DESIGUALDADES SOCIAIS

ENSAIO Nº 09
Estamos vivendo numa época de grandes contrastes, e um dos sintomas e o crescimento mundial dos moradores de rua. O grande número de favelados no Brasil, e também o número de desempregados, são também características que contribuem para os contrastes, e para as desigualdades sociais.
Desigualdades sociais se refere ao acesso a recursos, oportunidades, direitos e padrões de vida. Desigualdades ocorrem quando se trata especialmente de renda, moradia, acesso a educação de qualidade e saúde.
Levantamos este tema para o debate, por considerar que estamos longe de constituir o ideal, de uma sociedade justa e inclusiva, onde todos tenham acesso a oportunidades e direitos básicos.
Depois de ter me identificado, sendo jovem, como esquerdista ou socialista, na época em que ser de direita era pregar ditadura, regime fascista, ou nacional socialista ou nazismo. Hoje, depois de ter visto muito do caudilhismo e dos demagogos de esquerda e direita, posso dizer que nada do muito do que vi, nos muitos governos que se sucederam no mundo, nenhum pode ser chamado de socialista.
Foram sim, como na Rússia comunista, ditaduras, e deturpações das verdadeiras ideias de igualdade social.
Acredito que hoje, socialismo se provou um ideal utópico para jovens sonhadores, que como eu, acreditaram que seria possível a construção de um mundo completamente diferente, onde o ser humano seria respeitado e protegido, por um sistema de igualdade, com princípios elevados e inexistentes na realidade.
O que temos como resultado da experiência de muitos anos, é que a democracia, com todos os seus defeitos, ainda é o melhor sistema para governar e se viver, com liberdades preservadas. No entanto extremistas de direita defendem o capital acima de tudo, como único salvador do progresso, e do desenvolvimento, sem restrições, e sem preocupação com o que tem acontecido, de acumulação em poucos, em detrimento de muitos.
Enquanto os esquerdistas também extremistas, acreditam no poder do estado e na fixação de regras intervindo em todos os aspectos da vida. Ambas as correntes, reduzem a verdadeira democracia a um estado que passa a se assemelhar a ditaduras, mais ainda quando se usa do sistema judiciário para as intervenções e ditame de leis.
Verificamos hoje, que existem governos que se autodenominam de esquerda, mas que na verdade atingiram o poder para se locupletar, e beneficiar correligionários, passando a ter uma vida de luxo, distante das verdadeiras ideias sociais. Assim os governos que têm se sucedido, estão longe de pensar ou procurar minimizar os problemas decorrentes das desigualdades sociais. Na realidade, e nos vários níveis dos governos, o que se constata é que legislam em benefício que a si mesmo se outorgam, constituindo as maiores remunerações e mordomias do país.
O inchaço da máquina pública, que atribuo em parte a mania de grandeza do então presidente Juscelino Kubitschek, na construção de Brasília, que permitiu espaço para esse crescimento da burocracia, e longe da realidade do País, afastado dos verdadeiros problemas.
Para exemplificar o que entendo por desigualdade social relato o que vivi nas empresas. Enquanto no Brasil o salário-mínimo era de hum mil Reais, o maior salário do executivo era de 100 mil, cem vezes o menor.
Na Alemanha, entre o menor e o maior salário nas empresas é de 4 a 5 vezes o menor. Isto não significa que o maior salário diminuiu, mas sim que o menor salário atingiu um nível elevado, permitindo um padrão de vida confortável.
Por isso, podemos dizer que a desigualdade social, se encontra em nível patológico de desigualdade (usando as palavras de Bolivar Lamounier 8/3)
Claro que isto é impossível de se eliminar e atingir o nível alemão, na situação atual no mundo em desenvolvimento ou subdesenvolvido.
Para se construir uma sociedade igualitária, onde não exista miséria, onde se atinja um padrão elevado, e preciso se planejar a médio e longo prazo.
Para se poder distribuir riqueza e preciso construir riqueza. Sem nenhuma dúvida o começo desse planejamento parte de um sistema de educação eficiente. O caminho educacional, parte da formação de professores valorizados, e de escolas que atinjam seu papel educacional. Como expliquei em ensaio anterior, num caso de Alagoas, as mães enviam as crianças para escola para se habilitarem a receber a Bolsa Família, mas as crianças faltam muito, e os professores também, mas ninguém repete de ano, e terminam formando, meio -analfabetos.
O problema das desigualdades sociais carrega consigo inúmeros outros problemas. como a marginalidade, a insegurança, criminalidade, e até a revolta. Podemos dizer que é uma injustiça social que limita os recursos, as oportunidades, o atendimento à saúde, emprego, renda, raça, gênero, etnia e habitação.
Enquanto falta visão de médio e longo prazo para se desenvolver planos, as desigualdades sociais são substituídas por privilégios, oportunidades, preconceito e exclusão social. A pobreza e falta de recursos do país, e a malversação na alocação de recursos, são disparidades que dificultam a melhoria social e mantem as desigualdades.
Além do prejuízo individual que provoca ampla desigualdade social, provoca instabilidade social e política.
Sociedades mais igualitárias, tendem a ser mais estáveis, prósperas e democráticas, beneficiando a todos.
Mas a realidade relatada por Miguel Reale, em artigo publicado no jornal O Estado de São Paulo de 03 de fevereiro deste ano, é que segundo relatório do Banco Mundial, o ano de 2022 foi de incertezas por causa do Covid, e em 2023 aumentaram as desigualdades.
700 milhões de pessoas sobrevivem com menos de R$ 10,50 por dia, número de pessoas 45% maior do que em 2020.
A concentração de renda apresentada durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, indicam que as maiores empresas lucraram 52% mais do que a média dos últimos três anos. Esta realidade também no Brasil, onde quatro bilionários aumentaram a sua riqueza enquanto 129 milhões ficaram mais pobres.
Fica então claro que deixar simplesmente a economia e o lucro vigorar, as desigualdades não irão melhorar.
Lamentável a falta de lideranças com visão de futuro, que eliminem a corrupção e a malversação de recursos, e que busquem formas de elevar o nível da população, tornando-a ciente e competente, para escolher sabiamente os verdadeiros líderes adequados para nos governar, sem falsos de direita que pregam a ditadura, e sem falsos de esquerda, na realidade incompetentes ou até desinteressados na evolução social e redução das desigualdades. De acordo com o jurista Reale Junior, não se deve deixar o mercado, ávido de lucros, decidir livremente sobre a vida dos cidadãos, e das pequenas empresas. Da mesma forma acrescento que não deve o governo interferir nas iniciativas privadas, quando não tiver competência para isso, tão somente para obter apoio e fidelidade.
Alguns princípios fundamentais para redução das desigualdades sociais estão, em primeiro lugar, na erradicação da pobreza, fome zero, desenvolvimento econômico, trabalho decente, eliminação da corrupção e reduzir desigualdades de gênero, e respeito ao meio ambiente.
Os planos assistenciais adotados de bolsa família ou de fornecer televisão para os mais pobres, estão longe de tratar do verdadeiro problema e se justificam tão somente como emergenciais, mas não como permanentes, na busca de angariar votos. Falta visão de médio e longo prazo, falta desprendimento dos interesses pessoais e dos correligionários, para se pensar verdadeiramente no País, seguindo o exemplo de pessoas e lideranças como da Angela Merkel, na Alemanha, sem demagogia, e com trabalho sério, na defesa dos interesses da população.
Entre as soluções para mitigar o problema das desigualdades sociais, sem dúvida, a mobilização da sociedade é fundamental, constituindo parcerias entre o poder público e a iniciativa privada, e também cada vez mais as empresas se identificando com os problemas sociais e adotando uma atitude responsável socialmente, e com o meio ambiente.
Também o setor público contribuiria gastando menos, gastando conscientemente, para que os recursos gerados pelos impostos, sejam destinados para melhorias da população, e não sejam dilapidados com gastos para manutenção da própria máquina e do corporativismo instalado.
Na Ásia foi promovida a redução das desigualdades sociais promovendo desenvolvimento, destacando educação como fator chave.
Um bilhão de pessoas deixou de fazer parte dos mais vulneráveis e pobres, para migrar de posição, para uma vida mais equilibrada e decente
No mundo, iniciando 2024 com elevados riscos, e instabilidades, e perspectivas de grandes mudanças, cabe alertar sobre os extremismos de direita e esquerda, de líderes autocráticos e de regimes que colocam incertezas sobre o rumo das verdadeiras democracias, e sobre os verdadeiros desejos de redução das desigualdades sociais, que seria a forma de tornar o mundo mais seguro, mais equilibrado e mais feliz e com as liberdades preservadas. Se o socialismo pregado por Karl Marx e Engels, se tornou uma utopia, pelas experiências desastrosas que se sucederam, e se o extremismo de direita ou ditadura militar, e outras formas de ditadura se mostraram provocando cerceamento das liberdades, e regimes como o nazismo na Alemanha, qual seria a forma ideal de se criar sociedades justas, livres e verdadeiramente democráticas, que preservem as liberdades e que lutem pelos benefícios da população. Seriam sociedades que não pudessem ser nem de extrema direita, e nem de extrema esquerda, porque as tendências para os extremos são tendências para regimes ditatoriais, mesmo que fantasiados de nomes idealizados e atrativos.
Isto pelo menos enquanto não se encontrem formas melhores de gerenciar os povos, e até a comunidade global, o que seguramente um dia surgira, provavelmente por pressões e causas hoje desconhecidas. Uma forma ideal de sociedade num modelo ideal ainda não vislumbrado. Muitos anos serão necessários, mas enquanto isso, falsas democracias como a que segue é importante destacar e comentar.
Ninguém de bom senso, pode afirmar que a Venezuela, por estar convocando eleições, está se tornando um País democrático, assim como ninguém pode afirmar que a Rússia de hoje é uma democracia, com um governo que se perpetua no poder.
Enquanto nos Estados Unidos hoje o dilema é qual dos dois potenciais candidatos, seria menos ruim para governar o país, percebemos nitidamente que o que falta hoje no mundo, são verdadeiros líderes para substituir a inoperância de donos do poder, que estão colocando em dúvida o futuro de seus povos, e criando dificuldades para reduzir as desigualdades sociais, o que somente será conseguido gerando riqueza, e cuidando da distribuição dos recursos gerados.
Lideres com visão de futuro e menos preocupados com sua própria manutenção no poder, e com a proteção de seus correligionários.
Luis Gaj