DECADÊNCIA

ENSAIO Nº 7

Este ensaio parte de uma hipótese: tudo que existe ou que venha a existir, no nosso mundo, e que tenha vida, ou seja criado pelo homem, possui uma tendência a sofrer o processo da decadência. Para provar a hipótese dividimos o meio natural, os objetos que nos rodeiam, o mundo animal e o mundo dos seres humanos com as suas criações.
Já o Buck, da Metal Leve, dizia que as árvores crescem para cima, mas não para o céu.
Meu pai dizia não tem bem nem mal que dure cem anos, se referindo ao período de 39 a 42, em pleno andamento da guerra e invasões da Alemanha.
Previa que em algum momento haveria o fim do nazismo. Podemos dizer hoje o mesmo quando nos referimos ao Irã dos Ayatolás, desde fevereiro de 1979 no poder. e como consequência, dos grupos terroristas Hamas e Hezbollah.
Vivemos num mundo caótico, cada vez mais apressado, poluído e confuso, onde o celular não para o dia inteiro, e onde conflitos se sucedem no mundo. A pressa por realizar, por construir, por deixar uma marca no mundo, impulsiona os seres, que também precisam, para atingir um certo equilíbrio, buscar formas de compensação.
No meio natural, observamos as plantas e constatamos que decorrido o seu tempo de vida, as árvores, as flores, as plantas, tendem a se transformar para gerar ciclos de desenvolvimento, e nesse processo mudar de cor, caem as folhas, e no fim terminam em decadência, até que deixam de existir, mesmo que tenham vida longa.
Os objetos que nos rodeiam, possuem o mesmo ciclo de vida, são criados, e quando prontos, são vistosos e atraentes. Por exemplo um carro novo sai da venda gostoso, sem um barulho, desliza suavemente e nos oferece prazer. Poucos dias de uso e começamos a sentir algum barulho e com o passar do tempo precisamos levá-lo na oficina para lubrificar e para manutenção. Ele também tem vida limitada, a sua decadência está determinada, até que atingindo elevada quilometragem o passamos para frente, porque o custo de manutenção fica elevado. O novo comprador, o aproveita enquanto possível, e chega o dia em que será sucateado.
Objetos de toda espécie sofrem a deterioração natural que acontece com o passar do tempo, e mesmo que as casas, que são construídas para durar a vida toda, estão destinadas a ser demolidas ou reformadas amplamente, na geração que a construiu ou nas futuras gerações que as adquirirem ou nas que herdem.
Objetos menores, como geladeiras, micro-ondas, e torradores de pão, entre muitos outros, inclusos televisões são destinados a vida curta, seja porque envelheceram, seja porque novas tecnologias, os tornaram obsoletos.
Assim acontece com os telefones celulares, onde novas series mais modernas e com maiores recursos obsoletam as séries antigas, e impulsam compradores a adquirir o novo. E num mundo de grandes transformações tecnológicas ocorrendo cada vez mais rapidamente, a necessidade de nos atualizar, nos obriga a buscar o novo e mais atual, dentro de nossos limites de poder de compra.
Assim também os carros elétricos, silenciosos, econômicos e não consumidores de petróleo, mudaram a tecnologia e vieram para ficar. Logo virão os sem motoristas e os veículos voadores e os carros atuais ficarão obsoletados.
No mundo animal tomamos conhecimento de que o nosso animal de estimação tem vida curta, muitas vezes requer assistência veterinária, e tem seu fim aproximado calculado pela experiência. Animais maiores possuem vida mais longa, e tartarugas vivem mais do que os humanos. Dentro do reino animal, depende de cada espécie, mas todas tem o seu ciclo de nascimento, crescimento, maturidade, declínio e desaparecimento.
Seres humanos, quando não eliminados em guerras inúteis por espaços de terra, ou por ódio, vivemos também o nosso ciclo respeitando nossos antecedentes, da história familiar, das doenças herdadas, e da capacidade de adaptação a um mundo poluído, com aquecimento do planeta, pela destruição das florestas, pela poluição dos rios, e pela contaminação do ar. A capacidade de adaptação depende de cada organismo, mas cada vez aparecem novas doenças, que surgem como consequência da transformação do ambiente, também pela ação do homem, transformando os produtos que comemos, para obter maior produtividade e maior lucro. Assim produtos ultra processados, contribuem para encurtar a existência e também para enriquecer dirigentes e acionistas de muitas empresas, que sem medir efeitos, produzem alimentos agradáveis para o paladar, e até que viciam no consumo, mas que, com uma máquina publicitária eficiente, convencem milhões a consumir, sem maior valor nutricional, sem contribuir para a saúde, tornando pessoas obesas ou subnutridas, em lugar de pessoas saudáveis. Naturalmente existem empresas que procuram se adaptar às novas exigências e buscam assistência, para melhorar a qualidade dos produtos.
Acionistas e executivos destas empresas são muito eficientes em calcular custos e precificar, tornar embalagens e cores incentivadoras, e produzir lucros, compensados com boas remunerações, e gratificações.
E quando as vendas diminuem, ações do marketing e promoções, incentivam aumento de consumo, e melhora no desempenho, no rendimento, e na rentabilidade.
As transformações genéticas dos alimentos, nunca puderam ser comprovadas, em termo de seus efeitos para a vida, tão somente serviram para aumentar a produtividade das lavouras e imaginamos que estas e outras transformações, destinadas obter maior produtividade, assim com o uso de pesticidas e fertilizantes, nunca tiveram estudos relativos a como estas modificações estão afetando a vida.
A decadência das empresas que não se adaptarem ao mundo novo, será muito provavelmente rápida, e se analisarmos, numa visão de helicóptero, constataremos as profundas transformações, e o grande número de empresas, que deixaram de existir, por inadequada adaptação. A decadência delas foi notória.
Muitas também sofreram decadência porque produtos chineses, com custos muito menores, as tornaram incompetentes para sobreviver, seja pelo custo Brasil, ou por outros motivos no mundo econômico.
Apesar do processo de decadência acima relatado, o ciclo de vida média das pessoas, tem aumentado gradativamente, e o número de idosos, tem aumentado em relação às outras faixas etárias. Acredito isto seja consequência do avanço da ciência, e da medicina cada vez mais especializada, e à redução dos índices de natalidade, notadamente na Europa.
A proposta a seguir é direcionada a análise e sugestões pra mesmo com o declínio e decadência inexorável, que a vida dos seres humanos encerra, seja possível minimizar os efeitos da decadência, e até prolongar a existência, com motivo justificável, ou com sentido renovado.
Voltamos assim, ao tema da entropia natural, que se instala em tudo, e das medidas para introduzir entropia negativa.
Nos objetos, nas coisas, os cuidados de manutenção são importantes, e recomendáveis, nos espaços de tempo necessários em cada caso.
Já na vida dos seres humanos, combater a decadência não significa eliminá-la, ou até postergá-la, mas sim melhorar o estado físico e psicológico. Nas medidas destacam-se uma boa alimentação, o uso do sono reparador, no número de horas adequado para cada organismo, uso de suplementos alimentares, e sem falta, a manutenção da máquina, do corpo, com caminhadas, ginástica, e outras atividades prazerosas.
No cuidado com a mente, a leitura, os relacionamentos, a convivência familiar, o lazer e o intercalar ocupar-se, com descansar e, até perceber o entorno, mantêm a mente saudável, e incluso o corpo.
No entanto a decadência faz parte da existência e do ciclo biológico, e será percebida e sentida, pelas limitações que impõe na medida que os anos se somam.
Acreditamos que tentar provocar artificialmente o prolongamento da vida, seria um processo atentando contra a natureza, e que quando chega nossa hora, que não sabemos quando será, seja processada de forma natural, o e sem artifícios.
Mesmo tendo concluído este artigo, e pensando macro, todos os grandes e poderosos impérios da antiguidade tiveram as suas decadências históricas e abordadas nos compêndios da matéria. Mas se pensamos nos dias atuais, podemos perceber as mudanças em andamento, com uma Europa deixando aos poucos de ser europeia, empobrecendo, e caminhando para a islamização, percebemos o declínio que antecede a decadência, dá até então principal potência do mundo, os Estados Unidos e seu dólar perdendo valor, pelo comercio internacional passando a ser na moeda dos interlocutores, e a China, apesar de suas desigualdades, se tornando a maior potência mundial, e sem dúvida, tendo papel importantíssimo, nas decisões sobre o mundo do futuro. Processos de decadência, são acompanhados de processos de surgimento e crescimento, destinados estes também, à decadência futura.
Luis Gaj
Observação: espero contribuições e até não concordância com o tema escolhido