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APOCALIPSE

Luis Gaj··7 min de leitura

ENSAIO NÚMERO 20

“Aprés moi, le diluve”  

   Empresário de um dos maiores grupos do país

Este empresário, que construiu um enorme patrimônio industrial, comentou em certa oportunidade, que depois dele, podia vir o diluvio. Ele faleceu mais tarde, e o dilúvio não aconteceu, e como diz famoso tango “tus ojos se cerraram y el mundo sigue andando”.

Muitas previsões sobre o fim do mundo, são tema de igrejas, e remetem à necessidade de fé, para superar o que vem pela frente.

Vamos respeitar a fé das várias religiões, com vinda de Jesus para salvar os remanescentes, ou do messias, para ressuscitar os mortos, e salvar o povo. Entre outras profecias, culturas e mitologias.

Para os católicos, apocalipse é o último livro do Novo Testamento, que revela a relação de Deus sobre o fim dos tempos, e a volta de Jesus. E basicamente o livro da esperança cristã, ou da confiança inabalável. Assim os católicos acreditam que Jesus irá voltar.

Para os judeus não consta o apocalipse, porque se acredita que Deus castigou o mundo com o dilúvio universal, e que não haveria outro castigo semelhante, e que nunca destruiria novamente. O fim dos tempos, faz referência a era messiânica, e chegada do Messias, que virá para ressuscitar os justos e unirá o povo na terra santa. No entanto, existe no Talmud uma frase que diz: “Seis milênios o mundo existirá, e em um milênio será destruído” No sétimo milénio Deus se revelará, e habitara no mundo por ele criado.

Para os evangélicos, muito sabiamente, acreditam que existem sinais fortes, de que o início do apocalipse está sendo processado, através das catástrofes ambientais, da destruição da natureza, das inundações, do crescimento das guerras, e dos inúmeros conflitos, dos moradores de rua, da insegurança das populações, grande desigualdade social, e assim por diante. Também acreditam que Cristo voltará carregado numa nuvem.

Assim, as várias religiões, em relação ao apocalipse, ou ao fim dos tempos, consiste na esperança fundamentada na fé. Como judeu secular, avalio que o apocalipse não representa a destruição e sim a salvação. Mediante o receio da possibilidade negativa, pela observação dos fatos, e pela dramatização das tendências para o futuro.

Demanda ação concreta para mudar as tendências, enquanto os adeptos de direita e de esquerda, são negacionistas, e focam em números, acreditando que com as tarifas voltaram a tornar os Estados Unidos forte, especialmente na indústria. América em primeiro lugar, e o dilúvio para o resto do mundo, desde que América adote essa visão negacionista, sem olhar para os sinais evidentes de riscos, com visão míope dos fatos. A esquerda, por sua vez também negacionista, protela medidas para preservar a natureza, e permite a destruição, enganando com benesses que aparentam o bem estar, e a não necessidade de trabalhar.

No entanto vamos comentar o que estamos vivendo no mundo, alertados pela guerra econômica, das taxas aumentadas para proteger os mercados, e os sintomas que estamos vivendo no mundo atual. “Aprés moi, le diluve”, e sem dúvida uma colocação egoísta, sem se importar com o resto, depois da morte. Assim também os míopes, não percebem que os efeitos de suas ações podem ser nefastos, incluso para eles mesmos.

Os sintomas da decadência do mundo atual, foram comentados em ensaios anteriores, como foi no caso dos moradores de rua.

 Minha neta, morando no Canadá, pais de primeiro mundo, relata que também lá, ultimamente tem crescido o número de moradores de rua, desempregados, e pedintes pelas ruas.

Sim, muitos sintomas da decadência, do descuido do homem para com a proteção da terra, entre eles, as catástrofes ambientais, as inundações, as pragas tipo pandemia, que assolaram o mundo todo, e até mudaram costumes, e formas de trabalhar, as inundações, a miséria, em contraste com a opulência, a perversão provocada por industrias, objetivando lucro acima de tudo, a cobiça dos eleitos, que só pensam nas eleições e em se reeleger, catástrofes como a da recente Myanmar ou Birmânia, com tremores de alta intensidade, a fome persistente em bolsões de extrema pobreza, a proliferação das drogas no mundo.

 O mundo das drogas e do crime organizado tem se fortalecido e crescido. e os recursos para combater, têm se tornado escassos, em relação ao poder concentrado nos contraventores, a ganancia do ser humano por trás dos infratores.

A indústria farmacêutica, nem sempre cuidando da saúde, mas sempre objetivando resultados financeiros, a indústria de alimentos, nem sempre oferecendo produtos nutritivos, mas muitas vezes promovendo imagens enganosas sobre os produtos industrializados, são também sintomas da decadência da civilização. Ainda a indústria armamentista, desenvolvendo produtos cada vez mais mortíferos, e se consolidando pela procura por poder, dos que acreditam que somente pela força, irão dissuadir eventuais inimigos.

Assim a natureza, da sinais do que para muitos seria estarmos no início do apocalipse, e que o único caminho que nos resta e o da fé, ou complementarmente, em outras palavras, transformadoras na Metanoia, ou mudança de mentalidade, necessária para reverter as tendências, para evitar o desastre. Negacionistas de toda espécie, entre eles também os dirigentes, cancelam pequenos esforços internacionais para mudar, retirando apoio, e saindo de fórum mundial.

Se a fé e um consolo para muitos, e pode levar à imobilidade, a mobilização de forças, para se opor às tendências que contaminam, que poluem, que desmatam, que envenenam o ambiente, que provocam guerras, cada vez mais sangrentas, e sem perspectivas, sendo que a indústria armamentista é outro perigoso flagelo em direção ao apocalipse.

Bravejar contra as tendências, não resolvera os problemas do mundo atual. O que realmente importa, são as atitudes, e as ações que conseguirmos mobilizar na sociedade, para alterar o rumo das tendências. Sim é possível, é um livro que irei comentar num próximo ensaio, mas aqui a mensagem de que sim, e possível reverter as tendências apocalípticas, e evitar o fim dos tempos. Outros muitos sintomas da decadência, estão presentes na vida diária, um deles, o aumento da violência, da morte inútil, da insegurança nas ruas, da enganação, das tentativas de ludibriar, e roubar através das redes sociais, e dos meios de comunicação com as Fake News.

Para complementar, o poder e a força positiva das igrejas, cientistas do mundo, contando com metade dos prémios Nobel e um total de 1700 assinaturas, já no ano de 1992 lançaram um alerta resumido na frase” A HUMANIDADE E O MUNDO NATURAL SE ENCONTRAM EM CURSO DE COLISÃO” e apelando para medidas urgentes, por causa das atividades humanas estarem provocando  destruição irreversível de nossos recursos críticos. Sendo que as práticas atuais, colocam em risco o futuro que queremos para a sociedade, e para o reino animal e vegetal. E pode alterar a vida na terra, da forma que a conhecemos.

Depois de 25 anos foi constatado que quase nada foi mudado, e que a civilização continua na rota de colisão, já apontada. Em 2017 outro grupo de cientistas, envolvendo 15.000 assinaturas apresenta um forte novo alerta, com biociência, reforçando os apelos de 1992, como último aviso, “pois não teremos outra chance para alertar a humanidade”.

Como observamos no ensaio número 19, estamos vivendo numa era de descontinuidade, especialmente com perda dos valores democráticos, e da liberdade, e surgimento e proliferação de regimes autocráticos. Estes regimes, são cegos para compreender e se posicionar, como estadistas, para procurar um mundo melhor. Ansiedade de poder acima de tudo, não permite enxergar, que estamos vivendo uma época pré apocalíptica, e que é preciso uma mudança de rumo, se quisermos evitar a destruição do mundo, anunciada pelas várias religiões, e pelos cientistas, nas suas diversas formas.

O recurso que temos para evitar a catástrofe, é a dramatização apocalíptica, promovendo movimentos, que gradativamente transformem a visão de mundo, e obriguem a enxergar os perigos, e a necessidade de mudar.

Sim, o apocalipse da sinais,  que precisam ser percebidos para tomar consciência, e agir de maneira diferente, as religiões podem ajudar nesta tarefa, e são muitos importantes, mas não é suficiente, se os dirigentes se mantiverem cegos, e indiferentes, negativando tudo que acontece, e usando de demagogia e proselitismo par se perpetuar.

O Papa Francisco deixou um legado para o clima e para a Amazônia. Nos seus 12 anos na chefia da Igreja Católica, levantou insistentemente o problema do aquecimento global causado pelo homem, na queima de combustíveis fósseis, e encorajou aas pessoas e líderes mundiais, a combater as mudanças climáticas. Associava a proteção do meio ambiente, com a proteção aos mais vulneráveis, a respeitar cada uma das criaturas de Deus, e respeitar o meio ambiente em que vivemos.

Luis Gaj – maio 2025

Este ensaio contou com a colaboração de Marilene Maria Lemos, de Saad Romano e de Miriam Menossi

Finalizo pedindo desculpas pela abordagem simples, e incompleta dos pensamentos religiosos.

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