitar recursos de uma fábrica de bebidas que provocam crianças gordas e mal alimentadas ingerindo açucares seria antiético e estaria contra os princípios desta ONG que não gostaria ser identificada com o apoio de empresa que em nada ajuda para uma alimentação saudável. Um presidente no exercício de seu cargo receber presentes valiosos como joias de um país árabe e considerar como presente pessoal, e considerado eticamente correto? Esse presidente julga que foi por mérito pessoal que está sendo agraciado ou por ter recebido bem alguns membros do governo daquele País, quando na realidade está recebendo por estar ocupando o lugar de Presidente. Em outro caso um ministro de estado utilizar avião do governo para assistir a um leilão de cavalos e denunciado pela imprensa, ser perdoado pelo mandatário de plantão por ser importante para a formação do apoio parlamentar para seu governo e considerado moralmente adequado, mesmo que denunciado publicamente.? Esse ministro deveria minimamente pagar pela viagem que fez e pedir desculpas por ter abusado de seu cargo para um benefício pessoal. Evidente que a questão ética e de moral está muito confusa nas cabeças de nossos dirigentes. O que pode ser aceito como justo e o que extrapola tornando-se injusto precisaria ser esclarecido para evitar que fatos semelhantes na troca de favores se sobreponham aos valores éticos e morais que devem ´prevalecer em todas as circunstâncias. O tema da ética e moral devia ser objeto de disciplina em todos os níveis da educação debatendo e aprimorando a fixação de um modelo a ser adotado como justo para o Brasil, considerando comportamentos das culturas latina, anglo saxona e germânica e comparando também com alguns modelos asiáticos e regimes políticos diferentes. A ideia seria de modelar um comportamento ético aceito pela sociedade e implantado nos diversos regimes políticos que venham ser vencedores em pleitos eleitorais. provavelmente seja uma ideia utópica e irreal, mas sonhar é preciso. Assim proponho iniciar questionando as condutas de dirigentes que consideram natural fazer troca de favores para governar alimentando um modelo não questionado por ignorância dos governados ou por um modelo antigo que perdoava alegando rouba mais faz. Desta forma acredito que deixar o povo inculto, não priorizar educação, colabora para se criar uma massa de pessoas que não questionam porque não tem capacidade para julgar, para lembrar atitudes indecorosas passadas e para escolher com mais critério os futuros mandatários. Torna-se difícil julgar este ou aquele governante, porque acreditamos que eles agem naturalmente seguindo modelo comumente aceito em todos os níveis e que é considerado como natural. Ninguém se sente culpado ou tem problema de consciência nestas circunstâncias LEANDRO Karnal escreveu em 05/03/2023 artigo A Vontade de Justiça e *menciona* que somos ambíguos porque apontamos nos outros faltas que cometemos em privado assim julgar alguma ação como sendo justa ou injusta deve ser questionada na moral prevalecente, questionando por exemplo se a invasão da Ucrânia pela Rússia pode ser considerada sendo justa ou injusta sem aprofundar em fatos históricos, e sem conhecer as motivações e provocações das partes num contexto geopolítico e militar. Hoje nos temos nosso presidente homenageando um governante que implantou uma ditadura e que provocou um calote de dívida para com o Brasil de bilhões de Reais e que não faz nenhum gesto de que um dia vai pagar a dívida. Esta atitude que desagrada ao mundo ocidental devido não ser um país democrático é justa para com um Brasil livre e que defende instituições livres e a democracia.? Cabe ao leitor julgar. Karnal menciona as várias religiões e como elas colocam a busca da justiça como prioridade, se bem que cada uma de forma diferente, mas recomendo a leitura do artigo pois acho impossível explicar sem repetir as palavras do autor. Será que a procura de uma liderança sul-americana neste momento, seria oportuna é não seria mais importante focar e dar prioridade para os inúmeros problemas internos do Brasil? Sabemos que existe miséria, desemprego, falta de educação adequada, burocracia instalada em Brasília, com corporativismo e injustiça quando elevados salários e gastos são observados por uma população deixada à margem dos benefícios distribuídos no palácio. Aliás fiquei contente de ver pela primeira vez que o ministro chefe da Casa Civil Rui Costa emitiu parecer num discurso sobre Brasília como Ilha da Fantasia. Justo dizer que esta avaliação se refere ao centro político e de decisões da capital, sem envolver a população de três milhões que vivem nas cidades satélites. No entanto recebeu um puxão de orelhas e teve que se retratar. Peço favor não imaginar que esta é uma crítica à gestão atual, na realidade a situação em que se encontra o Brasil decorre de várias gestões, de muitos governantes e as injustiças têm se repetido faltando uma visão de futuro tão importante quando se para e se pensa grande, além de os problemas do dia a dia, e como visionários e construtores do futuro. Para finalizara justiça pode ser vista como um ideal a ser alcançado, que exige o respeito aos direitos e às liberdades fundamentais, a proteção dos mais vulneráveis e a punição dos que infringem as normas estabelecidas. ## Contribuições de leitores sobre "JUSTIÇA" ### Lejbus Czersnia (leitor) Luiz, magnífico ensaio! É difícil fazer justiça! Parabéns! ### Dr. Marcio Amatussi (leitor) Relendo o ensaio. A nossa classe política, a meu ver, em sua maioria, não vê a justiça com um ideal a ser alcançado. ### Miriam Menossi (leitor) Boa tarde, Luis Foi muito bom refletir sobre este tema, pois quase não tenho interlocutores para trocar ideias. No caso das empresas com causas na Justiça que patrocinam eventos nababescos, considero indecente. Como há casos e casos, há empresários que estão aí na mídia envolvidos em grandes desfalques que patrocinam escolas da rede pública de São Paulo. Aí, em nome da urgência que temos em criar uma sociedade mais preparada para enfrentar o futuro da Nação, sou obrigada a concordar. Como eles fazem parte do 1% mais rico do mundo, é justo que destinem parte da fortuna a uma causa tão importante. Quanto aos nossos políticos, partindo do princípio de que somos todos iguais, os governantes que elegemos devem se portar como nós. Abomino carros oficiais, aviões à disposição e qualquer tipo de locomoção paga por nós contribuintes e que não usufruímos. Políticos devem dar o exemplo de cidadãos éticos. Por essa razão acompanho muito de perto o RenovaBr, uma escola com a missão de formar políticos que se portem pela ética e cidadania. Foi idealizado e criado por Eduardo Mufarrej e contando o com Paulo Hartum e uma leva de empresários que garantem a manutenção da escola. Já está na 3a eleição colocando no Parlamento seres humanos melhores e comprometidos com o país. Nas poucas entrevistas que Eduardo Mufarrej concedeu à imprensa, ele afirma que é um trabalho de formiguinha e que os resultados só serão percebidos a longo prazo. Vale lembrar que a escola é gratuita, porém a seleção é rigorosa e só ingressam as pessoas realmente com perfil para serem políticos pautados na ética e cidadania. Finalizo concordando plenamente com você de que Ética e Cidadania devem fazer parte da Educação em todos os níveis. Um grande abraço! ### F Saporito (leitor) **JUSTIÇA** Ao receber o convite de escrever sobre justiça, um tema desafiador e polemico em nosso país, fiquei em dúvida se deveria falar apenas sobre as características e decisões jurídicas dos tribunais nos dias de hoje, isto é, da justiça comum, ou também incluir comentários sobre justiça social, que diferente da justiça comum, representa o elo entre as políticas e ações do governo com as necessidades básicas dos cidadãos. Justiça é uma das quadro virtudes cardinais da doutrina Católica, significando **“uma constante e firme vontade de dar aos outros o que lhes é devido”.** Trata-se de um conceito objetivo, concreto e de fácil entendimento, mas que na sua essência, **não se refere de forma exclusiva**, apenas a questões entendidas como embates judiciais para solução de litígios entre indivíduos, capital e o Estado, representado pelas leis. É preciso levar em consideração que mesmo não estando explicito no enunciado da virtude cardinal da doutrina católica, nem tampouco nos textos de importantes filósofos de outros tempos, convivemos a nível mundial, com um grande desiquilíbrio entre as classes sociais, deixando muito claro a necessidade de que haja avanços em programas de **justiça social**, especialmente quando se trata de países não desenvolvidos o suficiente, como é o nosso caso. Na justiça jurídica comum, as discussões e tomadas de decisões a favor deste ou daquele interessado, são dependentes das leis e das interpretações assumidas pelos juízes e tribunais nas várias instâncias do processo. Na justiça social, o bem-estar igualitário de um povo está na dependência de como os seus governantes fazem a boa gestão dos recursos e das políticas de inclusão das pessoas menos favorecidas. Cabe ao Estado oferecer aos cidadãos, acesso e atendimento à saúde, educação, moradia, condições de trabalho, justa distribuição de renda e dignidade. A justiça social é dependente de como o Estado gera o seu programa de governo negociando com o congresso para melhor atender os seus cidadãos de forma justa e universal. A consequência das negociações quando bem-sucedidas, é a implantação de leis que garantam os direitos adquiridos pela Constituição, independente de classe social, cor, credo ou outras características próprias das minorias. Entendo, portanto, que existem dois segmentos bem distintos quando se debate sobre o tema justiça, objeto do presente estudo: Justiça Jurídica que depende das leis e de como são aplicadas. Justiça Social que depende dos programas de governo do Estado. Os dois segmentos são independentes mesmo considerando que o judiciário, legislativo e executivo os une de forma indireta. Isso porque não é incomum que nas relações do cotidiano que normalmente ocorrem nas sociedades, surgirem conflitos de interesses entre as justiças jurídica comum e a social. Nesses casos os tribunais são acionados para que a luz da jurisprudência, julgar e dar solução a problemas em que as partes não estejam cumprido as leis por erro de interpretação, por burla consciente, e por uso político indevido. Quando falamos de justiça em países como Dinamarca, Finlândia e Noruega em primeiro plano e porque não incluir a Inglaterra, Alemanha e Suécia como bons exemplos, estamos diante de um abismo comparado com o nosso Brasil em questões que tratam de garantir justiça jurídica comum e social no mais amplo sentido na palavra. As estruturas e formatação política de governo, a cultura, a ética, a educação e a moral cívica desses países desenvolvidos, são os fatores responsáveis para que haja segurança jurídica e social no atendimento dos direitos dos cidadãos em geral, sempre buscando equidade nas decisões. Infelizmente, este não é o nosso cenário. No Brasil, estamos vivendo um período muito difícil, em que a percepção da maioria da população é de que não estão sendo praticadas na forma das leis, decisões e punições que façam justiça exemplar e justa em relação a desvios de conduta no âmbito dos crimes políticos, dos atos de corrupção em geral, nos delitos de crimes comuns, no tráfico, nos crimes financeiros e ambientais em e outras modalidades semelhantes. O termo impunidade faz parte da nossa cultura e incentiva que em todos os segmentos da sociedade se pratiquem atos que transgredem as leis sem que haja punição adequada ao peso das ações indevidamente praticados. Somos talvez um dos poucos países em que um condenado em primeira e segunda instância consegue ficar em liberdade, usando do recurso de recorrer a última instância do judiciário. Vigora no Brasil a tese de que o julgamento precisa transitar em julgado, o que significa ser confirmado pelo STF em terceira instância. Muitas vezes acontece o decurso de prazo por falta do julgamento final, ficando o processo encerrado e o réu livre. A consequência desse estado de coisas é que as pessoas fiquem inconformadas e revoltadas com a não condenação dos infratores. Enfim, quando se trata de fazer justiça adequada no estrito cumprimento das leis, como contraponto de atos culposos praticados por indivíduos e corporações, são incontáveis os registros de casos mal ou não resolvidos no nosso dia a dia. Os exemplos são muitos, são de conhecimento geral, tornando-se dispensável citar casos específicos. Estamos em rota de colisão com aquilo que se espera de um país democrático e justo. Por outro lado. temos muito que falar em relação a justiça social, carente da implantação de políticas públicas de longo prazo, cujo objetivo maior é sanar deficiências históricas em várias áreas estratégicas da sociedade brasileira. Aliás, trata-se de um programa que deveria ser obrigatório e contínuo do Estado, independente de que partido político esteja no poder. Os programas do passado e do presente no sentido de melhorar as condições gerais das pessoas em nosso país são aleatórios, sem consistência, não fazem parte de um plano contínuo de médio/longo prazo. Na verdade, ainda praticamos muito assistencialismo de última hora, apenas com intenções eleitorais, sem investir no desenvolvimento das pessoas. Apenas para situar de como a questão da justiça social impacta na realidade brasileira vamos analisar três questões latentes a espera de soluções duradoras. Os casos de moradia, educação e saúde são bons exemplos dos nossos problemas. Temos um déficit de quase 6 milhões de moradias. Se considerarmos uma média de 4 pessoas por família, significa uma população de 24 milhões de pessoas aguardando sem perspectiva de curto/médio prazo o direito de morar de maneira digna. Essa situação que vem de longa data é motivada pela não execução de programas consistentes que possam dar solução adequada a esse grave problema de ordem social. Sanar o problema de moradias de milhões de pessoas também seria perfeito para alavancar a área de construção civil, responsável pela contratação de mão de obra, reduzindo com isso o nível de desemprego. No campo da educação a situação é muito grave. Não temos há muito tempo um Ministro da Educação com reconhecida capacidade de propor, detalhar, obter aprovação e implantar um programa que atenda as nossas necessidades, sempre com o objetivo de médio/longo prazo. Sem isso, pagamos um preço muito alto por não colocarmos o assunto como prioridade máxima. As crianças são muito malformadas nas classes do ensino básico e médio, levando ao resultado de que muitas ao final do curso não saibam ler, escrever e realizar contas elementares de matemática. Os professores são mal remunerados e não dispõem de oportunidade para reciclarem as novas metodologias de ensino. O índice de evasão escolar é muito alto. São poucas as escolas que oferecem um curriculum escolar integral, principalmente quando os pais das crianças trabalham fora. E fácil notar o resultado negativo da ausência de uma política educacional de longo prazo no ensino básico quando se analisa o fraco desempenho das universidades brasileiras quando comparadas com outros países. No mercado de trabalho existe carência de pessoal para os cargos que exigem formação e especialização em inúmeras atividades de alta performance. No governo do período 2018 a 2022, tivemos 4 Ministros da Educação, sendo que o terceiro indicado não chegou a tomar posse. Deveríamos copiar ou aprender com as adaptações que fossem necessárias, o modelo educacional de longo prazo da Coreia do Sul ou no mínimo saber o que se está fazendo na cidade de Sobral-Ceara que segundo consta tem um programa educacional de muito bom nível pedagógico. No caso da saúde, pode-se dizer que o atendimento social do Estado é comparável a uma situação bi-polar, ou seja: Temos um sistema vacinal que pode ser considerado um dos melhores do mundo; Temos um sistema denominado SUS que não é perfeito, mas que tem uma estrutura funcional de atendimento bastante razoável, considerando a escassez de recursos. O problema da saúde está concentrado na falta de profissionais que tenham atrativos suficientes e estejam interessados em trabalharem em locais e cidades sem estruturas e afastadas dos grandes centros. Nas condições atualmente oferecidas pelo Estado, poucos aceitam trabalhar no norte e nordeste, inclusive regiões ribeirinhas da Amazonas. Outra questão grave é que o orçamento destinado a saúde é insuficiente para atender todas as demandas que o problema exige. Faltam equipamentos, muitas vezes faltam remédios de uso contínuo, as cirurgias agendadas pelo SUS são de longa espera, constantemente os hospitais públicos estão com problemas financeiros, alguns perto da insolvência, parte por má gestão e muitas vezes porque a tabela de remuneração para os atendimentos cirúrgicos e hospitalares é muito baixo. O imposto sobre cheque denominado CPMF criado em 1993 era para resolver os problemas da área da saúde. Nunca resolveu e acabou sendo desviado para outros orçamentos do Estado. Essa situação de instabilidade cria um círculo vicioso porque se milhões de pessoas tem problema de saúde e são mal atendidos, acabam resultando em outros custos ao próprio Estado e a iniciativa privada. Quem está doente constantemente, fica impedido de trabalhar e além de recorrer aos recursos financeiros do INSS torna-se uma mão de obra de baixa produtividade. No caso das crianças que ficam doentes sem pronto atendimento, resulta em ausência nas escolas e suas consequências. Concluindo: A justiça judiciária atualmente praticada no Brasil é pior do que a que a que tínhamos anos atrás, sendo que naquela época já não atendia os princípios de imparcialidade e equidade entre os mais e menos poderosos. No campo da corrupção, a operação Lava Jato trouxe um alento de que finalmente haveria punição exemplar para aqueles que se utilizam dos cargos e dinheiro público em seu próprio benefício. Todavia, as ações articuladas entre os três poderes trataram de empacotar a iniciativa saneadora que estava em curso. Inúmeros condenados por desvio de dinheiro público foram absolvidos, soltos e como prêmio final voltaram a fazer política em Brasília e Estados. Não sou um entusiasta em relação sobre o que se está tentando fazer em termos de políticas públicas para atendimento social. Aparentemente visam uma melhoria social das pessoas mais pobres. Tenho o sentimento de que se trata mais de ganhar a adesão de pessoas beneficiadas com “bondades financeiras imediatas” para manutenção futura do governo atual, do que de programas que tratem de elevar o padrão de vida dos cidadãos que vivem abaixo da linha de pobreza. O que acontece hoje em dia não é nada diferente do que aconteceu em todos os governos anteriores, abrangendo os períodos antes, durante e pós a ditadura militar de 1964. No Brasil de hoje, é muito mais fácil falar de injustiça do que de justiça. **J.F.SAPORITO** --- # ESPERANÇAS E EXPECTATIVAS Ensaios · 8 de março de 2024 · https://luis-gaj.vercel.app/ensaio-n-01-esperancas-e-expectativas ## ENSAIO Nº 01 Estamos iniciando com grandes expectativas e esperanças, neste novo período, neste novo governo, e numa nova realidade, com o mundo em profunda transformação, em especial na tecnologia. Como cidadãos, como compatriotas, como companheiros, como opositores e apoiadores, todos temos a expectativa de melhorar este grande país, abençoado por Deus, com dimensões de continente, com riquezas naturais, e com certeza da intenção de todos desejar melhorias significativas nesta gestão. **Artigos recentes com comentários positivos e negativos de expectativas quanto ao futuro próximo, como o artigo de Bolivar Lamounier no Estado de São Paulo e o artigo de Stefan Kanitz prevendo um futuro duvidoso, chamam atenção sobre os rumos a serem seguidos e avaliados. Serei otimista colocando algumas premissas que desejamos para o bem comum, sem contestar os articulistas mencionados, que admiro. A intenção é de complementar as ideias colocadas sem contradizê-las.** Sem dúvida, existe a intenção de privilegiar os menos favorecidos, o que merece todos os elogios e desejos de êxito. Para tanto, o povo está cansado de presentes e benefícios. Ele precisa de educação e trabalho digno, que é o melhor serviço social, e isso será conseguido estimulando as iniciativas que diminuam desemprego, que eliminem a fome, que combatam a desnutrição e que assim elevem a condição de vida da população, sentindo através de oportunidade para todos que realmente o governo está investindo no futuro, não somente nestes quatro anos, mas numa nova visão de melhorias a médio prazo. O foco na educação, na erradicação definitiva do analfabetismo, na melhoria do ensino e valorização do professor, na eliminação da miséria e redução da pobreza serão conseguidas, não através de novos impostos (se bem que podem ser necessários num certo momento), mas numa gestão consciente das responsabilidades. Se o governo quiser melhorar o nível de vida da população, deve dar o exemplo gastando com parcimônia, com prudência e irradiando humildade e modéstia. É compreensível o aumento do número de ministérios para obter plataforma de apoio para governar com suporte do congresso, mas em administração, a amplitude de comando exagerada pode tornar difícil lidar com tantos para orientar e comandar. E isto, por sua vez, gerar discursos e ações contraditórias entre os novos designados, como já têm ocorrido. Sem falar de aumento de gastos na máquina burocrática instalada em Brasília, que já vem de longa data, se podemos falar de culpados, talvez foi o ex-presidente Juscelino Kubitschek, pela criação da cidade de Brasília, com a esplanada, e logo depois com os anexos, possibilitando o crescimento do estatismo e da burocracia. Mas, de nada adianta olhar para o passado. Nosso foco é no futuro que desejamos, e ele passa por educação, saúde e ponderação nos gastos, evitando que se torne uma festa de desmandos do poder. Uma grande dúvida de todos os governos que se iniciam está relacionada com manutenção ou privatização de empresas, que podem ser geridas por iniciativas privadas, ou por homens públicos. Este governo iniciou declarando intenção de manter como princípio a estatização. Se isto é uma boa medida ou não, o tempo dirá, mas o importante para o sucesso é que as empresas sejam bem geridas, por dirigentes competentes, responsáveis pelo bem público. Temos exemplo no país vizinho Argentino, onde privatizar terminou sendo fracasso e outros casos onde é recomendável. Assim, não existe regra pré-definida, e sucesso ou fracasso pode ser obtido em ambas as decisões. Quando se coloca incompetentes na direção das estatais, o risco de fracasso aumenta e, nesse caso, precisará de auxílio e de sustentação, o que significa uso inadequado de recursos públicos. Gosto de dizer que para se avaliar uma empresa é preciso visitar o arquivo morto, para avaliar um restaurante, é preciso ver a cozinha e se não é possível, o banheiro. Para se avaliar um governo, é preciso acompanhar discurso com atuação. As atitudes e ações, dizem muito mais do que os discursos, e um governo deve prezar por simplicidade e humildade para lidar com a coisa pública, sem esquecer nunca que são os camaradas, os cidadãos que sustentam a máquina. Nos perguntamos porque a gestão de Angela Markel na Alemanha foi tão bem avaliada. Não se trata de esquerda ou de direita, mas de uma gestão cuidadosa com o bem comum. Ela foi sempre humilde, nunca se beneficiou de sua função e somente trouxe prosperidade. Isto, independe da linha política, somente de gestão responsável e que será avaliada numa perspectiva não muito distante. Outro exemplo foi de José Mujica, que foi presidente do Uruguai e esteve recentemente presente na posse deste governo. Na sua gestão, Mujica fazia questão de seguir guiando seu fusca e andando sem segurança, numa demonstração de simplicidade e respeito com a dinheiro público. Outra exigência de sucesso, é governar para todos os brasileiros, esquecendo as rivalidades passadas e ficando por cima das notícias falsas, numa postura elevada de estadista, com visão de futuro. Para tanto, é preciso terminar a faxina de opositores e passar a governar respeitando a pluralidade de pensamentos diversos aos próprios, e nunca esquecer que metade da população do país votou no opositor, e todos esses eleitores não são terroristas. Deve sim, condenar o desejo de golpe e a baderna no bem público, mas respeitar os eleitos pela oposição e conviver em harmonia civilizada com eles. Assim, a caça das bruxas deve ser rápida e eficaz, e concentrar a atenção nas prioridades, que são muitas, para o sucesso. A presença de Fernando Haddad e da Marina Silva em Davos representa uma esperança da inserção do Brasil no cenário internacional com as melhores intenções, que esperamos sejam cumpridas, e que, sem dúvida, encontrarão inúmeras dificuldades no caminho das realizações. O equilíbrio Fiscal e a preservação da natureza foram apontadas como prioridades elogiáveis. Será feito justiça quando se taxar grandes fortunas? Sempre haverá argumentos a favor e contra, mas é importante saber que toda ação provoca uma reação e que é preciso avaliar as consequências deste ato. Entre os argumentos a favor, está buscar reduzir as desigualdades, desde que os recursos sejam usados para esta finalidade e, nos argumentos contra, está a interferência na liberdade de cada um definir o que fazer com o que obteve de riqueza. Um dos efeitos negativos pode ser a fuga de capitais e, neste caso, haveria redução de empregos e aumento da miséria. Depende muito de como seria feito. Também seria interessante, pesquisar como isto funciona em países economicamente na frente do nosso. Assim o que é justo para uns, pode ser injusto para outros. Quando a decisão é política, é preciso medir efeitos. O mesmo ocorre com relação ao dilema de se ter um Banco Central Independente ou não, professional é técnico ou subordinado a interesses momentâneos. Desejar juros baixos é uma intenção louvável, mas é preciso entender que não depende da vontade. O papel do Banco Central é evitar o crescimento da inflação que somente serve para empobrecer. Para decidir, seria preciso fazer o que chamamos de benchmarking, ou buscar e pesquisar exemplos em outras democracias plenas, assim como a nossa. Muitos outros aspectos da nova política estão na pauta e precisarão de ponderação e cautela para com os efeitos e sempre com o exemplo dos governantes que terminam ditando as normas do comportamento da população. Incluso porque pagar impostos deve se tornar, não somente um dever, mas ser feito com satisfação, sabendo que o dinheiro está sendo bem aplicado. Este momento ainda é cedo para avaliar, mas não para pensar no que os camaradas, os apoiadores e opositores desejam para melhorar a vida de todos os habitantes do país. Contamos com o bom senso dos dirigentes de plantão, para conduzir na busca de um futuro melhor, em nome dos jovens que aguardam grandes oportunidades de realizações. Sabemos que a responsabilidade dos homens e mulheres que estão no comando não é uma tarefa fácil. Será plena de desafios e dificuldades, na busca de interesses mesquinhos, de corporativismo, de demagogia e de politicagem, mas é preciso se ter presente que o julgamento futuro da seriedade ou não das gestões, deverá será imparcial e justo. Desejamos sucesso ao atual governo, na condução do Brasil a um futuro brilhante. **Luis Gaj**Professor USP de estratégia, aposentado, e consultor de grandes empresas. ## Contribuições de leitores sobre "ESPERANÇAS E EXPECTATIVAS" ### J. F. SAPORITO (leitor) O Brasil está iniciando um novo governo em que o vencedor obteve 50,8% dos votos contra 49,2% do segundo colocado. Os números revelam uma divisão acirrada entre os eleitores, ficando evidente na análise do resultado uma profunda divisão regional e social na intenção de votos. A disputa agressiva entre direita e esquerda durante as campanhas eleitoral mantem-se ativa nos dois primeiros meses do novo governo, o que não é nada bom. O governo anterior cometeu muitos erros, mas nada justifica em um novo governo o uso contínuo dos termos “nós e eles ou ricos e pobres” como elementos de expressão em manobras políticas. Isso apenas fortalece movimentos separatistas nas classes sociais. Retaliar não deve fazer parte de um governo sob a liderança de um verdadeiro estadista que esteja interessado em governar para todos os brasileiros. Os primeiros sinais do estilo de governança são pouco animadores. Indicam um espírito populista precipitado, buscando por um lado, capitalizar a qualquer custo a simpatia e fidelidade de grande parte da população carente e por outro lado, praticar atos de um revanchismo perigoso em relação aos perdedores. Aprovaram a PEC da transição para gastar 200 bilhões fora do teto afim de atender promessas de campanha; fizeram uma interferência disfarçada e indevida na política de preços da Petrobras visando reduzir o preço nos postos para compensar a volta de impostos; taxaram a exportação de petróleo cru em 9,2% como fator compensatório no aumento de preço da gasolina. Como revanchismo e bandeira de política partidária trocaram o nome Auxílio Brasil para o antigo Bolsa Família que foi usado nos governos de 2002 a 2016; voltaram a usar o antigo nome do programa Minha Casa Minha Vida em substituição do nome Casa Verde Amarela, como se nome de programas sociais fossem propriedade privada; Não só reativaram inúmeros Ministérios excluídos durante o governo anterior como criarão novos Ministérios, vários deles com o objetivo único que consolidar a presença de minorias no bloco governista. Em um país em que a máquina administrativa precisa reduzir custos, a criação de novos Ministérios anda na contramão da necessidade. Iniciaram uma forte pressão contra o BC, objetivando a redução da taxa Selic sem nenhum embasamento técnico ou ações efetivas que dessem respaldo a pretensão do governo. Demonstram inconformismo por não terem o controle do BC e poderem praticar as mesmas interferências do passado quando o partido esteva no governo; O novo governo mostra-se totalmente contrário a iniciativas de privatizações, ameaçando inclusive rever o caso bem-sucedido da Eletrobrás. Está em rota de colisão com o governador de São Paulo que está empenhado em privatizar o problemático e ineficiente Porto de Santos. O Ministro do trabalho insinua que pode rever a recente reforma trabalhista que como sabemos trouxe vários benefícios inclusive na drástica redução dos processos trabalhistas na justiça, além da eliminação do imposto sindical; colocou em postos chaves fiéis colaboradores de governos anteriores, cujos conceitos econômicos e sociais estão ultrapassados para os dias de hoje. O importante cargo de Presidente do BNDES é um bom exemplo, mas existem inúmeros outros casos semelhantes; a nomeação para o cargo de Ministro da Fazenda de um político que foi derrotado em três eleições consecutivas não parece ter sido uma boa decisão. Os agentes econômicos aparentam não ter confiança em bons resultados na condução do seu trabalho. Enfrenta fogo amigo da ala política do seu partido, gerando dúvidas em quem manda em que o índice Bovespa reflete a insegurança política financeira do mercado frente a um governo que não tem um projeto claro e definido para dar ao Brasil um crescimento sustentável. Opera nos dias de hoje em torno de 104.0 mil pontos. Já esteve em 128.0 mil pontos em meados de 2021. No Congresso Nacional, palco dos embates políticos de mais de 20 anos nas eternas discussões das Reformas Tributária e Administrativa, o governo não tem no momento, maioria para aprovar os projetos, precisando negociar para não dizer barganhar com os chamados partidos do Centrão afim de obter um mínimo necessário de votos. Todos nós já conhecemos o resultado dessas negociações. Os comentários são de que pretendem aprovar a reforma tributária até o final do primeiro semestre, o que seria ótimo. A conferir. Quanto a reforma administrativa, muito importante para a redução das despesas do Estado, o assunto continua engavetado; depois de 2 meses o governo ainda não nomeou o pessoal do segundo e terceiro escalão em importantes órgãos estatais, dando a entender que está guardando as posições em aberto para poder melhor negociar com o Congresso no já famoso toma lá da cá; em termos de política externa continuamos alinhados e tolerando países não democráticos como Nicaragua, Cuba, Venezuela. Recentemente e sem nenhuma aparente contrapartida, autorizamos que navios de guerra do Irá fossem atracados no porto do Rio de Janeiro. Estamos em vias de fazer um papel ridículo no caso da guerra da Rússia com a Ucrania, propondo uma solução ingênua para um problema centenário de geopolítica naquela área; No âmbito interno estamos novamente diante de uma escalada de invasões de fazendas, operadas pelo MST, sempre com o argumento de que são áreas improdutivas. A Suzano, maior produtora de celulose do mundo teve terras invadidas no Sul da Bahia, sem uma manifestação pública do governo condenando a ação do movimento sem-terra. Inacreditável. Enfim, e muita coisa para apenas dois meses de governo. Somando-se a tudo isso, não me sai da cabeça os casos do Mensalão, Petrobrás, Pedaladas Fiscal, Construtoras, Sitio de Atibaia, Apartamento no Guarujá, Terreno do Instituto, a acusação de compra de votos para trazer a Olimpíada ao Rio de Janeiro em 2016, os gastos suspeitos de milhares de reais para construção de estádios inutéis de futebol na copa do mundo de 2014, o uso de recursos do BNDES para projetos de infraestrutura em Cuba, Venezuela e Angola entre outros, a função histórica da operação Lava Jato e a surpreendente posição do STF em relação esses acontecimentos, inclusive a derrubada da prisão em segunda instância. Assim, neste momento, não tenho esperanças nem expectativas positivas em relação aos nossos próximos 4 anos pois trata-se das mesmas pessoas com as mesmas teorias do passado. Existe um ditado que diz que se você s fizer alguma coisa sempre do mesmo jeito, o resultado será sempre igual. Pelo contrário, temo que a gastança populista de oferecer benefícios sem recursos suficientes no orçamento, que a falta de credibilidade interna e internacional, iniba os novos investimentos produtivos, que o PIB de 2023 estimado em apenas 1% não evolua nos próximos anos, que o desemprego na indústria aumente e que o descontrole nas contas do governo mantenha a inflação acima da meta. Espero que o Agronegócio não seja alvo de retaliações e possa continuar contribuindo com bons resultados. Aumentos de impostos, nem pensar. O cientista político Bolivar Lamounier, citado no artigo do professor Luis Gaj, escreveu neste início de ano uma série de artigos, alguns deles com os títulos “Grande país, ideias pífias; Populismo e estatolatria: doenças infantis brasileiras; Programa de governo sem projeto de país? Em todos os artigos publicados pelo Estado de São Paulo, o senhor Lamounier expõe e argumenta com amplitude, os motivos pelos quais ele mostra-se negativo em relação ao nosso futuro próximo. Em novembro de 2022 Stephen Kanitz escreveu um artigo nomeado como “Do Caminho da prosperidade para o Caminho da Servidão” abordando que figuras influentes da mídia, da economia e até empresários foram irresponsáveis, tiveram papel relevante nas últimas eleições e serão corresponsáveis pela dívida futura da previdência que nossos netos terão que pagar. Diz o autor que eles só pensaram em interesses de curto prazo. Por outro lado, as ponderações, ensinamentos, críticas, sugestões de modelos a serem aplicados pelo novo governo, e um certo grau de otimismo do professor Luis Gaj são muito bem-vindas e tendem a equilibrar a nossa forma de pensar, analisar e quando possível contribuir para que o país possa avançar para um estágio econômico, social e político de melhor qualidade. A pluralidade, o contraditório e a dialética de opiniões são elementos chaves para que pensamentos diferentes se complementem na busca de soluções inovadoras e bem-sucedidas. Espero que isso possa acontecer em nosso país e estou pronto para reconsiderar minhas posições no caso de que os fatos reais demonstrem o contrário do que penso no momento. --- # EXISTÊNCIA Work Paper · 8 de março de 2024 · https://luis-gaj.vercel.app/working-paper-n-10-existencia ## WORKING PAPER Nº10 **SERIE: COMO MELHORAR O NOSSO MUNDO** Depois de ter escrito os nove temas anteriores, resolvi parar e meditar sobre a nossa existência, sobre a vida e a morte. Variar fazendo um pouco de filosofia sem pretensões. A inspiração para este tema foi a Doutora Gudrum, que quando nos entrevistou sobre o livro que ela estava escrevendo a respeito da vida após os 80 anos, perguntou para cada um de nós como encarávamos a morte, tema de que as pessoas evitam falar. Tendo oportunidade de observar as plantas é fácil perceber que elas, como no caso as árvores, crescem para o alto, mas não para o céu, tem limites de crescimento e depois entram em declínio e desaparecem ou morem. Similar ao que ocorre com os animais, que variando de espécie, tem as suas vidas limitadas e também terminam desaparecendo. Sentimos isso nos bichinhos de estimação que tem vida mais curta da que os humanos e ficamos tristes quando perdemos um desses animalzinho que terminamos gostando. O mesmo acontece com todos os seres humanos, ricos e pobres, ilustres ou menos letrados, poderosos ou simples, indistintamente estamos destinados a desaparecer. Não escolhemos nascer e também não escolheremos morrer, se bem que podemos encurtar ou alongar a nossa permanência vivos, dependendo de como vivamos. O caminho recomendado e combatendo a entropia que se instala na idade através de boa alimentação, exercícios e o cultivo de bons relacionamentos, além de manter atividade mental. Na vida sedentária e sem propósito provavelmente a encurtamos. O mundo em que vivemos possui uma lógica determinada e estabelecida que rege o viver e o morrer. Nos resta gerenciar o intervalo entre esses dois eventos. Não sabemos se esta mesma lógica se aplica a outros planetas, a outras galáxias e universos que possam possuir formas de vida e que muito provavelmente diferiram da nossa existência. A limitação do nosso conhecimento sobre a vida em outros planetas e a imensidão do universo nos levam a refletir sobre a insignificância de nossa existência apesar de sermos partes dessa universalidade nos invita também a sermos humildes e modestos. Citarei a seguir umas poucas frases provocativas para formas diversas de encarar a nossa existência. Quando ainda vivo, importante empresário filosofava dizendo em francês: “aprés moi le diluve” Querendo dizer não se importar com o que irá ocorrer após a sua morte, até pode ter um dilúvio sem se incomodar. Claro que se trata de uma atitude egoísta para quem teve uma vida abastada depois que seu pai deixou um império pronto para ser usufruído. Outra frase, uma das mais famosas da literatura mundial foi “to be or not to be” mencionada pelo famoso Wiliam Shakespeare na tragédia Hamlet sendo um fundo filosófico profundo para meditar. Implica questionar a vida e a nossa missão na terra, talvez até com grandes aspirações. Professor conhecido escreveu um livro sob o título “nada acontece por acaso” querendo significar que estamos predestinados e que as nossas vidas são regidas por vontade superior e fora de nosso controle. Desta forma e como tudo será decidido fora de nosso alcance nos resta ficarmos passivos e esperar os acontecimentos. Na realidade o homem pode mudar o mundo ao seu redor e pode também mudar a si mesmo aproveitando as oportunidades que lhe aparecem. E responsável pelo que fazer, por quem amar e até por como sofrer. Acreditar como nossa médica antroposófica que após morrer irá se encontrar com o primeiro marido falecido e com os pais é uma forma de acreditar na vida após a morte; Consolo para quem acredita na ressureição, quem também acredita no inferno e no céu, e o medo do inferno promove conduta crente e bondosa esperando ser recompensado numa outra existência. Segundo Goehte, aproveitar os muitos momentos do dia, para pensar no muito que pode ser feito Penso, logo existo e outra citação que nos faz meditar como utilizar bem nosso pensamento, nossa liberdade que ninguém tira de pensar e raciocinar na melhor forma de aproveitar nosso tempo entre nascer e morrer. Nessa forma de pensar meditar sobre a melhor forma de educar nossos filhos e talvez a mais importante seja dando o exemplo. Também ter firmeza de propósito e não esmorecer frente aos inúmeros problemas que a vida coloca na nossa frente durante a existência. Também ter confiança em si mesmo e ir em frente. Com ambição limitada a nossas necessidades, lição que aprendi com Stefan Blas e também om Kurt Lenhard, sem objetivar poder ou riqueza, procurar viver bem, gozar de comodidade, de conforto com amigos e familiares, escolhendo amigos que mereçam nosso respeito e que nos respeitem e afastando aqueles que não merecem nossa amizade ou companhia. Assim, a vida de cada pessoa e singular e única. Ninguém pode viver a vida de ninguém em virtude da unicidade da existência humana. Cada ser humano morre e com a sua morte vão se as oportunidades de realização e de sentido. Hilel, sábio rabínico que viveu na Babilónia na época de Herodes, o Grande, dizia: “se eu não o fizer, quem o fará? E se eu não o fizer agora mesmo, quando eu deveria faze-lo? E se o fizer por mim mesmo, o que serei eu? O coração do homem não descansa até que se encontre e se realize, levando sempre em conta os valores humanos e a consciência de cada um. São algumas frases tão somente para meditar, e que estão relacionadas com a existência, e a necessidade encarar a vida e a morte como realidades aceitas ainda que com expectativa de não sofrimento. Existem assim muitas formas de encarar a existência, e como o pensamento é livre tenho a expectativa de encarar a vida e morte como elas são, sem necessidade de me apoiar em bengalas para ter atitude correta, justa e humilde e considerada com o próximo. Respeito todas as religiões e também respeito às pessoas que nelas acreditam, assim como também respeito a todas as ideias e opiniões conflitantes que permeiam nosso meio, mantendo uma postura equidistante e longe de extremismos e acreditando no homem e na sua capacidade de superar os obstáculos que surgem durante toda a existência. Também acredito na potencialidade de todo ser humano de CONTRIBUIR para tornar melhor a existência de todos. Acredito que a INSATISFAÇAO pode ser o caminho para melhorar e existência e chegar a obter a tão desejada FELICIDADE. Espero que a POLÍTICA e a ECONOMIA sejam encaradas com seriedade pelo novo governo para tornar menos sofrida a vida de muitos brasileiros, apesar da burocracia instalada em Brasília. O respeito aos DIREITOS HUMANOS será outra obrigação do novo governo, assim como governar para todos, mesmo para os 48% dos brasileiros que votaram contra nas eleições recentes. A LIBERDADE continuará sendo o maior bem e a SUSTENTABILIDADE uma importante preocupação para garantir a vida das futuras gerações. Buscar solução para os CONFLITOS que estão a nosso alcance administrar, mesmo conhecendo as nossas limitações e CONTRIBUIR como forma de realizações, mesmo sem esperar recompensas serão os meios que mesmo sem esperar promoverão a retribuição, seja material ou anímica. Desta forma concluo, neste fim de 2022 esta série buscando contribuir para um mundo melhor. Grande abraço a todos que contribuíram enriquecendo os temas apresentados com grande propriedade, e também aos que leram estes “working papers” com o desejo de FELIZES FESTAS E PRÓSPERO 2023. **Luis Gaj** ## Contribuições de leitores sobre "EXISTÊNCIA" ### J.F.SAPORITO (leitor) Caro amigo e professor Luís, Você fechou o ciclo do ano 2022 propondo e escrevendo sobre um tema difícil e de alta complexidade. Na verdade, as suas abordagens foram de grande valia, levando a reflexões pessoais sobre a vida e a morte. Gostei, e foi muito criativo de sua parte, mencionar na parte final do último texto, vários pensamentos norteados pelo uso individual de cada uma das 10 palavras chaves que foram sugeridas ao grupo de participantes durante o desenvolvimento dos trabalhos deste ano. Escrever sobre existência envolve crenças, religiosidade, presença invisível de um Deus ou de um ser superior que controla o universo. Para aqueles que acreditam em vida após a morte, o tema fica ainda mais complexo para não dizer etéreo. Exige também que se mentalize sobre o desenvolvimento da própria vida desde o nascimento até o momento presente. Para aqueles que já passaram dos 60/70/80/90 anos passa a ser fundamental usufruir e equilibrar o bem-estar do dia a dia com o desconforto do cérebro muitas vezes sendo ocupado pelo pensamento de que um dia irá morrer. Não é muito comum que em um certo momento de maturidade, não exatamente com idade avançada, que as pessoas tenham disposição suficiente para fazer um balanço verdadeiro e imparcial de como foi a sua própria vida até aquele momento. Seria necessário questionar sem medo e barreiras, quais foram os acertos nas decisões, onde errou, o que fez, o que faria diferente, e o que deveria ter feito, mas não fez. É preciso dispor de um alto nível de autocritica e desprendimento, tanto para chegar a conclusões positivas e negativas como para mudar a partir de um certo momento as coisas que não aconteceram exatamente da forma como deveriam. A autocritica pode ser dolorosa, mas também é um remédio para curar feridas do presente e passado. Quando se fala de vida e morte como destino de todos os seres humanos, independentemente de serem “ricos, pobres, ilustres, menos letrados, poderosos ou simples” como você mesmo colocou no seu texto, o tema existência passa a ter algo em comum entre pessoas tão diferentes. É provável que todos, indistintamente, irão dirigir suas reflexões sobre como se materializaram ou não ao longo da vida, os seus objetivos na busca de uma curva ascendente de evolução, considerando desenvolvimento pessoal, formação acadêmica, financeira, reconhecimento da sociedade, criação de uma nova família, bem-estar e sucesso entre outros. A Dra. Gudrun Burkhard em seu livro Tomar a Vida em Suas Próprias Mãos talvez para melhor ilustrar a respeito de que cada ser humano sempre buscará alcançar objetivos, transcreveu no rodapé da primeira página, o seguinte pensamento de Friedrich Ruckert . Em cada um vive uma imagem, Daquele que deve vir a ser. Enquanto ele não a realiza, Não alcança a sua paz. Penso que as palavras do autor são perfeitas para definir a natureza de cada pessoa durante a sua passagem por este planeta. A história de vida de cada pessoa é singular e única, quase sempre como resultado das características pessoais do indivíduo, adicionado com a vivência do meio ambiente em que cresceu, com as oportunidades que soube ou não aproveitar, com o seu empenho pessoal em se destacar, da busca constante de produzir algo de bom, de contar com um pouco de sorte, com o destino favorável em fatos inesperados, com a sua índole e moral intacta, com o momento de estar no lugar certo ou errado, por ter encontrado ou não apoio de alguém que estava um passo adiante. Esse conjunto de fatores adicionado a outros tantos, irão ter forte influência no histórico individual da vida de cada pessoa. Com certeza, as incertezas sobre o estudo da alma, do cérebro, do comportamento, da essência e por conseguinte do significado da passagem do ser humano por este planeta, resulta na conclusão de que tudo isso está ainda muito além do conhecimento atual do homem moderno. Não sabemos por que e de onde viemos nem para onde vamos após a morte. Se considerarmos que o homo sapiens viveu a cerca de 300 mil anos e que o surgimento da escrita aconteceu entre 3.500 e 3.000 A.C. pode se criar um cenário real da lentidão progressiva com que o homem evoluiu como espécie e como cada um dos bilhões de nossos antepassados teve uma existência única e particular durante a sua passagem pela terra. O mesmo acontece nos dias de hoje com cada um de nós. Trata-se de um mistério cósmico indecifrável. Finalizo agradecendo a oportunidade de participar do grupo. Foi uma ótima experiência contribuir com ideias gerais sobre cada um dos 10 temas propostos Forte abraço a você e a Sra. Eva. Felicidades, saúde e alegria nas festas de final de ano junto com a família. Dez/2022 --- # CONTRIBUIR, PALAVRA-CHAVE Work Paper · 8 de março de 2024 · https://luis-gaj.vercel.app/working-paper-n-09-contribuir-palavra-chave ## Working Paper Nº09 **SERIE: COMO MELHORAR O NOSSO MUNDO** A palavra contribuir diz muito com relação as expectativas de uma vida e estão relacionadas com sucesso ou fracasso na tentativa de obter o desejado, seja um objeto material ou uma satisfação pessoal. Na nossa escolha de que maneira contribuir, podemos fazê-lo tratando de buscar algo que nos de satisfação e prazer, ou buscando aquilo que nos trará maior retorno. Trata-se de uma escolha difícil e muitas vezes a necessidade nos obriga e escolher pelo retorno momentâneo, mas seguramente com o tempo buscaremos contribuir e nos satisfazer ao mesmo tempo. Inspirado nos meus objetivos e na vida da Dra. Gudrun Burkhard passei a destacar esta palavra-chave que explica muita coisa do que fazemos e do porquê fazemos. Nas primeiras fazes da vida, talvez nos primeiros três septênios, podemos considerar como preparatórios para chegar a ter a oportunidade de realizações já a partir dos vinte e um anos, porém mais solidamente a partir dos 28 anos, no quinto septênio da vida. Após as primeiras experiências de trabalho e as primeiras realizações, partimos para contribuir, seja como já com alguma experiência ou como forma de realização. As contribuições podem ser de múltiplas espécies, mas como objetivo produzem resultados e obtêm, mesmo sem querer, recompensas. Estas recompensas são a aceitação da contribuição e podem ser tanto de natureza material ou pelo reconhecimento e pelo agradecimento dos beneficiados. Assim, chegamos aos poucos, a nos tornar executivos e contribuir para o sucesso de um empreendimento, ou nos tornamos professores e contribuímos para influir na formação de nossos alunos, podemos ser arquitetos e contribuir na decoração ou até na construção de uma casa ou ainda podemos prestar serviço voluntário na comunidade colaborando para inserir alunos em escolas, mesmo sem recursos. Destas múltiplas formas estamos contribuindo ajudando a tornar melhor a vida das pessoas, ou podemos mesmo construir prédios e oferece moradia para muitos. Existem múltiplas formas de contribuir e entre elas também, oferecer segurança ou prestar serviços como médico em hospitais para atendimento de emergência. Podemos também construir brinquedos educativos e contribuir para que crianças possam brincar sem se contaminar com produtos insalubres. Podemos também contribuir para alegrar a vida de muitos importando instrumentos musicais que serão distribuídos e chegarão aos lares. Nõ podemos deixar de mencionar o papel importante das mulheres, tanto as que trabalham fora, ou as que cuidam dos filhos. Possuem um papel importante contribuindo tanto na educação e formação dos filhos, como para criar condições propicias para seus companheiros ou maridos executarem as suas contribuições, cuidando do lar, da manutenção e da alimentação, muitas das vezes como complemento à já contribuição trabalhando fora ou como profissionais. A fundação de um parque de diversões na cidade de São Paulo, que foi o Playcenter, veio contribuir para amenizar a vida da metrópole e divertir crianças e adultos e foi por isso um grande sucesso. Isto lembra história da pessoa que passa por um prédio em construção e para e pergunta a um operário o que ele está fazendo e ele responde: *estou levantando uma parede*, mais adiante e não satisfeito para novamente e pergunta a outro operário o que está fazendo e ele orgulhoso responde: *estou construindo uma catedral*. Todas as atividades vistas como contribuições estão colaborando para satisfazer necessidades e chegam de encontro com demandas existentes. A oferta de contribuições indesejadas conduz por sua vez ao fracasso. A seguir uma singela homenagem à Dra Gudrun que foi nossa médica durante muitos anos. No dia 14-12-2029 nasceu a Dra Gudrum e veio a nos deixar no dia 28-09-2022 aos 92 anos de idade, na cidade de Florianópolis, onde residiu nos últimos anos, a parir dos 68 anos de idade. No comunicado do centro antroposófico publicado na Instagram foi inserido pequeno verso que estou reproduzindo a seguir: A morte chega cedo pois breve é toda vida O instante é o arremedo De uma coisa perdida O amor foi começado O ideal não acabou E quem tinha alcançado Não sabe o que alcançou E a tudo isto a morte Risca por não estar certo No caderno da sorte Que Deus deixou aberto – Fernando Pessoa Teve sem dúvida uma vida dedicada a contribuir, sem pensar em recompensa, pois ela, a vida, nos retribui de alguma forma, sem que esperemos. Depois de formada como médica resolveu escolher especialização na medicina antroposófica que leva em conta a pessoa na sua totalidade usando medicação homeopática. Foi a primeira médica antroposófica do Brasil. Destaco que ela era vegetariana e nunca comeu o que ela chamava de “animais mortos” na sua vida longa. A causa da morte foi dada como sendo morte por velhice. Com ajuda do primeiro marido, com quem teve quatro filhos, conseguiu construir a Clínica Tobias, onde eram tratados com internação doentes precisando de assistência durante 24 horas por dia. Mais tarde e sentindo a necessidade de medicamentos adequados ajudou a fundar o laboratório Weleda. Durante muitos anos foi médica do Kurt que era meu sócio e que nos encaminhou para ela, sendo que ainda hoje seus conselhos e recomendações são seguidos. Fundou mais tarde a Artemísia, em Parelheiros, onde ministrava cursos biográficos e de desintoxicação, que frequentei e onde contribuía para redirecionar a vida das pessoas, pensando no que cada um tinha para contribuir. Quando Daniel, seu segundo marido, teve problemas com saúde, mudaram para Florianópolis pensando descansar, mais logo depois de dois anos sentiram necessidade também de contribuir e criar uma clínica antroposófica também no Sul do país, onde deram continuidade aos cursos biográficos. Foi assim o surgimento da Clínica Vialis. A Gudrun escreveu grande quantidade de livros e destaco os livros sobre Alimentação saudável e orientados a cada necessidade e nos últimos tempos o livro sobre a vida após 80 anos, que é compilação de mais de 100 biografias resumidas, de pessoas longevas entre as quais estamos a Eva e eu e o sócio Kurt Lendo sobre as ideias da logoterapia para o tratamento de problemas na busca do sentido, a resposta para tudo está na contribuição contínua de uma vida como a da Dra Gudrun. A vida fica sem sentido quando deixamos de contribuir de alguma forma, mesmo que seja escrevendo artigos e livros durante muitos anos. Grande número de pessoas compareceu ao lançamento de seus últimos livros atestando que ela teve grande influência na vida de muitas pessoas. Olhando no retrospecto de minha vida e lembrando que sempre fiz o que gosto, vejo que foi de contribuições, na família, na sociedade, como consultor emitindo pareceres e aconselhamentos, como professor influenciando para o bem, como assessor de uma ONG que trata de crianças desnutridas, construindo um condomínio ecológico com toda parte de área verde preservada e maior do que a área reservada aos futuros habitantes. A busca do sentido se encontra na expectativa de contribuir mesmo nas piores condições de vida relatadas por Viktor Frankl no seu livro “Em busca do Sentido” e quando ele se imagina num auditório em Viena palestrando para um público numeroso está evidente a sua contribuição buscando sentido para a existência e obtendo energias para continuar e sobreviver nas piores condições. Kurt e eu ajudamos a formar um grupo de consultores com participação de membro do NPI Instituto Pedagógico Holandês, antroposófico, com a ideia de cada membro ter espaço para relatar no que estava trabalhando, quais eram as suas ideias, conceitos que estava implantando em seus trabalhos, e desta forma nos encontros que tivemos durante muitos anos ouvimos as contribuições dos outros e contribuímos para todos sair enriquecidos desses aportes. Com amigos como Stefan Blass e Kurth Lenhard, e mais alguns membros, tínhamos também encontros periódicas onde eram vinculadas entre todos notícias da realidade do mundo, sendo que devo mencionar que Stefan era quem sempre contribuía mais trazendo revistas ou livros com assuntos interessantes que eram comentados por todos. Estas reuniões que eram feitas em rodízio na casa de cada um duraram enquanto a vida de seus membros permitiu e enriqueceram a nossa existência. Cabe terminar este tema, depois de ter lido que a toda vida é curta lendo o poema de Fernando Pessoa, com uma fábula sobre o filósofo, pensador, professor e escritor Goethe e seu discípulo Em certa ocasião foi abordado por um discípulo provavelmente desanimado que comentava: “professor, a vida tem um minuto para nascer, mais um minuto para crescer, logo formamos família, ficamos adultos, envelhecemos e logo depois sobrevêm a morte, ao que Goethe respondeu: 60 minutos tem a hora, o dia mais de um milhar, filho aprende sem demora, quanta coisa se pode criar” e acrescento quanta coisa se pode contribuir e dar sentido à vida. Cada ser humano é único e insubstituível; A Dra Gudrun, sem dúvida foi única; assim como também o Kurt e o Stefan. A eles a minha homenagem. **LUIS GAJ** ## Contribuições de leitores sobre "CONTRIBUIR, PALAVRA-CHAVE" ### Miriam Menossi (leitor) A contribuição da Dra. Gudrun para um mundo melhor foi, sem dúvida, de grande valia. Eu não tinha conhecimento do falecimento dela. Grande perda! Contribuir foi mais um dos recados que a Pandemia nos deu: cuidar uns dos outros, pois em termos globais TODOS SOMOS UM. Acontecendo em todos os continentes fomos igualados: ricos e pobres, brancos, negros, amarelos e indígenas. E a solidariedade resplandeceu. A meu ver a nova geração compreendeu melhor o recado e continua a contribuir. Gostei da classificação das fases da vida e lembrei que o Projeto Escolar que Kurt desenvolveu abrangia a contribuição desde a pré-escola até a fase adulta. Pelo projeto em cada fase uma forma de contribuir, de acordo com o crescimento intelectual das crianças e depois jovens. Infelizmente esse sonho Kurt não realizou. Com o projeto em mãos ele procurou profissionais da Educação, políticos e até amigos pessoais de outras áreas. Sempre encontrou resistência. O projeto está em meu poder aguardando a oportunidade de ser aproveitado. Kurt era apaixonado pelos conceitos do NPI e o grupo de consultores que vocês criaram ainda sobrevive com Vitor, Eliana, Tatiana, Valter e agora incorporando membros mais jovens que possam dar continuidade. A trajetória de vida sua e de Kurt são o melhor exemplo de como melhorar o mundo. A minha, mais modesta, começou aos 15 anos, quando comecei a trabalhar e me incorporei a um grupo que ajudava um orfanato. A sensação que eu tinha era de uma paz interior, uma satisfação íntima muito agradável. E pela vida afora sempre contribuo de uma forma ou de outra. Parabéns, Luis por ter resgatado esse tema para refletirmos nossas histórias de vida e pela bela homenagem aos nossos queridos que já se foram deixando um belo legado para que o Planeta Terra seja um mundo cada vez melhor. ### J.F. Saporito (leitor) Caro Luís, Ao receber a sugestão de escrever sobre a palavra-chave contribuir, tive de imediato uma dúvida conceitual. Isso porque à primeira vista cheguei a elaborar em meus pensamentos, que contribuir e colaborar tivessem funções semelhantes. Aos poucos mudei de opinião porque na verdade não é bem assim, pois são formas diferentes de uma pessoa estar conectado com o seu meio ambiente em ações que beneficiam a sociedade em geral, sem contundo terem a mesma raiz de princípios, motivos e resultados. Enquanto a disposição de contribuir está restrito a um certo perfil de pessoas ou entidades, a iniciativa e vontade de colaborar está disponível genericamente a qualquer pessoa ou entidade Pesquisando as duas palavras entendi que contribuir tem mais a ver com ações que são percebidas externamente, ou seja, tem a amplitude de favorecer terceiros com a transmissão de ideias produtivas e inovadoras, de transferir conhecimento e experiência, de fazer doações monetárias ou não, de criar uma instituição orientada para atendimento de pessoas carentes ou de alto potencial, e muitas outras atividades correlatas as mencionadas. É bastante comum que atividades contributivas comecem a fazer parte do projeto de vida de um indivíduo ou de uma empresa, a partir de um certo nível de consciência e maturidade, não necessariamente envolvendo o uso de recursos financeiros, mas sim o credo de que é possível fazer algo diferente e deixar uma marca própria na sociedade. É frequente as situações em que aquele que contribuiu em prol da sociedade por convicção de motivos e tenha alcançado os objetivos propostos, seja alvo de reconhecimento público em manifestações espontâneas, tanto por merecimento de quem contribuiu como para externar os agradecimentos dos beneficiados. Isso é mais do que o suficiente para quem verdadeiramente está empenhado em contribuir e prefere não relacionar o seu nome em excesso com os benefícios recebidos pela comunidade. Nesses casos estamos falando do estilo low-profile. Faz, mas não gosta de publicidade. Outras vezes, nos deparamos com pessoas sem convicção, que contribuem como o único objetivo ser reconhecido, ganhar notoriedade e com isso alavancar sua imagem de benemérito. Isso se dá especialmente quando se trata de relacionamentos de interesses econômicos com os diferentes segmentos público e privado da sociedade. Nesse caso, contribuir pode ser parte de uma estratégia em benefício pessoal. Isso se chama ficar bem diante do público e dos meios de comunicação. Apesar de algumas exceções, infelizmente no Brasil, diferentemente dos Estados Unidos, não existe uma cultura de empresas e famílias com grandes fortunas que compartilhem recursos de forma significativa com projetos que visem beneficiar ideias inovadoras e de longo alcance social. É muito difícil que visionários que tenham em mãos um projeto de grande alcance para o país, tanto no campo educacional, como de pesquisa científica ou mesmo de desenvolvimento social nas comunidades carentes, conseguir sensibilizar os executivos de empresas e famílias milionárias a contribuírem com recursos que não representem possibilidade de retorno direto para os próprios investidores. São poucos os nossos exemplos de envolvimento empresarial e de famílias milionárias que tenham interesse em contribuir, se considerarmos que estamos em um país que hoje é a décima terceira economia mundial, mas que até 2014 era a sétima. Assim, ao analisarmos o sentido de contribuir, sempre nos deparamos que o reflexo da ação é externa por envolver específica e diretamente um certo núcleo de terceiros através de instituições ou pessoas. Trata-se de algo em que o beneficiado percebe claramente a ação e quem exatamente contribuiu. Em outras palavras, dá-se nome aos bois. Diferentemente de contribuir a ação individual de colaborar é menos percebida do ponto de vista externo, pois milhares poderão estar fazendo a mesma ação em um determinado período. Trata-se de algo que tanto faz bem tanto para quem faz como para o resultado geral do tema em que se está colaborando. Nesse caso não existe reconhecimento dos participantes. Colaborar está disponível para qualquer pessoa, independente da sua condição social, econômica e cultural. Pode ser praticada de forma individual no dia a dia das nossas vidas. Na maioria das vezes não envolve recursos financeiros. A colaboração coletiva tem o poder transformador da sociedade no sentido de que é responsabilidade de cada um fazer diariamente a sua parte para que o todo se beneficie. Podemos citar a separação do lixo em cada uma das residências como sendo um exemplo ícone de como cada ser vivo pensante pode colaborar para a melhoria do planeta. A colaboração individual de cada pessoa não vai ser notada externamente pela comunidade, identificando os participantes, mas terá um peso inestimável na redução da poluição e no desperdício de muitos materiais que podem ser perfeitamente reciclados. Em nosso país, são centenas de milhares de pessoas que não colaboram na separação do lixo, inclusive nas classes A B C que em tese, tem todas as condições de fazer. As regras de trânsito é um outro exemplo de caráter mundial. A colaboração de cada motorista em seguir de forma irrestrita todos os pré-requisitos de direção segura, evita a ocorrência de acidentes e muitas vezes de mortes. Qualquer cidadão que tenha uma carteira de motorista pode colaborar de maneira decisiva para com a segurança de outras pessoas. Somos o terceiro país com mais mortes no trânsito, atrás apenas da China e Índia. Faz pelo menos 30 anos que convivemos com a realidade da Dengue e durante os mesmos 30 anos recebemos orientações na tv, na mídia e dos servidores sanitários que visitam as casas informando sobre prevenções e cuidados com água parada nas plantas, pneus, latas e outros objetos. É incrível que a falta de colaboração em atitudes tão simples impeça, se não a irradicação, pelo menos a redução drástica da doença que além de matar, impacta em alto volume de recursos destinado ao Ministério da Saúde. O resultado seria outro se cada um em particular fizesse a sua parte, simplesmente colaborando com as orientações da autoridade sanitária. Por falta de colaboração do paulistano, o que falar da poluição dos rios Tiete e Pinheiros que ao invés de serem locais de lazer e cartão de visita da cidade, se transformaram em verdadeiros depósitos de toda espécie de materiais, cujo resultado e criar condições favoráveis ao entupimento dos bueiros e consequente alagamento de inúmeros bairros. A consciência coletiva dos moradores de São Paulo em colaborar com a vida saudável dos rios está ao alcance de todos os que vivem nessa cidade. Desnecessário citar outros inúmeros exemplos do nosso cotidiano. O importante é fixar a ideia de que colaborar pode ser praticado por todos; basta querer ser um protagonista anônimo de soluções transformadoras. Contribuir, nem sempre está à disposição de qualquer um pois impõe condições na execução das ações que são restritas a poucas pessoas com características especiais. Finalizo concluindo que contribuir e colaborar não são nem antagônicas nem tem a mesma função. Ambas são do bem, funcionam quando praticadas de forma individual ou coletiva. Se completam fazendo a diferença ao atingirem por caminhos diversos, o protagonismo de soluções benéficas a todos os seres vivos do planeta. Abraços do amigo Saporito --- # CONFLITOS Work Paper · 8 de março de 2024 · https://luis-gaj.vercel.app/working-paper-n-08-conflitos ## Working Paper Nº08 **Série: “COMO MELHORAR NOSSO MUNDO”** VIVEMOS NUM MUNDO EM CONFLITO. Existem conflitos de todas as espécies. Desde conflitos intrínsecos que provocam ansiedade e stress e pertencem ao campo da psicologia até conflitos internacionais que provocam guerras. Por isso, vale a pena parar para pensar mais cuidadosamente nos conflitos que atingem a nossa sociedade de múltiplas formas. Para citar alguns conflitos notórios que gostaríamos analisar temos o conflito de muitos anos entre Argentina e Inglaterra sobre a posse das Ilhas Malvinas ou Ilhas Falkland, o conflito entre a China e a província rebelde de Taiwan, o conflito entre a Rússia e a Ucrânia, e até podemos mencionar o conflito entre a Cristina Kirschner e o presidente Argentino que está sendo provocador de crise de confiança no país e inflação número um no mundo. Muitos outros conflitos estão evidentes no mundo e um que tem ocupado grande espaço na mídia é também o conflito entre Israel e os grupos palestinos, que a todo momento volta à tona. Ainda existe o conflito de ideias, especialmente entre ideologias e até também entre torcedores de futebol. Existem conflitos entre pessoas, dentro das famílias, nas organizações, nos condomínios entre os que querem obras e os que não querem gastar, entre setores, no governo entre importantes setores como executivo e judiciário e conflitos em escalas muito diferentes uns dos outros. Com esta complexidade enorme para nos arriscar a abordar este tema, destacamos a necessidade de categorizar ou organizar as ideias para poder julgar melhor. **Princípios** Podemos partir de alguns princípios para melhor pensar: um princípio é que os conflitos podem se originar na esfera do sujeito ou na esfera do objeto, isto significa que pode ser subjetivo, simpatia ou antipatia, ou estar fundamentado no interesse de algum objetivo específico, que pode ser um bem material ou uma posse de poder. Outro princípio e que os conflitos não nascem da mesma forma, mas possuem uma espécie de escalada que vai desde um início por uma provocação até deflagar uma ação violenta pessoal ou uma guerra. A escalada é processada em vários degraus. No primeiro degrau as partes tentam solucionar tensões ou contradições. Aos poucos os pontos de vista se cristalizam. Continua o diálogo, porém cada parte fica cada vez mais obstinada. No segundo degrau cada lado fala a sua própria língua e torna-se incapaz de ouvir e entender a outra parte No terceiro degrau já não conseguem convencer os outros e então partem para oferecer fatos concretos. No quarto degrau da escalada. Estes fatos provocam reações da outra parte como autoafirmação. No quinto degrau a imagem do oposto é negativa e da sua posição se consolida como positiva No sexto degrau os ataques passam a ser abertos e cada parte se vê como anjo ou diabo. No sétimo degrau as ameaças predominam, tentando forçar o outro lado a ceder e mais parceiros são envolvidos na busca de apoio. Na oitava fase busca-se destruir o adversário. No último degrau da escalada aniquilação e provavelmente a auto aniquilação. Sem caminho de volta busca-se aniquilar o adversário. O triunfo e ver o adversário cair junto no abismo Estes são os nove degraus da escalada e como seres humanos, permite mobilizar forças desumanas e inconscientes. A evolução em cada degrau permite tomada de consciência, reflexão e intervir para evitar que evolua negativamente. Assim para entender um conflito é preciso ir a sua origem e acompanhar como se desenvolveu até o momento atual ou até como foi resolvido através de uma intervenção amigável de uma das partes ou de um interventor externo. Nesse meio tempo o conflito estimulado por seus adeptos vai evoluindo em etapas até eclodir numa deflagração, ou numa luta pessoal. Seria fácil e muito bom se o conflito entre nações pudesse ser resolvido num conflito entre seus líderes, em lugar de sacrificar populações inteiras que sofrem as consequências. Casos mais evidentes no momento. Se pensamos na guerra da Rússia contra a Ucrânia podemos dizer que o fato da Otan estar num processo de expansão de sua influência no Leste Europeu e isto significando uma ameaça à Rússia pode ter sido a provocação para que sentindo ameaças e existindo um governo forte espécie de ditadura, provocasse a Rússia para essa aventura de querer colocar novamente a Ucrânia sob o seu domínio. Todos os países signatários da OTAN se identificando com a Ucrânia, a apoiando de alguma forma, promovem um estímulo à continuidade e o apoio dos EUA também estimula a continuidade. Os motivos alegados por Putín para invadir estão ligados ao receio de perder a Ucrânia para o ocidente e também para defender separatistas desejosos de pertencer à Rússia. Putin também alega que a Ucrânia se tornou um estado nazista e precisa ser liberada. Na realidade o conflito já começou com a revolução Russa em 2014 e pela incorporação da Crimeia e Donbass e que são parte da Ucrânia. A Rússia invadiu a Ucrânia no dia 24 de fevereiro de 2022 por terra, mar e pelo ar. Do outro lado Ucrânia defende a sua autonomia e independência e o direito de decidir o que quiser ser no futuro, e por isso a ideia de entrar na Otan. Aumentando o nível de provocação os EUA aprovam a entrada na Otan da Finlândia e da Suécia. A OTAN foi criada em 1949 por 12 países e hoje tem 30 membros se expandindo no Leste Europeu. Esta aliança protege militarmente contra qualquer ataque a um de seus membros. Neste processo este conflito está transformado numa guerra e as ameaças do uso de armas nucleares coloca o mundo e especialmente a Europa em grande preocupação. A Rússia por sua parte está recebendo muitas sanções econômicas, está tendo uma resistência não esperada e está percebendo conflitos internos e com a mobilização de reservistas, também a fuga de muitos cidadãos para outros países. Isto pode vir alterar a capacidade do governo se sustentar. Claramente falta neste caso a intervenção de um poder externo ao conflito e totalmente independente que possa mediar esta guerra que esta sacrificando milhões, e que seja aceito pelas partes, que por sua vez deverão de ambos os lado ceder para se encontrar uma solução que não deixe vencedores e vencidos Contribuindo contrariamente a este caminho, a geopolítica local, com a China manifestando solidariedade à Rússia e do outro lado os EUA claramente apoiando com armas e ajuda à Ucrânia, estimulam a continuidade do conflito, que fica sem solução. Zelensky e Putin possuem conflitos subjetivo e do objeto caracterizados pela forma como se tratam e pelos motivos que alegam. Outro caso de grande preocupação e a atitude que pode vir a tomar a China contra a ilha de Taiwan. No entanto, e se avaliamos o estágio atual do conflito, podemos considerar que se encontra entre o quarto e o sétimo degrau da escalada, e esperamos que fique nesse nível, sem evoluir para uma invasão desproporcional pelas forças comparativas entre ambos. Frequentes são os conflitos entre membros de uma família, seja por motivos subjetivos, por assuntos financeiros, por diferenças ideológicas, ou por uma palavra mal colocada por um dos seus membros. Notórios são também os conflitos em condomínios. São muito frequentes e se localizam em locais diversos na escalada, segundo a civilidade com que os participantes assumem as suas posições, e as maiorias terminam vencendo deixando minorias insatisfeitas e descontentes. A explicação que se dá e que é difícil agradar a todos quando não se tem tempo e paciência para convencimento ou para se encontrar soluções que agradem a todos. Sim, conflitos existem em todos os níveis e devemos conviver com eles ou ainda buscar a forma de amenizá-los ou até resolvê-los. Para tanto é preciso que uma das partes tome a iniciativa de buscar uma aproximação e o diálogo. Caso isto seja impossível devido ao conflito já ter cristalizado e as partes se consideram inimigas, somente a intervenção de uma terceira parte, respeitada e aceita como neutra por todos, poderá intermediar o diálogo e levar ambos envolvidos buscarem solução negociada, ambos cedendo para atingir o fim do conflito. PS referência: livro Autor Frederich Glasl “KONFLIKTMANAGEMENT” DIAGNOSE UND BEHANDLUNG VON KONKLIKTEN IN ORGANIZASIONEN ## Contribuições de leitores sobre "CONFLITOS" ### Euclides (leitor) Bom texto, bastante interessante, tentando dar uma sistemática nessa análise. O objetivo deveria ser a procura de transformar o conceito de "conflito" para um de "divergência" entre os envolvidos. Isso pressupõe claramente o "querer" das partes envolvidas. Essa premissa, entretanto, demanda que cada uma delas tenha uma clara visão do que é mais importante para o todo. E isso é muito complexo e difícil de ser alcançado. Daí minha concordância com a atuação de uma terceira parte isenta e pacificadora, apesar que mesmo nesses casos continua a necessidade do "querer". Mais vale um acerto razoável do que um conflito, por vezes violento! ### Miriam Menossi (leitor) Muito interessante a explicação sobre a escalada dos conflitos e os degraus percorridos até o desfecho. Às vezes até percorridos rapidamente. Numa reunião de condomínio o desfecho quase foi trágico. Estava sendo realizada numa sala da Administradora onde havia uma churrasqueira. Houve desentendimento entre um homem e uma mulher. Entraram partes defendendo um e outro, até que a mulher alcançou um espeto que estava pendurado e por pouco não fere as pessoas presentes. Foi uma confusão geral. A História nos ensina que éramos mais felizes antes do domínio do ego. Nosso eu verdadeiro é dotado de bons sentimentos como a paz, o amor, compaixão, calma, confiança, alegria. Mas o ego quer dominar, quer se impor, sentar-se no trono. É uma disputa constante entre os bons e os maus sentimentos como o medo, o ódio, a insegurança, tristeza. Nos Governantes e qualquer pessoa que tenha cargo de liderança o ego assume o poder e aí mora o perigo. A liderança necessita de humildade para promover harmonia, bem-estar e bom desempenho de todos. A vida é cheia de percalços, desafios que se apresentam constantemente. Se todos agissem com inteligência emocional, seríamos mais pacíficos, não haveria guerras, adversários não seriam inimigos, relações familiares seriam mais harmoniosas, cada Nação respeitaria a cultura da outra, reuniões de condomínio seriam pautadas em diálogos. Gratidão Luis por nos instigar a pensar, contribuindo para um mundo melhor. A troca de conhecimento é sempre salutar. Abraço! Miriam --- # SUSTENTABILIDADE Work Paper · 8 de março de 2024 · https://luis-gaj.vercel.app/71 ## Working Paper Nº07 **Série: “COMO MELHORAR O NOSSO MUNDO”** Nos últimos tempos este tema tem ocupado amplo espaço na mídia, nas escolas de formação de executivos e nos temas relacionados ao meio ambiente. Por isso fiquei na dúvida sobre se deveria enfrentar o desafio de abordar o tema sem cair na repetição do obvio e já exaustivamente tratado. Mesmo assim, quero contribuir com a minha abordagem, e percepção do momento que estamos vivendo no Brasil e no mundo. Como se trata de assunto complexo e seguindo princípios de Descartes, dividirei a abordagem em partes, sendo a primeira relativa à sustentabilidade no lar e na família. Como segunda parte abordar a sustentabilidade nas empresas. Em terceiro lugar vamos falar sobre o meio ambiente, sustentabilidade e governança com responsabilidade social dos governantes e por últimos estabelecer uma interdependência entre os temas e falar sobre a construção de valores na sociedade que permitam visualizar um mundo melhor para nossas futuras gerações. Começamos com sustentabilidade no lar e com a família. Contemplamos a questão da educação, da influência do lar e da influência das experiências vivenciadas pelos membros do grupo familiar mais íntimo. Cabe ao chefe da família o papel de estabelecer alguns princípios que são básicos, como providenciar sustento para seus membros enquanto incapacitados de obter os recursos de subsistência e garantir saúde e estabilidade mediante relacionamento harmónico entre todos os membros. Nos princípios básicos introduzir também o respeito ao meio em que vive, o respeito aos outros que estão fora da família e princípios de ética e de moral, com a consciência de que somente parte destes ensinamentos podem ser ministrados no seio da família. Para ser possível este papel e necessário que o chefe de família seja muito consciente de seus próprios atos e atitudes. Ainda no seio da família outros aspectos estão relacionados ao exemplo com a sustentabilidade da casa, onde deve haver a necessária separação dos vários tipos de resíduos para facilitar o seu aproveitamento ou descarte, o uso dos orgânicos para manter uma esterqueira natural de produção de adubos e incluso utilizar energia solar para o aquecimento da água da residência. Todas estas medidas são importantes para a preservação conservação e reciclagem. Falta ainda mencionar que é preciso algum tipo de pensar no futuro com respeito à própria sustentabilidade na medida em que com idade avançada somos impedidos de trabalhar e produzir bens. Assim e preocupados com o futuro precisamos criar reservas que nos permitam a subsistência sem dependência e desta forma garantam a sustentabilidade pessoal. Sobre a sustentabilidade nas empresas trata-se em primeiro lugar de um problema financeiro, de controle das autoridades e de criação de condições favoráveis para se evitar que as empresas poluam o ar, os rios e produzam sem consciência ambiental. Cabe também às empresas tratar de que seus funcionários sintam a sua responsabilidade e contribuam para manter ambientes saudáveis e não contaminados para seus funcionários. Um exemplo que vivenciei foi na cidade de Genebra na Suissa, onde foi criado fora da cidade um distrito industrial onde foram obrigados a se transferir as empresas poluentes da cidade. No caso que vivenciei era uma empresa que trabalhava com tintas e poluía o ambiente. Para facilitar a transferência das empresas as autoridades tinham adquirido a região onde se instalaria esse centro industrial oferecendo gratuidade de espaços por tempo limitado e obrigando a investir em novas instalações. Outro exemplo e neste caso oposto ocorre na cidade de São Paulo, onde os rios que circundam a cidade estão poluídos e apesar dos esforços e investimentos feitos e das melhorias de suas margens, ainda muitas empresas continuam despejando detritos e produtos poluentes em suas margens. Eles poderiam ser navegáveis e se tornar locais de turismo com barcos e com a recuperação da natureza. Para isto ser possível seria necessário existir adequado sistema de controle, o que tem normalmente sido negligenciado pelas autoridades. Apesar de exposto de maneira simples, o problema da poluição das empresas é complexo pois implica em manter a capacidade competitiva, implica em custos e na atitude do setor industrial que agrupa empresas de atividade semelhante. Passamos então a tratar do meio ambiente, da sustentabilidade e da governança necessária. Como percebemos sem controle e acompanhamento das ações poluentes dificilmente o problema será erradicado. E preciso existir órgão fiscalizador adequadamente capacitado para exercer esta função e exigir a tomada de medidas corretivas. Entidades da sociedade civil tem se mobilizado para a preservação da natureza e constituem a esperança de melhoria das condições ambientais. O movimento Mata Atlântica e muitas outras entidades merecem nosso apoio e respeito. Mesmo assim e desde 2019 tem se iniciado um crescimento desmesurado de desmatamento principalmente nos estados de Amazonas e Pará sem controle e até com descaso das autoridades. O que tem prevalecido no país nos últimos anos foi um avanço extraordinário na tecnologia, nos meios de comunicação com os Iphones, ipads e recursos informativos em escala nunca vista anteriormente. Por outro lado, ainda existe o caudilhismo, o abuso, e o não respeito às leis permitindo que se destrua gradativamente as matas não somente na região amazônica, mas também nas diversas regiões e busca da extração desenfreada de recursos naturais sem uma ação cognitiva à altura das necessidades, continuaremos o percurso da destruição até que seja tarde demais para recuperar as florestas e manter a vida num equilíbrio ecológico. Os vários sistemas interligados permitem visualizar que a falta de governança e controle estimula a ação do desmate e que isto e relacionado com o fato das regiões exploradas são comandadas por meio da violência, assassinato e amedrontamento dos movimentos que com poucos recursos tentam evitar a propagação das ações criminosas, porém sem sucesso. Nosso país não é o único responsável por manter o equilíbrio climático, nem único responsável por serem observados glaciares derretendo. Esta tarefa cabe à humanidade como um todo e claramente afeta interesses individuais ou de regiões, mas se trata de ações para conservação dos recursos para as futuras gerações que irão perceber o desinteresse demostrado na atualidade para a conservação e equilíbrio ecológico’ Um dos exemplos mais dramático que estamos vivendo nestes anos é o do aquecimento global com temperaturas se elevando e afetando a saúde das pessoas. Assim como na família temos a reponsabilidade do sustento e da sustentabilidade, também nas regiões, nas comunidades e nos países temos a responsabilidade aumentada e o fato de não sermos os únicos responsáveis, não nos exime da obrigação de fazer a nossa parte para o global, acima dos interesses eleitoreiros ou demagógicos momentâneos. Na década de 1960 já existiam movimentos defendendo a sustentabilidade para combater o desmatamento e que provoca mudanças ambientais. Em 1972 em Estocolmo, na Suécia, a ONU realiza a primeira grande conferência sobre o meio ambiente com participação de 113 países e muitas organizações ambientais. Na década de 70 é criado o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Na década de 80 grupos intergovernamentais se junta para realizar estudos científicos e propor soluções uma vez que ficou claro o efeito estufa provocando mudanças climáticas. Em 1992 na ECO Rio de Janeiro intensifica-se a pressão para reduzir os poluentes no planeta. Em 2002 na cidade de Johanesburgo, África do Sul, ocorre nova cúpula mundial para discutir a preservação dos recursos renováveis. Mais tarde em 2015, em Paris os países signatários se comprometem a limitar o aumento da temperatura até o ano 2100. Em 2021 se realiza a Conferência COP-26 em Glasgow na Escócia. Assim o mundo tem se mobilizado em ONGs ambientais e em mobilizações internacionais. Apesar destes esforços todos a sensação que prevalece com as queimadas constantes em diversas partes do globo é que o processo de contaminação, de desgelo e de mudanças climáticas não foi solucionado. Muitas reuniões, encontros e Conferências, mas parece que interesses específicos atuam para desestabilizar o meio ambiente sem levar a sério as consequências para a civilização Uma das grandes justificativas está centrada no desenvolvimento promovendo melhora de vida para as pessoas locais. Existem muitas formas para atender às necessidades da população, mas a forma escolhida está longe de ser adequada. Para começar as ações de desmatamento, garimpo e exploração da madeira, por sua vez, atrai as populações desde distâncias, e promove o adensamento, o que termina criando necessidade de continuidade deste processo. No lugar o investimento do governo deveria ser alocado â criação de empresas sustentáveis, em lugar de liberar para empreendimentos ilegais ou criar núcleos de desenvolvimento com tecnologias limpas. Isto sem provocar migrações para regiões reservadas a florestas ou às tribos indígenas cuidadosas do meio em que vivem. Concluo que se trata de problema complexo não somente do Brasil, mas de toda a humanidade e que o perigo da continuidade do descaso, e com a falta de percepção do grave problema comprometerá o futuro do planeta. Portanto cabe a cada um e a todos a responsabilidade de assumir o seu papel, mesmo que micro, contribuindo para a preservação da terra em que habitamos. Antes de terminar acrescento a necessidade de sustentabilidade do país. E logico pensar que assim coma família, o município, o estado e o país precisam encontrar o caminho da estabilidade e da sustentabilidade. Como extrapolo as minhas vivencias e experiências, o meu foco está na política e na economia. Fica muito bonito e próprio para discursos de candidatos promover distribuição de renda. Significa eliminar as dificuldades que a pobreza gera em muitas famílias oferecendo recursos. Também e logico pensar que antes e preciso gerar estes recursos. A geração e obtida de várias formas, mas depende muito de como os recursos gerados são aplicados. Desde a fundação da cidade de Brasília para ser a sede do governo houve o crescimento desmesurado da máquina do estado e do consumo de recursos com privilégios e com os maiores salários do Brasil. Enquanto perdurar esse carnaval no uso dos recursos gerados, distribuir será pela custa de endividamento, de inflação ou de cancelamento de investimentos em infraestrutura necessária, pela falta de recursos. Por isso para se obter a sustentabilidade a nível macro e preciso a energia e coragem de medidas que descontinuem o momento atual. A criação dos anexos dos ministérios é o símbolo do crescimento da burocracia governamental se expandindo desde a criação de Brasília. Desejo e espero surgimento de candidatos que tenham esse espírito de alterar o status quo e que estejam dispostos a mudança profunda. Bolsonaro prometeu na sua campanha que faria isso mais as promessas não se concretizaram. Entendo que a máquina instalada [e poderosa e que irá resistir as tentativas, mas não vejo outra alternativa a não ser apresentar propostas serias e confiáveis para que o país volte a crescer de forma saudável ou seja também sustentável. Não será uma tarefa fácil e terá que ser iniciada logo nos primeiros meses de um novo governo. Temos esperança de que na votação de outubro sejamos capazes de escolher adequadamente um governo sério e competente com visão de longo prazo e menos preocupado com reeleição e com agradar a todos. --- # LIBERDADE Work Paper · 8 de março de 2024 · https://luis-gaj.vercel.app/working-paper-n-06-liberdade ## Working Paper Nº06 **Série: COMO MELHORAR O NOSSO MUNDO** Pensando bem, não é difícil imaginar um cenário de ditadura no ambiente criado e nos pronunciamentos de ambas as tendências. Para impor uma ditadura não é preciso mobilizar a população nem a escutar. Um simples grupo pequeno com apoio militar pode acabar com o congresso e assumir o poder com pouca resistência. A partir desse momento receberá apoio de todos os que desejam beneficiar-se pela aproximação com o poder constituído. Esperamos que este cenário nunca venha acontecer, mas é preciso ficar alertas. Outros cenários mais palatáveis seriam o surgimento de um novo líder de última hora ou ainda uma transição tranquila e a aceitação do resultado das eleições sem questionar. Existem hoje no mundo mais de 50 países com regimes que não podem ser considerados com liberdade, sem especificar se se trata de esquerda ou direita, sem considerar se são ditaduras por Monarquias, ou por herança de gerações, ou por grupos militares. Entre elas citarei as mais conhecidas. Na nossa América do Sul Venezuela e Cuba. No mundo podemos mencionar; Afganistán, Algéria, Angola, China, Coreia do Norte, Egito, Haiti, Iran, Iraque, Jordan, Nicarágua, Rússia, Arábia Saudita, Turquia, Uganda, Emirados Árabes, Vietnam e muitos mais menos conhecidos especialmente no norte da África. Nos países mencionados e nos mais de cinquenta que mencionamos existem regimes onde a liberdade é restringida pelos Começo a escrever sobre este tema muito preocupado com o Brasil. Estamos em ano de eleições e os candidatos que estão na frente das pesquisas são o LULA e o BULSONARO e com o surgimento de uma nova liderança na terceira via longe de ocorrer. Ambos os candidatos são ou podem tornar-se extremistas e perigosos. Um se espelhando e agradando ditaduras no estilo de Cuba e Venezuela e o outro tentando imitar o Putin e o Donald Trump. Ainda paira sobre nós a ameaça de que caso um deles seja vitorioso, nem seria empossado porque a vitória seria questionada e bloqueada com o início de uma nova ditadura, seja de extrema direita ou de extrema esquerda. regimes instalados. Estão fora desta categoria América do Norte, Austrália, África do Sul e parte de América do Sul e da Europa. Entendemos também que não existe liberdade absoluta e que a nossa civilização de vida comunitária limita a nossa liberdade pelo respeito à liberdade dos nossos semelhantes. Assim, ofensas de qualquer tipo, agressões gratuitas ou manifestações não toleráveis em nome de liberdade de imprensa não podem ser aceitas como formas de liberdade. E como em geral acontece, quando falta a verdadeira liberdade e que a valorizamos. De criança assisti os tanques passando pelas ruas de Buenos Aires, a cidade estava com toque de recolher por um golpe de estado e implantação de regime militar. Senti não poder sair na rua para brincar. Senti a falta de liberdade. Em outra ocasião uma amiga perdeu seu filho de 20 anos porque teve a ousadia de sair na rua distribuindo panfletos contra o regime. Nada se compara com a perda de liberdade no regime nazista. Gostaríamos, evoluir para um mundo mais civilizado com maior entendimento e compreensão, com cooperação, que substitua a rivalidade o antagonismo. Não faz muito tempo o tema da rivalidade era canalizado para a luta de classes. Hoje são os extremos que rivalizam e se desentendem. De um lado estes extremos que conhecemos de outro lado e a nivel mundial os extremismos religiosos limitando as liberdades. Muita demagogia e usada para enganar assim como notícias falsas que se repetem para torná-las verdades. Repito a seguir frase que escutei sem lembrar a origem. A MELHOR DITADURA E PIOR DO QUE A PIOR DEMOCRACIA Falando em liberdade lembramos a recente festividade judaica de PESAJ quando se celebra a liberta dos judeus da escravidão a que estavam submetidos no Egito. Esta é uma das datas mais importantes do calendário tradicional dos judeus. Outra citação está relacionada ao fato de somente darmos valor a estas formas de liberdade quando não a temos. Senti na pele não poder sair na rua para brincar durante a ditadura. A Eva sentiu algo muito pior quando perdeu a liberdade de ir à escola pública alguns anos depois que Hitler assumiu o poder em 1933. Não só perdeu essa liberdade, mas também não poder entrar em lojas que tinham cartaz proibindo a entrada de judeus. O tema da liberdade tem esse aspecto relacionado com os regimes de governos implantados em certos momentos, mas o tema é muito mais amplo. Como seres humanos tomamos decisões o tempo todo sobre o que e onde comer, sobre o que comprar ou deixar de comprar, sobre o que vestir, sobre se queremos ou não fazer uma pós-graduação. Estas decisões podem ser motivadas por impulsos de consumo e de gastar e nesse caso estamos falando de liberdade de agir, mas tem outro tipo de comportamento que a neurociência denomina de livre arbítrio que consiste em assumir frente a cada ação um comportamento responsável que nos faz pensar sobre o futuro e a necessidade de economizar e evitar compras desnecessárias. Vamos viajar este ano podemos querer muito viajar e nos divertir, mas pensamos que os gastos foram elevados e que precisamos agir para evitar ficar dependentes, que é uma forma de perder a liberdade. Pessoas obesas ou com tendência a engordar vivem com o dilema de fazer regime e deixar de saborear comidas gostosas, ou fazer regime e se controlar para perder ou até manter peso. Comer doces ou se abster e o ideal seria encontrar uma solução harmônica entre estes extremos sem exageros. Assim o fator emocional do desejo de exagerar na comida gostosa entra em conflito com a decisão equilibrada de se alimentar sem exageros (comer para viver e não viver para comer) Temos a liberdade de escolher como atuar, mas o libre arbítrio são as decisões corretas que acompanham a saúde mental. Portanto harmonizar os dois sistemas seria o caminho para melhor decidir. Libre arbítrio seria ser responsável na decisão e a liberdade sem controle seria a busca de prazer. Uma outra forma de entender a liberdade é com relação ao uso de nosso tempo durante a vida e a saúde financeira. Na realidade nosso dia normalmente é composto de três momentos sendo um de 8 horas dedicado ao descanso e sono, outro de 8 horas dedicado ao trabalho e teríamos um terço do dia para o lazer e fazer o que desejamos com liberdade. Na prática o tempo dedicado ao trabalho envolve locomoção e isto leva tempo, as vezes algumas horas entre ir e voltar sobrando menos para o lazer, a família e a liberdade de fazer o que desejamos. Escolhemos trabalhar para terceiros e dedicamos muito tempo de nossas vidas a isso, outras vezes desejamos e tomamos a iniciativa de fazer algum negócio próprio ou investir estudando numa nova carreira ou fazendo novos estudos. Dependendo de como dedicarmos nosso tempo será o resultado de nossa preparação par a velhice sem dependência. O único problema de tomar a decisão de fazer algo próprio e deixar o emprego seguro e que estamos assumindo riscos. Os riscos representam insegurança e por isso muitas vezes é preferível conservar e emprego garantido. Sair de casa e viajar para outro país é um risco, mas o desejo de liberdade pode ser mais forte assim como a busca do novo e diferente daquilo que é a rotina de todos os dias. Quando tomamos a decisão de fazer novos estudos e completamos o curso constatamos que ficamos satisfeitos e que teríamos usado o tempo para outras coisas sem ter tido as oportunidades que se apresentaram. Temos o mesmo esforço e gastamos o mesmo tempo para fazer coisas pequenas ou para assumir riscos maiores e neste caso os resultados também serão maiores. Podemos deduzir então que a liberdade para decidir o que fazer com o nosso tempo e fundamental para nosso conforto financeiro futuro. Acontece que viver é correr risco na rua de ser atropelado no avião de cair, de uma doença. Interessante que a palavra risco e rico são parecidas. Uma tem o S no meio. Segurança não existe e por isso e antes de tudo é preciso acreditar em algo e correr o risco de errar buscando atividade de valor exponencial. Tanto um bom emprego com segurança como uma iniciativa de risco podem satisfazer e aos poucos permitir construir uma segurança financeira futura. A escolha é uma decisão de nosso poder de ser libres. Nas escolas, muitas vezes somos obrigados a usar uniformes, todos iguais e se por um lado isso significa perda da liberdade de cada um se vestir como quer, por outro lado evita que conforme a posse de cada um, essa liberdade permitiria distanciar crianças com menos poses daquelas que ostentariam. Perda de liberdade em busca de igualdade perante a educação. O que e ser livre finalmente. Filosofar é ser livre. Penso, então existo. Como usar a liberdade. O que fazer desde acordar até dormir. A rotina é semelhante todos os dias. As vezes para quebrar a rotina decidimos passar um final de semana na praia, ou fazemos férias uma vez por ano num lugar diferente. Fazer o que deseja é liberdade. Podemos usar sempre o libre arbítrio ou nos deixar conduzir pelas nossas vontades imediatas. Um exemplo interessante sobre liberdade temos no filme Um sonho de Liberdade, onde o ator principal é encarcerado, segundo ele, por um crime que não cometeu e passa a conviver com a tirania do diretor da prisão de segurança máxima. Ele tinha sido diretor de banco e entendia de assuntos financeiros e era uma pessoa culta submetida a uma vida sem liberdade. Durante vinte anos, pacientemente, cavou um túnel pelo qual conseguiu fugir da prisão e foi gozar da liberdade numa bucólica praia no México Durante a pandemia perdemos boa parte de nossas liberdades de ir e vir, de poder abraçar nossos parentes e amigos, de ter encontros pessoais, de ter que usar máscara e álcol gel, mas estas perdas são na realidade uma escolha consciente para preservar a nossa própria vida e a vida de nosso semelhante. Desta forma, nos protegendo e protegendo os outros, não estamos sendo menos livres Sum, é possível ser livre, até de morrer e ressurgir num novo formato, sendo criativos, mais sensíveis e intuitivos agindo como seres humanos. Para tudo é preciso que as condições ambientais se mantenham favoráveis. Nenhuma ditadura Irá favorecer a condição de liberdade e sempre colocará limites nas nossas vidas. Por isso gostaria repetir que a melhor ditadura é pior do que a pior democracia. ## Contribuições de leitores sobre "LIBERDADE" ### Saporito Francisco (leitor) Caro amigo. Parabéns pelo ótimo artigo em que você aborda com amplitude o significado de liberdade e livre arbítrio. Gostei muito. Também comento que hoje fui visitar o museu do holocausto de Curitiba. Junto comigo foram a Yara e meu neto americano que veio passar as férias comigo. Foi uma boa oportunidade de conhecer com detalhes as ocorrências daquela época. Eles não autorizam fotos com exceção de uma área externa. ### Riva Somerfeld (leitor) Li o seu trabalho Luis. Vários pensamentos ali colocados, livremente, dão margem 'a "reflexão". Eu me considero uma pessoa otimista, em geral vejo o meio copo cheio, no entanto, em meu coração uma prece para que no mundo haja mais humanidade e respeito ao próximo. Concordo com a frase no fim de seu trabalho " a melhor ditadura é pior do que a pior democracia ". Infelizmente o ser humano destrói, com suas próprias mãos, tudo aquilo que denominamos LIBERDADE. ### Miriam Menossi (leitor) É o bem maior da Humanidade, sem liberdade ficamos presos no nosso livre pensar e expressar opinião. Vivi o tempo da ditadura aqui no Brasil, estudante do curso superior e as recomendações veladas eram para que não entrássemos em polêmicas, "as paredes tem ouvido" diziam, olhares desconfiados entre colegas, alguém podia ser espião. Não era nada confortável. Claro que a liberdade de expressão tem limites, afinal somos seres civilizados e o respeito ao pensamento do outro deve ser dentro das regras da boa educação. Também vejo nuvens escuras no horizonte e penso que a mídia falada e escrita deveria se concentrar mais nos candidatos, suas propostas de Governo, suas ideias, deixando de instigar o Presidente. Ele é uma pessoa maldosa e perigosa e pode sim nos levar a um regime ditatorial e ficarmos sem a nossa preciosa Liberdade. Muita cautela! --- # DIREITOS HUMANOS Work Paper · 8 de março de 2024 · https://luis-gaj.vercel.app/64 ## Working Paper Nº05 Início este trabalho com a Declaração Universal de Direitos Humanos promulgada pelas Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948. Nela são enumerados todos os direitos que todos os seres humanos têm. No seu preambulo diz: “considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo, considerando que o desprezo e o desrespeito pelos direitos humanos resultaram em atos bárbaros que ultrajaram a consciência da humanidade e que o advento de um mundo em que os todos gozem da liberdade da palavra, da crença e da liberdade de viverem a salvo do temor e da necessidade foi proclamado como a mais alta aspiração do ser humano comum. Considerando ser essencial promover o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações. Considerando que os povos das Nações Unidas reafirmaram na Carta da ONU a sua fé nos direitos humanos fundamentais, na dignidade e no valor do ser humano e na igualdade de direitos entre homens e mulheres, e que decidiram promover o progresso social e melhores condições de vida em uma liberdade maias ampla”…. E nesse tom o preambulo continua e depois os seus trinta artigos. Neles é enfatizada a liberdade, o direito de culto, de igualdade de raça, de origem étnica, de cor, de sexo, de direito a todos de ter acesso ao trabalho, de igualdade de tratamento na justiça, com bastante nível de detalhes. Começamos assim para pensarmos juntos como vemos o mundo atual e quanto evoluímos para atingir aquilo que foi sacramentado pelas Nações Unidas no ano de 1948. Quando estive morando uma temporada na Bélgica, na cidade de Bruxelas, num instituto de Estudos Avançados preparando a minha tese de doutorado sob a orientação de famoso professor fiquei surpreso pela oferta de um seminário de vários dias que estava sendo oferecido para os cidadãos de origem flamenga, discriminando os de origem valão. E preciso esclarecer que 55% da população é de origem flamenga e que falam um idioma semelhante ao holandês, enquanto os valões são 33% da população e falam francês. Os 12% restantes são europeus meridionais. Parte deles falam alemão. Na minha estada lá constatei migração dos franceses para o sul, enquanto os flamengos migravam paulatinamente para o norte. Isto num país civilizado da Europa e com elevado índice de desenvolvimento econômico. Um outro caso de discriminação é com as mulheres no Iran. A partir de 1970 a Revolução Islâmica passou a questionar a forma de se vestir das mulheres. Passou a ser obrigatório o uso do Hijab (véu islâmico) a partir de 1980. De nada adiantou o protesto das mulheres que até então se vestiam como ocidentais. Também tentaram impedir que as mulheres frequentassem universidades, mas os protestos fizeram com que permitissem, porém em salas separadas dos homens. Sem dúvida trata-se de cerceamento da liberdade e discriminação das mulheres. Pouco tempo antes, em 1933 com o surgimento do nazismo na Alemanha, iniciou-se uma perseguição ao povo de religião israelita morando no país e depois do início da guerra em 1939 e com a invasão de muitos países da Europa a todos os judeus que moravam nesses países ocupados. Iniciou-se uma agressão contra os judeus, esquerdistas, ciganos e homossexuais ao ponto de procurar o seu extermínio utilizando métodos sofisticados que incluíam câmaras de gás. O Holocausto representou uma vergonha para o mundo civilizado, especialmente partindo do povo alemão sob o comando de Hitler. Os nazis inculcaram no povo alemão o conceito de que seriam uma raça superior e que deviam eliminar aqueles considerados inferiores, assim como os deficientes, e também os inimigos do regime, incluindo os comunistas. Proliferaram os campos de concentração onde eram praticados os maiores abusos, inclusive com experimentos com crianças. Após a liberação com campos de extermínio, ficou evidente para o mundo as atrocidades cometidas no período em que durou este regime sanguinário. Na Rússia comunista e sob Stalin foi perpetuada a perseguição de todos aqueles que pensassem diferente com eliminação de milhões de cidadãos sem piedade e em nome da ditadura do proletariado. Pequenos proprietários eram detidos e enviados para Sibéria acusados de capitalistas No Brasil de 1964 a 1984 nos famosos 20 anos de ditadura militar aconteceu entre outros, um fato digno de menção: trata-se do caso Vladimir Herzog, o Valdo. Vladimir Herzog era diretor de jornalismo da TV Cultura e segundo consta era de esquerda e contra o regime militar que vigorava. Ele foi preso e torturado no DOI-CODI que era onde eram levados os inimigos do regime militar. No dia 27 de outubro de 1975 o Rabino Henry Sobel recebeu um telefonema de um funcionário da sociedade do cemitério informando que tinham recebido um caixão com o corpo de Herzog e os militares que o entregaram informaram que ele tinha se suicidado na prisão. Segundo a religião os suicidas devem ser enterrados em ala separada dos cidadãos comuns, porque suicídio e um atentado contra a vida, algo sagrado segundo o judaísmo. Sobel conhecia superficialmente o falecido porque tinha por ele sido entrevistado na TV Cultura e a mãe de Valdo Dona Zora era sócia as CIP Congregação Israelita Paulista e frequentadora dos serviços religiosos das sextas feiras. Sobel era rabino na CIP fazia pouco tempo e o rabino principal era o Dr. Fritz Pinkus, que estava de férias na Alemanha nessa ocasião. Como é hábito Sobel mandou abrir o caixão para lavagem do corpo. O funcionário então ligou pela segunda vez informando que o corpo tinha vários sinais se golpes assim como marcas de tortura. Sobel então se perguntou Casado e com filhos se suicidando. Muito estranho e tomou a decisão de enterrá-lo como cidadão normal. O funcionário do cemitério ainda perguntou se ele tinha certeza e ele respondeu ABSOLUTA. Era o governo de Ernesto Geisel e estava promovendo lenta abertura política, mas a ala radical dos militares estava alegando a famosa conspiração contra o regime e eliminando eventuais opositores. Tinha havido 38 casos de suicídio no mesmo DOI-CODI. O caso Vladimir Herzog teve repercussão internacional e também no meio jornalístico de São Paulo. Na época a Cúria Metropolitana de São Paulo era centro das denúncias contra violação dos direitos dos presos políticos e no dia 29 de outubro Sobel foi na casa do Cardeal-Arcebispo de São Paulo Don Evaristo Arns e combinaram fazer um culto ecumênico na Catedral da Sé. Ele foi realizado no dia 31 de outubro, uma sexta-feira as 15 horas. A Catedral ficou rodeada de militares e policiais à paisana, facilmente identificáveis e aos poucos a Catedral ficou lotada com oito mil pessoas que vieram homenagear o Valdo Herzog com presença de muito jornalistas, políticos, parentes e amigos e público em geral. O governo da cidade tinha solicitado ao Cardeal para realizar o ato a portas fechadas ao que ele respondeu que não iria fechar a Igreja ao povo. Sobel foi direto da Igreja para a cerimónia de sexta feira, na CIP, onde falou sobre a importância da defesa dos Direitos Humanos. Sobel e o Cardeal Arns ficaram famosos e muito queridos por este ato simbólico da maior importância na defesa dos direitos inalienáveis da pessoa humana. Inúmeros casos de perseguições à pessoa humana registrados no sul do Estados Unidos contra pessoas de cor, na Europa contra judeus, entre etnias, entre povos em conflito, contra católicos, contra islamitas, contra diferentes, somente por ser diferentes, contra pessoas de côr no Brasil confundidas com ladrões e ainda muitos atos antissemitas como o praticado recentemente numa sinagoga no Texas. Por sorte os que tinham sido capturados conseguiram escapar, mas este ato mostra que ainda existe perigo para os judeus. Duas organizações estão mobilizadas neste sentido de combate às perseguições raciais: uma é a Bnai Brith que em entendimento como todas as religiões busca eliminar eventuais focos de antissemitismo ou de racismo em geral e outra é o SWC Simon Wiesenthal Center criado inicialmente para catar fugitivos do nazismo que se refugiaram, alguns na América Latina, pare evitar serem julgados como criminosos de guerra e provocadores de crimes contra a pessoa humana. Muito interessante é o testemunho de importante escritor Norte Americano, James Baldwin que nos seus livros apresenta de forma clara a diferença de tratamento recebida pelos pretos naquele país. No seu livro “Notas de um Filho Nativo” mostra as humilhações sofridas por ter nascido preto e o sentimento de até raiva e insatisfação pelo vivido por seus personagens de cor. Esteve vivendo alguns anos também em Paris e lá também sentiu a discriminação, e esteve preso injustamente durante 10 dias na terra da liberdade. James Baldwin nasceu no Harlem em 1924 e faleceu em 1987. De família humilde e religiosa esteve se preparando para ser pastor, mas escolheu ser escritor e é reconhecido como um dos melhores escritores da atualidade. Era neto de escravos e defensor dos direitos humanos de uma forma sutil e inteligente, as vezes até alegre, mas sendo crítico feroz de seu país. Infelizmente em Israel sentimos o ódio que é inculcado na população muçulmana de cidadãos israelenses, apesar do esforço para integrar esta comunidade e também outras religiões no país. Os movimentos terroristas vizinhos e especialmente o Iran investem em propaganda e no ódio a Israel, prejudicando a pluralidade formada por pessoas judias vindas das mais diversas partes do mundo e sendo integradas, enquanto os árabes mantem-se sentidos discriminados ou inferiorizados. Já os que vivem no território de Gaza violam os direitos das crianças obrigando a utilizarem armas, usando escolas e hospitais como escudos humanos para lançar foguetes e incutindo o ódio a Israel, também com ajuda de movimentos extremistas. Caberá a Israel tomar as iniciativas para reverter este processo. Felizmente vivemos no Brasil numa sociedade pluralista e integrativa que tem conseguido criar convivência saudável com todas as minorias. Mesmo assim em alguns casos continuam aparecendo focos em pequena escala de grupos extremistas contra judeus e também contra pretos, confundindo cidadãos comuns de cor com ladrões. Trata-se de um racismo estrutural que permeia a sociedade brasileira. Um outro tema recentemente abordado por Celso Lafer trata da questão debatida sobre a liberdade de expressão, onde em nome dessa liberdade são agredidas verdades comprovadas. Assim, o negacionismo do Holocausto judaico, do extermínio armênio não são liberdades toleradas porque agridem a verdade a atingem comunidades. Assim a liberdade de expressão encontra seus limites onde agride a liberdade alheia. Na Argentina, durante a ditadura militar foi instaurado um regime de terror contra a esquerda do país com métodos até mais violentos e sádicos do que os praticados no Brasil na ditadura. Um episódio destes procedimentos ficou chocante e consternou a opinião mundial, quando ficou conhecido que para eliminar dissidentes ofereciam um passeio de avião e jogavam os inimigos desde a altura no mar para morrerem e servirem de comida para os peixes. O movimento Mães de Maio lutou para tentar esclarecer o sumiço de muitos de seus filhos, sem muito sucesso. Na Argentina também teve o caso da AMNIA onde colocaram uma bomba e um grande número de inocentes morreu e as autoridades nada fizeram para esclarecer os fatos, onde se supõe um grupo terrorista iraniano tenha sido o autor. Na China, país com regime de ditadura e ao mesmo tempo de capitalismo, recentemente foi divulgado um caso pitoresco de funcionários de um banco no norte do país que tinham tido baixo desempenho nas suas tarefas e para puni-los cada um deles oito homens e oito mulheres, foram castigados com vara por um supervisor, como exemplo para outros casos de baixo desempenho. Em países como Cuba, onde o poder foi transferido para o irmão de Fidel Castro ou na Correa do Norte onde tem passado de pai para filho parecendo mais uma monarquia do que um regime comunista, as oposições são esmagadas numa clara contradição aos direitos humanos preconizados pelas Nações Unidas. A Rússia de Putin que teve origem como diretor da KGB e se encontra no poder há mais de vinte anos, as oposições são perseguidas e eliminadas e recentemente a invasão da Ucrânia, está num momento ainda crítico ameaçando autonomia deste país. Consumida a invasão o desrespeito aos direitos humanos foi trágico. Não nos cabe julgar Putin como único culpado nesta agressão, se consideramos os Estados Unidos e a NATO como ameaçando com o número grande de forças militares instaladas em todo o mundo. A Rússia e os Estados Unidos são as maiores potências nucleares e o confronto é evidente. Com a participação discreta da China no litígio, a geopolítica de poder está transformando a mundo. As palestras de Flavio Ricardo Vassoler sobre o assunto contribuem para entender melhor a guerra que se trava na Ucrânia e como os ucranianos estão sendo sacrificados nesta relação EUA, NATO e RUSSIA. Outros casos de violação de direitos humanos foram constatados na Turquia perseguindo o povo Curdo e na Chechenia lutando por sua independência da Rússia. Pretendemos demostrar com os poucos casos acima, que estamos longe de atingir o ideal da carta das Nações Unidas sobre os Direitos Humanos. Cabe a todos nós contribuir reconhecendo o direito inalienável de cada pessoa humana de gozar de liberdade pessoal, de ter acesso ao trabalho, de praticar cultos de sua escolha sem discriminação de sexo, e de viver sem medo a sua integridade e sem necessidades. Neste ponto o Brasil está longe porque tem nível elevado de desempregados e subempregados neste momento. Temos confiança e esperança de que aos poucos conseguiremos combater as violações dos direitos humanos exercendo vigilância e apontando os casos que estejam em desacordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos promulgada pelas Nações Unidas para a Justiça exercer o seu papel. Assim como Sobel e o Cardeal Arns tiveram papel importante na preservação dos direitos humanos, cabe destacar hoje o papel importante que o Papa Francisco tem desempenhado, sempre vigilante e alertando contra as violações dos direitos inalienáveis do ser humano. **Luis Gaj** ## Contribuições de leitores sobre "DIREITOS HUMANOS" ### Miriam Menossi (leitor) Todos os horrores estão aí expostos apesar da Declaração dos Direitos Humanos. Compartilho com você que cabe a cada um contribuir para um mundo melhor. Num curso da área profissional o Prof° colocou um vídeo de um rapaz numa praia deserta devolvendo as estrelas do mar que chegavam na areia. Depois de algum tempo chega uma pessoa questionando a inutilidade daquele gesto. O rapaz então explica a importância da estrela do mar para o meio ambiente e como aquela pequena ajuda iria contribuir. E completa dizendo: eu faço a minha parte. A Pandemia aconteceu para brecar o mundo e refletirmos sobre as questões que vieram à tona com toda clareza: a desigualdade social, o descuido com o meio ambiente, os preconceitos, a ausência de uma convivência harmoniosa, rever nossos comportamentos e atitudes. Estamos vivenciando o 3° milênio, uma nova era. Façamos a nossa parte! Muita paz a todos ### Irene Nani (leitor) Caro Luiz, após ler o seu depoimento me sinto quase incapaz de pensar e raciocinar sobre o porquê de fatos tão estarrecedores que aconteceram e infelizmente continuam a acontecer a olhos vistos pelo mundo afora! -Será que a raiva vence a bondade? -Será que a loucura é maior que o bom senso? -Será que a esperança se esvai diante de tanto terror? Nós que temos famílias bem constituídas com filhos trabalhando e dando bom exemplo, somos abençoados e temos que agradecer essa felicidade! Pena que eu particularmente sinto meu mundo pequeno e pouco faço para colaborar com a sociedade! Vou enviar um vídeo para você que achei muito significativo! Um grande abraço e bjs! --- # POLÍTICA & ECONOMIA Work Paper · 8 de março de 2024 · https://luis-gaj.vercel.app/57 ## Working Paper Nº04 Em artigo recente, publicado no Estado e escrito por Fared Zakaria, colunista do Washington Post leva o nome A POLITICA ESTÁ MOLDANDO A ECONOMIA **Afirma que tanto na China como nos EUA, a política que comanda na economia.** Desta forma os economistas de plantão, devem obedecer aos dirigentes políticos. Hoje a inflação está novamente afetando a vida das pessoas, uma época de grande número de desempregados, aumento da pobreza e até da miséria, com cidadãos comuns apelando às UBS na busca de comida. Com desemprego alto, a correção dos salários fica abaixo da inflação e o empobrecimento acelera. Esta situação acaba provocando violência crescente, falta de segurança, com aumento de assaltos e roubos, e enquanto isso as reformas prometidas no início desta gestão nunca aconteceram, pelo executivo estar preocupado com as próximas eleições, que serão daqui a perto de um ano. Por outro lado, temos a clara impressão de que executivo e legislativo vivem em constante discordância dificultando assim aprovação de medidas urgentes para reduzir o sofrimento da população. Para agravar a situação a pandemia veio já nos últimos quase dois anos agravar o desemprego e os problemas com um governo negacionista, e que não reconhecia a gravidade da situação. O Brasil contabiliza mais de 600 mil mortos neste período e as medidas de prevenção chegaram tarde demais. Parte destes óbitos poderia ter sido evitada com a vacinação dede o início da doença. No campo econômico as promessas de privatizações especialmente das atividades geridas pelo estado e deficitárias não tem acontecido e também é difícil acreditar que a mudança teria sido muito proveitosa, acha visto o que ocorreu na Argentina, sem sucesso. Também a globalização tem colocado para competir gigantes e formigas, aumentando a concentração de capitais e tornando os produtos chineses muito mais competitivos, substituindo os nacionais. Por outro lado, nos países mais ricos, as empresas ficam proibidas de operar provocando poluição ou destruição da natureza e a saída encontrada foi deslocar estes processos para os países em desenvolvimento ou países pobres. Vivemos num mundo onde a competição para a sobrevivência está acima de tudo. O correto seria mudar esse modelo para um modelo de cooperação e comprometimento com as necessidades comuns a todos. Falta nas organizações uma visão de médio e longo prazo e a inclusão nesta visão das inúmeras possibilidades para se lidar com o imponderável e com as surpresas e descontinuidades, hoje muito comuns. Especialmente transformação tecnológica tem provocado muitas descontinuidades e alterações no cenário econômico e na posição das organizações. Enquanto a competição está presente entre empresas, entre departamentos e até entre alunos nas universidades e até entre professores, sendo destrutiva, criar uma mentalidade de cooperação intercambiando experiências e conhecimentos poderá ser de vantagem para todos. A falta de visão de longo prazo e a competição são duas limitações do crescimento e do desenvolvimento sustentável. As pessoas que tiveram esta postura preocupada com o futuro e com visão de longo prazo e com o médio ambiente são aquelas que já em 1972 na Conferência de Estocolmo se preocupavam com a conservação dos recursos hídricos e energéticos. Com a preservação da capa de ozônio e com a transformação dos resíduos perigosos. Num momento como o atual em que existem dois polos políticos que lutam por seus interesses e com mensagens demagogas e discursos inflamados com promessas que nunca se cumprirão nos perguntamos se a tarefa dos economistas de plantão e uma tarefa técnica ou ela está atrelada ao poder e por tanto é política. Não há lugar a dúvida de que é política e aquilo que for a orientação do executivo será o papel de seus ministros seguir para conservar os seus cargos e não ser substituídos. As projeções de futuro de curto prazo feitas nesse ambiente tentam agradar ao presidente e pouco depois se provam totalmente irreais. Por sua parte as empresas não podem se dar o luxo de falhar nas previsões sob a pena de desaparecer, e isto tem ocorrido frequentemente. A política, que se destaca como tema promotor do desenvolver transformação deveria representar a vontade da população e isto nem sempre ocorre. Infelizmente os eleitos, uma vez em seus cargos, esquecem que estão prestando serviços para seus eleitores e que tem um dever cívico a cumprir. Os interesses partidários e as influências dos lobbys terminam transformando as ações políticas num emaranhado de pressões que nada tem a haver com os interesses verdadeiros da população e do país. A nova época, apesar dos avanços da tecnologia, não apresenta soluções para os graves problemas ecológicos, apesar da pressão internacional e exigem planejamento estratégico de futuro e onde se quer chegar. E quando se aponta para soluções de muito longo prazo, o que se está fazendo e procrastinar e problema e adia-lo para a próxima gestão em lugar de tomar providências imediatas ou de curto prazo. E isso que está acontecendo com a preservação da Amazônia, protelando soluções. O poder deve ser utilizado para que os líderes consigam melhorar a vida das pessoas e não e atingida somente om boas intenções O comércio internacional importando bens úteis para os locais e exportando bens úteis para quem se destinam é uma forma de contribuir para o bem-estar. O Brasil exporta principalmente produtos commodities e importa produtos manufaturados, o que o torna país subdesenvolvido. Somente investindo em capacitação na indústria e no desenvolvimento de tecnologia estaremos nos preparando para um futuro melhor. Para isto educação, tecnologia e ciência são fatores fundamentais e tem recebido pouca atenção. O nível de desemprego, se por um lado representa carga social e sofrimento, por outro lado é interessante para os grupos empresariais, que com a massa precisando trabalhar deixa de reivindicar melhore salários ou melhores condições de vida. As contradições ficam evidentes: de um lado a política deve procurar melhorar as condições de vida, mas é pressionada a aumentar os salários menos que a inflação. Com salários menores as condições de vida pioram em lugar de melhorar. Então quem é o vilão da história: passa a ser a produtividade e em nome dela todos os conceitos para atingi-la e ser competitivos promovem o desemprego buscando fazer mais com menos. Como sair desta situação, em que se encontra nossa sociedade é um dos maiores desafios que enfrentamos todos os que nos sentimos de alguma forma responsáveis. Seguimos atrasados porque não percebemos um plano de maior magnitude e de médio prazo que provoque transformações maiores. Parece que estamos acomodados com as receitas geradas pelas commodities no mercado internacional e até com as condições de pobreza de grande parte da população. Não temos intenção neste artigo de criticar este ou quaisquer outo governo ou sistema político, somente espelhando uma situação atual de desconforto e até de indignação quando olhamos para países que tem se saído melhor do que nós Mesmo assim, e preciso reconhecer que o problema da inflação, do desemprego e do empobrecimento neste período de pandemia, tem sido um problema que atinge todos os países, mesmo os mais desenvolvidos e que no momento atual e sem atuação para reduzir a máquina burocrática não se investe em desenvolvimento. Mais de trinta mil pessoas estão vivendo nas ruas da cidade, embaixo das pontes, nas avenidas, muitas delas com crianças, sobrevivendo miseravelmente. Onde estão então os órgãos públicos que deveriam cuidar, profissionalizar, dar condições de uma vida digna. Makarenko, no seu livro Trilogia Pedagógica contava como todas as crianças de rua foram transformadas em comunidades produtivas. Porém aconteceu em um regime ditatorial. No Brasil, na cidade de Sete Lagoas em Minas Gerais várias hortas comunitárias gigantescas plantando frutas, hortaliças e legumes de forma comunitária e com apoio da prefeitura, proporcionou comida para oitocentas pessoas. Será que é tão difícil colocar o foco nestas pessoas de rua e encontrar uma solução razoável. Um esforço digno de elogios o realizado pela artista Ivone Bezerra de Melo, na cidade de Rio de Janeiro, em pequena escala, dando assistência a crianças e adolescentes de rua os transformando em pessoas úteis e responsável na sociedade. Preservar nosso ambiente é dar trabalho a quem deseja trabalhar. Negar este direito somete à pessoa a condição de dependência e impotência e a desesperação termina gerando violência. E como plantar coca na Bolívia, Colômbia e Peru e mais rentável do que plantar milho ou batatas, estas plantações dificilmente serão erradicadas. As primeiras medidas que os governos tomam para reduzir gastos trata da redução de investimentos em estrutura, em lugar de reduzir ineficiências que são muitas a nível da máquina do estado. As reformas administrativas realizadas são uma piada sem efeito nenhum e sem reduzir a máquina burocrática instalada. Não digo que é fácil a tarefa, mas deve ser empreendida nos primeiros meses de uma gestão e não pretender fazer os poucos e sem a força necessária. Falta sonhar com o futuro que se pretende conseguir para atingi-lo. Enquanto se sonhar com a próxima eleição e se tomar medidas paliativas, dificilmente sairemos da estagnação. Uma das conclusões e a da falta de Líderes verdadeiros e que pensam e sonham com o futuro. Sem isso nada acontecerá. As empresas também têm o seu papel de manter os gastos enxutos e investir em equipamentos modernos, em desenvolver tecnologia de ponta, em crescer e promover emprego, assim como a área do comercio e de serviços, sobrevivendo e criando milhares de novos postos de trabalho, num ambiente em que a sua atuação seja facilitada, desburocratizada e tornada flexível para poder crescer. As empresas podem adotar duas formas de se preparar para futuro: quando descuidaram no passado contraindo dívidas, para reduzi-las procuram diminuir o tamanho do negócio reduzindo pessoal e terminando com uma empresa menor e muitas vezes mesmo assim não conseguem pagar as suas dívidas. Quando foram cuidadosas e ciaram reservas, estarão preparadas para novos desenvolvimentos tecnológicos e fortalecidas. A segunda estratégia que as empresas podem adotar é expansionista, desenvolvimentista e de crescimento entusiasta. Para isso é preciso confiar no futuro e trabalhar em equipe para conquistá-lo e torná-lo realidade. Esta técnica irá promover emprego, e riqueza, atendendo as novas demandas que o mercado solicita, e exige visão desta necessidade e ou carência. Para esta técnica expansionista e preciso buscar tecnologia no interior e no exterior, buscar conhecimento em universidades e contratar novas capacitações assim como de empreendedor entusiasta e confiante em sua capacidade de construir o seu futuro. Os paradigmas reducionistas por sua vez, promovem resultados de curto prazo e são mais fáceis de aplicar e as técnicas expansionistas demoram mais, exigem investimento e acreditar além de maior dedicação. Por esses motivos adoção de reducionismos tem contado com mais adesão e com resultados de curto prazo. A solução dos problemas passa necessariamente por um processo de relevamento escolhendo prioridades que o momento exija não descartando técnicas reducionistas como forma de dar um passo para traz na intenção de dar dois para frente seguindo as leis da dialética. Vivemos transformações muitas vezes inesperadas e precisamos redobrar a atenção e questionar se o negócio ou atividade atual terá continuidade ou será absorvida e destinada a desaparecer proximamente e neste caso nos preparar para mudar em tempo, para não sucumbir pela obsolescência que se instala quando a mudança não é esperada. Com o nível atual de educação e a pandemia afetando complementarmente a economia, felizes aqueles que trabalham, porque muitos estão na informalidade **ou simplesmente sem emprego.** Nos últimos vinte anos pouco se fez para melhorar a educação e conforme Leandro Karmal existem dois Brasis: um que pertence a uma classe corrupta que defende os seus interesses acima de tudo no ambiente da ilusão e irrealidade que se vive em Brasília e outro dos jovens que não sabem o seu poder, que representam o futuro e nos quais confiamos. Certa vez visitei uma fábrica de um grande grupo internacional sediada na cidade de Rorschach na Suíça O diretor da planta me mostrou os balanços da empresa e quando estávamos nos escritórios perguntei como a empresa se mantêm com um resultado tão pequeno. “A minha maior prioridade não é resultado, mas a comunidade de Rorshach Preciso manter as condições locais sem prejudicar o ambiente, prover recursos para que nosso pessoal esteja satisfeito, porque se alguém vai embora, eu não consigo substitui-lo. O ambiente em que está inserida a empresa e da qual vive grande parte da comunidade é a minha principal atribuição”. Me pergunto se alguém de nós e especialmente de nossos dirigentes tem essa preocupação. A maioria somente pensa no que é melhor para a empresa ou para seu cargo político ou para si, sem preocupação com as consequências. Torna-se mais fácil despedir do que ser criativos e gerar novas atividades que promovem o desenvolvimento, especialmente quando as coisas vão mal. A cooperação entre empresas ou entidades pode contribuir para o fortalecimento de ambas e a busca de contatos e conhecimento dos dirigentes, abertos para aprender pode ser a forma de promover diálogo e entender as necessidades da população O ceticismo com relação ao Brasil provoca fuga dos capitais internacionais contribuindo para a falta de recursos para investir. Por outro lado, a manutenção dos juros muito baixos durante longo período aumentou a taxa do dólar e a inflação. Economia atrelada aos interesses do mundo político e por tanto a eleições, e também aos interesses corporativos, ao populismo e ao patrimonialismo. Cabe perceber que todo o cenário desenvolvimentista exige eliminar a corrupção deixando de lado o populismo, a demagogia e as mentiras provocadas na desinformação. ## Contribuições de leitores sobre "POLÍTICA & ECONOMIA" ### Miriam Menossi (leitor) Minha reflexão sobre o tema se concentrou no ser humano. O líder indígena Ailton Krenak nos apresenta em livros e palestras as vantagens de como uma vida simples, voltada para a Natureza favorece a saúde física e mental das pessoas. Não precisamos de muito para ser feliz! O grande problema dos nossos políticos e do nosso povo é a falta de caráter, disciplina, honestidade, lealdade, civilidade, educação de base. Os políticos se apropriam do que não é deles, vivem de forma nababesca, enquanto os menos favorecidos lutam para sobreviver. Está até em piada do saudoso Chico Anisio: quando agradeciam a Deus este país tão bonito com suas praias e florestas exuberantes, Deus dizia: mas vocês vão ver o povinho que vou colocar aí…. Infelizmente o grande problema do Brasil são as pessoas. Kurt deixou um projeto de Escola com a matéria Cidadania embutida em cada ano do programa escolar desde a pré-escola até o 3° ano do ensino médio. Tentou colocar o projeto junto autoridades da área, mas não encontrou repercussão. Infelizmente, pois é isso que precisamos: formar cidadãos conscientes e preparados a contribuir para um Brasil melhor. ### Saad Romano (leitor) Sobre o artigo do Fared Zakaria, gostaria de dizer que é muito fácil jogar a culpa toda sobre o Bolsonaro. Essa pandemia começou a se espalhar no Brasil a partir do momento que os nossos governadores e prefeitos liberaram o carnaval com a desculpa que o Vírus não se espalhava no calor, e que a festa de Carnaval é muito popular. Outra grande responsabilidade das vidas perdidas foi do nosso Ministro da Saúde, o Mandeta que dizia que não tinha que ir ao hospital de imediato, deveria esperar alguns dias e caso piorasse seguir para o hospital…, porém a maioria dos infectados acabaram falecendo com o uso de remédios caseiros e quando chegavam no hospital estavam com 70% dos pulmões tomados. Outra culpa se deve a mídia que estava desinformada a respeito desse vírus, e a própria Globo disse que poderia ser um simples resfriado. É claro que uma parcela da culpa cabe ao Bolsonaro que por desconhecimento médico insistiu no uso da Clorquina e Hidro-cloroquina que alguns médicos alardeavam que esses remédios conseguiram salvar diversos pacientes. Pior foi a insistência do Bolsonaro nessa solução “barata” mesmo depois que os cientistas confirmaram a sua ineficácia, e a demora em adquirir as vacinas, acreditando na imunização de rebanho…. A situação econômica foi deixada para segundo plano através dos decretos do STF dando total liberdade aos Governadores e prefeitos decidirem sobre o lockdown, coisa que o próprio Bolsonaro criticava, pois, a economia estava se deteriorando. Os planos de apoio as empresas e a manutenção de empregos, aliados às verbas liberadas pelo Governo Federal para os estados adquirirem equipamentos e insumos para a saúde abalaram a economia gerando inflação e desvios de parte das verbas federais em diversos estados. A instabilidade econômica causou uma redução de ofertas de emprego, fazendo com que os empregados se conformassem a continuar trabalhando sem reajustes ou com reajustes abaixo da inflação, o que a curto prazo causaram uma maior retração. É um ciclo vicioso, menos salário, menos gastos, menos vendas, menos produção – a conta para os empregados veio no ato e para os empresários virá em breve, a menos que sejam tomadas atitudes que gerem empregos em larga escala. Na direção de injetar dinheiro na economia, foram liberados fundo de garantia, antecipação de 13o dos aposentados, liberação das cotas do PIS-PASEP…o que amenizou um pouco, mas não resolveu o problema. Dólar Caro, instabilidade econômica mundial, resultam em preços elevados do petróleo, e a conta acaba caindo no colo do consumidor final, pois os custos de fretes aumentaram, e foram repassados ao consumidor…. haja visto um aumento no último ano de cerca de 50% no valor dos combustíveis. As atitudes do STF gerando instabilidade jurídica tem afastado empresas multinacionais de investirem no Brasil, fazendo com que o Dólar continua alto e com grande flutuação. O ano de 2022 promete muita insegurança por ser um ano de eleições para Presidente e Governadores bem como Deputados Federais e Senadores, além do que teremos a realização da Copa do Mundo … a indústria das fake News irá contribuir muito nessa instabilidade. Deus nos ajude a passar essa fase e que possamos alcançar uma estabilidade econômica e pleno emprego em breve. ### J.F. Saporito (leitor) E notório que nos dias de hoje, política e economia são extremamente dependentes e ao mesmo tempo responsáveis pelo sucesso ou fracasso de qualquer governo. As aprovações ou rejeições de um governante são o resultado das ações políticas econômicas que estejam sendo praticadas durante um certo período, podendo como consequência ser positivo ou negativo. Partindo desse pressuposto fica claro que a figura do Estado (executivo) se apresenta como o condutor de uma nação, e se junta a Política e a Economia (legislativo) para formarem um tripe que procura de diferentes maneiras atingir um resultado de desenvolvimento econômico, social e cultural que traga equilíbrio e satisfação ao povo. É muito frequente que as práticas políticas e econômicas não atendam de maneira continua e/ou por longos períodos, as expectativas do povo, independente do regime de quem dirige o Estado. As leis de livre comercio defendida pelas economias abertas e alto nível de desenvolvimento, contrapõem-se de uma maneira geral aos demais regimes que se utilizam de políticas protecionistas e muitas vezes concentradas nas mãos do Estado, sem que isso seja barreira de mútua participação no comercio internacional. Trata-se de uma ambiguidade que acaba truncando em determinados períodos a economia mundial. Em tese, de um lado temos um sistema supostamente liberal e do outro um sistema fechado que oferece por exemplo, vantagens tributarias aos meios de produção, além de pecar pela ausência de leis que deem a devida proteção aos trabalhadores, reduzindo com esses artifícios os seus custos de produção, tornando-se por consequência mais competitivos. Em resumo, governantes que detém o controle total da economia, utilizam os políticos de plantão para criarem leis econômicas que reduzam custos que influenciam os preços de venda, criando com isso condições vantajosas no comercial internacional. A consequência muitas vezes é uma concorrência desleal, provocando revide das economias mais liberais. No Brasil, depois do fracasso político do Plano Collor em controlar a hiperinflação e estabilizar a economia brasileira, o Plano Real desenvolvido por um grupo de economistas ligados ao PSDB é uma fonte ícone na literatura da economia mundial. Como num passe de mágica, o plano Real acabou com a hiperinflação, estabilizou o mercado, a moeda. os meios de produção e o nível de emprego, melhorando de forma considerável a vida das pessoas. Na contramão do que normalmente acontece em países como o nosso, quando quem entra muda tudo o que estava sendo feito por quem saiu, o plano real gerou uma consequência interessante. Nos oito primeiros anos do governo do PT que sucedeu o PSDB, o partido foi sagaz e manteve as políticas do plano real. Essa estratégia política de manter o que estava funcionando produziu ótimos resultados na economia. A linha negativista do PT (2002/2016) contra as privatizações, ao contrário do pensamento reinante na cúpula do PSDB (1995/2002), impediu que os resultados pudessem ser muito melhores no médio/longo prazo. A redução do Estado nas atividades chamadas não essenciais, com características exclusivas de gestão privada e alto nível de investimentos, teria alavancado de forma significativa a economia e o PIB, além de diminuir o peso das despesas do Estado. Infelizmente, a partir do terceiro mandato do PT, as políticas econômicas, estruturais e sociais começaram a sofrer interferências diretas do Estado, sempre conflitantes e/ou contrárias as leis de mercado, resultando em recuo das melhorias obtidas anteriormente. Interferir e congelar os preços de energia, gás e combustível para atingir a meta da inflação foram decisões de Estado na direção contrária ao desejado, uma vez que esse tipo de serviços exige altos volumes de novos investimentos, além de mascarar a realidade da economia. Para garantir a reeleição do partido, foram tomadas decisões políticas de curto prazo com a intenção clara de captar a simpatia do eleitor. O alinhamento político e ideológico do PT nas relações com governos de esquerda/controladores da América do Sul, Central, da África entre outros, foi caracterizado por ajuda financeira via BNDES e troca de afagos nas políticas praticadas pelo Itamarati, sem nenhuma reciprocidade importante para a nossa economia. Do ponto de vista de planejamento estratégico esse engajamento político partidário foi prejudicial ao crescimento econômico brasileiro pois nivelamos as parcerias por baixo quando deveríamos ter feito acordos bilaterais ou por bloco com os países mais desenvolvidos. Em 1911 no início do terceiro ano do governo PT, o Brasil era a sexta maior economia do mundo. Hoje, os indicadores indicam como décima segunda economia. A pandemia do coronavírus a partir de março 2020 se encarregou de paralisar as discussões econômicas que pudessem trazer melhorias para a sociedade, especialmente na redução do desemprego. Pelo contrário ampliou o desemprego com a redução de postos de trabalho pelo fechamento total ou parcial de muitas empresas. É impossível a firmar que sem a pandemia, as propostas do governo em eventual consonância com o congresso teriam melhorado os resultados do crescimento econômico, mantendo a inflação dentro da meta, reduzido o desemprego e dado andamento a aprovação das reformas pendentes. Hoje, estamos com uma inflação acima de dois dígitos, nível de desemprego de 13,0%, moeda desvalorizada, taxa Selic ao final de 2022 em torno de 12,0%, combustível, gás e energia elétrica em escala ascendente de preços. O cenário é bastante crítico pois estamos no último ano de um governo enfraquecido com o congresso, eleições acirradas entre dois polos antagônicos e uma terceira via tentando furar o bloqueio. A sensação e que apesar de política e economia estarem fortemente atreladas, neste momento, os agentes políticos não estão preocupados com economia, mas apenas em se eleger para um novo mandato ou voltar ao poder. O resultado é de uma situação interna muito preocupante, sem perspectiva neste momento de que haja luz no fim do túnel. A previsão do PIB em 2022 é de 0,30%, refletindo por antecipação que já está admitido pelo Estado a continuidade dos problemas atuais em diferentes segmentos da sociedade. É fora de dúvida que continuaremos convivendo por algum tempo com aumento de famílias em estado de extrema pobreza; do desemprego; da violência urbana; da dívida pública e das taxas de juros; da carga tributária; da insegurança jurídica e da impunidade; assim como da perda do controle da inflação, da manutenção do alto nível de despesas obrigatórias do Estado; da proliferação dos Fake-News; do uso da internet por grupos políticos radicais; da perda da credibilidade internacional; baixo nível de investimentos em educação e pesquisa; da falta de credito; do não avanço nas privatizações; da perda da credibilidade internacional; com o baixo nível de investimentos em educação e pesquisa; com a falta de avanços nas privatizações. Como não poderia deixar de ser, esse conjunto de fatores de responsabilidade exclusiva dos agentes que fazem e influenciam na política e na economia é extremamente negativo para o desenvolvimento do país, impedindo o seu crescimento e não dando ao povo uma justa distribuição de renda e bem-estar social através da educação, saúde e segurança. **J.F.SAPORITO** --- # SOBRE FELICIDADE Work Paper · 2 de fevereiro de 2024 · https://luis-gaj.vercel.app/sobre-felicidade-2 ## Working Paper Nº03 Utilizamos muito frequentemente esta palavra para desejar coisas boas para alguém que gostamos. Também para agradecerem diversas ocasiões, pelas oportunidades que a vida nos oferece, como uma forma de manifestar felicidade. A usamos por ocasião de aniversários, casamentos, batizados, bar mitzvás, e em muitas outras ocasiões. Mas a pergunta não respondida claramente é o que significa realmente? e também como atingir esse estado de felicidade? Existe Felicidade? e o que provoca esse estado tão desejado? são outros questionamentos pertinentes Para iniciar nosso pensamento sobre o tema da felicidade, vamos meditar no que provoca o sentido contrário, ou gerainfelicidade. Preocupações não resolvidas, problemas difíceis, situações angustiosas e questões não administradas ou não controladas e que escapam a nossa capacidade de solução. Com relação as preocupações não resolvidas Buda menciona que, quando um problema tem solução, não temos motivo para ficar preocupados ou deixar de ser felizes, porque ele será resolvido, e devemos focar em sua solução, e quando o problema não tem solução, então podemos ficar tranquilos porque ninguém conseguira resolvê-lo e podemos esquecer dele, evitando que seja perturbador. Problemas difíceis exigem paciência e tempo, sendo preciso esperar momento oportuno para resolver e situações angustiantes as vezes exigem buscar ajuda de terceiros, evitando que sozinhos a enfrentemos. Assim vamos pensar na felicidade como momentos de plena satisfação atingida pelo equilíbrio entre elementos que compõem a nossa existência. Por exemplo equilíbrio entre trabalho e descanso, entre família e estudo, entre diversão e amizades, entre diferentes atividades de lazer, entre leitura e conversação e também equilíbrio entre falar e ouvir. A meditação pode ser importante para se obter esse equilíbrio necessário quando a tendência ao stress e a fadiga se instalam. Sentimos felicidade quando obtemos sucesso, nos encontros com amigos, nos relacionamentos harmoniosos com a família. Uma questão frequente durante a existência e surgimento de conflitos e quando conseguimos administrá-los, isso nos deixa felizes. Não resolvidos exigem iniciativa de uma das partes com credibilidade para atuar e contribuir para voltar ao estado de relacionamento tranquilo. Ocorrem frequentemente nas famílias e também nas empresas, entre pessoas ou até entre departamentos, sendo prejudiciais ao bom desempenho, ou ao bom relacionamento. Atingir equilíbrio na vida não é uma tarefa simples, exige nos organizar para buscar esse estado e não ser conduzidos por caminhos indesejados, exige uma certa disciplina e força de vontade no cumprimento de nossos vários papeis, como professores, como alunos, como trabalhadores, como pais, como avos, como amigos, como esportistas, como casais, e até como serem humanos nos relacionamentos com o mundo exterior. Atingido o equilíbrio atingiremos felicidade, um estado composto por momentos as vezes rápidos e passageiros. Devemos ter cuidado e não confundir felicidade com dinheiro ou com bens materiais. A sensação de sucesso por sua parte, sim, gera felicidade, e não necessariamente relacionada a ganho material. Encontramos muitas vezes pessoas humildes que vivem felizes e contentes mesmo com poucos recursos. As posses de bens ou dinheiro permitem obter conforto, mas não garantem a felicidade Outra forma de encontrar a felicidade e quando cumprimos objetivos que estabelecemos. Por exemplo, alguém se propor ajudar a oferecer maior conforto a quem precisa e terminado seu propósito ou projeto, ficar feliz pela realização. Outra importante forma de atingir a felicidade e quando nos empenhamos em ajudar terceiros, mesmo sendo familiares. Um irmão com dificuldades num certo momento da vida, precisando auxílio e ajudando, pode nos deixar satisfeitos e felizes. Também podemos sentir felicidade por acolher um ascendente idoso com saúde na nossa casa, evitando encaminhá-lo para um asilo quando ficou viúvo. Também sentimos felicidades por ter conhecido e convivido quarenta nãos com queridos amigos que aos poucos foram nos deixando já com idade avançada. O mesmo acontece quando nos envolvemos num projeto beneficente. Poder participar do projeto beneficente numa ONG e motivo de felicidade. Sentimos felicidade quando recebemos mensagens de reconhecimento de amigos que leram nosso livro e gostaram. Um grande motivo de felicidade e ainda na juventude ter conseguido encontrar uma companheira compreensiva e tolerante que tem sido a minha esposa nos últimos 66 anos de casados e que tem sido parte importante na construção da nossa família. Ainda e sem dúvida encontramos a felicidade por ter construído uma família motivo de orgulho. Também por ter previsto as necessidades na terceira idade e desta forma ter criado um patrimônio que permite nossa sustentabilidade, sem luxo e também sem dependência. Outro motivo de felicidade e ter escrito livros sobre o tema de minha especialização na USP no doutorado, ter dado aulas com muito prazer durante vinte e cinco anos e ter escrito dois livros sobre a vida, um no ano 2001 e o último em 2021, este servindo como legado para os netos. Uma neta sentiu felicidade ao pegar uma cabra no colo e nosso genro tenho certeza se sentiu feliz quando depois de certo tempo constatou que tenha conseguido obter um abacaxi na floreira de seu apartamento. Pequenas observações da natureza, como observar atentamente o florescimento dos Ipês amarelos na região ou observar as azaleias em flor no jardim são motivo de felicidade. Ser reconhecido e recompensado e estar contento consigo mesmo e uma forma de felicidade. Como vemos encontrar felicidade não é uma tarefa difícil. Ela e uma somatória de pequenos momentos que nos permitem na hora que paramos para pensar, avaliar que a nossa vida foi de realizações, de satisfações, de alegrias, portanto, que fomos felizes e tivemos uma vida plena. Acredito que depois de ter lido o livro de Buda o estado de felicidade permanente só existe como desejo, e talvez atingido por monges que vivem meditando e buscando a superação espiritual. Também acredito que para nós, simples mortais, momentos de felicidade são estados mentais que nos deixam satisfeitos com nossas realizações e seriam a forma de atingir uma vida de felicidades. Outra forma de atingir felicidade e contribuir para a luta pelos direitos humanos, que trata do respeito a todos os seres humanos, sem distinção de sexo, religião ou cor. Pensando nas prioridades numa visão que podemos chamar de visão Helicóptero, o principal objetivo da vida seria ser feliz. Praticar altruísmo, se preocupar com o bem-estar dos outros, sentimentos de compaixão, fraternidade, amor e carinho, que são os sentimentos com que naturalmente nascemos, praticados de forma sempre que possível, contribuem para gerar a satisfação que gera felicidade. No working paper anterior tratamos da insatisfação e pode aparentemente ser uma contradição para obter felicidade, mas não é, se entendemos que insatisfação é apenas o estimulante para nos motivar a transformar insatisfação em realizações que nos proporcionaram felicidade após executadas. Felicidade é um estado mental que avalia nossas realizações, nossa conduta durante a vida, como uma espécie de balanço periódico com momentos melhores ou piores, numa forma de julgamento de condutas, de ações e que como somatória e talvez com ajuda de espaço para meditação julguem o maior ou menor grado de felicidade em que nos encontramos. Tive a felicidade de não participar de nenhuma guerra e mesmo que Eva sofreou as perseguições na Alemanha durante criança não ficou com ódio ou trauma por esse período. Sem dúvida, o ódio, a inveja, a raiva, são sentimentos negativos que não contribuem para se obter a felicidade. Não pretendemos que seja a felicidade um sentimento permanente, mas sim um resultado de uma vida pensada e avaliada, com sentimento do dever cumprido. As vezes procuramos a felicidade longe, em outros lugares menos conhecidos, quando a felicidade se encontra perto de nós e até do nosso lado. Tarde demais descobriremos isso. Agradecemos a vida por ter nos oferecido tantas oportunidades e realizações, sem isso não teria sido possível manter a nossa presença com leitores neste papo, através destes pensamentos expressos e escritos. **Como no working paper anterior, contribuições adicionais serão bem recebidas, assim como comentários a respeito do tema.** ### Contribuições recebidas sobre o Working Paper Nº03 --- # HONESTIDADE Work Paper · 2 de fevereiro de 2024 · https://luis-gaj.vercel.app/sobre-felicidade ## Working Paper Nº 02 Antes de falar do tema de hoje uma observação importante: meu sócio de 35 anos, Kurt Lenhard que aproveito para homenagear dizia que e preciso desconfiar de quem fala muito em honestidade, por isso começo explicando que não me considero nenhum santo e que devo ter cometido meus deslizes durante a vida. Dos que recordo posso ter me arrependido, mas dos que não recordo talvez deva pedir desculpas. Na religião judaica existe o dia do perdão, nesse dia se jejua, se reza na sinagoga e se perdoa e se solicita perdão pelos pecados cometidos durante o ano. Porém como sou do povo judeu, mantendo as tradições, mas não sou da religião, não tenho o consolo do perdão recebido e provavelmente não tenho sido ou não possa dizer que sou ou tenha sido honesto sempre e justifico a escolha do tema pela ética e moral reinante no mundo e na nossa sociedade. A origem da palavra honestidade deriva do latim Honos, que significa honor e dignidade Todos os dias assistimos a fatos noticiados a lamentar no comportamento de homens públicos e isto nos leva a pensar nas origens e nas causas desses comportamentos. Também são muito frequentes os casos de roubos e não faltam notícias de desfalques. Podemos mencionar atos de corrupção generalizada, porém com exceções, na gestão do dinheiro público, colocação do interesse individual ou corporativo acima do interesse coletivo, a tal da “rachadinha”, apenas como exemplo, legislar em benefício próprio, ganhar “comissões” nas compras até de medicamentos para o público e para a saúde e muitas outras manifestações desonestas praticadas na gestão do dinheiro público. Se, porventura, alguém recentemente concursado tiver a intenção de modificar a situação de um grupo desonesto, este fara uma imensa pressão para que o novo membro se adapte. O Nelson (nome fictício) era meu vizinho e tinha sido nomeado fiscal numa autarquia onde atuava um grupo de corruptos. Ao tentar adotar atitude correta foi ameaçado com ser encaminhado a uma repartição em um lugar muito distante. Como não podia porque a esposa era professora e os filhos estudavam aqui, teve se se “adaptar” ao esquema do grupo para sobreviver, ou então renunciar. Optou pela adaptação. Existem poucos corajosos que conseguem enfrentar uma situação como a mencionada e conseguem se manter honestos. Em outro caso muito sutil que constatei em Brasília, em uma importante entidade, os funcionários pleitearam um clube de funcionários e por motivos políticos e de recursos a demanda foi negada. Algum tempo depois foi criado no mesmo local um centro de treinamento, o que foi aprovado. Aos poucos o centro de treinamento incorporou uma área de lazer com piscinas e todo tipo de recreação, onde os funcionários e familiares se divertiam como num clube. Escrevi num dos meus livros que a criação de Brasília foi um grande erro estratégico e se tivesse sido efetuado “benchmaking” poderia ter sido detectado que para interiorizar o desenvolvimento não era necessário criar uma cidade e sim construir ferrovias, rodovias, escola e implantado indústrias com melhor resultado e sem ter acomodado uma burocracia corporativista emaranhada nas suas entranhas. Conversando com amigos em estes dias e mencionando que pretendia escrever sobre honestidade um me diz “honestidade, nasce-se com ela” Será que a família e o exemplo não têm influência na formação do caráter e comportamento honesto, será que a escola e a convivência com colegas e professores, não ajuda também, a formar uma atuação honesta. Devo discordar do meu amigo se bem que concordo com que a pessoa nasce já com certos traços de caráter e personalidade. A família e o exemplo dos pais e muito importante para formação da atitude que será adotada quando adultos. Na escola, a permissividade com um aluno colando do outro num ensino que valorizava a decoração dos textos para receber notas de aprovação, em lugar de ensinar a entender os temas a serem aprendidos e outra importante influencia na formação. Quando já nos níveis superiores e nas universidades, um aluno assina pelo outro para evitar acúmulo de faltas, está sendo desonesto com a escola, com o professor e aprendendo a ser desonesto no futuro. Por isso e para se atingir um nível de educação que prestigia um futuro melhor é preciso que futuros administradores, futuros políticos, futuros homens de negócios, aprendam a distinguir atitudes permissivas, aparentemente inocentes, mas que moldam a personalidade e terminam formando pessoas familiarizadas com a desonestidade e convivendo naturalmente com ela. Cabe aos educadores o papel de corrigir distorções como essas sendo intolerantes com aquilo que irá prejudicar uma formação adequada de futuras gerações. A reação ao tomar conhecimentos destes fatos é de revolta e insatisfação. Por isso pensamos como educadores, o que fazer para mudar este estado de coisas. Até bem-intencionados e corretos, recém-eleitos, estão calados, porque será. Conte recentemente e caso de um funcionário público numa cidade pequena, cuja esposa era professora, que jogava o lixo no córrego que alimentava o rio da cidade porque achava que ficava feio deixar o lixo na frente da casa até a chegada do caminhão que o recolhe. Se essa professora não conseguia manter uma atitude honesta na sua casa, como teria condições de ensinar honestidade a seus alunos. Por isso acredito que professores precisam também de reciclagem abordando temas importantes para a formação dos seus alunos, e não somente para ensinar a matéria determinada nos currículos escolares. Talvez devêssemos buscar exemplos de atitudes honestas para nos inspirar a seguir eles. Uma pessoa que criou imagem de corretíssima foi a da chanceler da Alemanha Angela Merkel. Quando eleita ela manteve a sua moradia anterior sem utilizar mordomias no governo, nunca foi incriminada em nenhum caso de corrupção e teve uma vida durante todo o tempo como líder de nunca se beneficiar do cargo e atuar como prestadora de serviços para o seu país. Líder do partido CDU União Democrata Cristã durante 18 anos e foi considerada líder europeia e líder do mundo livre. Alguns países nórdicos possuem no metrô catraca livre para quem não puder pagar o custo da viagem. Perguntado a um cidadão se as pessoas não se aproveitam dessa vantagem a resposta foi: se a pessoa pode pagar porque irá se aproveitar. Indicando que todos respeitam e ninguém se aproveita porque foram educados a serem honestos. Num outro caso, funcionários de uma indústria, quando chegam cedo deixam seus carros distantes da entrada, para permitir que eventuais retardatários estacionem mais perto e cheguem rápido na empresa. A preocupação com s outros como forma de consideração, correção e honestidade. Estes exemplos mostram que pode ser criada uma mentalidade modificada e que sem dúvida o papel da família e da escola e fundamental. Poderíamos tentar uma classificação da honestidade, distinguindo honestidade na família, no trabalho, na escola, no serviço público com amigos, etc… deixo isto para um eventual aprofundamento com contribuições de leitores. Agradeço as contribuições recebidas nos working paper anteriores, que vieram enriquecer e aprofundar os temas apresentados. Para terminar este breve ensaio podemos definir o que é ser honesto como digno de confiança e sincero. No mundo atual podemos distinguir os que se consideram espertos e os que se prezam por serem honestos. Tarefa árdua de moldar os caracteres para tornar o mundo melhor, mais participativo, mais tolerante, mais compreensivo e mais identificado com o próximo e com as suas necessidades. Num país como o nosso, com mitos sofrendo privações a falta de honestidade fica agravada porque enriquecimentos ilícitos significam aproveitamento dos menos afortunados e devia se considerado crime sujeito a severas penalidades. Os deslizes de corrupção, a mentira e outras formas desonestas dificultam o caminho da prosperidade de todos e até são fonte de miséria e insegurança. Nos falta solidariedade. Nos sobra indignação por viver em tempos tão corruptos. Como no working paper anterior, contribuições adicionais serão bem recebidas, assim como comentários a respeito do tema. ## Contribuições de leitores sobre "HONESTIDADE" ### Economista – Saporito (leitor) Honestidade é a prática de ações conscientes envolvendo caráter, ética, moral, dignidade, respeito ao próximo, a sociedade representada pelo Estado e a si mesmo. Não há como escrever sobre honestidade sem abordar o contrário. Ser desonesto também é uma prática de ações conscientes, sempre acompanhada por total desprezo dos efeitos e prejuízos que irão causar a terceiros. Ninguém nasce honesto ou desonesto. A família, o local de vivência desde a mais tenra idade até a fase adulta, os colegas do bairro, o ambiente do local de trabalho, os traços da personalidade, as informações da mídia sobre as ocorrências do dia a dia, os usos e costumes da cultura do país, as leis que não punem adequadamente, e as religiões que inibem os maus feitos e o que acabam na verdade moldando a forma de ser de uma pessoa na sua relação com a sociedade quando se trata de praticar atos honestos ou desonestos. É muito frequente que a palavra honestidade seja relacionada como predicado de pessoas idôneas que não roubam ou não participam de forma ativa ou passiva em ações que tragam prejuízos monetários ao Estado e a terceiros que façam parte do seu relacionamento profissional e pessoal. Esse tipo de pessoa passa a ser reconhecido como honesto. Penso que o conceito de ser honesto é muito amplo e não deveria ficar restrito as ações de não roubar, não praticar atos de corrupção e não coagir. Podemos ampliar a discussão em outra direção. Para isso, vamos focar a narrativa de como o uso da palavra falada, escrita e publicada na comunicação entre as pessoas e instituições, pode ser fator determinante em definir se alguém está sendo honesto e sincero, ou desonesto com o seu interlocutor. Não mentir, não enganar, não dissimular, não omitir, não prevaricar, não chantagear, não aproveitar as brechas da lei para tirar vantagem, não transferir de forma não idônea responsabilidades pessoais a terceiros e sempre falar a verdade entre outros, são fatores importantes de análise e reflexão sobre o comportamento de honestidade de um indivíduo e/ou empresas públicas e privadas em relação aos seus semelhantes, clientes, fornecedores e prestadores de serviços. As boas práticas da verdade e da responsabilidade social, podem ser características de pessoas físicas ou de instituições públicas e privadas, que passariam a ser vistas como confiáveis e honestas, desde que fizessem uso constante desses atributos. Entendo que a honestidade está contida na dignidade do indivíduo que fala a verdade mesmo que em certas circunstâncias ela possa ser mal interpretada, incomodar, chocar e aborrecer terceiros envolvidos na questão em discussão. Falar o que o outro quer ouvir e não o que ele deveria ouvir é seguramente um ato desonesto. Em nossa sociedade, o peso e valor da palavra perdeu no decorrer dos últimos tempos todo o seu crédito, em decorrência da falta de credibilidade nas pessoas. A antiga expressão “no fio do bigode” não existe mais. Qualquer documento que origine negócios ou emissão de documentos, tanto de ordem privada como pública exigem que as assinaturas das partes sejam confirmadas por um cartório. Trata-se de uma demonstração inequívoca de desconfiança na honestidade dos envolvidos. O sistema entende que pode haver falsificação de assinaturas entre as partes. Esse sentimento generalizado que pode estar sendo praticado um ato desonesto já está integrado no dia a dia do país. Até mesmo em certidão de nascimento faz se necessário reconhecer firma para dar entrada em certos processos. As autoridades acreditam que uma certidão de nascimento possa estar sendo usada para identificar uma pessoa de forma desonesta. O embasamento jurídico de certas nações baseados na filosofia anglo-saxão entende que o valor da palavra do indivíduo é fundamental na credibilidade e honestidade de quem afirma ou assina compromissos concordando com o texto. Se mentir, está assumindo as responsabilidades e responde nos rigores da lei pelas consequências. Trazendo o tema do uso da palavra honesta para o ambiente da família, constamos as dificuldades que pais, filhos e parentes em geral encontram para abordar com honestidade e clareza o que pensam sobre determinado problema ou situação preocupante. As meias palavras, destituídas da verdade real do pensamento, pode trazer prejuízos futuro na relação entre os participantes e colocar em check a honestidade de quem omitiu ou não falou a verdade completamente. No ambiente de trabalho, uma chefia que não é honesto o suficiente para abordar com o seu funcionário os pontos fracos que ele precisa focar e com isso evoluir na sua carreira, pode estar prejudicando o futuro dessa pessoa. Apenas elogiar os pontos fortes é fácil, mas não é honesto. A ausência da verdade apenas está antecipando uma futura dispensa, frustrando o funcionário que achava que estava tudo bem. Dizer a verdade no momento certo teria sido positivo. Omitir foi negativo e desonesto. Entre as instituições são incontáveis os exemplos em que as áreas de marketing e publicidade deliberadamente não agem com honestidade, levando milhares de pessoas a comprarem produtos que não entregam o que estava prometido. O mais recente caso é o da chamada Black Friday. O sistema americano foi copiado, mas a responsabilidade sobre a verdade dos anúncios e preços ficou por lá. A cada ano aumentam as denúncias no Procon de consumidores lesados. Isso é altamente desonesto pois as empresas estão mentindo e enganando, sob o disfarce de promoções. Os bancos não ficam atrás. O exemplo clássico é do aposentado, pessoa simples de baixa formação escolar, com um ou dois salários-mínimos que ao se dirigir a agência para o início do recebimento do benefício pelo INSS, é induzido pelo gerente a abrir uma conta corrente que o aposentado não precisa, resultando na cobrança de uma taxa mensal de manutenção da conta corrente. O banco empurra um serviço e cobra uma taxa. Isso não é honesto. Assim, concluo que a questão da honestidade está vinculado não apenas em questões que envolvem roubo e corrupção, ativa e passiva nas empresas públicas e privadas, mas também de forma disseminada em todos os setores da sociedade emquestões de falta de moralidade e mal uso da verdade nas relações pessoais. J.F.SAPORITO 14/01/2022 ### Dr. Marcelo Loebman (leitor) Nenhum governo quer priorizar a educação. Se não teremos pessoas que vão eleger melhor seus representantes e cobrar efetivo trabalho dos eleitos. Isto creio, jamais acontecerá neste modelo educacional ### Professora Miriam Menossi (leitor) Bom dia Luis e Eva e ótimo domingo! Refletindo sobre Honestidade conclui que é a conjunção dos 3 fatores: faz parte do caráter da pessoa; é produto da educação e exemplo familiar; e mais tarde da formação escolar. Bons professores adotam o sistema de Assembleia. Quando um aluno sente falta de algo em seu material, o professor interrompe a aula, todos se sentam em roda no chão e o professor administra uma conversa enfatizando a questão da Honestidade. Normalmente o objeto aparece. Essa prática é utilizada em bulling, em brigas, etc. Agradeço a oportunidade de estar aqui com vocês. Abraços!!! ### Irene Nani (leitor) Olá, caro Luiz, achei muito interessante a sua abordagem sobre o tema “honestidade”! Na verdade, pouco tenho a acrescentar, já que os diversos pontos foram bastante esmiuçados em sua descrição! Acredito que o exemplo é importantíssimo! Meus pais sempre tiveram uma atitude extremamente severa quanto a isso! Daí que meus irmãos e eu consideramos a honestidade como um ponto indiscutível! O Helio, da mesma forma era absolutamente rígido nessa questão! Eu até brincava com ele dizendo que eu queria me casar com um homem honesto, mas ele não precisava exagerar!!! Assim meus filhos continuaram com a mesma tradição! Quanto à política, entra um fator de extrema importância que é o “poder”! Por ele, infelizmente, as pessoas tendem a esquecer os princípios básicos com que foram educados! Soma-se a isso o fator dinheiro, que com um desvio de comportamento, consegue-se com muita facilidade! Nesse caso, apoiando-se no exemplo dos companheiros, muitos não conseguem resistir! Vemos diariamente exemplos tristes nos jornais!​ Por outro lado, a iniciativa de ajuda aos mais necessitados tem crescido consideravelmente, havendo hoje em dia campanhas honestas nas quais podemos confiar! Enfim, acho que de um modo geral é o que penso! Um abração!!! --- # A INSATISFAÇÃO Work Paper · 2 de fevereiro de 2024 · https://luis-gaj.vercel.app/a-insatisfacao ## Working Paper Nº 01 Na leitura da Faiga sobre Criatividade e também na Psicologia aprendi que a insatisfação e fundamental para provocar mudança e transformação. Nos meus atuais dias, já com 90 anos, senti a insatisfação depois de ter terminado meu último livro de Memórias e precisava detectar qual seria o motivo. Pensando cheguei a conclusão de que depois de produzir sete livros, meu hobby era escrever e não estava fazendo isso. Uma preocupação com tempo ocioso nesta época de pandemia e permanência em casa, me fez pensar em muitos motivos de insatisfação e resolvi colocar meus pensamentos no papel, sem preocupação com a qualidade técnica da escrita e sim com a ideia de transmitir estes pensamentos. Desta forma espero atingir interessados no tema e até provocar para novas contribuições sem maior preocupação ortográfica. Pretendo também que o tema seja motivo de provocar pensamentos adicionais no sentido da percepção dos aspectos positivos da insatisfação. A insatisfação nos provoca e nos motiva para nossas ações durante toda a nossa vida. Numa certa época nos impulsiona na carreira profissional pelo desejo de melhores condições de vida e conforto familiar, ligadas a realização pessoal e a satisfação de fazer aquilo que gostamos. Em outros momentos e inspirados em terceiros, sentimos a insatisfação porque reconhecemos a nossa ignorância e isto nos conduz ao estudo. Sempre a insatisfação com algo, impulsionando nosso desenvolvimento. Quando olhamos ao nosso redor ficamos insatisfeitos quando vemos o descaso das autoridades locais na manutenção de buracos nas ruas ou na ausência de calcadas para os pedestres na região onde moramos. Podemos escrever para o Prefeito reclamando e solicitando providencias, mas dificilmente teremos resposta a nossa solicitação. Aliás já fizemos sem resultado Estamos insatisfeitos com o nível de desemprego do país e a dificuldade que os pobres sofrem na falta de condições mínimas de sobrevivência. Tentamos fazer com que os mais próximos de nós tenham uma vida confortável sem sofrer. Ficamos também insatisfeitos de constatar grande número de famílias e crianças sofrendo na periferia, morando em favelas e sem condições mínimas de higiene. Morando mais de quarenta anos aqui, numa área de privilegiados, ficamos insatisfeitos com o uso de fossas sanitárias em lugar de redes de esgoto com tratamento. Com relação à política, ficamos muito insatisfeitos com a falta de seriedade e boa conduta dos escolhidos para nos governar, que atuam em benefício próprio em primeiro lugar e pouco se importam com o país, seu povo e as condições em que vive, gozando-os de privilégios totalmente inadequados e incompatíveis com a realidade do país. Existe também inquietação com pequenas causas. Estava descendo de elevador num prédio e para nosso desconforto ficava parando em vários andares, em lugar de ir direto para o térreo. Chegando na recepção e insatisfeitos com o ocorrido meu filho foi reclamar com os atendentes explicando o que estava acontecendo. Um tema atual de grande insatisfação está relacionado com o tratamento dispensado ao meio ambiente, e isto não é problema somente do Brasil. Muitos anos atrás passeando numa floresta na Alemanha constatamos que as árvores estavam morrendo devido a poluição. Saber que não cuidamos corretamente de nossas florestas e especialmente da Amazônia e que isto trará consequências para nossos descendentes e também motivo de insatisfação mesmo que pouco podemos fazer para mudar isto. Os incêndios que estão acontecendo na Califórnia, também preocupam e cuidar de nossas arvores e plantar mais algumas pode nos ajudar a diminuir esta insatisfação. Uma das consequências tem sido o aquecimento global e este último verão o hemisfério norte, apresentou temperatura nunca vistas anteriormente. Acredito que a insatisfação seja um estado natural da pessoa humana na busca de melhoras em todos os sentidos da vida. Também penso que não se trata de algo relacionado com alegria ou tristeza e muito menos com felicidade, que são processos independentes. Vamos entender a insatisfação como forma de protesto contra aquilo que desagrada, o melhor ainda como motivador para nos impulsionar a ser criativos e contribuir para melhorar o mundo em que vivemos, pensando na responsabilidade que temos para com nossos descendentes das futuras gerações. Pensando em satisfação, quando ocorre, pode levar a letargia e inatividade, a indiferença com a realidade que nos cerca e inação ou passividade, o que pode significar uma vida sem sentido. Pessoas satisfeitas perdem o interesse e deixam de pensar no futuro, se acomodam e vegetam num mundo cada vez com maior mudança, com novas tecnologias que precisam ser de alguma forma incorporadas no dia a dia e com desafios que as mudanças provocam. Por isso viva a insatisfação e façamos bom uso dela. ---